|
|
|
|
|
|
|
|
Esquizofrenia
|
Estudo explica as bases genéticas da esquizofrenia
Causa da doença está em genes repetidos e apagados, não em mutações simples
Pesquisa americana explica por que genes causadores da doença nunca foram achados e aponta caminho para a busca de terapias

Zonas do cérebro
(verde e rosa) que mais variam entre
pessoas
A esquizofrenia é um transtorno mental de influência genética extremamente forte: alguém com um irmão gêmeo univitelino esquizofrênico tem 50% de probabilidade de ter a doença também. Em mais de uma década de pesquisas, porém, geneticistas conseguiram pouco avanço no entendimento da doença. Um estudo publicado hoje na revista "Science" ajuda a explicar por quê.
Durante anos os cientistas procuraram variações genéticas simples
-- "letras" alteradas no
DNA -- que fossem comuns entre os portadores da doença. Pesquisadores da Universidade de Washington e do Laboratório de Cold Spring Harbor, ambos nos EUA, porém, mostram agora que o buraco pode ser mais embaixo.
E maior.
Os cientistas chegaram ao resultado comparando o genoma de 150 esquizofrênicos com o de 268 pessoas sadias. O trabalho indica que a esquizofrenia pode ser causada por uma grande variedade de mutações, mas em outra escala: em vez de "letras" trocadas, "páginas" e "capítulos" inteiros do DNA que desaparecem ou são duplicados ajudam a explicar a doença.
Trocando em miúdos, o trabalho significa que uma mutação que desencadeie esquizofrenia em uma pessoa pode não causá-la em
outra: depende do quanto o gene mutante foi copiado ou apagado. Isso é apenas o início, de certa forma, do entendimento de como essa doença complexa funciona. Mas a descoberta ajuda a chegar à lista de quais genes influenciam a doença, o que pode apontar um caminho para novas drogas contra o distúrbio.
Via de ataque
"Muitos desse genes se aglomeram em vias [conjuntos de genes ativados em seqüência] relacionados com o desenvolvimento cerebral", disse à Folha Jon McClellan, de Washington, um dos líderes do estudo. "Portanto, apesar de cada mutação e cada gene que causam a doença serem diferentes em cada pessoa, tratamentos podem ser desenvolvidos alvejando as vias envolvidas."
Diagnosticada por sintomas como alucinações, pensamentos confusos e emoções distorcidas, a esquizofrenia provoca enorme desgaste emocional e físico em seus portadores. Paranóias e devaneios são comuns nessas pessoas. Cerca de 1% da população global desenvolve a doença em algum grau.
Os mecanismos cerebrais da doença são parcialmente conhecidos e parecem envolver um comportamento anormal da dopamina (molécula que transmite impulsos nervosos) em áreas do cérebro ligadas ao raciocínio. Saber que as mutações que predispõem à doença atuam no desenvolvimento cerebral, porém, é fundamental.
"Isso sugere que há um componente genético forte", diz McClellan. "Contudo, mutações podem ocorrer em função da exposição a certos ambientes, então fatores ambientais ainda podem ter um papel, mesmo que a causa fundamental seja mais genética."
Apesar do avanço, um teste de DNA para o risco de esquizofrenia -semelhante aos que existem para certos tipos de câncer- ainda é uma realidade muito distante, diz o cientista, dada a natureza estatística do trabalho. "Não podemos provar que qualquer mutação tenha causado a doença."
Segundo Emmanuel Dias Neto, geneticista da USP que também estuda a esquizofrenia, o trabalho na "Science" ajuda a explicar por que nenhum grupo até agora tinha encontrado algo como um "gene da esquizofrenia". "Às vezes um grupo estuda um gene e diz que ele está envolvido, depois vem outro grupo diz que não encontrou nada", afirma. "Esse estudo agora ajuda a explicar essa discrepância dos dados e revela que há um grau de dificuldade imenso no processo."
Rafael
Garcia in
Folha de S.Paulo,
Caderno Ciências
28/03/2008
|
|
.Posts
Relacionados:
Mentes
Criminosas
|
Texas Hold'em
Mesinha
básica pra brincar com os amigos, ganhar
alguma grana fácil ou perdê-la mais
fácil ainda. Também serve pra praticar a
sublime arte do blefe, conhecer melhor o
comportamento do ser humano, exercitar o
corpo sempre que alguém não souber se
comportar direito e, principalmente,
arranjar confusão com as mulheres que
eventualmente estiverem contigo, já que
quando você se senta diante de uma
dessas, nem a cruzadinha de pernas da
Sharon Stone consegue mudar o foco da sua
atenção.
http://www.stinegametables.com/
|
|
|
Susan Wayland
Susan
Wayland, ou simplesmente Sway, é o
nome dessa maravilhosa modelo fetichista
nascida aos 23 dias do mês de junho de
1980 em Leipzig, Alemanha. Susan
Wayland é simplesmente um desaforo
por parte de alguém lá em cima, que
esculpiu essa mulher só pra ver o queixo
de caras como eu caírem até parar no
saco.
Pois é,
Leipzig fez mais pela humanidade do que
ser um dos principais centros culturais
ligados ao movimento classicista do
Séc.XVIII, onde atuaram Gottsched,
Gellert, Schiller e Goethe. Leipzig fez
mais do que ser palco do histórico debate religioso entre Lutero, Carlstadt e Johann
Eck no Séc.XVI. Leipzig fez mais do que
ser o lar de músicos modestos como Johann Sebastian Bach,
Robert Schumann e Richard Wagner. Leipzig
fez mais do que dar ao mundo um filósofo
e matemático do naipe de Gottfried Wilhelm Leibniz,
um político da mão de Karl Liebknecht e
um historiador de arte da envergadura de Nikolaus Pevsner,
autor de obras clássicas como Pioneiros
do Desenho Moderno e Origens da
Arquitetura Moderna e do design.
Leipzig fez mais pela humanidade, Leipzig
fez Susan
Wayland.
O resto é
puro sensacionalismo barato.
|
.Posts
Relacionados:
Linda
e Loira
....................................
Isso,
sacaneia.
....................................
Emily
Scott
....................................
Katie
Price
|
|
|
Hearts
|
Adriano † 21/11/07

Adriano † 21/11/07: essa foi a tatuagem
que Robson Pereira Granja, um motoboy de 26 anos,
elegeu como símbolo a ser ostentado em
seu braço. Dois meses depois de mandar matar o segurança José Adriano Menezes, de 27 anos, o motoboy mandou tatuar o nome de sua vítima em cima de um caixão e da data do crime: 21 de novembro de 2007.
O executor do assassinato foi o frentista Evangelista Pereira da Silva, de 28 anos.
Ironicamente, a imagem de cujo significado
se vangloriava aos quatro ventos e não
fazia questão de ocultar, foi a
responsável por sua prisão, dia 19. O
motivo do crime foi passional, uma vez que
o segurança assassinado mantinha um caso
com a esposa de Robson, a faxineira Cristiane Rodrigues Souza, de 22 anos.
Maiores detalhes do caso podem ser
facilmente obtidos através de uma busca
pelo nome Robson Pereira Granja, no
Google.
Uma rápida análise dos fatos conduz à
elaboração de um perfil claro para o
mandante tatuado: indivíduo inseguro,
impulsivo, com tendência a desenvolver obsessões.
Projeta situações utópicas e sente-se
constante- mente frustrado sem, no entanto,
admiti-lo formal e conscientemente. Busca
incessantemente por experiências que o
conduzam aos limites de suas emoções.
Narcisista e com dificuldades de manter
relacionamentos devido à imaturidade.
Provável usuário compulsivo de drogas e
álcool. Possuidor de uma covardia
latente, que paradoxalmente o impele a
realizar atos violentos. Sente
palpitações no coração com
freqüência. Sua verdadeira essência
jamais é revelada, sendo encarada como um
segredo que deve ser protegido a qualquer
custo.
|
|
|
Linda e Loira
Existem
dias nos quais eu desenvolvo uma certeza
cada vez maior de que o meu coração
funciona perfeitamente e que eu não vou
enfartar tão cedo porque o danado é
forte.
Hoje,
olhando essa foto aí em cima, é um
desses dias.
|
Viva o
saco-cheio
Eu
ando pensando em abandonar a divisão dos
posts por categoria, como acontece aí ao
lado, porque enche o saco separar dessa
maneira dentro do esquema como este blog
é feito. Se você reparar bem, vai
perceber que o meu saco-cheio não andou
me permitindo manter esses links
atualizados, o que significa que existem
mais posts sobre cada um das categorias
listadas do que aqueles que aparecem nos
menus. Se você quiser ver os posts mais
antigos, aconselho a clicar no pinto de
borracha que se encontra no final desta
página, em "Voltar".
Em compensação, eu vou passar a colocar
uma pequena relação com alguns posts
relacionados a cada nova entrada do
blog, sempre que eu considerar
conveniente.
|
Lord Byron
|
A uma Taça Feita de Crânio Humano
Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim verás -- pobre caveira fria --
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.
Vivi! amei! bebi qual tu: na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.
Mais vale guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
- Taça - levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do réptil.
Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
...Podeis de vinho o encher!
Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus forem nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.
E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor aí repousa?
É bom fugindo à podridão do lodo
Servir na morte enfim p'ra alguma
cousa.
Lord
Byron |
|
|
|
Entre as ruas
105 e 106...
Eu já escrevi aqui que, no dia em que eu
for milionário, eu vou reformar uma
igreja gótica pra morar nela. Mas
enquanto eu não fico podre de rico, Cynthia e Dan Lufkin
-- um casal de americanos que já atingiu
esse tão desejado grau de decomposição
social -- reformaram a capela do Hospital do Câncer de Nova
York, construída em 1880, e a
transformaram em um super-hiper-mega- -ultra-estupidamente
bacana apartamento com vista pro Central Park West,
entre as ruas 105 e 106 de Manhattan. O
pé-direito tem singelos 12 metros de
altura, que devem ser o máximo pra
reverberar um bom piano.
Diz a lenda que o lugar é
frio, o que provavelmente se deve ao fato
de que o ambiente não fora originalmente
projetado para ser aquilo que a gente
convencionou denominar confortável, mas
nada que uma boa lareira e um bom sistema
de calefação não sejam capazes de
resolver.
O lugar é simplesmente foda.
|
.Posts
Relacionados:
Selexyz Dominicanen
|
|
|
Feliz Páscoa
Feliz
Páscoa, povo freak!
|
|
|
Sabadão
Night and Day, Laura, My Funny
Valentine,
Stella by Starlight, Somebody Loves
me,
You make me Feel so Young, On the Sunny
Side of de Street, They Did Not Believe
me, Blue Skies, Autumn in New
York,
blá-blá-blá-blá...
Você percebe que alguma coisa está
acontecendo quando você passa o sábado
inteiro trancafiado na sua casa
internerdeando, fumando, bebendo e ouvindo
Frank Sinatra.
Bem, agora deixem-me ir que ontem eu vi
que em algum canal da Tv-a-cabo vai passar
"O Chamado" e "O Chamado 2",
assim, um em seguida do outro, e o
primeiro começa às 20h. Acho que está
na hora de pedir uma pizza também.
Tchau.
|
|
|
Miles

Miles Davis, por Alastair Graham
|
|
|
A tomada de
Buchenwald
Fornalha
humana: forno crematório utilizado pelos
nazistas no campo de Buchenwald
Pilha
de corpos: cadáveres encontrados pelos
aliados na tomada de Buchenwald
Buchenwald Concentration Camp Liberation
|
José Saramago
|
"No
dia seguinte ninguém morreu. O
facto, por absolutamente contrário
às normas da vida, causou nos espíritos
uma perturbação enorme, efeito em
todos os aspectos justificado, basta
que nos lembremos de que não havia
notícia nos quarenta volumes da
história universal, nem ao menos um
caso para amostra, de ter alguma vez
ocorrido fenómeno semelhante,
passar-se um dia completo, com todas
as suas pródigas vinte e quatro
horas, contadas entre diurnas e
nocturnas, matutinas e vespertinas,
sem que tivesse sucedido um
falecimento por doença, uma queda
mortal, um suicídio levado a bom
fim, nada de nada, pela palavra
nada. Nem sequer um daqueles
acidentes de automóvel tão
frequentes em ocasiões festivas,
quando a alegre irresponsabilidade e
o excesso de álcool se desafiam
mutuamente nas estradas para decidir
sobre quem vai conseguir chegar à
morte em primeiro lugar. A passagem
do ano não tinha deixado atrás de
si o habitual e calamitoso regueiro
de óbitos, como se a velha átropos
da dentuça arreganhada tivesse
resolvido embainhar a tesoura por um
dia. Sangue, porém, houve-o, e não
pouco. Desvairados, confusos,
aflitos, dominando a custo as náuseas,
os bombeiros extraíam da amálgama
dos destroços míseros corpos
humanos que, de acordo com a lógica
matemática das colisões, deveriam
estar mortos e bem mortos, mas que,
apesar da gravidade dos ferimentos e
dos traumatismos sofridos, se
mantinham vivos e assim eram
transportados aos hospitais, ao som
das dilacerantes sereias das ambulâncias.
Nenhuma dessas pessoas morreria no
caminho e todas iriam desmentir os
mais pessimistas prognósticos médicos,
Esse pobre diabo não tem remédio
possível, nem valia a pena perder
tempo a operá-lo, dizia o cirurgião
à enfermeira enquanto esta lhe
ajustava a máscara à cara.
Realmente, talvez não houvesse
salvação para o coitado no dia
anterior, mas o que estava claro é
que a vítima se recusava a morrer
neste. E o que acontecia aqui,
acontecia em todo o país. Até à
meia-noite em ponto do último dia
do ano ainda houve gente que aceitou
morrer no mais fiel acatamento às
regras, quer as que se reportavam ao
fundo da questão, isto é,
acabar-se a vida, quer as que
atinham às múltiplas modalidades
de que ele, o referido fundo da
questão, com maior ou menor pompa e
solenidade, usa revestir-se quando
chega o momento fatal. Um caso sobre
todos interessante, obviamente por
se tratar de quem se tratava, foi o
da idosíssima e veneranda rainha-mãe.
Às vinte e três horas e cinquenta
e nove minutos daquele dia trinta e
um de dezembro ninguém seria tão
ingénuo que apostasse um pau de fósforo
queimado pela vida da real senhora.
Perdida qualquer esperança,
rendidos os médicos à implacável
evidência, a família real,
hierarquicamente disposta ao redor
do leito, esperava com resignação
o derradeiro suspiro da matriarca,
talvez umas palavrinhas, uma última
sentença edificante com vista à
formação moral dos amados príncipes
seus netos, talvez uma bela e
arredondada frase dirigida à sempre
ingrata retentiva dos súbditos
vindouros. E depois, como se o tempo
tivesse parado, não aconteceu nada.
A rainha-mãe nem melhorou nem
piorou, ficou ali como suspensa,
baloiçando o frágil corpo à borda
da vida, ameaçando a cada instante
cair para o outro lado, mas atada a
este por um ténue fio que a morte,
só podia ser ela, não se sabe por
que estranho capricho, continuava a
segurar. Já tínhamos passado ao
dia seguinte, e nele, como se
informou logo no princípio deste
relato, ninguém iria morrer.
(...)"
Parágrafo
inicial de "As intermitências
da morte"
de José Saramago, Cia. das
Letras, 2005 |
|
Forgiven
Punished

Were they forgiven or
punished by God?
|
Human skin
wear
Roupas
confeccionadas com pele humana sintética.
Conceito e design de Oliver Goulet.
Curtiu? Você pode obter mais
informações em http://www.skinbag.net/
|
|
|
Pedro Tierra
|
Poema
– Prólogo
Fui assassinado.
Morri cem vezes
e cem vezes renasci
sob os golpes do açoite.
Meus olhos em sangue
testemunharam
a dança dos algozes
em torno do meu cadáver.
[...]
Fui poeta
do povo da noite
como um grito de metal fundido.
Fui poeta
como uma arma
para sobreviver
e sobrevivi.
[...]
Porque sou o poeta
dos mortos assassinados,
dos eletrocutados, dos “suicidas”,
dos “enforcados” e “atropelados”,
dos que “tentaram fugir”,
dos enlouquecidos.
Sou o poeta
dos torturados,
dos “desaparecidos”,
dos atirados ao mar,
sou os olhos atentos
sobre o crime.
[...]
meu ofício sobre a terra
é ressuscitar os mortos
e apontar a cara dos assassinos.
[...]
Venho falar
pela boca de meus mortos.
Sou poeta-testemunha,
poeta da geração de sonho
e sangue
sobre as ruas de meu país.
Pedro
Tierra
in
Poemas do Povo da Noite
Trechos
selecionados por Flamarion Maués |
|
Mistérios
Gozosos
|
|
|
Sacrifício
Maya

Sacrifício humano performatizado
por sacerdotes mayas
© MCMXCV - MMVI
Encyclopedia Mythica™. All rights reserved.
|
Slavoj Zizek
|
"(...)Basta lembrar o beco sem saída em que se encontram a sexualidade e a arte nos dias de hoje: há algo de mais enfadonho, oportunista e estéril do que sucumbir às injunções superegóicas que induzem à invenção incessante de novas formas artísticas de transgressão e provocação (o artista performático que se masturba em cima de um palco ou que faz cortes masoquistas em si mesmo; o escultor que exibe corpos de animais em estado de putrefação ou excrementos humanos)? E o que dizer de injunções paralelas a essas, que incitam a adoção de práticas sexuais cada vez mais
'ousadas'? Recentemente, certos círculos
'radicais' norte-americanos chegaram a levantar a bandeira de que é preciso
'repensar' os direitos dos necrófilos: por que haveriam eles de ser privados da realização de seu desejo de fazer sexo com cadáveres? Logo, formulou-se a proposta de que, assim como as pessoas assinam termos de compromisso, autorizando a utilização de seus órgãos para fins médicos em caso de morte súbita, deveriam também poder autorizar que seus corpos fossem encaminhados aos necrófilos para que estes pudessem brincar com eles. Não é tal proposição um exemplo perfeito de como a atitude politicamente correta significa a realização do antigo insight de Kierkegaard, segundo o qual só os vizinhos mortos são bons vizinhos? Um vizinho morto, um cadáver, é o parceiro sexual ideal de sujeitos
'tolerantes' que tentam evitar toda e qualquer forma de molestamento: por definição, não há como molestar um cadáver
(...)"
Trecho
de "A paixão na era da crença
descafeinada"
In Folha S. Paulo -
Mais!, 14/03/2004,
de Slavoj Zizek, Págs. 13-15 |
|
Os canibais de
Hans Staden
Imagens
de Hans Staden, xilogravura
original da primeira edição de Marbug de
1557
Traduzido e republicado como Hans Staden, The True History of His Captivity 1557
(London: George Routledge & Sons, 1928;
também, New York: Robert McBride & Co.,
1929)
|
|
|
Crônica de
uma morte anunciada
|
"Pedro Vicário puxou a faca para fora com o seu pulso rude de magarefe, e assestou-lhe um segundo golpe quase no mesmo sítio.
'O estranho é que a faca voltava a sair
limpa', declarou Pedro Vicário ao juiz instrutor.
'Eu já lhe tinha dado praí umas três vezes e não via gota de
sangue'. Santiago Nasar torceu-se com os braços cruzados sobre o ventre depois da terceira facada, soltou um gemido de bezerro, e tentou virar-se de costas. Pablo Vicário, postado à sua esquerda com a faca recurva, assestou-lhe então a única facada no lombo, e um jacto de sangue a alta pressão encharcou-lhe a camisa.
'Cheirava como ele', disse-me. Três vezes ferido de morte, Santiago Nasar enfrentou-os novamente, e apoiou-se de costas contra a porta da mãe, sem a menor resistência, como se quisesse tão-só ajudá-los a acabar com ele em partes iguais.
'Não voltou a gritar', disse Pedro Vicário ao juiz instrutor.
'Pelo contrário: pareceu-me a mim que se
ria.' Os dois continuaram a esfaqueá-lo de encontro à porta, com golpes alternados e fáceis, flutuando no remanso deslumbrante que encontraram do outro lado do medo. Não ouviram os gritos da vila inteira espantada com o seu próprio crime.
'Sentia-me como quando se vai à carreira num
cavalo', declarou Pablo Vicário. Mas rapidamente despertaram ambos para a realidade, porque estavam exaustos, e apesar disso parecia-lhes que Santiago Nasar não iria cair nunca.
'Porra, primo', disse-me Pablo Vicário,
'sabes lá como é difícil matar um homem. Não fazes idéia!' Tentando acabar de uma vez por todas, Pedro Vicário procurou o coração, mas procurou-o quase na axila, onde o têm os porcos. De fato Santiago Nasar não caía porque eles estavam a escorá-lo à facada de encontro à porta. Desesperado, Pablo Vicário deu-lhe um talho horizontal no ventre, e os intestinos afloraram com uma explosão. Pedro Vicário ia a fazer o mesmo, mas o pulso torceu-se-lhe de horror, e então deu-lhe um talho extraviado na coxa. Santiago Nasar ficou ainda um instante apoiado contra a porta, até que viu as suas próprias vísceras ao sol, limpas e azuis, e caiu de joelhos."
Trecho
de "Crônica de uma morte
anunciada"
de Gabriel Garcia Márquez
págs. 54/55, 1983
Baixe
o livro em PDF, AQUI |
|
Augusto de
Campos

"Tour", Agusto de Campos
|
A morte
segundo São Francisco de Sales
|
"(...) Medita esse adeus grande e triste que tua
alma dirá a este mundo, as riquezas e as vaidades, aos amigos, a teus pais, a teus filhos, a um marido, a uma mulher, a teu próprio corpo, que abandonarás imóvel, hediondo de ver e todo desfeito pela corrupção dos humores.
Prefigura vivamente com que pressa levarão embora este corpo miserável para lançá-lo na terra, e considera que, passadas essas cerimônias lúgubres, já não se pensará mais de todo em ti, assim como tu não pensas nas pessoas que já
morreram. 'Deus o tenha em paz' - há de dizer-se - e com isso terá tudo acabado para ti neste mundo. Oh! morte, sem piedade és tu! A ninguém poupas neste mundo (...)"
São Francisco de Sales
|
|
|
|
É assim...
Você
não é pior, nem melhor. Você é igual,
só que diferente.
|
Sutra de um
olho fechado
Sutra
de um olho fechado
Apenas um olho cerrado
profundo, na pele gasta
numa mente vazia, casta,
ninho de lacraias,
pêlos e anafaias,
soturnas cobaias
perdidas em uma catasta.
O antolho de um celerado
fecundo, imbele, nefasta
índole tomada por traças,
moribundo que se arrasta
entre mitos, entre vaias
entre gritos, se desgasta
sobre os fios destas adagas,
sobre o sangue destas chagas.
O braço nu, descarnado,
o humor-negro, as chalaças
das vozes atrás das mordaças
expõem as teias, as veias,
de coágulos negros cheias.
O traço de pus destilado
e o lábio, inerte, calado.
Niilismo de velhos senhores,
na relva vermelha e sem flores
uma só pupila dilata
mas nada vê, não há cores,
apenas sonhos falidos,
e o som de ossos partidos
em espelhos que nunca refletem
e histórias que se repetem,
só há falsas árias, vapores,
restos tomados, perdidos,
comidos por roedores.
Jack
Sk.
|
William Morva
 |
 |
|
As
viúvas Cindy McFarland (esq.) e
Tamara Sutphin se consolam
após ouvirem a recomendação do
júri |
William
Morva sorri
ao ouvir a recomendação
de pena de morte do júri |
Júri recomenda execução; assassino sorri e famílias choram:
eu poderia fazer uma análise bastante
clara do perfil do sujeito, isto é, se eu
estivesse com saco, é claro.
|
In God We
Trust

Até junho de 2007, 13.129
crianças nasceram no Iraque com
malformação. O estopim dessa
desordem congênita foram as bombas de
urânio utilizadas pelas forças norte-americanas
em 1991, naquela que ficou conhecida como
Operação Tempestade no Deserto,
realizada na ocasião em que Saddan Hussein
ordenou a invasão ao Kuwait.
Belos números para embalarem o sono dos
justos sob o lema nacional designado
através do Congresso em um ato do ano
1956: In God We
Trust.
|
|
|
Rigor Mortis
Rigor mortis é a conseqüência
das modificações na constituição química
do tecido muscular decorrentes da morte do
indivíduo. Caracteriza-se pelo
endurecimento dos membros do cadáver,
impossibilitando que sejam movimentados
por alguém, e deve-se à hidrólise do
ATP necessário aos movimentos musculares
de contração e relaxamento. 
Segundo o fisiologista Huxley, a contração
muscular deve-se ao deslizamento entre os
miofilamentos de actina e miosina em cada
sarcômero na presença de ATP como fonte
de energia e dos íons Ca2+
e Mg2+
(observe na figura acima). Com o
encurtamento dos sarcômeros, as
miofibrilas e, conseqüentemente, as
fibras musculares também encurtam. Assim
como os neurônios fazem no disparo de um
impulso, as células musculares obedecem
à lei do tudo ou nada na
sua contração: cada célula muscular está
sempre totalmente contraída ou totalmente
relaxada. Quando contraem, o fazem
estimuladas por um impulso elétrico do
sistema nervoso. Se o impulso não atinge
um limiar mínimo sensível pela fibra
muscular ela permanece inerte, mas se o
estímulo atinge valor igual ou maior ao
do limiar ela contrai de forma máxima.
Portanto, o que faz um músculo contrair
com maior ou menor intensidade não é o
quanto cada uma de suas fibras foi
estimulada por um nervo, e sim quantas células
o nervo conseguiu atingir com estímulo
igual ou superior a um limiar mínimo.
A creatina-fosfato é uma
reserva de energia armazenada pela célula
muscular para ceder seu fósforo ao ATP
por uma via anaeróbica. Como o ATP é a
fonte direta de energia para o movimento
muscular, este é facilitado.
Texto
extraído DAQUI
|
Oração
fúnebre a Beethoven
|
"Nós, que estamos aqui, parados em frente a tumba do defunto, somos en algum sentido os representantes de uma nação inteira, de todo o povo alemão, e estamos aqui para lamentar a perda da altíssima aclamada metade do que nos fica do brilho perdido de nossa arte nativo, do esplendor do espírito de nossa terra natal. O herói da poesia em língua alemã ainda vive, - e que viva muito ainda... Mas o último maestro do som, a boca pela qual nos falava a música, o homem que herdou e ampliou a fama imortal de Bach e Handel, de Haydn e Mozart, não mais existe e nós estamos aqui parados chorando, frente às cordas quebradas de um instrumento agora silenciado.
Um instrumento agora silenciado. Deixe-me chamá-lo assim! Porque ele foi um artista, e o que teve, o teve somente através da arte. Os espinhos da vida o feriram profundamente, e como o náufrago que se agarra a orla salvadora, ele se agarrou em teus braços, ó maravilhosa irmã do Bem e da Verdade, tu, consolo do coração aflito, tu, arte, nascida nos céus...! A ti se agarrou fortemente, e até quando se fechou o portal pelo qual havias entrado e havias falado, e quando seu surdo ouvido cegou sua visão de tua face, ainda assim conservou tua imagem dentro de seu coração, e quando morreu ela ainda repousava sobre seu peito.
Ele foi um artista, e quem será capaz de se equiparar a ele? Porque do mesmo modo que um gigante avança com desprezo às ondas que se lhe opõe, ele avançou até os limites máximos de sua arte. Do murmúrio das pombas ao estrondo do trovão; das mais sutis harmonias, entretecidas com os mais hábeis recursos da arte, até esse terrível ponto em que esse mesmo tecido se desfaz ao estalido sem controle das forças da natureza...
Ele atravessou tudo, abarcou tudo. Aquele que o seguir não pode simplesmente continuar seu caminho, terá que começar de novo. Porque ele chegou até o lugar onde a arte termina.
Adelaide e Leonora! A celebração dos heróis da Vitória, e os humildes sons da Missa... descendência em três ou quatro vozes. Ressoante Sinfonia, "alegria, bela filha dos deuses", a despedida do cisne. Musas de canção e corda: juntem-se aqui em sua tumba e a rodeiem com laurel!
Ele foi um artista, mas também foi um homem. Um homem em todo o sentido da palavra, no mais alto. Por ter se afastado do mundo, chamaram-no misantropo, e porque se manteve indiferente ao sentimentalismo, o chamaram de insensível. Ah! O que sabe se sabe duro de coração, não foge! (São as lâminas mais finas que facilmente se dobram e quebram!) Um excesso de sensibilidade sempre evita os sentimentos! Ele fugiu do mundo porque não achou, no inteiro compasso de sua natureza amorosa, um a arma com que se defender. Afastou-se da companhia dos homens depois de ter-lhes dado tudo e não receber nada em troca. Permaneceu só porque não encontrou seu outro eu. Mas até sua morte preservou seu coração humano para todos os homens, seu coração de pai batendo por seu próprio povo, pelo mundo inteiro.
Assim foi, assim morreu e assim viverá para sempre!
E vós, que tem seguido seu cortejo fúnebre até este lugar, cessai vossa dor. Não os haveis perdido, mas ganho. Nenhum homem vivo entra nos salões da imortalidade. O corpo deve morrer antes que esses portais se abram. Aquele por quem lamentais, encontra-se agora entre os maiores homens de todos os tempos, invulnerável para sempre. Voltai a vossos lares então, aflitos mas serenos. E quando, ao longo de vossas vidas, o poder se sua obra rompa sobre vós como uma tormenta, quando o gozo se despeje no meio de uma geração que ainda não nasceu; então lembrai-vos desta hora e pensai: estivemos ali quando o enterraram e quando ele morreu nós choramos".
Oração fúnebre a Beethoven,
de Franz Grillparzer,
lida na entrada do cemitério de Wahring
em 29 de março de 1827,
por Heinrich Anschütz |
|
Pieter
Brueghel, o Velho

"O
triunfo da morte", Pieter
Brueghel, o Velho, 1562
|
|
|
Blood Pack:
Dpto. de atendimento ao consumidor
De: "F.J.M." <xxxx@xxxx.xxx>
Para: "Jack
Sk." <bloodpack@uol.com.br>
Assunto: Vc percebeu
Data: Thu, 13 Mar 2008 03:43:10 -0300
Vc percebeu qvc estah falando
soh d morte neses dias......
Resposta do Jack:
Caro leitor,
Sim, eu percebi. E agora que
você se deu conta desse detalhe incrível
sem a ajuda dos chimpanzés do zoológico,
quero ver se você é capaz de equilibrar
uma bola na ponta no nariz, sozinho, sem
pedir a ajuda de uma foca.
|
Coisas da vida
Nesta vida, eu já me relacionei com
muitas putas.
E com os filhos delas, também.
|
O Quevedo que
não é o padre, escreveu...
|
O que chamais
morrer
é acabar de morrer
E o que chamais nascer
é começar a morrer
E o que chamais viver
É morrer vivendo.
Francisco Gómes de Quevedo y Villega
(1580-1645) |
|
|
|
A morte da
Virgem

"A
morte da Virgem", Caravaggio,
1605-1606
Sempre que vejo essa obra, me lembro de
que na época, Caravaggio foi acusado de
ter utilizado o cadáver de uma
prostituta, que havia sido fisgada morta
do rio Tibre, para pintá-lo.
Pois é, não tem jeito, eu sou mesmo um
sujeito mórbido.
|
|
|
J. Borges

"A
Chegada da Prostituta no Céu", J.
Borges
Xilogravura aplicada em cerâmica, (AxLxP)
12 x 12 x 0,3 cm
|
Rogério
Skylab
|
IML
Abri a
geladeira do IML.
Cadáver gelado, cadáver é assim.
De boca entreaberta, cadáver sem
rim.
Cadáver com bala, com cheiro ruim.
Cadáver de fato, cadáver sem fim.
Abri a geladeira do IML.
Cadáver do morro, cadáver eu vi.
Cadáver sem terra, cadáver barão.
Cadáver polícia, cadáver ladrão.
Cadáver turista, cadáver sertão.
Abri
a geladeira do IML.
Cadáver com bunda, com HIV.
Cadáver cantando, cadáver é
assim.
Cadáver no sangue, cadáver feliz.
Cadáver que anda, que olha e que vê.
Cadáver agora, cadáver aqui.
Rogério
Skyklab
Skylab
IV, Faixa 1 |
|
|
|
Os canibais de
Goya

Cena de Martírio (canibais contemplando os restos das suas vítimas), de
Goya
Musée de Beaux-Arts et d’Archéologie de Besançon.
|
A morte
segundo Santo Afonso Maria de Ligório
|
"(...) Considera que na hora da morte assistido de um sacerdote, que fará a encomendarão da tua alma, rodeado de parentes que por ti chorarão, com o Crucifixo á cabeceira e a vela benta aos pés, já prestes a passar á eternidade. Terás a cabeça dolorida, os olhos amortecidos, a língua abrasada, a garganta cerrada, o peito opresso, o sangue gelado, as carnes gastas e o coração transpassado de dor.
Ao morrer deixarás tudo; pobre e indigente serás lançado a um sepulcro, e ali apodrecerás.
Os vermes e outros animais imundos roerão tuas carnes, e de ti ficarão apenas alguns ossos descarnados, um pouco de pó hediondo e nada mais. Abre uma sepultura, e vê a que ficou reduzido aquele homem opulento, aquele avaro, aquela mulher vaidosa. Assim termina a
vida! Na hora da morte ver-te-ás rodeado de demônios que te apresentarão o sudário dos teus pecados, cometidos desde a tua infância. Agora o demônio, para induzir-te a pecar, encobre e desculpa as tuas faltas. Diz que é pequeno mal aquela amizade, aquela vaidade, aquele prazer, aquele rancor que alimentas em teu peito; que não há intenções criminosas naquelas conversações.
Mas no momento da morte patenteará a enormidade dos teus pecados; e á luz daquela eternidade em que brevemente terás de entrar, conhecerás a gravidade da pena em que incorreste ofendendo a um Deus infinito. Apressa-te, enquanto é tempo, a remediar o mal que tens
feito. (...)"
Santo Afonso Maria de Ligório |
|
Sven Prim

"Instead
of talking, lets fuck!", Sven
Prim, Projeto Pessoal
|
|
|
Castro Alves
|
Quando
eu morrer
Quando eu morrer... não lancem meu cadáver
No fosso de um sombrio cemitério...
Odeio o mausoléu que espera o morto
Como o viajante desse hotel funéreo.
Corre nas veias negras desse mármore
Não sei que sangue vil de messalina,
A cova, num bocejo indiferente,
Abre ao primeiro o boca libertina.
Ei-la a nau do sepulcro-o cemitério...
Que povo estranho no porão profundo!
Emigrantes sombrios que se embarcam
Para as plagas sem fim do outro mundo.
Tem os fogos — errantes por santelmo.
Tem por velame — os panos do sudário...
Por mastro-o vulto esguio do cipreste,
Por gaivotas — o mocho funerário...
Ali ninguém se firma a um braço amigo
Do inverno pelas lúgubres noitadas...
No tombadilho indiferentes chacam-se
E nas trevas esbarram-se as ossadas...
Como deve custar ao pobre morto
Ver as placas da vida além perdidas,
Sem ver o branco fumo de seus lares
Levantar-se por entre as avenidas!...
Oh! perguntai aos frios esqueletos
Por que não têm o coração no peito...
E um deles vos dirá "Deixei-o há pouco
De minha amante no lascivo leito."
Outro: "Dei-o a meu pai". Outro: "Esqueci-o
Nas inocentes mãos de meu filhinho"...
... Meus amigos! Notai... bem como um pássaro
O coração do morto volta ao ninho!...
Castro
Alves |
|
Selexyz Dominicanen
.

.

Uma igreja dominicana transformada em
livraria: essa é uma das unidades da rede
Selexyz,
localizada em Maastricht, a mais antiga
cidade neerlandesa e a capital da
província de Limburgo, nos Países
Baixos. O projeto do escritório de
arquitetura Merkx
+ Girod, que uniu em uma
combinação perfeita as linhas retas do
mobiliário moderno com a arquitetura
templo católico de 800 anos, virou
ponto turístico e arrebatou o Lensvelt
de Architect Interior Prize 2007.
Isso me fez lembrar da personagem Jonathan
Hemlock, um professor de arte, alpinista e
mercenário, que comete assassinatos por
dinheiro para poder aumentar sua coleção
de obras de arte adquiridas no mercado
negro, no romance Escalada
Mortal, escrito pelo americano Rodney
William Whitaker, sob o pseudônimo de
Trevanian. No livro, Hemlock vive em uma
igreja gótica reformada, em Long Island.
Quando eu for milionário, vou morar num
lugar assim.
|
Contador
Finalmente este cômodo ensangüentado da
blogosfera voltou a possuir um contador de
acessos que funciona, pelo menos na
página principal.
Mas não graças ao Uol, claro.
|
O comedor de
orelhas
|
"Cabe,
então, a pergunta: — todos
comeram carne humana? Havia, entre
os sobreviventes, um estudante de
medicina. E este, usando gilete, e
com inexcedível virtuosismo
cirúrgico, separou as melhores
carnes e as piores. As melhores,
macias, gostosas, eram as da
nádega, da barriga, da perna etc.
etc. Mas o que todos fingem esquecer
é que houve um, entre tantos, entre
todos, que disse: — 'Eu não faço
isso! Prefiro morrer, mas não faço
isso!'. E não fez. Os outros
tentaram convencê-lo. E quando ele,
em estado de extrema fraqueza,
arquejava na dispnéia
pré-agônica, quiseram forçá-lo.
Mas só de ver a carne, cortada como
no açougue, ele tinha náuseas
medonhas. Seu último suspiro foi
também um último 'não'."
Trecho
de "O Comedor de
Orelhas" In
"O reacionário: memórias e
confissões"
de Nelson Rodrigues
Cia das Letras, 1995, pág. 258.
(texto original de 1973) |
|
|
|
Arita
Damasceno Pettená
|
Quando em mim tudo for silêncio
e a própria via esvair-se
nas esteiras das águas flutuantes,
hei-de buscar, no primeiro ancoradouro,
o porto seguro para os meus sonhos todos.
Que importa que haja ondas revoltas,
ameaçando um casco acorrentado.
Quero respirar, no último momento,
a esperança diluindo-se em espumas,
espumas desmanchando-se em esperanças.
Arita Damasceno Pettená |
|
Amsterdam
Cenas
totalmente a la Jack: as garotas
nas vitrines de Amsterdam.
Esse cenário é a minha cara.
Absolutamente cool.
|
Sadismo Sexual

Uma mulher nua sendo torturada por
clérigos durante a inquisição: não me
venham com a história de que essas cenas
aconteciam apenas pra levar supostas
bruxas à confissão, ou para que se
pudesse condenar inocentes à morte e em
seguida vilipendiar seus bens... é mais
do que evidente de que o ingrediente
principal dessa época foi o sadismo
sexual, o fetiche de psicopatas, levado
às últimas conseqüências sob a
aprovação da Igreja.
O resto é detalhe.
|
Mails &
Comments
Obrigado ao pessoal que andou me
escrevendo nestes últimos dias. Legal que
tenham gostado do novo layout, pois pra
mim, o Blood Pack é, essencialmente a
forma que arranjei para expressar a minha
arte mórbida, expressionista e psicopata.
Ah, e falando nisso, se alguém puder me
indicar um bom contador de acessos free,
me avise, que o do Uol tá uma bosta.
Srta.
Anna, o cotidiano não vai me matar,
podexá. O problema é aquele que nosso
amigo Sartre já previra ao encerrar sua
peça "Entre quatro paredes":
que "O inferno são os
outros".
|
O homem ferido

"O
homem ferido", de Johan Wächtlin,
figura extraída da obra médica
"Feldtbuch der Wundartzney", de Hans von
Gersdorff,
Strasbourg, 1530
|
|
|
Cemitério
Pernambucano
CEMITÉRIO PERNAMBUCANO
(Nossa Senhora da Luz)
Nesta terra ninguém jaz,
pois também não jaz um rio
noutro rio, nem o mar
é cemitério de rios.
Nenhum dos mortos daqui
vem vestido de caixão.
Portanto, eles não se enterram,
são derramados no chão.
Vêm em redes de varandas
abertas ao sol e à chuva.
Trazem suas próprias moscas.
O chão lhes vai como luva.
Mortos ao ar-livre, que eram,
hoje à terra-livre estão.
São tão da terra que a terra
nem sente sua intrusão.
João Cabral de Melo Neto |
|
Guy Colwell

"Students",
by Guy
Colwell
acrílico, 34” x 54”, 2006
|
|
|
Complicado
Ultimamente
estou tendo dias extremamente complicados
e hoje acho que foi um dos mais punks
desta fase apocalíptica: presenciei um
óbito e duas exumações. A cada dia que
passa eu tenho mais ainda a certeza de que
o inferno está é aqui mesmo, portanto,
tenham paciência com este velho sociopata
que vos escreve.
Mas se não quiserem ter, também, pau no
cu de todo mundo.
|
|
|
Jack's Lament,
by Danny Elfman
|
|
|
Pensamento
Em algum
lugar, neste exato momento, há alguém
morrendo.
E
a gente aqui, viajando.
Foda.
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Blood
Pack é escrito e produzido por
Jack Skellington. Você pode reproduzir os meus textos
onde quiser, mas cite a fonte. Se você gostou do que
leu aqui, escreva um e-mail
comentando, pra gente conversar. Se não gostou, nem perca
tempo tentando me azucrinar, pois eu não vou estar nem
aí pra tua crítica. Se curtiu o blog, indique-o para os
seus inimigos. Se não curtiu, vá tomar no cu e não volte
mais aqui, que você ganha mais. |
|
Since September 17, 2007
|
|
|