Sexo, erotismo, pornografia, fetiches. Violência, criminologia, parafilias, patologias.
Psicanálise, antropologia, teologia, literatura, arte, fotografia, filosofia, cultura, comportamento etc. Se você é um conservador, este não é um lugar pra você. 
    Este é um blog sobre o lado vermelho da vida, um blog sobre a minha vida, sobre a minha arte e espero que você goste bastan- te daqui.  Mas se não gostar, também, foda-se.


bloodpack@uol.com.br



 

 




 




 
 

 

.
 
   29 de Fevereiro de 2008.
David LaChapelle



Jesus Is My Homeboy: Annointing, David LaChapelle, 2003
   
 

       17h31min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   28 de Fevereiro de 2008.
O encontro

    Um dia, caminhando por um campo, encontrei-me com o Cupido. 

    Seu corpinho de criança nua, com asinhas pequeninas e seu rosto rosado, emoldurado por cabelos encaracolados, ficaram diante de mim, estacionados. 

    Eu, parado, resumi-me a observar o deus infante com seu arco e suas flechas ponteadas por minúsculos e afiados corações vermelhos.

   O Cupido me olhava.

   Eu olhava o Cupido.

   Aquilo me irritou e eu, então, mandei o Cupido ir tomar no cu.

   Ele foi embora e nunca mais voltou.

Jack Sk.   
   

       19h22min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Romanos 3:10-18

    A tradução é mais ou menos como a investigação sobre um perfil: o ato de traduzir possibilita uma espécie de viagem aos confins da mente que escreveu o texto, revelando muito a respeito de quem se expressou através dele: seus medos, suas ambições, sua cultura, seu mundo. 

   Além da grafologia, eu considero a lingüística uma ciência de grande importância para as áreas forense e de psicologia. Considerando que mesmo com a máxima fidelidade ao sentido original de um texto qualquer o exercício da tradução é sempre uma opção, traduzir, seguindo as regras gramaticais de um idioma e o sentido oculto na etimologia das palavras que compõem o seu léxico, me ajuda não apenas a entender um pouquinho a cabeça de outra pessoa, ajuda-me a entender também um pouquinho mais a minha própria. 

Trecho do Novo Testamento, em dialeto Grego Koiné, traduzido por Jack Skellington

10   Como está escrito Não existe justo nem um único,
11   não existe o entendedor, não existe o almejante de Deus.
12   todos desviaram-se juntos fizeram-se sem valor; não existe benfeitor, [não existe] nenhum.
13   tumba aberta a garganta deles, com as línguas deles tramaram fraudes, veneno de áspide debaixo dos lábios deles;
14   a boca de imprecação e rancor cheia;
15   rápidos os pés deles derramando sangue, 
16   ruína e desgraça nos caminhos deles,
17   e o caminho pacífico não conheceram.
18   Não existe respeito a Deus na presença dos olhos deles.

Romanos 3:10-18


       18h54min  Comente   Posted By Jack Sk.  

leave



                                                                                Jack Sk.

       18h40min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   27 de Fevereiro de 2008.
Crônicas da vida
Visão Louca

Loucura é qualidade. Só os loucos possuem uma visão perfeita do mundo.
Eles enxergam o que os anormais seres humanos não conseguem ver.
Eles aplaudem o que para os estranhos não há graça.
Eles são loucos e os estranhos são apenas humanos.

Keidy Lee Jones

       19h56min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Charles-Frédéric Soehnée



Aquarela extraída do catálogo
Charles-Frédéric Soehnée 1789-1878 Voyage en Enfer,
publicado por ocasião da exposição realizada em 2006
na Galerie Jean-Marie Le Fell, em Paris.

   
 

       19h28min  Comente   Posted By Jack Sk.  

É foda.

Eu mando as pessoas irem se foder,
mas elas insistem em não ir.

   
 

       19h23min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   26 de Fevereiro de 2008.
O insetinho

     Para Bertold Brecht

    Um insetinho vinha caminhando pela escrivaninha e subiu sobre a folha de papel onde o Sr. K. estava escrevendo uma carta. Como o insetinho era apenas um insetinho, apenas um pontinho preto estragando a brancura da folha de papel da carta do Sr. K., o Sr. K. esmagou o insetinho com a ponta de seu dedo, mas como o insetinho era tão pequenininho, nem teve sangue suficiente para tirar a alvidez da folha de papel de carta. O Sr. K. então limpou o dedo com os restos do insetinho debaixo do assento da cadeira e voltou a escrever, mas antes, parou alguns segundos para pensar.

    E foi assim que o Sr. K. percebeu o que significa ser um insetinho.  

Jack Sk.   
   
 

       20h49min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Felicidade

    Momentos de felicidade são como minúsculas ilhas perdidas em um oceano. São marinheiros desesperados em embarcações frágeis, lutando por poucos segundos de oxigênio antes de serem tragados pelas ondas.

    Momentos de felicidade são efêmeros pra caralho. É foda.  
   
 

       20h33min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Reticências

    A vida é como as imagens em um rolo de super-8: separadas, cada uma das peças que formam a nossa existência não passam de pequenos frames sem sentido. Seus significados dependem apenas da capacidade de cada um em fazê-los correr, um atrás do outro. 
   
 

       20h04min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   21 de Fevereiro de 2008.
Post multiuso

   

    Um dia, quando ganhar sozinho na megasena, eu vou fazer só coisas divertidas, como passar a noite jogando, brigando em bar, bebendo até cair e trepando até gastar o pau, mas enquanto isso não acontece, alguém tem que carregar este país nas costas. Por esse motivo, anda meio complicado pra mim, conseguir postar nos últimos dias: muito trabalho, muita coisa pra ler, muita coisa pra escrever, muita gente pra atender (mas ninguém pra eu comer).

    Este post tem, portanto, apenas duas finalidades: avisar que eu vou continuar escrevendo aqui porque eu não morri e que a Avril Lavigne anda muito gostosa e que se ela quisesse dar pra mim, eu comia.
   
 

       18h55min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   16 de Fevereiro de 2008.
Angel Maturino Resendez

   O texto no final deste post faz parte de meus arquivos para estudos de perfis de criminosos e assassinos em série e foi escrito por Angel Maturino Rasendez, conhecido como o Railroad Killer. Uma rápida análise grafológica dessa carta revela detalhes curiosos:

    Considerando a dinâmica linear, o movimento convexo constata de que se trata de um indivíduo que possui otimismo inicial que tende a diminuir diante da dificuldade em transpor obstáculos, picos de entusiasmo pouco firmes e de curta duração e capacidade deficiente para medir os próprios impulsos e a própria força, inconstância e dificuldade de concluir tarefas. O grau de coesão desligado, caracterizado pelo ato de levantar a caneta entre uma letra ou outra demonstra intuição, introversão e isolamento, independência, inconstância, falta de senso prático, devaneios utópicos, angústia, inibição e sentimentos de incompreensão. 

    Sob aspectos da grafologia indutiva alfabética, é interessante notarmos que o "i" minúsculo possui um pingo em forma de círculo no início das palavras, mas com tendência a ser grafado na forma de ponto quando aparecem no final das palavras, o que significa mimetismo, desejos de originalidade e extravagância. O "g" minúsculo com pé anguloso (em college, na primeira linha e na assinatura final) revela repressão e controle volitivo sobre os impulsos da libido e é coincidentemente reforçado pelo "g" de pé interrompido, que não sobe (como na palavra get, na quinta linha abaixo do cabeçalho) que implica em má realização sexual e dificuldade custosa em entregar-se ao ato sexual em si. É como dizer que o cara é mal resolvido sexualmente, quase um broxa que não se conforma com essa sua condição e tampouco consegue resolvê-la.  

    A assinatura no lado direito revela um excessivo ardor, cujo autor não consegue reprimir. A assinatura maior do que o texto revela que o indivíduo se considera superior à maneira como está se manifestando. As aspas duplas, que aparecem entre os números "3" e "8" é característica de pessoas que tendem a dramatizar seus relatos.

    Eu poderia descrever muitas outras coisas a respeito do perfil do autor dessa carta, mas acontece que não estou inspirado.

     
   
 

       13h47min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   14 de Fevereiro de 2008.
Andyonthewall

   
.
 

       18h07min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   12 de Fevereiro de 2008.
Sobre o inferno
Sobre o inferno e a eternidade das penas

"Considera que o inferno é uma prisão hedionda, cheia de fogo. Neste fogo estão submersos os condenados. Neste abismo de fogo que os rodeia por todos os lados, têm chamas na boca, nos olhos, em todas as partes do corpo. Cada sentido tem seu sofrimento próprio: os olhos são atormentados pelo fumo e pelas trevas, e horrorizados pela vista dos outros condenados e dos demônios; os ouvidos ouvem dia e noite contínuos clamores, prantos e blasfêmias. O olfato é atormentado pelo cheiro nauseabundo daqueles inumeráveis corpos corrompidos, e o paladar por ardentíssima sede e fome insaciável sem poder obter uma gota de água nem uma migalha de pão. Por isso aqueles encarcerados infelizes, abrasados pela sede, devorados pelo fogo, torturados por toda a espécie de sofrimentos, choram, clamam, desesperam-se; mas não há nem haverá quem os alivie e console. Ó inferno, inferno! Quantos há que se recusam a crer em ti até o momento em que caem em teus abismos! E tu, querido leitor, que dizes? Se houvesses de morrer agora, para onde irias? Tu, que não podes suportar o ardor de uma centelha de fogo que te salta á mão, poderás estar em um abismo de fogo que te abrase, abandonado de todos por toda a eternidade e sem lenitivo algum? (...)"

Santo Afonso Maria de Ligório

       17h16min  Comente   Posted By Jack Sk.  

A morte segundo São João Bosco
Sobre a Morte

"(...) O lugar e a hora de tua morte não te são conhecidos, mas é certíssimo que ela virá. Ainda supondo que não te surpreenda uma morte repentina ou violenta, sem embargo, a última hora da tua vida há de chegar.

   Nessa hora, estendido sobre o leito, assistindo por um sacerdote que rezará junto de ti as orações dos agonizantes, rodeado por tua família que chora, com o crucifixo numa mão e uma vela acesa na outra, te encontrarás às portas da eternidade.

   Tua cabeça sentirá dores e não encontrará repouso; tua visão estará obscurecida; tua língua estará ardendo; tua garganta, seca, teu peito, oprimido, o sangue se gelará nas tuas veias; teu corpo será consumido pela enfermidade e teu coração transpassado por mil dores.

   Quando a alma tiver abandonado o corpo, este coberto com uma mortalha, será lançado a um buraco, onde se converterá em podridão; os vermes o devorarão e de ti só restarão alguns ossos descarnados e um pouco de pó mal cheiroso.

   Abre uma tumba e observa o que restou de um jovem rico, de um homem poderoso no mundo; pó e podridão... O mesmo te acontecerá a ti.

   Lê estas considerações com atenção, meu filho, e lembra-te de que elas se aplicam a ti, como a todos os outros homens.

   Agora o demônio, para induzir-te a pecar, se esforça e distrair-te deste pensamento, em encobrir e escusar a culpa, dizendo-te que não há grande mal em tal prazer, em tal desobediência, em faltar à Missa nos dias festivos; mas no momento da morte te fará conhecer a gravidade das tuas faltas e as representará a todas vivamente, diante de ti.

   Que farás tu naquele terrível instante? Desgraçado de quem então se encontrar em pecado mortal! (...)"

São João Bosco

       16h27min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Félicien Rops

     
   

"Tentação de Sto. Antônio", Félicien Rops (1833-1898)
Musée Provincial Félicien Rops - Namur, Bélgica

   
 

       14h57min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Circuncisão Masculina

   

   As mais antigas representações da circuncisão masculina das quais se têm notícias datam da Sexta Dinastia do Egito Antigo (de 2.345 a.C. a 1.181 a.C.). A ilustração acima foi baseada em informações obtidas na tumba de Ankhmahor, um vizir com claro interesse por procedimentos médicos. 

   A tumba de Ankhmahor é muito conhecida por suas diversas cenas de pessoas sendo submetidas a diversos tratamentos médicos. Graças a isso, essa tumba recebeu, por merecimento, o nome de "A tumba do fisiologista", mesmo Ankhmahor não tendo sido exatamente, um genuíno fisiologista.
   
 

       14h04min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   11 de Fevereiro de 2008.
Foi assim, ó

     Então, a história foi assim, ó: você apareceu na minha frente num daqueles momentos em que a vida da gente pede por alguma coisa diferente e eu, que nunca soube exatamente o que era ser diferente, porque na verdade nunca soube o que era ser igual (e esse é o tipo de coisa que exige um certo parâmetro), simplesmente fiquei sem saber o que fazer, mas como eu precisava fazer alguma coisa, mesmo que essa coisa não fosse a coisa certa, então eu te agarrei e quando eu te agarrei eu não sabia como fazer pra terminar de fazer aquilo que eu havia começado a fazer porque, sabe, estava muito bom, daí foi subindo aquele comichão, entende, aquele negócio que vem vindo lá de baixo e explodindo lá em cima (ou seria vindo lá de cima e explodindo lá em baixo?) e eu, que não estava conseguindo me segurar, percebi que você também não estava, então aproveitei o embalo daquela coisa que estava muito boa de sentir e fui logo pros finalmente e nem me dei conta de que a gente estava diante da igreja, nem que havia gente vendo e muito menos, que havia gente que prende gente no meio daquela gente que estava vendo a gente, mas não me olha com essa sua cara porque você saiu correndo sem ter percebido também, eu que fui besta e fiquei lá sozinho, olhando pras estrelas numa noite em que nem havia estrelas na porra do céu.

    E foi por isso, exatamente por isso, exatamente por sua culpa e de mais ninguém, que eu acabei indo preso naquela noite.

 

       18h13min  Comente   Posted By Jack Sk.  

A Deusa da Fertilidade

     
   

"Cybele, a Deusa da Fertilidade", escultura de Mihail Chemiakin,
em frente à Mimi Ferzt Gallery, no Soho, em Prince Street.

   
 

       17h52min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Blasfêmia

   

Um dia eu ainda hei de arder no mármore do inferno.
(mas que antes eu como todas que eu quiser, ah, isso eu como) 
   
 

       17h46min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   10 de Fevereiro de 2008.
John Currin

JOHN CURRIN
The Dane, 2006
Oil on canvas
48 x 32 inches (121.9 x 81.3 cm)
JOHN CURRIN
Patch and Pearl, 2006
Oil on canvas
80 x 50 inches (203.2 x 127 cm)
JOHN CURRIN
Rotterdam, 2006
Oil on canvas
28 x 36 inches (71.1 x 91.4 cm)
JOHN CURRIN
The Danes, 2006
Oil on canvas
18 x 22 inches (45.7 x 55.9 cm)

    Quadros da Exposição John Currin, de John Currin, realizada na Madison Avenue de NYC entre 11 de novembro de 2006 e 27 de janeiro de 2007 e organizada pela Gagosian Gallery

    Nessa exposição, Currin exibe os resultados de suas contínuas explorações e elaborações da história da arte figurativa, realizada através de diversas pesquisas em diversas fontes, como antigos retratos, anúncios veiculados na revista Playboy durante os anos 1970, filmes da segunda metade do século XX etc. Obviamente Currin promoveu durante sua mostra, além da extravagância de um maneirismo explicitamente provocador, um festival de tias-velhas reclamando e tapando os olhos pois, você sabe, isso não é coisa pra se mostrar em público, principalmente em uma sociedade tão pura em relação a seus valores morais quanto a sociedade protestante americana dos conservadores republicanos de hoje e de sempre.


       15h27min  Comente   Posted By Jack Sk.  

World Press winners

     
   
Arts and Entertainment: 1st prize singles

Ariana Lindquist - USA
"Girl dressed in an anime character costume waits backstage
before performing in a cosplay competition, Shanghai, China."

   Site da WorldPress
   Winners Gallery 2008

 

       15h09min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Art or Porn?   

    Se você é uma daquelas pessoas que defendem que arte e pornografia são coisas completamente distintas, separadas por linhas nítidas e critérios compreensíveis para qualquer ser humano capaz de passar por um teste para chimpanzé da Nasa, faça este teste e veja se realmente a vaga de primata da agência espacial americana não lhe cai melhor do que você gostaria.

 

       13h27min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   9 de Fevereiro de 2008.
Graffiti

   

 

       15h20min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Cecília Meireles
Herança

Eu vim de infinitos caminhos,
e os meus sonhos choveram lúcido pranto
pelo chão.

Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos,
essa vida, que era tão viva, tão fecunda,
porque vinha de um coração?

E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos,
do pranto que caiu dos meus olhos passados,
que experiência, ou consolo, ou prêmio alcançarão?

Cecília Meireles

       01h04min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Rembrandt van Rijn

     
   
Brain dissection by Professor Johan Deyman
Rembrandt van Rijn (1606-1669), Rijksmuseum, Amsterdam.

 

       00h55min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Autópsia
Autópsia

   Limpo com um espanador a memória de Maria Teresa Cayetana da Silva, Duquesa de Alba, enterrada no Campo de Santo Isidoro, de onde foi exumada para autópsia em 1945, notando-se então a falta dos pés.

   Enterraram-na vestida, e é assim que o corpo surge na fotografia, com a mão direita visível e um esgar de dor na caveira.

   A nudez, aqui, pertence apenas à morte, que lhe aconteceu antes dos quarenta anos, como se a mais bela mulher de Espanha pudesse morrer de um dia para outro, sem razão aparente.

   Falou-se de veneno. Mas seu veneno era outro: o da beleza.

   Nua sobre almofadas, no quadro de Goya, os seios apontando horizontes do amor, o púbis sobressaindo de entre as coxas, na linha do umbigo, a duquesa de Alba nos fixa com os olhos desmaiados do prazer.

   A mão que se vê no túmulo segura, na tela, a cabeça. E o rito da morte é substituído por um sorriso de lábios fechados, num desafio a quem por ela passa, como se alguém pudesse resistir ao abismo que se abre sob seu braço esquerdo, onde se encontram o tecido e o torso.

   Nua e vestida, a duquesa de Alba está inteira. Olho para seus pés, onde cada um dos dedos, com as unhas perfeitas, não adivinha a mutilação póstuma, para relíquia ou simples descuido, o que não é grave: em algum juízo final, os restos se hão de colar. E Maria Teresa Cayetana da Silva, restituída a seu esplendor, se apresentará com o argumento com que a limpo, agora, do pó dos séculos: a beleza absoluta de seu corpo, o mais puro sinal de que merece a eternidade.

Nuno Júdice

       00h33min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   8 de Fevereiro de 2008.
Jeff Koons

   

    Jeff Koons está expondo alguns de seus trabalhos no Contemporary Art Museum de Los Angeles. Dentro de sua proposta pós-modernista, Jeff Koons opta por não tocar em suas obras, tendo uma equipe para produzi-las, usa a arte para descrever a própria arte em uma referência metalingüística própria do cachorro que corre atrás do próprio rabo e utiliza o espectador como parte da obra. Fico até imaginando o diálogo das duas americaninhas neo-liberais aí em cima:

   -- Mas qual será o significado dessa lagosta, heim?
   -- Lagosta? Que lagosta?

    Pois é. Não sei quanto a vocês, mas eu gosto.

 

       15h16min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Bonnie & Clyde
Bonnie Elizabeth Parker e Clyde Chestnut Barrow, em fotos feitas na época em que eram caçados pela polícia norte-americana.

       14h51min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Momentos I

     

    "Xilogravura" - Jack Sk.

 

       13h42min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Knee Suspension

    Tracie Hanna, a garota acima, apresenta-se em uma performance de Suspensão Corporal através dos joelhos. Atualmente insurgindo na esfera dos fetiches, essa prática, que na verdade já existe há alguns milhares de anos, foi abduzida, pelos performáticos adeptos da body modification, de rituais religiosos comuns a diversas culturas asiáticas e primitivas. 

    Enquanto alguns isolam-se em suas cavernas para observar o mundo através das sombras digitais providas pela Internet em seus monitores LCD de 20'', outros encontram no corpo a mais poderosa mídia disponível. Esse aparente paradoxo, na verdade não passa de uma óbvia constatação da necessidade cada vez mais explícita de se estabelecer novos níveis de comunicação: a velha reafirmação de que, em nossa nova aldeia global, o meio é a mensagem.

    Esse é mais um dos temas que me fazem estabelecer uma relação muito íntima entre a religião, a arte e o fetiche e que eu, obviamente, acho deveras interessante, pra não dizer, excitante.

.

       12h40min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   7 de Fevereiro de 2008.
Tragédia, tragédia, tragédia...

    Algum imbecil decidiu que eu, aos 12 anos de idade, deveria ler O Ateneu, de Raul Pompéia. Como seria preciso fazer uma prova a respeito do livro, eu acabei lendo. Quem já leu O Ateneu deve imaginar o que eu achei da história, especialmente quando a porra do colégio pega fogo e o Raul utiliza-se de seu vocabulário irrestrito para descrever o inferno que concebia naquele momento. Eu não entendia merda nenhuma. E esse foi o segundo passo para que eu desenvolvesse uma explícita vontade de ver o sujeito morto e esquartejado (o primeiro passo foi terem me obrigado a ler o livro).

     E esse desejo mórbido, que inicialmente deveria ter desaparecido quando me disseram que ele já estava morto há um puta tempo, só se afastou realmente de meu cérebro possuído pelo cramulhão quando eu descobri Uma tragédia no Amazonas. Foi após ter lido essa obra que eu parei de tentar imaginar uma maneira de trazer novamente o Raul Pompéia à vida, apenas pra poder matá-lo de novo: o livro era muito bom, mas muito bom mesmo, dava até vontade de saber brigar que nem o paraense que, a certa altura da história, distribuía coronhada de espingarda de todos os modos pra cima dos caras que o cercavam, munidos de foices e o cacete. Mas por incrível que pareça, uma professora da época, com quem eu comentei sobre o livro, me aconselhou a parar de lê-lo, porque você sabe, é leitura muito pesada pra criança, violência demais, impressiona sem necessidade. 

    E foi assim que tentaram fazer com que eu odiasse literatura, mas não conseguiram.

 

       14h18min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Raul Pompéia

    "Quis gritar. A mão grosseira do seu carregador tapou-lhe a boca e ela sentiu que ele deitava a correr para a mata. Fez uma contorsão desesperada, mas, exausta, deixou pender depois a cabeça para as costas do infame que a arrebatava...

    A sombra que Rosalina avistara era Otávio Dugarbon; porém o bravo menino não chegava a tempo...

    Passara grande parte do dia escondido nas ribas do Iapurá, a pouca distância da habitação de Eustáquio.

    A demora dos malfeitores fê-lo crer que eles não apareceriam naquele dia. Deixando o seu posto, ele seguiu para S. João do Príncipe, onde demorou-se até cair a noute.

    Voltou então para o lugar que ocupara de dia, indo pelo rio, embarcado em uma pequena canoa, para não ser apercebido.

    Estava a meio caminho, quando alguns tiros longínquos chegaram-lhe aos ouvidos. Sem demora encostou à margem a sua embarcação, saltou em terra e, tirando da cintura uma faca, única arma que nessa ocasião levava, lançou-se de carreira para a habitação de Eustáquio. Quando lá chegou, apenas viu dous indivíduos, que, sem pressa, saíam de dentro do cercado daquela habitação. O fardo era Rosalina, desmaiada. Um outro homem corria na frente.

    O bandido ouviu os passos... olhou para trás, e, com pavor, viu aquela sombrinha que o ia acometer. Como os gladiadores da antiga Roma, saltou para o lado, fez fincar-pé e ergueu acima da cabeça um punhal, que tirara do seio, para baixá-lo sobre o seu agressor.

    Otávio, com felina agilidade, furta-se ao golpe da arma, que desce rasgando somente o ar.  Agacha-se. Ergue-se, cosendo-se ao corpo do malfeitor e, sem que este o espere, mergulha-lhe no peito toda a lâmina da sua faca.

    O bandido não deu um só gemido... Caiu sobre a menina, que foi atirada ao chão pelo peso do corpo do seu adversário.

    De súbito, Otávio sentiu nas costas uma dor aguda e soltou um grito involuntário. Antes de cair, o malfeitor apunhalara-o pelas costas. O menino levou a mão à ferida e arrancou a arma, que os dedos de um morto já não seguravam.

    Em seguida, horrorizado pela idéia de ter sobre si um cadáver, moveu-se bruscamente e fez rolar para um lado o peso que o oprimia.

    Nesse momento, um brado pungente veio perturbar o silêncio da noite. Uma voz de criança gritou ao longe:

    -- Otávio! Otávio!

    -- É ela! É ela! exclamou o menino em francês.

    O chefe da quadrilha fugia pelo mato com Rosalina ás costas. Otávio quis levantar-se para socorrer a quem o chamava. O infeliz não teve forças. Erguendo-se, por um instante, caiu prostrado.

    -- Meu Deus!... disse, apenas, e rompeu em soluços.

    -- Otávio! Otávio! repetiu mais longe a voz de criança.

    -- Ai! gemeu com desespero o menino.

    Por um esforço inaudito, pôs-se de pé, mas não conseguiu dar um passo sequer... Caiu de novo... Ficou sem movimento no chão... Balbuciou:

    -- Meu pai, está satisfeito?

    -- E morreu...

    -- Otávio! Otávio!

    Estes gritos lancinantes partiram ainda uma vez do âmago das trevas, mas já fracos... imperceptíveis quase.

    Depois, mais nada... a noute a ciciar um cântico sobre a hecatombe.

    Alta noute, no mesmo teatro das cenas de sangue que acabamos de narrar, passou-se uma cousa indescritível.

    Um homem apareceu correndo do meio da escuridão dos bosques. Trazia nos braços uma carga, que não parecia pesar-lhe.

    Inesperadamente ele parou.

    Tropeçara em um objeto.

    -- Mais outro?! murmurou ele, em francês.

    E abaixou-se para ver em que esbarrara.

    Nessa ocasião o minguante da lua, levantando-se, mostrou-se no céu e difundiu alguma luz pelo campo.

    Então, como se essa luz viesse queimá-lo, o desconhecido deixou partir dos seus lábios um som apenas comparável ao uivo derradeiro do cão a morrer.

    -- Morto! disse depois.

    O objeto em que tropeçara era o cadáver de Otávio.

    Depôs então o seu fardo em terra e ajoelhou-se ao lado do menino morto.

    Aquele fardo era o corpo de Rosalina. O desconhecido o encontrara na floresta, despido e sacrilegamente maltratado, e o trouxera envolto no seu capote.

    Com dous estertores pronunciou dous nomes e chorando debruçou-se para os cadáveres.

    -- Meus pobres filhos! exclamou ele.

    Em tom de desespero acrescentou: -- Meu Deus! Meu Deus! Ambos assassinados!

    E, abatido pela dor, estirou-se ao lado dos dous cadáveres."

Uma Tragédia no Amazonas
Raul Pompéia
XIV - A TRAGÉDIA

       14h13min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Houston, we've had a problem...

Jack Sk.


       11h11min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   6 de Fevereiro de 2008.
Ô vida..

Tá bom, amor, não fica assim... Eu fico com você, vai.

.

       14h41min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Coleoptera

    Depois da ordem Diptera, que envolve, por exemplo, as moscas-varejeiras, Coleoptera é a segunda ordem de maior interesse forense, uma vez que possui vários representantes necrófagos e também os de hábitos predatórios, que são atraídos aos cadáveres pela chance de capturar os verdadeiros necrófagos.

    A ocorrência dos Coleoptera necrófagos no processo aumenta na medida em que o corpo avança para estágios mais secos, o que diminui a competição com os Diptera, em oposição aos predadores, que se aproveitam justamente da presença das larvas de moscas para seus objetivos. Goff (1991) citou que a incidência de Coleoptera em um corpo aumenta tanto em número de indivíduos quanto em número de espécies durante estágios avançados de decomposição de restos em ambiente aberto, mas que ao serem observados em ambientes fechados, restos em estágio similar tendem a ter a ordem representada de maneira praticamente nula na população de sua fauna cadavérica. Essa afirmação vem sendo reforçada desde meados do século passado, quando os entomologistas já previam maior ou menor incidência de insetos da ordem Coleoptera nas experiências de coleta realizadas em carcaças decompostas, utilizando jarros de barro enterrados com suas aberturas ao nível do solo e valendo-se de carne putrefata como isca.  

    É por esse motivo que os Coleoptera são considerados, quando encontrados esqueletos secos de seres humanos, a principal evidência entomológica para a determinação do Intervalo Post-Mortem, tendo especialmente, como base, seus padrões de sucessão.

.

       12h05min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Madison Young

Quer ver a ruivinha aí em cima em cenas menos "frias"?
É só acessar o site Madison Bound e descobrir do que ela é capaz.

 

       11h19min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   5 de Fevereiro de 2008.
Açoitamentos

    As duas cenas de mulheres sendo açoitadas têm em comum, além do tema, o fato de terem sido criadas nas duas décadas finais do século XVIII. A arte da esquerda, em tons de verde, representa uma mulher sendo chicoteada pelo fato de ser mãe solteira na Inglaterra, já a da direita, assim como o sujeito que está batendo, eu também não sei o motivo, mas a mulher, com certeza, sabe porque está apanhando.

    Certas coisas, passa século e entra século, não mudam nada.

.

       07h22min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Leg Corset

    Pra quem como eu, tem um certo fetiche por piercings, esse Leg Corset é bem interessante. A dona do ornamento se chama Danae. A arte é dos piercers da Fallen Angel Tattoo, de Citrus Heights, na California. 

.

       06h00min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Ariel

    Sylvia Plath, que se suicidou aos 11 dias do mês de fevereiro de 1963, em Londres. A poeta deixou pra trás, além de seus 30 outonos de existência, a obra Ariel. Mas seu marido Ted Hughes, como todo homem imbecil que se preza, realizou uma espécie de edição criminosa no livro que Sylvia havia cuidadosamente organizado e preparado antes de se matar. 

    Dessa forma, Ted extirpou 13 poemas do arranjo original, que considerou muito agressivos sob seu ponto de vista pessoal e colocou no lugar outros 13, escritos em sua maior parte no ano de 1963. Além disso, também alterou a seqüência dos poemas, descaracterizando o Ariel original. 

    Em dezembro de 2004, porém, os verdadeiros manuscritos deixados por Sylvia Plath foram finalmente levados a público em um lançamento simultâneo, feito na Inglaterra e nos Estados Unidos. No ano passado eu li a edição brasileira, bilíngüe, da Editora Verus, que traz, inclusive, a versão fac-similar de Ariel. Tudo o que posso dizer sobre o livro, é que se trata de uma leitura no mínimo essencial pra você, que fica aí sentado, criando bolor no sovaco e pensando que o seu sentimento pelo próprio umbigo é a melhor coisa que lhe aconteceu na vida. 

Ariel

Êxtase no escuro,
E um fluir azul sem substância
De penhasco e distâncias.

Leoa de Deus,
Nos tornamos uma,
Eixo de calcanhares e joelhos! – O sulco

Fende e passa, irmã do
Arco castanho
Do pescoço que não posso abraçar,

Olhinegra
Bagas cospem escuras
Iscas –

Goles de sangue negro e doce,
Sombras.
Algo mais

Me arrasta pelos ares –
Coxas, pêlos;
Escamas de meus calcanhares.

Godiva
Branca, me descasco –
Mãos secas, secas asperezas.

E agora
Espumo com o trigo, reflexo de mares.
O grito da criança

Escorre pelo muro
E eu
Sou flecha,

Orvalho que avança,
Suicida, e de uma vez se lança
Contra o olho

Vermelho, fornalha da manhã.

Sylvia Plath
T
radução: Rodrigo G. Lopes e Maurício A. Mendonça

       05h43min  Comente   Posted By Jack Sk.  

O corpo de Cristo

.

       05h16min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   4 de Fevereiro de 2008.
Judiaria
Judiaria

Agora você vai ouvir aquilo que merece
As coisas ficam muito boas quando a gente esquece
Mas acontece que eu não esqueci a sua covardia, a sua ingratidão
A judiaria que você um dia fez pro coitadinho do meu coração

Estas palavras que eu estou lhe falando
Têm uma verdade pura, nua e crua
Eu estou lhe mostrando a porta da rua
Pra que você saia sem eu lhe bater

Já chega um tempo que eu fiquei sozinho
Que eu fiquei sofrendo, que eu fiquei chorando
Agora quando eu estou melhorando
Você me aparece pra me aborrecer 

Lupicínio Rodrigues

       19h29min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Emily Scott

    Considerada a mulher mais sexy da Austrália em 2007 e a 9ª mais sexy do planeta pela Revista FHM, a loiríssima dos zóios verdes -- Emily Scott -- é um exemplo de porque às vezes eu acho que na Austrália não apenas os cangurus, mas também algumas mulheres, deveriam nascer com bolsas, só pra eu poder me imaginar entrando por completo dentro delas. Eu sei que esse é um pensamento de mau gosto e bastante chauvinista, mas eu, que nasci um homem de mau gosto e me esforcei muitos e muitos anos para me tornar um verdadeiro chauvinista, não consigo deixar de ter idéias desse naipe.

    Você pode conhecer mais a respeito dessa maravilha da Oceania acessando o MySpace da gata ou visitando seu site oficial, o Emily's Motel

.

       15h10min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Katie Price

    Se eu tivesse um par de peitos como os da Katie Price, provavelmente eu passaria metade do dia acariciando a mim mesmo. Mais conhecida como Jordan, ela é, do alto de seus 29 aninhos bem vividos, provavelmente a colunista de tablóides ingleses mais gostosa de todos os tempos. Percebam que além do corpo especialmente desenhado para matar os homens de enfarte, a garota também possui um coraçãozinho estrategicamente situado na região mais desejada das ilhas britânicas. 

    Ouvi dizer que ela recentemente tirou os implantes porque andava farta do visual peitudaça, tendo retornado a suas formas glandulares naturais, mas mesmo assim, essa inglesa eu comia bem comido e depois ainda saia correndo, de pau duro, atrás da Rainha Elizabeth. 

.

       14h52min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Fragmentos I

    Eu acho que a vida é feita de pequenos fragmentos. E é justamente através da soma desses pequenos pedaços de nossa existência que encontramos o nosso significado verdadeiro: somos uma metáfora real do mito de Osíris, espalhados pelo mundo e à espera de alguém capaz de reconstituir o nosso todo a partir de nossas partes.

    Doido, isso.

.

       13h03min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Sóamortesalva


                                                                                                              Jack Sk.

.

       12h51min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   3 de Fevereiro de 2008.
Novo layout

    E aí, notaram o novo layout? Resolvi tirar um pouco de cores e deixar o negócio mais clean. Além da imagem de abertura aí em cima, eu também mudei a imagem lá de baixo e a que fica do lado esquerdo, abaixo das caixas de links que dividem os posts por categoria. 

    Também inseri, debaixo de cada post, um sistema que serve pra deixar um comentário e é claro que ninguém vai comentar nada de útil, uma vez que este blog também não apresenta nada de útil. Mas de qualquer forma, aproveitem, pois sendo eu um anti-social-tipo-nem-aí-pra-opinião-dos-outros, é bastante provável que eu acabe tirando esse negócio muito em breve.


       22h56min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Eros-Thanatos-Perasma

    Há um ano e inspirada pelos trabalhos de Vesalius, Bérangère Haegy, fotógrafa plástica vinculada ao Istituto Francese realizou, durante sua permanência no Palazzo Lenzi e com a colaboração do Museo di Storia Naturale di Firenze, a mostra Eros-Thanatos-Perasma, trabalhando sobre a coleção de cera anatômica do Museu.

 

       22h31min  Comente   Posted By Jack Sk.  


.
 
   2 de Fevereiro de 2008.
Flor na chuva

   Flor na chuva*

   Oh please don't you think baby that I am wrong to cry, yeah... Olhava pela janela e imaginava-se infiltrada no outro apartamento, a meio quilômetro de distância... You loved me, too, so how come you just sit there and laugh and laugh and laugh and laugh ?.. Os olhos refletiam o céu cinzento que espremia o sol e ordenava parcos feixes de luz... Things just can't be this way and not for very long no no no... As nuvens se denunciavam pesadas, prenuncio da epopéia moderna de Gilgamesh... Our love affair said it's just history, yes it is... Olhava em transe, não via as pombas se recolhendo e não via os carros lá em baixo... And I tried to love you in my own way,I think that you know I did... Seus olhos abertos denunciavam sua ausência, denunciavam sua presença em outro corpo... But to have you here, to see you living, oh so near to me, yeah, yeah, yeah... O vento do outono carregava as folhas e as árvores nuas enrubesciam com um pudor incrédulo, enfileiradas na alameda toada pelos vermelhos daquele final de tarde... Oh but you are distant and so it's dead and so often people are glad to be old, yeah yeah.. O vermelho que insistia em catequizar aquele céu escuro... Our love affair is just history, yes it is...

   Naquele dia as rosas amanheceram abertas... Once in a green time a flower... Eram vermelhas... Oh, fell in love with the sun... Tinham os caules cortados com cuidado, folhas aparadas, escolhidas a dedo... The passion lasted for an hour and then she wilted from her loved one... Mas apesar daquela pequena fração de primavera ao seu lado, ela sentia representar o próprio outono naquela tarde sem fim... Once in a green time a flower... Árvore seca... Oh, fell in love with the sun... Ela era uma árvore seca... The passion lasted for an hour and then she wilted from her loved one... Um amontoado de madeira morta, plantada em um vaso de concreto.
 
   And I see you looking up at the sky, how high it is, yeah... Não havia mais azuis fora do rádio mal sintonizado, que insistia em lhe chamar inutilmente a atenção... You wonder if there is, who'another me now how can that be, how can it be?.. Apenas a cor do sangue que acompanhava as primeiras gotas, pesadas e frias, velozes e impertinentes ... Well, I sit here and I ask you, why all this ?.. Enquanto as nuvens lhe cuspiam no rosto com o deboche típico dos finais de tarde chuvosos, o som dos primeiros trovões misturava-se ao eco de seus pensamentos... I just got toni-ni-ni-ni-night... As pessoas corriam como formigas, distantes da atenção de seus olhos estatelados... Our love affair said it's just a history... Veria as estrelas que brilhavam acima das nuvens, não fosse a escuridão que se formava veloz na forma de densas  nuvens que começavam a abraçar a cidade... But baby, baby, I said it's over, Charlie, I can't stand another lo-lo-lonely, I'm never too lonely...

   Sentiu o aroma de peixe podre invadindo suas narinas molhadas... It's over baby, where were you when I wanted ya 'nd needed ya right by my side ?.. A janela escancarada estremecia diante da paisagem torrencial que explodia entre os buzinaços que marcavam a bateria descompassada da água nos telhados de zinco... I said-a, baby, baby, don't you feel me moving, baby, don't you hear me cry ?.. O rosto encharcado, expressionisticamente inexpressivo foi o primeiro ato do espetáculo de Tanatos.. I know I hurt you, but Lord don't you know I cried, I know I hurt you, but babe don't you know I tried... 

    Ninguém ouviu quando seu corpo inerte abraçou, sob aquele aguaceiro, a luminária do boulevard, apagando a única luz que iluminava o jardim sem flores, que ninguém via... Oh baby, oh baby...

Jack Sk.   

*ao som de flower in the sun, de janis joplin.  


       18h34min  Comente   Posted By Jack Sk.  

  

Voltar para os Posts Antigos   

Blood Pack é escrito e produzido por Jack Skellington. Você pode reproduzir os meus  textos onde quiser, mas cite a fonte.  Se você gostou do que leu aqui, escreva um e-mail comentando, pra gente conversar. Se não gostou, nem perca tempo tentando me azucrinar, porque eu não vou estar nem aí pra tua crítica. Se curtiu o blog, indique-o para os seus inimigos. Se não curtiu, vá tomar no cu e não volte mais aqui, que você ganha mais.