Sexo, erotismo, pornografia, fetiches. Violência, criminologia, parafilias, patologias. Psicanálise, antropologia, teologia, literatura, arte, fotografia, filosofia, cultura, comportamento etc. Se você é um conservador, este não é um lugar pra você. 
    Este é um blog sobre o lado vermelho da vida, um blog sobre a minha vida, sobre a minha arte e espero que você goste bastan- te daqui.  Mas se não gostar, também, foda-se.

 


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   29 de Julho de 2008.
Molloy  

    "Estou no quarto de minha mãe. Sou eu que moro lá agora. Não sei como cheguei lá. Numa ambulância talvez, num veículo qualquer certamente. Me ajudaram. Sozinho não teria chegado. Esse homem que vem toda semana, é talvez graças a ele que estou aqui. Ele diz que não. Me dá dinheiro e leva as folhas. Tantas folhas, tanto dinheiro. Sim, trabalho agora, um pouco como antigamente, só que não sei mais trabalhar. Isto não tem importância, ao que parece. Eu, eu gostaria agora de falar das coisas que me restam, me despedir, terminar de morrer. Eles não querem. Sim, eles são muitos, ao que parece. Mas é sempre o mesmo que vem. Fará isso mais tarde, ele diz. Bom. Não tenho mais muita vontade, vejam bem. Quando vem buscar as folhas novas, traz de volta as da semana anterior. Estão marcadas com sinais que não compreendo. Em todo caso, não releio. Quando não faço nada, não me dá nada, me repreende. No entanto, não trabalho por dinheiro. Por que então? Não sei. Não sei grande coisa, francamente. A morte de minha mãe, por exemplo. Já estava morta quando cheguei? Ou só morreu mais tarde? Quero dizer, morta de enterrar. Não sei. Talvez não a tenham enterrado ainda. Em todo caso, seu quarto agora é meu. Durmo na sua cama. Faço no seu vaso. Tomei o seu lugar. Devo me parecer com ela cada vez mais. Só me falta um filho. Tenho um em algum lugar, talvez. Mas não acredito. Estaria velho agora, quase tanto quanto eu. Era uma empregadinha. Não era o verdadeiro amor. O verdadeiro amor foi com outra. Vocês vão ver. Não é que esqueci o nome dela de novo. Às vezes me parece até que conheci meu filho, que cuidei dele. Depois digo a mim mesmo que é impossível. É impossível que tenha conseguido cuidar de alguém. Esqueci a ortografia também, e a metade das palavras. Isto não tem importância, ao que parece. Pois é. É um sujeito engraçado, esse que vem me ver. Todos os domingos ele vem, ao que parece. Não está livre nos outros dias. Está sempre com sede. Foi ele que me disse que eu tinha começado mal, que era preciso começar de outro jeito. Eu, pois é. Comecei do começo, imaginem, como um velho idiota. Aqui está meu começo, o meu. Eles vão mantê-lo assim mesmo, se entendi direito. Eu me dei trabalho. Aqui está. Me deu muito trabalho. Era o começo, vocês sabem. Enquanto agora é quase o fim. É melhor, o que faço agora? Não sei. Não se trata disso. Aqui está meu começo, o meu. Deve significar alguma coisa, já que eles o mantêm. Aqui está."

Trecho de "Molloy", de Samuel Beckett, Editora Globo, 2008

       20h32min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   28 de Julho de 2008.
one, two, three, four, five, six!  

    "אני זה ששכן בתוך קין! Ego sum unus quisnam habitat Nero! Mιά φορά κατοίκησε μέσα σε Ιούδας! Ich war mit Legion! לעילב אני! And I am Lucifer, the devil in the flesh!" [1]

[1] No trecho acima, cada um dos demônios identifica-se em um idioma particular: o primeiro em hebraico, o segundo em latim, o terceiro em grego, o quarto em alemão, o quinto novamente em hebraico e o sexto, em inglês. A tradução, portanto, é a seguinte: "Eu sou aquele que residiu em Caim! Eu sou aquele que residiu em Nero! Eu residi em Judas! Eu estive com a Legião (referindo-se a Hitler)! Eu sou Bliyaal! E eu sou Lúcifer, o diabo em carne e osso!

Fala de Emily Rose, interpretada por Jennifer Carpenter, em
"
The Exorcism of Emily Rose", 2005, Direção de Scott Derrickson.

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       19h11min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   27 de Julho de 2008.
Tattoo  

By Mark Heggie, Big Top Tattoo, Utica, Michigan - Surrupiado daqui.

       13h12min  Comente   Posted By Jack Sk.  

The Gods

Imagens pertencentes ao Prefácio da edição de 1892 de "The Gods and other lectures", de Robert Green Ingersoll, Coronel do Exército da União durante a Guerra Civil Americana.

Mais a respeito da obra literária acima, você pode saber AQUI e AQUI.

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       10h08min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Cadernos Negros  

Poema da Comunhão da Carne  

Querer-te como rima preciosa uma pedra esculpida um ritual de amor
e arte em negrura colorida. Sim
querer-te o corpo como um templo
e cultuar-te -- assim sagrada --
a salgada e rubra hóstia da vagina

Márcio Barbosa
in Cadernos Negros 11, página 45

       ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤

Exu  

Lábios vermelhos
Muito vermelhos
Acesos e acesos e haciendo-me entrar
-- vem vem me ver por dentro
E eu vou à fenda -- acesso labiríntico a chamar
A brasa -- chama rubra e corpo negro

Abílio Ferreira
in Cadernos Negros 13, página 63

  Poemas citados no texto crítico "Poesia Erótica nos Cadernos Negros", de Luiz Silva (Cuti). Caso você queira saber mais a respeito da proposta "Cadernos Negros", visite o site da Quilombhoje!

       08h32min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   26 de Julho de 2008.
A Terra Desolada
   Terra Desolada (The Waste Land), de Eliot, escrito em 1922 é, na minha opinião, ao lado de Le Bateau Ivre (O Barco Ébrio), de Rimbaud, um dos maiores poemas já escritos. O fragmento no final deste post é a primeira parte da obra e foi publicado em ''T.S. Eliot - Poesia'', da Nova Fronteira.

    Em várias das vezes em que conversei a respeito disso com alguns amigos e dei essa minha mesma opinião acima, ouvi que a linguagem de Terra Desolada é árida demais pra ser considerada agradável ao palato de um leitor mais sensível e que eu estava viajando. E eu poderia até concordar com eles. Dizer qual poema é genial e qual não é, qual merece estar entre os maiores já escritos e qual não merece, é também uma forma subjetiva de caracterizá-lo, eu diria que talvez seja até mesmo uma forma imbecil, pois no fundo, não acrescenta nada a nada, uma vez que uma lista desse tipo só tem valor legítimo pra quem a escreve. Por outro lado, classificar sua linguagem como árida, complexa, direta, agressiva ou suave aos ouvidos quando recitado, já me parece ser de mais fácil verificação, por motivos óbvios. 

    Mas paradoxalmente, é exatamente essa aridez que me envolve. Eliot me fisga justamente por essa adequação onírica da poesia a uma temática que por si só já é o próprio fim dos tempos e pela forma angulosa que escolheu para contar sua história. Certas coisas servem pra ser compreendidas, outras para serem sentidas e embora existam aquelas que nos apresentam as duas possibilidades, as mesmas sempre poderão ser excludentes: uma mulher pode ser bonita sem necessariamente ser inteligente (ou vice-versa) mas não por isso, deixar de ser admirável.

    Pois é, não sei se é a hora, mas tudo o que eu consigo concluir neste momento é que realmente eu sou um tanto quanto bizarro na maneira como vejo as coisas. Sei lá, vale mais a pena você ler e tirar as suas próprias conclusões, porque as dos outros, meu chapa, nunca lhe serão úteis, pode apostar seu rabo nisso, eu sempre apostei o meu e até agora nunca perdi.

A Terra Desolada

1. O enterro dos mortos

Abril é o mais cruel dos meses, germina
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera.
O inverno nos agasalhava, envolvendo
A terra em neve deslembrada, nutrindo
Com secos tubérculos o que ainda restava de vida.
O verão; nos surpreendeu, caindo do Starnbergersee
Com um aguaceiro. Paramos junto aos pórticos
E ao sol caminhamos pelas aléias de Hofgarten,
Tomamos café, e por uma hora conversamos.
Big gar keine Russin, stamm' aus Litauen, echt deutsch.
Quando éramos crianças, na casa do arquiduque,
Meu primo, ele convidou-me a passear de trenó.
E eu tive medo. Disse-me ele, Maria,
Maria, agarra-te firme. E encosta abaixo deslizamos.
Nas montanhas, lá, onde livre te sentes.
Leio muito à noite, e viajo para o sul durante o inverno.

Que raízes são essas que se arraigam, que ramos se esgalham
Nessa imundície pedregosa? Filho do homem,
Não podes dizer, ou sequer estimas, porque apenas conheces
Um feixe de imagens fraturadas, batidas pelo sol,
E as árvores mortas já não mais te abrigam, nem te consola o canto dos grilos,
E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca. Apenas
Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.
(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),
E vou mostrar-te algo distinto
De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece
Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;
Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.

Frisch weht er Wind
Der Heimat zu
Mein Irisch Kind,
Wo weilest du?

''Um ano faz agora que os primeiros jacintos me deste;
Chamavam-me a menina dos jacintos."
-- Mas ao voltarmos, tarde, do Jardim dos Jacintos,
Teus braços cheios de jacintos e teus cabelos úmidos, não pude
Falar, e meus olhos se enevoaram, eu não sabia
Se vivo ou morto estava, e tudo ignorava
Perplexo ante o coração da luz, o silêncio.
Oed' und leer das Meer.

Madame Sosostris, célebre vidente,
Contraiu incurável resfriado; ainda assim,
É conhecida como a mulher mais sábia da Europa,
Com seu trêfego baralho. Esta aqui, disse ela,
É tua carta, a do Marinheiro Fenício Afogado.
(Estas são as pérolas que foram seus olhos. Olha!)
Eis aqui Beladona, a Madona dos Rochedos,
A Senhora das Situações.
Aqui está o homem dos três bastões, e aqui a Roda da Fortuna,
E aqui se vê o mercador zarolho, e esta carta,
Que em branco vês, é algo que ele às costas leva,
Mas que a mim proibiram-me de ver. Não acho
O Enforcado. Receia morte por água.
Vejo multidões que em círculos perambulam.
Obrigada. Se encontrares, querido, a Senhora Equitone,
Diz-lhe que eu mesma lhe entrego o horóscopo:
Todo o cuidado é pouco nestes dias.

Cidade irreal,
Sob a fulva neblina de uma aurora de inverno,
Fluía a multidão pela Ponte de Londres, eram tantos,
Jamais pensei que a morte a tantos destruíra.
Breves e entrecortados, os suspiros exalavam,
E cada homem fincava o olhar adiante de seus pés.
Galgava a colina e percorria a King William Street,
Até onde Saint Mary Woolnoth marcava as horas
Com um dobre surdo ao fim da nona badalada.
Vi alguém que conhecia, e o fiz parar, aos gritos: "Stetson,
Tu que estiveste comigo nas galeras de Mylae!
O cadáver que plantaste ano passado em teu jardim
Já começou a brotar? Dará flores este ano?
Ou foi a imprevista geada que o perturbou em seu leito?
Conserva o Cão à distância, esse amigo do homem,
Ou ele virá com suas unhas outra vez desenterrá-lo!
Tu! Hypocrite lecteur! -- mon semblable --, mon frère

T. S. Eliot
Traduzido por Ivan Junqueira

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       02h47min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Bill Tong 

    Bill Tong é um artista conceitual radicado em Paris e que tem como foco principal de seu trabalho o sexo. Há 10 anos Bill vem fotografando atos e ambientes onde o sexo é o protagonista. 

    O interessante da arte conceitual é que ela, na maioria das vezes, é indistinguível de algumas vertentes da poesia moderna, como dá pra perceber a partir da simples observação das obras abaixo:

01_luxuriance_2004
07_idiot trap_2004
09_ne pense, pas subis_2007

Conheça o site de Bill Tong: http://www.tongbill.com

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       01h24min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   25 de Julho de 2008.
Um dia na vida de Jack

    Ontem eu li o livro "Variedades da Experiência Científica: uma visão pessoal da busca por Deus", que é uma coletânea das transcrições das apresentações de Carl Sagan nas Palestras Gifford, na Universidade de Glasgow, Escócia, em 1985, cujo tema fora teologia natural. São cerca de 300 páginas bastante interessantes, dentro do estilo agradável de um dos maiores divulgadores científicos do nosso tempo. O livro é uma grande oportunidade de conhecer a forma como a mente de um ateu informado e cientificamente alfabetizado trabalha quando se trata da teologia.

    Também assisti ao filme "Batman - O Cavaleiro das Trevas". Gostei bastante do roteiro e da forma como foi contextualizada a história, onde parece ter havido uma preocupação em manter tudo dentro de uma realidade provável. Falar a respeito da atuação de Ledger no papel de Curinga (não gosto do sinônimo Coringa, com "o" no lugar do "u") seria chover no molhado, mas eu reforço a idéia de que a loucura lógica e psicopata da personagem torna o transtornado vilão de humor-negro o elemento principal da obra, colocando o próprio Batman como coadjuvante, na medida em que todo o enredo se constrói a partir de suas ações, intenções e manipulações. Em outras palavras, não acredito ser errado afirmar que o Curinga do atual Batman é o Bin Laden americano, sintetizanndo tanto o medo quanto a visão particular da América a respeito do terrorismo. O time de atores em geral também dispensa comentários. A única coisa que na minha opinião poderia ter sido melhor é a ambientação: a Gothan City do filme está longe do sombrio cenário idealizado pelos quadrinhos, mas acho que a semelhança explícita com a cidade de Manhattam também é necessária para a elaboração do contexto subliminar que remete diretamente a destruição orquestrada pelo Curinga ao caos dos atentados de 11 de Setembro e ao terror em linhas mais gerais.

    Pra terminar, no final da noite, assisti na MTV ao primeiro episódio de "A Shot of Love", um reality show onde a gostosíssima Tila Tequila busca um namorado -- ou uma namorada -- já que a safada é bissexual declarada. Como qualquer outro reality show, esse também não traz nada de útil, exceto pelos trajes ínfimos da Tila e das molecagens dos participantes, em particular os homens, que literalmente saem na porrada, enchem a cara até passar mal, xingam-se e humilham-se uns aos outros para disputar o coração da boazuda descendente de vienamitas.

    Pois é, isso tudo é o que faz um homem desocupado dentro de um período de 24 horas.

       12h01min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Gerben Mulder

Nude on the beach, 2008
Gerben Mulder

Girl with cast, 2008
Gerben Mulder

    O artista holandês Gerben Mulder, terá sua obra exposta, a partir de hoje, na galeria Fortes Vilaça, em Sampa. Se você é como eu e também gosta de arte, aí vão os links pra poder se informar mais:

   http://www.gerbenmulder.com
   http://www.fortesvilaca.com.br

       11h11min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   23 de Julho de 2008.
Ezra Pound  

E assim em Nínive  

"Sim! Sou um poeta e sobre minha tumba
Donzelas hão de espalhar pétalas de rosas
E os homens, mirto, antes que a noite
Degole o dia com a espada escura."

"Veja! não cabe a mim
Nem a ti objetar,
Pois o costume é antigo
E aqui em Nínive já observei
Mais de um cantor passar e ir habitar
O horto sombrio onde ninguém perturba
Seu sono ou canto.
E mais de um cantou suas canções
Com mais arte e mais alma do que eu;
E mais de um agora sobrepassa
Com seu laurel de flores
Minha beleza combalida pelas ondas,
Mas eu sou poeta e sobre minha tumba
Todos os homens hão de espalhar pétalas de rosas
Antes que a noite mate a luz
Com sua espada azul."

"Não é, Ruaana, que eu soe mais alto
Ou mais doce que os outros. É que eu
Sou um Poeta, e bebo vida
Como os homens menores bebem vinho."

Ezra Pound
traduzido por Augusto de Campos

       17h31min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Haroldo de Campos  

Se  

se
nasce
morre nasce
morre nasce morre
                                           renasce remorre renasce
                                                                      remorre renasce
                                                                                                   remorre
                                                                                                                re
                                           re
                               desnasce
       desmorre desnasce
desmorre desenasce desemorre
                                                                      nascemorrenasce
                                                                      morrenasce
                                                                      morre
                                                                      se 

Haroldo de Campos

Haroldo de Campos: taí um sujeito que eu sempre admirei.

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       16h54min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Substantivo tem cor.  

Tem?

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       15h22min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Versos para uma descida

Flashes of Russian Heroin Junkies - Série Completa Aqui

Versos para uma descida

O sangue coagulado é bom
para os vermes nos aterros
e o sexo dos deuses louros

Os indigentes, nus enterrados
e a carne podre dos animais,
o esperma no cu das beatas,
os padres e os jovens currados,
nos tornam todos canibais

A doença que o ar espreita
em pulmões tuberculosos,
em lixeiras, caixotes e latas 
faz do dia-a-dia uma seita, 
e um tumor nos corpos calosos

Onde a morte se faz arte
e o caos se faz atitude,
os ratos, as moscas e as baratas
são testemunhas e são parte
dessa mesma decrepitude

Pois a esperança é o som
do berro dos bezerros
levados aos matadouros

Jack Sk.

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       09h28min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Signs II



Signs II
- Poesia Experimental de Jack Sk.

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       09h18min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   22 de Julho de 2008.
o yogin

Ensimesmado, o feto de pedra pra sempre curvado em reverência ao presente,
expõem sua força, na dor ausente e eterna comborça, conjugalmente brilha
por dentro e externa o epicentro viripotente de um terremoto confitente.

 Que homem é aquele?

E se Shiva é por ele, quem será contra ele?

                                                                                                 Jack Sk.

       16h59min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Rituais de Canibalismo no Brasil

    Como eram os rituais de canibalismo dos índios brasileiros?

    Carne humana era bem mais que um petisco para os antropófagos brasileiros. O canibalismo, na cultura desses povos, envolvia cerimônias que evocavam o sobrenatural. "Eles acreditavam que o indivíduo ganha força pela assimilação de outros poderosos e perigosos, sejam guerreiros inimigos, sejam parentes mortos", afirma o historiador John Monteiro, da Unicamp.

    Os inimigos mais poderosos que essas populações tinham eram os portugueses. Os lusos se tornaram o prato favorito da taba, o que salvou o aventureiro Hans Staden de arder no moquém. Por ser alemão, Staden foi poupado pelos Tupinambás que o capturaram em Ubatuba (litoral de São Paulo), em 1549. Prisioneiro dos índios, ele presenciou rituais antropofágicos. Seu relato - ilustrado pelo contemporâneo belga Théodore de Bry - é o mais detalhado já feito sobre os canibais brasileiros.

    Não se sabe exatamente quantos grupos indígenas praticavam a antropofagia. O hábito durou até o século 17, quando a catequização acabou com ele nos territórios controlados pelos colonizadores. "Mas a lógica antropofágica permaneceu forte, inclusive na forma pela qual os índios assimilaram os rituais católicos, que incluem a ingestão do 'sangue' e do 'corpo de Cristo", diz John. Hoje, só os ianomâmis conservam o hábito de comer cinzas de cadáver, como forma de homenagear um amigo morto.

    Como os Tupinambás preparavam os prisioneiros para o banquete em que seriam o prato principal, segundo relato de Hans Staden:

    No ritual tupinambá, a vítima nunca era morta na mesma hora que chegava à aldeia. A preparação para sua degustação podia levar dias, até meses. Na chegada, o inimigo era levado para uma cabana só com mulheres e crianças. Elas o agrediam (1) e cantavam canções de vingança. Depois, penas cinzentas eram coladas ao seu corpo e suas sobrancelhas eram raspadas (2). Amarrado no centro da aldeia (3), ele tinha à sua volta uma roda com todos os índios, que cantavam e dançavam por horas. A partir daí, o prisioneiro era tratado como rei. Davam-lhe uma mulher para servi-lo. Se ela tivesse um filho dessa relação, os índios o criariam até a idade adulta - para então dar-lhe o mesmo destino do pai. A tribo convidava amigos de outras aldeias para participar do banquete. O ritual em si começava quando as vasilhas estavam cheias de urna beberagem à base de raízes fortes e todos os convivas estavam presentes. O prisioneiro participava da farra da taba, que atravessava a noite com danças e bebida farta. Enquanto isso, em uma das cabanas, era pendurado o tacape que daria o golpe fatal no pobre coitado.

    No dia seguinte, nada de curtir a ressaca na rede: os índios construíam uma cabana só para o inimigo morrer. Lá, ele passaria a noite bem vigiado. De madrugada, os algozes entravam na cabana para cantar e dançar em volta do prisioneiro até o nascer do Sol. Então, eles derrubavam a cabana e faziam uma fogueira a dois passos dele. Todos se pintavam com uma tinta cinza. O cacique pegava o tacape (1) e golpeava o prisioneiro na nuca. As mulheres levavam o morto para o fogo, raspavam-lhe toda a pele (2) e tapavam-lhe o ânus com um pau (3), para que nada escapasse por ali.

    Depois da raspagem, um dos homens da tribo fazia as vezes de açougueiro: cortava as pernas do defunto acima dos joelhos (1) e os braços rente ao tronco. Chegavam, então, quatro que mulheres que pegavam um pedaço cada e corriam com eles em volta das cabanas, cantando e gritando – era o ponto alto da festa, quando toda a tribo estava em êxtase. Então chegava a hora de assar a carne e reparti-la entre os convidados. Os miúdos, assim como a cabeça, eram dados às mulheres, que preparavam com eles uma sopa (2), servida só a elas e às crianças.

Fonte: Revista Super Interessante
Autores: Marcos Nogueira e Nina Weingrill

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       00h20min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   21 de Julho de 2008.
Alberto Caeiro  

Uma vez amei  

Uma vez amei, julguei que me amariam
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão — Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.

Alberto Caeiro

Poesia encontrada no blog da Poetriz,
que vale a visita pela excelente coletânea
de textos, poemas e diálogos.

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       23h39min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Minha Luta  

    "A capacidade de compreensão do povo é muito limitada, mas, em compensação, a capacidade de esquecer é grande. Assim sendo, a propaganda deve-se restringir a poucos pontos. E esses deverão ser valorizados como estribilhos, até que o último indivíduo consiga saber exatamente o que representa esse estribilho. Sacrificando esse princípio em favor da variedade, provoca-se uma atividade dispersiva, pois a multidão não consegue nem digerir nem guardar o assunto tratado. O resultado é uma diminuição de eficiência e conseqüentemente o esquecimento por parte das massas."

Mein Kampf, de Adolf Hitler
Primeira Parte - Cap. VI - A Propaganda da Guerra

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       21h27min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   20 de Julho de 2008.
Jenny Lee



"Perch", de Jenny Lee, 2006
Oil on Board (framed)
http://www.bleedingorchidstudio.com

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       18h55min  Comente   Posted By Jack Sk.  

100% Americano  

    “O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo um padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão, cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos esses materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos 'mocassins' que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções européias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito.

    Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário tem a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos croatas do séc. XVII. Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.

    De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast, com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abssínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a idéia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple inventado pelos índios das florestas do leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de alguma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no norte da Europa.

    Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano.”

in  O homem: Uma introdução à antropologia, de Ralph Linton,
Livraria Martins Editora, 1959. Citado em Sociedade: Uma introdução à sociologia, de Ely Chinoi, Editora Cultrix, Páginas 162 e 163

       09h22min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   19 de Julho de 2008.
3 poemas de Paulo Leminsky  

sem título

       este planeta, às vezes, cansa,
almas pretas com suas caras brancas
       suas noites de briga braba,
sujas tardes de água mansa,
       minutos de luz e pavor

       casa cheia de doce,
ondas tinindo de dor,
       acabou-se o que era amargo,
pisar este planeta
       como quem esmaga uma flor

       ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤

Dionisios Ares Afrodite

aos deuses mais cruéis
     juventude eterna

eles nos dão de beber
     na mesma taça
o vinho, o sangue e o esperma

       ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤

1987, Tende Piedade de Nós

             anos ímpares
são anos vítimas
             anos sedentos
de sangue e vingança
             todo gozo será punido
e o deserto será nossa herança

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       19h35min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Signs I

    Esta é a primeira poesia da série Signs, que eu escrevi utilizando placas de trânsito para transmitir uma mensagem diferente daquela para a qual as placas foram criadas.

    Na medida em que eu estiver a fim, vou postando as outras, na ordem em que fora escritas.


Signs I
- Poesia Experimental de Jack Sk.

       14h58min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Thot



Thot, Jack Sk., 2008

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       14h52min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Dan Tague


Muito boa as manipulações feitas por Dan Tague a partir das dobras.

       13h38min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   14 de Julho de 2008.
Vazei 

    Vou passar uns dias fora. Volto na sexta ou no sábado. Tchau.

       23h46min  Comente   Posted By Jack Sk.  

A Kenning é a nossa Antonomásia  
    "Na literatura germânica medieval, uma kenning é uma figura de linguagem poética que substitui o nome habitual de uma pessoa ou coisa. Na sua forma mais simples, compreende dois termos, um dos quais (a 'palavra-base') é relacionado com o segundo formando um significado que nenhum dos termos possui individualmente. Por exemplo, em inglês antigo o mar podia ser chamado seg.l-ra-d 'caminho da vela', swan-ra-d 'caminho do cisne', bæþ-weg. 'caminho do banho' ou hwæl-weg. 'caminho da baleia'. Na linha 10 do épico Beowulf o mar é chamado hronra-de ou 'caminho da baleia'.

    Esta palavra deriva da expressão norueguesa antiga kenna eitt við, "expressar uma coisa em termos de outra", e é bastante usual na língua norueguesa antiga, literatura anglo-saxónica e literatura celta. As kennings estão particularmente associadas com a prática da poesia aliterativa, onde tendem a tornar-se fórmulas fixas. Os skalds (bardos das cortes viking) faziam um uso tão extensivo de kennings que estas vieram a ser vistas como elemento essencial do 'verso skáldico'."
   Muito bacana o artigo da Wikipedia sobre a Kenning, pois vai direto ao ponto e dá uma idéia razoavelmente precisa dessa figura de linguagem nórdica. Eu diria que, guardadas as devidas proporções, a Kenning equivale a nossa Antonomásia. Isso é muito interessante, pois na minha opinião, prova que existe um padrão, um mecanismo comum na forma como o cérebro humano refina e processa a linguagem. Quando eu me pego pensando nessas coisas eu não consigo admitir como alguém pode ver isso e não ficar eufórico e querer saber e entender mais a respeito. Isso é quase tão bom quanto deve ser comer a Emily Deschanel dentro da Basílica de São Pedro, debaixo do altar e no meio de uma Missa do Galo.

   Definitivamente, eu devo ser alienígena.

       23h44min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Palíndromo 

Até cubanos metem só na buceta.

       23h19min  Comente   Posted By Jack Sk.  

O caixão fantástico  
O caixão fantástico

Célere ia o caixão, e, nele, inclusas,
Cinzas, caixas cranianas, cartilagens
Oriundas, como os sonhos dos selvagens,
De aberratórias abstrações abstrusas!

Nesse caixão iam, talvez as Musas,
Talvez meu Pai! Hoffmânnicas visagens
Enchiam meu encéfalo de imagens
As mais contraditórias e confusas!

A energia monística do Mundo,
À meia-noite, penetrava fundo
No meu fenomenal cérebro cheio...

Era tarde! Fazia multo frio.
Na rua apenas o caixão sombrio
Ia continuando o seu passeio!

Augusto dos Anjos
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       15h55min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Sonya C.


Mulher boa é isso aí: fica uma maravilha até com meia soquete e sandália.
Gostou? Faz que nem eu, vai espiar mais fotos da Sonya C. lá no Met Art!

       07h33min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   13 de Julho de 2008.
Sobre o pudor sexual  

    O pudor sexual não pode, de nenhuma maneira simples, ser identificado pelo uso de roupas, nem pela vergonha da falta de roupas ou pela nudez total ou parcial.
    Existem circunstâncias nas quais a nudez total não é falta de pudor.
    A nudez como tal não deve ser igualada à falta de vergonha.
    A falta de pudor só existe quando a nudez desempenha um papel negativo com relação ao valor da pessoa.
    O corpo humano não é vergonhoso em si, nem, pelas mesmas razões, são as relações sexuais e a sensualidade humana em geral.
    A falta de vergonha (da mesma forma que a vergonha e o pudor) é uma função do interior do indivíduo.

Papa João Paulo II, 1998

Aê, mulherada, podem sair andando peladas, tá liberado.

       13h10min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Public Image Limited

   Com o fim do Sex Pistols, o vocalista Johnny Rotten (John Lydon), montou, juntamente com Keith Levenne, ex guitarrista do The Clash, o baixista Jah Wooble e o baterista David Crowe, a banda pós-punk Public Image Limited, também conhecida como P.I.L. ou simplesmente PIL. A banda figurou no cenário musical de 1978 a 1993 e passou por gravadoras como a Virgin Records, a Warner Bros. e a Elektra Records

    Enquanto todo mundo considera Rise o maior hit do PIL, eu prefiro jogar os holofotes em Religion. Religion, declamada Religion e também musicada, é uma das maiores provas do peso e da agressividade do punk. Não se trata de concordar ou de discordar com as palavras que Lydon profere em Religion, trata-se apenas de admitir a genialidade de uma argumentação inflamada e a força de um manifesto que, na minha opinião, mostra que o punk foi criado para tirar você do comodismo. 

   Segue abaixo a letra original e a minha tradução de Religion, que foi uma das poucas coisas que traduzi e que exigiu tantas notas e explicações em tão simples e poucas linhas.

Religion - P.I.L. 

Stained glass windows keep the cold outside
While the hypocrites hide inside
With the lies of statues in their minds
Where the Christian religion made them blind
Where they hide
And prey to the God of a bitch spelled backwards is dog
Not for one race, one creed, one world
But for money
Effective
Absurd

Do you pray to the Holy Ghost when you suck your host
Do you read whos dead in the Irish Post
Do you give away the cash you can't afford
On bended knees and pray to lord

Fat pig priest
Sanctimonious smiles
He takes the money
You take the lies
This is religion and Jesus Christ
This is religion cheaply priced
This is bibles full of libel
This is sin in eternal hymn
This is what they've done
This is your religion
The apostles were eleven
Now theres a sod in Heaven

This is religion
Theres a liar on the altar
The sermon never falter
This is religion
Your religion

Religião - P.I.L.

Vitrais mantém o frio lá fora
Enquanto os hipócritas se escondem lá dentro
Com as mentiras das estátuas em suas mentes
Sempre que a religião cristã fez-lhes cegos
Quando eles escondem
E a presa-prece ao Deus de uma cadela vadia, soletrada ao contrário, é um Deus sem valor [1]
Não para uma raça, um credo, um mundo
Mas para o dinheiro
Eficaz
Absurdo

Você reza para o Espírito Santo quando você chupa sua hóstia
Você lê quem morre no Correio Irlandês [2]
Você cede o dinheiro com o qual não pode arcar
De joelhos no chão, você reza ao Senhor

Gordos e suínos sacerdotes
Sorrisos santimoniosos
Ele leva o dinheiro
Você leva as mentiras
Isto é religião e Jesus Cristo
Isto é religião de preço barato
Isto são Bíblias cheias de difamação
Isto é o pecado em eterno hino
Isto é o que eles fizeram
Isto é a sua religião
Os apóstolos eram onze
Agora são grama-sodomita [3]  no Céu

Isto é religião
Há um mentiroso sobre o altar
O sermão nunca vacila
Isto é religião
Sua religião

[1] No original: "And prey to the God of a bitch spelled backwards is dog" há pelo menos três jogos de palavras sem equivalentes diretos no português. O primeiro vale-se da homofonia presente em "prey" (presa, vítima) e "pray" (rezar, rogar). A segunda relaciona os termos "bitch" (cadela ou puta) ao termo "dog" (cachorro ou coisa sem valor). A terceira acentua o fato de que a palavra "God" (Deus), soletrada de trás pra frente, torna-se a palavra "dog", que além das significações já citadas, é também uma das formas de se denominar o demônio.

[2] No original: "Irish Post" (Correio Irlandês), um grande jornal da Irlanda. Quando a letra diz "Do you read whos dead in the Irish Post", faz uma referência ao "Bloody Sunday" (domingo sangrento), nome pelo qual ficou conhecido o massacre ocorrido em Derry, no norte da Irlanda, em 30 de janeiro de 1972, quando 26 pessoas que participavam de uma marcha pelos direitos civis foram atingidas por tiros disparados pelo 1º  Batalhão de Pára-quedistas Britânico. 13 pessoas, incluindo 6 menores de idade, morreram na hora. Duas delas foram atropeladas por veículos militares. A décima-quarta vítima morreu seis semanas depois. Segundo testemunhas e jornalistas presentes, nenhum dos atingidos estava armado. Cinco deles foram alvejados nas costas.

[3] No original: "sod" (gramado, turfa), em provável alusão àquilo que é pisoteado. O termo também possui significado chulo -- sodomita -- que é aquele que pratica a sodomia, o coito anal entre dois indivíduos.
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       11h23min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   12 de Julho de 2008.
Augusto dos Anjos + Velvet Underground  

    Bem, acho que agora vou me largar numa poltrona pra ler Augusto dos Anjos e ouvir todos os meus CDs do Velvet Underground. Se você vai continuar ligado, boa sorte. Se vai desligar, como eu, boa sorte também.

    Bye.

       22h09min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Um trecho de Byron  

    "(...) Enquanto estava sentado, debilitando-se visivelmente, uma cegonha com uma serpente no bico pousou sobre uma tumba próxima a nós; e, sem devorar sua presa, dava a impressão de nos observar fixamente. Não sei o que me impulsionou a espantá-la, porém o intento foi inútil; fez alguns círculos no ar e regressou exatamente ao mesmo lugar. Darvell apontou-a e sorriu. Falou -- não sei se para si mesmo ou para mim -- porém as palavras só foram:
    -- Está bem.
    -- Que é que está bem? Que queres dizer?
    -- Não importa; você deverá enterrar-me aqui esta noite, e no ponto exato em que está parada essa ave. Já conhece você o resto de minhas ordens.
    Então começou a dar-me algumas instruções sobre como poderia ocultar melhor sua morte. Quando terminou, disse:
    -- Vê você essa ave?
    -- Claro.
    -- E a serpente que se retorce em seu bico?
    -- Sem dúvida; não há nada raro; é sua presa natural. Porém é estranho que não a devore.
    Riu-se de uma maneira espectral e disse languidamente:
    --Todavia não é o momento.
    Enquanto falava, a cegonha empreendeu o voo. Segui-a com os olhos um instante: não pude haver tardado mais que em contar dez. Senti aumentar o peso de Darvell, por pouco que fosse, sobre meu ombro e, ao voltar a ver seu rosto, vi que havia morrido."

Trecho do conto inacabado "O enterro", de Lord Byron

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       22h03min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Georges Perec

   Georges Perec é um dos ícones da literatura que mais me agradam. Além da sua arte, a figura humana de Perec é digna de uma análise profunda a respeito do potencial criativo de nossa espécie. 

    As quatro imagens acima são também uma forma direta de relacionar o post abaixo, que trata da caligrafia árabe, à conclusão final onde eu proponho o OuLiPo e a Poesia Concreta como equivalentes ocidentais dessa mesma forma de arte, especialmente no que se refere ao pinacograma apresentado na quarta figura, onde o francês Gilles Esposito-Farèse representa o rosto de Perec utilizando apenas as letras utilizadas para escrever o nome de Georges.

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       14h48min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Caligrafia árabe

 
Imagem de leão criada com caligrafia árabe
Paquistão, Séc.XIX - Victoria and Albert Museum

    A imagem do leão acima é originária de Lahore, no Paquistão e faz parte de uma rica tradição de caligrafia zoomórfica. Essa prática, desenvolvida ao longo do Séc.XVI revela a flexibilidade e a beleza da escrita árabe, ao delinear formas vivas, como leões, tigres, papagaios, avestruzes e galos. Essa forma de arte abre um precedente sem desobedecer as injunções religiosas, que proíbem a representação direta de imagens. 

    Os textos dessa forma de caligrafia podem ser constituídos de versos do Corão e incluem jogos de palavras relacionando palavra e figura, particularmente na iconografia Xiita. O famoso exemplo acima contém uma prece a Ali, genro do Grande Profeta, também conhecido como Haidar, que em português significa "Leão".

    Brilhante essa manifestação islâmica de um gênero artístico que talvez esteja vinculado intrinsecamente ao inconsciente do ser humano e cujos equivalentes ocidentais, na minha opinião, podem ser apreciados através de movimentos como o OuLiPo e a Poesia Concreta...

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       14h26min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   11 de Julho de 2008.
Rokitansky, 1876  
    "Ao te curvares com a rígida lâmina de teu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembra-te que este corpo nasceu do amor de duas almas, cresceu embalado pela fé e pela esperança daquela que em seu seio o agasalhou. Sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e dos jovens. Por certo amou e foi amado, esperou e acalentou um amanhã feliz e sentiu saudades dos outros que partiram. Agora jaz na fria lousa, sem que por ele se tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece.

    Seu nome, só Deus sabe, mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir à humanidade.

    À humanidade que por ele passou indiferente"

Oração ao Cadáver Desconhecido
Karl von Rokitansky, 1876

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       12h44min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Trabalho prático  

    "Depois de os isolar, faça cuidadosamente uma incisão longitudinal nos músculos do plano médio do períneo, o mais internamente que puder, até encontrar o folheto superior ou profundo da aponevrose perineal média. Rebata os músculos para fora, em direcção aos ramos isquio-púbicos. Pode agora observar o referido folheto aponevrótico, que deverá rebater da mesma forma que fez para os músculos. Está na presença do tecido adiposo do prolongamento anterior da fossa isquio-rectal, a que já fizéramos referência na dissecção do períneo posterior. Este espaço é muito menos amplo na mulher do que no homem. Procure remover o escasso tecido adiposo que o preenche, a fim de observar os seus limites. Por fora da uretra e da vagina, deve encontrar o bordo inferior do músculo levantador do ânus, limite súpero-interno do prolongamento anterior da fossa isquio-rectal e que aqui representa o plano muscular profundo do períneo. Externamente, pode observar o músculo obturador interno revestido pela sua aponevrose. O limite inferior é constituído pelo folheto superior ou profundo da aponevrose média do períneo. Para concluir a sua dissecção do períneo anterior, poderá abrir uma janela no músculo levantador do ânus e na aponevrose pélvica ou perineal profunda que o reveste superiormente, permitindo-lhe aceder ao espaço pélvi-subperitoneal, mais facilmente dissecável por via abdominal."

in  Anatomia geral e dissecção humana,
J. A. Esperança Pina [et al], Pág. 124

       11h41min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   10 de Julho de 2008.
Murder Lily

   

    Se você é que nem eu e também nutre uma tara especial por uma exótica pin-up tatuada, cheia de piercings e com aquele visual bitch básico, visite www.murderlily.com.

    O site tá lotado de mulher que pediu pra nascer gostosa e mais uma pá delas que não apenas implorou pra Deus de joelhos como também fez pacto com o demo, pra receber um upgrade mais tarde.  

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       18h04min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   8 de Julho de 2008.
Álvares de Azevedo  
Se eu morresse amanhã!

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que dove n'alva
Acorda a natureza mais loucã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Álvares de Azevedo
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       17h02min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   7 de Julho de 2008.
Ryan McElhinney

 
SPANISH LEGS LAMP
MISS JONES
Size 1500MM High
lighting comission for a Private client.
Made to order 6 Weeks lead time.

Gostou? Conheça o trampo do designer Ryan McElhinney
  

       15h28min  Comente   Posted By Jack Sk.  

24 HOURS

 
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Foto de Sasha Frere-Jones
  

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       14h04min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   6 de Julho de 2008.
Almas marcadas

    Almas marcadas é um pequeno texto que eu escrevi dentro da proposta do OuLiPo. No texto inteiro, a única vogal utilizada é a letra A. Eu escrevi este texto depois de ter escrito o conto nenhum, onde a história inteira é narrada sem a utilização da vogal A, e acreditem, embora nenhum seja um texto muitíssimo mais longo do que Almas marcadas, escrevê-lo foi verdadeiramente mais simples.

Almas marcadas

    A ama caça a vaca, a machadada... a mata, faz a farra. A vaca, já parada, sangra na grama branca da praça. A arma está lá, parada. A cada quarta, facas gastas dançam valsas já passadas, gatas aladas flagram garças assanhadas. A cada quarta, falsas santas matam nas matas, carrancas ralham sacanas, mas castas. 

    Prá lá das canas, a água clara vaza, na marra, da alta cascata. Cavalga nas valas, arrasta plantas, faz chalaça, passa mansa. As chagas, as máscaras, as taras... as farsas guardadas nas malas rasgadas a garras cravadas, arranhadas. As ratazanas atrás das calhas, a lama nas barras das calças. Ar, sal, falhas... as faltas gravadas nas latas, amarradas às varas, fadadas às chamas.

    Na casa, a jarra rachada na bancada barata. Nas camas manchadas, as cartas amassadas, as caras vazadas. Nas salas lacradas, há almas caladas, há a alma da vaca, da vaca caçada a machadada. 

    Na bancada, a jarra. Na jarra, calma: nada há.

Jack Sk.

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       14h32min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   5 de Julho de 2008.
Gineocologismos II  



       16h09min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Gineocologismos I  

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       15h57min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   4 de Julho de 2008.
Agora não quero mais  

    A Telefônica já conseguiu normalizar o serviço de transmissão de dados em quase todo o estado de São Paulo, mas agora quem não está a fim de publicar nada no blog sou eu.

    Como a vida é engraçada.

       11h24min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   3 de Julho de 2008.
Teddy Toy  

Ursinho morbidinho para criancinhas necrofilinhas.
Erich Fromm certamente pararia pra pensar.

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       18h53min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Oração católica para exorcismo  

    Exorcizo te, omnis spiritus immunde, in nomine Dei ()
    Patris omnipotentis, et in noimine Jesu (
) Christi Filii ejus, Domini et Judicis nostri, et in virtute Spiritus ()
    Sancti, ut descedas ab hoc plasmate Dei (
nome), quod Dominus noster ad templum sanctum suum vocare dignatus est, ut fiat templum
    Dei vivi, et Spiritus Sanctus habitet in eo.
    Per eumdem Christum Dominum nostrum, qui venturus est judicare vivos et mortuos, et saeculum per ignem.

():  fazer o Sinal-da-Cruz

       18h11min  Comente   Posted By Jack Sk.  

F-o-d-e-u  

    A Rede Internet da Telefônica caiu geral hoje, em São Paulo. Isso significa que não só quem usa Speedy, mas também delegacias, o Detran, o Poupa-Tempo e diversos serviços bancários que precisam dessa rede também estão zoados. Diz a lenda que a Prodesp quer o cu da Telefônica vivo ou morto. Em outras palavras: todo mundo que depende da Internet pra alguma coisa e o faz via Telefônica, se fodeu.

    Vou postar tudo offline e quando essa merda voltar, coloco no ar.

       16h01min  Comente   Posted By Jack Sk.  


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   1º de Julho de 2008.
O colecionador de cabeças  

General-Major Horatio Gordon Robley e sua coleção de cabeças Maori tatuadas. Em 1908, Horatio ofereceu sua coleção ao Governo da Nova Zelândia por 1.000 Libras, mas sua oferta foi recusada. Hoje, 30 das suas cabeças estão na coleção do Museu de História Natural, em New York.

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       19h49min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Álvaro de Campos  

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos
21 de outubro de 1935

    De um modo geral, a vida é mais ridícula do que se pensa, eis a grande verdade.

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       19h21min  Comente   Posted By Jack Sk.  

começando...  

    Mais um mês novo e outro layout psicopata. Eu gosto de de criar imagens bizarras e mórbidas para este blog. Eu até ousaria dizer que essa é uma das partes que mais me relaxam: é bacana passar horas reunindo, tratando, montando e concebendo os cabeçalhos e rodapés do Blood Pack. A fotografia que me inspira é a encontrada em Pushing Daisies, onde as cores e a iluminação parecem intensificar a aura de conto de fadas que exala da série.

    Bryan Fuller, o criador de Pushing Daisies, também é o criador de Dead Like Me e o co-criador de Wonderfalls, onde aliás, Lee Pace, que faz o papel do confeiteiro Ned em Pushing Daisies, faz o papel de Aaron Tyler... Confuso, né?

   Mas tudo bem, foda-se, não tinha nada a ver isso mesmo.

       18h58min  Comente   Posted By Jack Sk.  

  

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Toda a proposta deste blog está resumida em seu título e subtítulo: "Blood Pack - sobre a arte de reciclar seu próprio sangue". Se você não entendeu o que isso significa, é provável que não entenda mais nada do que acontece por aqui. Aliás, se você não entendeu isso, é bastante provável também que nem esteja lendo esta nota, afinal de contas, quem lê as letras miúdas nos contratos, não é mesmo?

Blood Pack é escrito e produzido por Jack Skellington. Você pode reproduzir os meus  textos onde quiser, mas cite a fonte.  Se você gostou do que leu aqui, escreva um e-mail comentando, pra gente conversar. Se não gostou, nem perca tempo tentando me azucrinar, pois eu não vou estar nem aí pra tua crítica. Se curtiu o blog, indique-o para os seus inimigos. Se não curtiu, vá tomar no cu e não volte mais aqui, que você ganha mais.

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