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30
de Setembro de 2008. |
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Inteligência:
Tomo I
Dotadas de um cérebro
grande e desenvolvido, a comunidade científica atualmente aceita o fato de que
as baleias são provavelmente mais inteli-
gentes do que se imaginava. A descoberta
há poucos anos de um tipo de célula cerebral até então considerada
exclusiva dos seres humanos, dos grandes símios e dos golfinhos em baleias
jubarte, foi um dos principais indica-
dores da existência de um modelo
elaborado de inteligência. Essas células,
conhecidas como neurônios fusiformes, estão ligadas, acredita-se, à
cognição, ao aprendizado, à memória e ao reconhecimento do mundo exterior, já
que podem ser afetadas por transtornos cerebrais debilitantes como Mal de
Alzeihmer, Autismo e Esquizofrenia.
O mais interessante
em toda essa história é que os estudos parecem sugerir que os neurônios fusiformes evoluíram
nos cetáceos há cerca de 30 milhões de anos, ou seja, antes de surgirem no
ancestral comum dos seres humanos e dos grandes símios, o que ocorreu apenas há
cerca de 15 milhões de anos, já que tais células não existem no cérebro dos
gibões e no de outros macacos. Se as especulações estiverem corretas, podemos
talvez afirmar que as baleias desenvolveram capacidade cerebral superior muito
antes de nós, pobres primatas.
A descoberta desse
tipo específico de neurônio pode ajudar a explicar como as baleias formam
alianças e cooperam entre si. Podem explicar também, além da transmissão
cultural, os sofisticados sons que emitem e que muitos pesquisadores defendem
ser um complexo tipo de linguagem.
Apesar disso, os
cientistas não sabem afirmar com absoluta certeza a maneira exata como as
baleias produzem seus sons, mas sabem que eles são gerados quando o animal
inala ar através da cavidade nasal, que fica em frente aos buracos respiratórios.
Se a baleia possuir dentes, como é o caso dos cachalotes, a coisa complica mais
ainda, uma vez que a produção de sons envolve um arranjo bastante complexo de
tecidos de gordura.
O som que as baleias
produzem são o som mais alto que um animal pode emitir e pode ser ouvido a
centenas de quilômetros de distância. Só pra vocês terem uma noção da potência
sonora desses cetáceos basta saber que o canto de uma baleia azul atinge 185
decibéis, o que vence com tranqüilidade os 140 decibéis produzidos por um avião
a jato e também fica acima dos 175 decibéis gerados durante a explosão de lançamento
de um foguete espacial. Se você considerar que o seu tímpano pode se romper
com ruídos da ordem de 135 decibéis, dá pra imaginar que uma baleia cantando
na sua orelha é capaz de fazer o seu cérebro escorrer pelas narinas. Mas se
você quiser ouvir alguns sons e canções de baleias gravados pelos pesquisa-
dores do Ocean
Alliance sem correr esse risco, basta fazer o download dos arquivos
de som disponíveis no site.
Os sons das baleias podem não soar tão
familiares, mas ao menos ouvi-los é bem
melhor do que a uma mulher enchendo a
minha cabeça com a longa descrição de
todos os meus defeitos.
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29
de Setembro de 2008. |
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O Imbecil
Coletivo
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"(...) O imbecil coletivo não é, de fato, a mera soma de um certo número de imbecis individuais. É, ao contrário, uma coletividade de pessoas de inteligência normal ou mesmo superior que se reúnem movidas pelo desejo comum de imbecilizar-se umas às outras. Se é desejo consciente ou inconsciente não vem ao caso: o que importa é que o objetivo geralmente é alcançado. Como? O processo tem três fases. Primeiro, cada membro da coletividade compromete-se a nada perceber que não esteja também sendo percebido simultaneamente por todos os outros. Segundo, todos juram crer que o recorte minimizador assim obtido é o único verdadeiro mundo. Terceiro, todos professam que o
mínimo divisor comum mental que opera esse recorte é infinitamente mais inteligente do que qualquer indivíduo humano de dentro ou de fora do grupo, já que, segundo uma autorizada porta-voz dessa entidade coletiva, "a psicanálise, com o conceito de inconsciente, e o marxismo, com o de ideologia, estabeleceram limites intransponíveis para a crença no poderio total da consciência autônoma, enfatizando seus limites"
(sic)10. Assim, se um dos membros da coletividade é mordido por um cachorro, deve imediatamente telefonar para os demais e perguntar-lhes se foi de fato mordido por um cachorro. Se lhe responderem que se trata de mera impressão subjetiva (o que se dará na maioria dos casos, já que é altamente improvável que os cachorros entrem num acordo de só morder as pessoas na presença de uma parcela significativa da comunidade letrada), ele deve incontinenti renunciar a considerar esse episódio um fato objetivo, podendo porém continuar a falar dele em público, se o quiser, a título de expressão pessoal criativa ou de crença religiosa. Para o
imbecil coletivo, tudo o que não possa ser confirmado pelo testemunho unânime da
intelligentzia simplesmente não existe. Compreende-se assim por que o mundo descrito pelos intelectuais é tão diferente daquele onde vivem as demais pessoas, sobretudo aquelas que, imersas na ilusão do poderio total da consciência autônoma, acreditam no que vêem em vez de acreditar no que lêem nos livros dos professores da USP."
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10
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Marilena Chauí, "Ética e Universidade", em Ciência Hoje (revista da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), vol. 18, nº 102, agosto de 1994. A frase é um tanto esquisita, mas, no conteúdo, muito elucidativa. Ela nos informa que a psicanálise e o marxismo, apesar dos enganosos dizeres nas capas dos seus livros respectivos, foram descobertas coletivas, já que as consciências individuais dos srs. Freud e Marx, fechadas em seus limites intransponíveis, jamais poderiam atinar com esse gênero de coisas. A prova irrefutável é que todo mundo já era psicanalista antes de Freud e marxista antes de Marx, entrando na história estes dois senhores apenas nos papéis de maridos enganados — os últimos a saber. |
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Prólogo
de O Imbecil Coletivo,
de Olavo de Carvalho, Editora E
Realizações, 1996 |
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| O
Olavão é figura. Dou altas risadas
com ele. Duas injeções na bunda,
uma dolorida infiltração de
corticóides, uma crise de pressão
alta e duas horas e meia em
observação no hospital depois, dar
risada é tudo o que me resta.
Sapientiam Autem Non Vincit
Malitia (1)
— cita o
Olavão
em seu site, parafraseando o
apóstolo São Paulo na Vulgata
(Sabedoria 7,30). Nos piget
stultitiae nostrae (2) —
escrevo eu, em tosca resposta a mim
mesmo às dúvidas imbecis da minha
própria humanidade.
(1)
Contra a sabedoria nunca
prevalece a malícia.
(2) Nós nos irritamos com
a nossa própria loucura.
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28
de Setembro de 2008. |
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O Idiota de
Kant
Domingo do caralho. Sabe quando você não
tem um motivo sequer pra não se sentir um
idiota completo? Sabe quando você é
daqueles que sempre tiveram o que dizer
aos outros mas não sabem o que dizer a si
mesmos? Sabe quando você conhece a teoria
e descobre que não sabe aplicá-la na
prática? Ser assim é ser o perfeito idiota
de Kant.
Mas agradeço ao David
Bowie e à Alice,
pela companhia e pela vontade de me ver
melhor. Este primeiro dia da semana
fantasiado de último teria sido ainda
pior sem vocês e sem suas palavras.
Valeu mesmo.
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25
de Setembro de 2008. |
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Run Lola Run
Rá, se eu te pego,
loira, rá se eu te pego...
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Perversão
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"É difícil pensar a perversão enquanto estrutura ou montagem sem antes pesquisar este termo no léxico e na psicanálise. A palavra
perversão deriva do verbo latino
pervertere e significa tornar-se perverso, corromper, desmoralizar, depravar. Seu emprego não é privilégio da psicanálise. Tem origem datada em 1444 quando utilizado no sentido de retornar ou reverter, ganhando cedo a acepção de
'deplorável', algo desprezível. No século XIX, a sexologia fez o emprego desse vocábulo como desvio sexual. A psiquiatria francesa sacramentou seu uso enquanto sinônimo de anomalia ou aberrações, prevalecendo a partir do século XX como ilustrativo de certos comportamentos sexuais.
Em Freud encontramos a palavra perversão pela primeira vez em 1905, em
'Três Ensaios sobre a Teoria da
Sexualidade', nos quais o sentido apresentado é de aberração, inversão sexual."
Trecho
inicial do artigo Perversão - Estrutura ou montagem?,
de Andréa Lucena de Souza Pires et
al, Círculo Brasileiro de
Psicanálise |
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24
de Setembro de 2008. |
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Shit will
happen
Era dia 4 de novembro de 1995 quando Yitzhak Rabin, primeiro-ministro israelense, foi baleado mortalmente nas costas em Tel-Aviv, onde o ano corrente era 5756. Nesse dia o mundo assistiu a um dos piores incidentes ocorridos no Oriente Médio na década de 90. O atirador, um judeu ortodoxo chamado Amir, era contrário ao acordo de paz entre palestinos e judeus e cometeu o atentado motivado pelo aperto de mãos entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat no dia 13 de setembro de 1993, após uma proposta de paz jamais vista em 4 mil anos de conflitos na região. Todo o trabalho foi posto em xeque com um único tiro, disparado por Amir.
Israel foi palco de uma comoção nacional sem
precedentes no dia da morte de Rabin, o primeiro-ministro que havia ganho o Prêmio Nobel da Paz.
Multi- dões querendo ver o corpo sendo velado. Centenas de agentes do
Mossad em alerta. Havia bolão de apostas sobre qual
seria a catástrofe desencadeada pelo
assassinato. As rádios chegavam a pedir para que aqueles que já
hou- vessem visto o corpo não voltassem ao local. O tumulto era considerável e esperava-se um atentado ainda maior no lugar. Foram convocadas eleições de emergência, para eleger o sucessor do primeiro-ministro morto.
O mundo queria saber venceria a eleição de 29 de maio de 1996.
Concor- riam ao cargo de Yitzhak, duas pessoas: Shimon Peres,
co-fundador do Miflêguet
Haavodá, o partido trabalhista de
Israel e Ben-Zion Netanyahu, líder do
partido Likud,
de centro-direita e tendência
conservadora, que era aqui conhecido por Benjamim
Netanyahu. Os institutos de pesquisa de Tel-Aviv davam a vitória a Shimon Peres, encenando um cenário perfeito para os acontecimentos, pois da mesma forma que todos sabiam que Netanyahu era declaradamente contra o plano de paz, Peres era o sujeito que havia
elabora- do todo o esquema para afastar a guerra da região. Ele era a pessoa mais indicada para substituir Rabin e dar seqüência a seu trabalho.
Só que alguma pena de urubu caiu sobre as urnas e Netanyahu venceu a eleição por uma diferença ridícula. Até a
OLP se declarou surpresa com o resultado e Clinton certamente meteu a mão na testa ao emitir um sonoro
mothafocka em seu gabinete na Casa Branca.
Resumindo: shit happens.
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.Posts
Relacionados: O Céu é o limite
....................................
Humano, mas demasiado humano MESMO.
....................................
Humano, demasiado humano
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Mirthes e as
calçadas de São Paulo
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Crônica
de um ícone paulista
"Em
1966, Mirthes dos Santos Pinto era
desenhista da Secretaria de Obras da
Prefeitura de São Paulo. O prefeito
Faria Lima, famoso por seu
dinamismo, lançou um concurso para
escolher um padrão de piso para a
cidade. Mirthes arriscou-se a
estudar algumas alternati- vas, e
acabou inscrevendo uma delas. Ficou
feliz em saber que estava entre os
finalistas. Amostras de quatro
projetos foram implantadas num
trecho da rua da Consolação e,
após nova votação, a alegria
maior: sua proposta foi a vencedora."
Continue
lendo aqui!
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Piso padrão desenvolvido por Mirthes dos Santos Pinto para as
calçadas de São Paulo em 1966. |
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.Posts
Relacionados: Um
pouco de história
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Ham, let me go
Eu estou fumando um mesmo cigarro apagado
há mais de um mês.
Há algo de podre no reino da Dinamarca.
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23
de Setembro de 2008. |
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O Céu é o
limite
Não, eu não acho que o Saddan Hussein era bem o que
poderíamos denominar de sujeito bacana. Não, eu não acho que ele deveria ter
continua- do quietinho em seu canto, a
foder etnias e pessoas que eram contra seus conceitos de liberdade e poder. Não, eu não concordo com os atentados suicidas promovidos pelos muçulmanos ortodoxos, seja lá contra que alvos forem. Não, eu não acho o bin Laden um novo Che Guevara. Não, eu não concordo com os extremistas xiitas que promovem o terror. Não, eu não sou um terrorista com um
alien incubado dentro do corpo, ensandecido com as dores internas da consciência desconhecida que se forma dentro de mim e pronto pra explodir prédios e pessoas, pra aliviar o ódio escroto que se mantém inexpugnável
em minha cabecinha retrógrada.
Eu só acho que a maneira como a coisa vem sendo feita, e os reais motivos ocultos por trás dessa intifada camuflada poderiam continuar apenas como uma idéia imbecil a não ser executada nunca num mundo civilizado, dentro da jaca simiesca do pessoal da Casa Branca e do daqueles que cantam
Deus Salve a Rainha. Eu concordo com a idéia de que o poder é
definitiva- mente o instrumento mais perfeito para que possamos conhecer como um ser humano pensa de verdade. E eu também acho que as crianças não têm nada a ver com essa política escrota que governa a atual forma do mundo,
portan- to deveriam ser mantidas fora dessa merda toda.
Dê a uma criança a guerra e ela lhe trará a morte assim que começar a entender como funciona a lógica corrompida daqueles que lhe frustraram as esperanças de crescerem como realmente deveriam ter crescido: livres de toda a indignidade e maldade que brota no coração do homem civilizado, que derruba arranhas-céus com
boeings com a mesma tranqüilidade com que põem abaixo universidades e mercados com bombas.
Em outras palavras: jogue cocô em mim e eu jogarei cocô de volta em você. E dessa maneira o mundo gira e os deuses se decepcionam. Será
mes- mo que somos todos feitos à Sua imagem e
semelhança?
Bem, a questão é que
se somos mesmo, então eu não sei se o Céu é
exa- tamente o lugar onde eu desejaria permanecer
por toda a eternidade.
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em tempo
Só pra constar: nas próximas semanas
pretendo publicar uma série de posts
comentando despretensiosamente assuntos
relacionados às guerras e à política
norte-americana. Apesar do teor das minhas
opiniões, é bom avisar que não existem
intenções anti-americanas ou
pró-republicanas ocultas nos textos. Tudo
que eu escrevo é, na medida do possível,
direto.
Eu não sou contra ou a favor de pessoas,
nações ou instituições.
Eu sou contra ou a favor de determinadas
ações.
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Leva?
Se
eu levar o vinho, você leva a boceta?
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22
de Setembro de 2008. |
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Humano, mas
demasiado humano MESMO.
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Jack in the
Sky with Diamonds
Mandei a NET
ir tomar no skavuska, juntamente com seu
culto pelas perdas cretinas de sinal pelos
motivos mais patéticos e imbecis
possíveis. Mandei instalar uma antena da Sky.
Foi uma delícia ouvir o atendente da NET
se humilhar oferecendo pra mim
mensalidades e pacotes gratuitos, apenas
pra me ouvir dizer não a tudo.
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.Posts
Relacionados: "O mundo é dos
NETs" o caralho
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21
de Setembro de 2008. |
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Visões de
mundo
Vocês acham que o universo é euclidiano, hiperbólico ou elíptico? Ele será euclidiano se a soma dos ângulos internos de um triângulo for mesmo 180º. Mas se neguinho entrar numas de medir um triângulo de proporções
gigantes- camente absurdas, será que essa soma de medidas vai continuar valendo?
A geometria de Euclides prega que a curvatura do espaço é constante e igual a zero. Lobachevski defende a curvatura negativa que propicia que se trace nesse ambiente um triângulo no qual a soma dos ângulos internos é menor do que 180º, enquanto Einstein determina em sua teoria que esse mesmo espaço tem curvatura positiva, o que se conclui num universo hiperesférico de quatro dimensões, onde implica-se que a soma dos ângulos internos de um triângulo resulte em mais de 180º. As diferenças, logicamente, sempre vão crescer na medida em que as áreas desses triângulos forem aumentadas. Daí eu me
pergunto: quem estará, portanto, realmente certo quanto à definição da curvatura do espaço?
Uma curvatura positiva seria tão facilmente percebida por uma criatura de quatro dimensões, quanto nos é ridiculamente percebida toda e qualquer curvatura de três dimensões. Da mesma forma, a dificuldade que temos em perceber uma eventual quarta dimensão física é exatamente a mesma dificuldade que uma criatura de duas dimensões teria para conceber a terceira dimensão, que pra nós é tão banal. A idéia de conceber criaturas de duas dimensões para que essa analogia fosse feita, foi de
Friedrich Gauss. Ele concebeu "traças" de apenas duas dimensões: largura e comprimento. Em seguida Riemann desenvolveu um quadro onde criaturas bidimensionais inteligentes viviam sobre uma folha de papel, a deslizar em seu mundinho plano e sem altura. A idéia foi retomada por Hermann von
Helmholtz, que descreveu a matemática dessas criaturas, que citavam estupefatas, a
desco- berta de que a soma dos ângulos internos de um triângulo traçado sobre a superfície de uma esfera de três dimensões era diferente de 180º. Apesar disso, Helmholtz deixa claro para seus leitores, em sua obra popular
Lectures of Scientific Subjects, de 1881, que assim como as criaturas bidimensionais não eram capazes de enxergar a terceira dimensão que teorizavam, também seríamos incapazes de visualizar uma quarta dimensão física.
Medirmos essa curvatura na quarta dimensão seria portanto tão impossível pra nós quanto para as criaturas bidimensionais seria impossível medir uma curvatura de uma esfera
tridimensional, uma vez que nos dois casos ambos estão confinados em seus universos dimensionais específicos e rígidos. Para que
pudéssemos medir tais curvaturas de modo que não nos restasse dúvidas, teríamos que transportarmo-nos à quarta dimensão e de lá, realizarmos as medições. O mesmo vale para nossos
amiguinhos de duas dimensões: teriam que vir até a terceira dimensão, onde do alto mediriam a curvatura da esfera que eventualmente estivessem habitando. A menos que essa viagem fantástica ocorresse, ou que ambos traçassem um triângulo
astronomicamente gigante e então medissem, sem margens de erros, a soma de seus ângulos internos para perceberem
matematicamente as alterações e desvios dessas somas, jamais seria possível a comprovação das enigmáticas e misteriosas curvaturas.
Supondo que isso fosse possível, e que de fato fossem feitas tais medições, então qual o efeito disso pra essas vidas
bidimensionais ou tridimensionais? Na minha opinião, o efeito é nenhum. Os fatos não se alterarão no dia em que essa realidade for totalmente descoberta e dissecada. Nossas vidas continuarão as mesmas, seja o universo uma porra de espaço plano ou tenha uma porra de curvatura negativa ou positiva.
Deixemos de lado, pois, os postulados de Euclides e de
Lobachevsky, os Modelos de Klein, os Pontos Gama, os quadriláteros de Saccheri e de
Lambert, Gauss, Riemann, Helmholtz, nossos amigos bidimensionais e a teoria de Einstein. Faço então minhas, as palavras de Henri
Poincarè, que diga-se de passagem, também deu seu
pitaco, criou seu
modelozinho e jogou ainda mais querosene nessa fogueira
pluridimensional:
"Nenhuma Geometria é mais correta do que qualquer outra -- apenas mais conveniente."
E vamos todos desencanar dessa porra toda e
enfiar a cabeça debaixo do chuveiro, antes que a minha vizinha de cima consiga explodir o meu saco com esse pagodinho de merda que ela resolveu colocar pra tocar agora.
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20
de Setembro de 2008. |
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aramaico-português
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Pai nosso que estás nos céus
Santificado seja o Teu Nome
Venha o Teu reino
seja feita a Tua vontade
Assim na terra como no céu
O pão nosso de cada dia nos dá hoje
E perdoa-nos as nossas dívidas
Assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores
E não nos deixes entrar em tentação
Mas livra-nos do mal
Porque Teu é o Reino
E o poder e a glória para todo o sempre
Amém |
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Versos
Satânicos
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"Eis o que finalmente acabou com Salman para Maomé: a questão das mulheres; e a dos versos satânicos. Escute, não sou nenhum fofoqueiro, confidenciou Salman já bêbado, mas depois da morte de sua mulher. Maomé não era nenhum anjo, se entende o que quero dizer. Mas em Yathrib ele achou quem o enfrentasse. As mulheres de lá: elas fizeram sua barba ficar grisalha em um ano. O problema com nosso Profeta, meu caro
Baal, é que ele não gostava de mulheres que o enfrentasse, ele procurava mães e filhas, lembre-se de sua primeira mulher e depois de
Ayesha: muito velha e muito jovem, seus dois amores. Ele não gostava de brigar com gente de seu tamanho. Mas em Yathrib as mulheres são diferentes, você não sabe como é, aqui em Jahilia vocês estão acostumados a dar ordens às mulheres, mas lá elas não aceitam isso. Quando um homem se casa, ele vai viver com a família da mulher. Imagine! Chocante, não? E depois de casada a mulher continua a ter sua própria tenda. Se ela quer se livrar do marido, vira a entrada da tenda para a direção contrária, para que, quando a procure, ele encontre tecido no lugar da porta, e isso é tudo, ele está expulso, divorciado, sem poder fazer nada a respeito. Bem, nossas garotas estavam começando a ter estas idéias, por isso, na mesma hora,
bang, aparece o livro de regras, o anjo começa a despejar regras sobre o que as mulheres não podem fazer, começa a obrigá-las a voltar às atitudes dóceis que o Profeta prefere, dóceis e maternais, caminhando três passos atrás ou sentadas em casa, mostrando sabedoria e se cuidando. Como as mulheres de Yathrib riam dos fiéis, mas juro que o homem é um mágico, ninguém podia resistir a seu charme; as fiéis faziam o que eles lhes ordenasse. Elas se submetiam: afinal, ele lhes oferecia o Paraíso.
'Bom', disse Salman quase no fim da garrafa, 'finalmente decidi testá-lo'.
Uma noite o escriba persa teve um sonho no qual flutuava sobre a figura de Maomé na caverna do Profeta em Monte Cone. No começo Salman pensou que fosse apenas uma lembrança nostálgica dos velhos tempos em
Jahilia, mas então percebeu que seu ponto de visão, no sonho, era o mesmo do arcanjo, e naquele momento a lembrança do incidente dos versos satânicos lhe voltou nitidamente, como se a coisa tivesse acontecido na véspera. 'Talvez não tenha sonhado que era Gabriel', Salman recordou. 'Talvez eu fosse Satã'."
Trecho de
Versos Satânicos,
de Salman Rushdie, Cia das Letras |
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Kate Moss
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Kate
Moss,
Ensaio para "The Face",
Fotografia de Corinne Day, 1990 |
Kate
Moss, Campanha da Calvin Klein
Fotografia de Patrick Demarchelie, 1994 |
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Pensamentos de
sábado
Pergunta: Qual
o resultado do cruzamento de um ateu com uma
Testemunha de Jeová?
Resposta:
Uma pessoa que toca a sua campainha
às 8h de domingo sem motivo algum.
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19
de Setembro de 2008. |
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tive uma
idéia
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17
de Setembro de 2008. |
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Francis Ponge
O Pedaço de Carne
Cada pedaço de carne é uma espécie de fábrica, moinhos e lagares de sangue.
Tubulações, altos fornos, cubas vizinhos de martelos pilões, coxins de graxa.
O vapor jorra, fervente. Fogos sombrios ou claros encarnam-se.
Sarjetas a céu aberto carreiam escórias e fel.
E lentamente, à noite, à morte, todas essas coisas se resfriam.
Breve, se não a ferrugem, pelo menos outras reações químicas se produzem, liberando odores
pestilências.
Francis Ponge
Traduzido por Júlio Castañon Guimarães
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16
de Setembro de 2008. |
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Cartografia
Sentimental
[texto 1]
Cartografia: uma definição provisória
Para os geógrafos, a cartografia -- diferentemente do mapa, representação de um todo estático
-- é um desenho que acompanha e se faz ao mesmo tempo que os movimentos de transformação da paisagem.
Paisagens psicossociais também são
cartografáveis. A cartografia, nesse caso, acompanha e se faz ao mesmo tempo que o desmanchamento de certos mundos
-- sua perda de sentido -- e a formação de outros: mundos que se criam para expressar afetos contemporâneos, em relação aos quais os universos vigentes tornaram-se obsoletos.
Sendo tarefa do cartógrafo dar língua para afetos que pedem passagem, dele se espera basicamente que esteja mergulhado nas intensidades de seu tempo e que, atento às linguagens que encontra, devore as que lhe parecerem elementos possíveis para a composição das cartografias que se fazem necessárias.
O cartógrafo é antes de tudo um antropófago.
Trecho de
Cartografia Sentimental, Transformações contemporâneas do
desejo,
de Suely Rolnik, Editora Estação Liberdade, São Paulo,
1989 |
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Top 10
Top 10 Coca-Colas que são Fantas Uva mas
que cantam pra caralho (sem trocadilhos,
juro):
1) Freddie
Mercury, ex-vocalista do Queen;
2) David
Bowie;
3) Little Richard;
4) Rob
Halford, vocalista do Judas Priest;
5) Brian
Molko, vocalista do Placebo;
6) Renato Russo, ex-vocalista do Legião Urbana;
7) Cazuza, ex-vocalista do Barão Vermelho;
8) Richard
Fairbrass, ex-vocalista do Right Said Fred;
9) Jake
Shears, vocalista do Scissors Sisters;
10) Neil
Tennant, vocalista do Pet Shop Boys.
Duvida? Busca os caras no YouTube
pra ver.
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15
de Setembro de 2008. |
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Reflexão de
segunda
Me disseram que o texto
de ontem estava muito meigo. Pois é,
essas coisas acontecem comigo de
vez em quando. Mas não se iludam, tudo
não passa de um esforço sobre-humano do
meu ego para emular a normalidade típica
dos seres humanos comuns, não é nada
mais do que a simples tentativa de um
sociopata de se mimetizar na multidão.
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14
de Setembro de 2008. |
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Reflexão de
domingo
A humanidade tende ao isolamento e ao egoísmo. Por isso, e apenas por isso, as pessoas estão se perdendo cada vez mais em questões do coração. Muito mais do que de fato perderiam-se caso o momento em que vivemos não insurgisse diariamente dentro de nós enquanto nos afundamos no caos humano que nos cerca. A sociedade que nos acolhe é a mesma sociedade que nos alimenta fartamente de carências e ansiedades regadas a toda sorte de flagelos emocionais. A injustiça que prospera do lado fora se repete, qual o clone doente da
Dolly, dentro de cada um.
O resultado é que neste exato momento, três quartos da população mundial devem estar sofrendo intoxicados pelo veneno de uma angústia que pode ser curada com um antídoto que só existe dentro de cada um mas que é tolamente procurado apenas no coração dos outros. Quem não se ama irá inevitavelmente buscar alguém que lhe faça o que ele não está sendo capaz de fazer por si, esquecendo-se de que ninguém será capaz de amá-lo tanto quanto ele mesmo. É a contradição do amor em sua mais sofisticada alegoria a desfilar pela passarela do carnaval de medos e inseguranças que nos inebria com seu humor-negro.
Jamais dê a outra pessoa o poder de comandar a sua própria felicidade. É uma responsabilidade grande demais pra não ser administrada única e exclusivamente por você. Exigir de outro um cuidado que você mesmo não foi capaz de ter consigo, é uma atitude tola e que deve ser repensada. Sofrer de uma forma ou de outra será resultado da experiência de vida de toda criatura que nascer neste mundão de Deus. E embora não possamos evitar que o sofrimento nos bata à porta um dia, podemos, pelo menos, tentar decidir que tipo dele vai ser a pedra no nosso caminho. Eu não sei qual é a solução definitiva pra esse tipo de problema, e se eu soubesse estaria sossegadaço curtindo a vida no Havaí
e contando os milhões de dólares que eu teria ganho até hoje vendendo soluções pro problema maior da humanidade. É aquela velha história que todo mundo já conhece:
chove lá fora, faz tanto frio. E quem sai na chuva, se molha.
Mas você pode usar uma capa.
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c'est la vie
Sem
mais para o momento, subscrevo-me.
Jack
Sk
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13
de Setembro de 2008. |
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Vicky
Brago-Mitchell

Blood
On The Water
Fractal Art by Vicky
Brago-Mitchell
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Constatação
Poucas coisas são tão idiotas quanto
jantar fora sem você.
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Quotations
Resolvi colocar uma citação nesta tralha
de vez em quando, abaixo do cabeçalho que
indica a data dos posts. Pra abrigar as
citações, eu criei uma pequena
"interface", que eu decidi
chamar de
(sim, isso mesmo, de cabeça pra baixo,
invertido e
sempre no singular). Talvez isso tenha
algum motivo pra ser, talvez não: você
decide.
Vamos ver se essa brincadeira vai ajudar a
acrescentar algum significado à proposta
deste bloguitzu coagulado. Quando
eu acordar eu posto mais alguma porcaria.
Tchau.
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12
de Setembro de 2008. |
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King of Pop
"O
que me preocupa não é o grito dos maus.
É o silêncio dos bons."
Martin Luther King
Dia 28 de setembro, a Multishow
irá exibir, às 20h15min, o Especial Michael Jackson King Of Pop,
que apresentará as músicas escolhidas pelo público para fazerem parte do novo CD de Michael Jackson.
E conversando a respeito disso com algumas
pessoas, acabaram por perguntar qual é a
minha opinião acerca do Caso Michael
Jackson. A
situação é delicada, evoca uma série
de problemas e é um novelo de escândalos
exibido sob os holofotes de uma sociedade
sádica, no triste e obsceno teatro da
decadência humana. Tenho muito pouco a
dizer sobre essa situação bizarra, sobre
esse freak show do mundo real, além
do fato óbvio de que Michael é o cristão
devorado pelas feras no Circo Máximo.
A mesma trama de engrenagens que o elevou
à categoria de estrela agora o arrasta
precipício abaixo com o mórbido sorriso
dos cínicos. A angústia extrema de um
talentoso negro milionário e convertido
em ícone universal da pedofilia homossexual,
aterrorizado nas entranhas de sua existência
por lembranças de uma infância
tumultuada e violenta, cuja face deformada
o reduz ao rótulo de aberração da
natureza, é um espetáculo à altura de
um governo republicano com ambições
imperialistas, que atrela a si uma pesada
carroça com destroços de torres, países
devastados, crianças mutiladas e almas
soterradas.
Neverland, quem diria, sempre
esteve exposta ao terrorismo.
Enquanto Michael Jackson insistia em viver
isolado em sua grande bolha cor-de-rosa chamada Terra
do Nunca, a evidente fragilidade que
antes o tornara o sensível rapaz que
encantou multidões e uniu sentimentos por
todo o mundo foi a algoz de sua própria
liberdade. O jovem negro conspirou contra
si próprio no exato momento em que
abdicou dos valores adultos e passou a
encarar as crianças como a fonte da
eterna juventude. Marketing pessoal
ou não, são inexistentes aqueles que
não mantenham dúvidas
sobre sua sanidade mental. Esse parece
ser o único ponto a respeito do qual todos
aparentam unânime lucidez
ao concordar.
Se realmente teve relações sexuais com
menores é difícil precisar, mas parece muito claro que
se houver uma indubitável resposta
positiva para essa questão, é porque contou com o
respaldo no mínimo indireto daqueles
que obviamente fizeram vistas grossas ao
fato na hora em que mais lhes con- vinha: entregar o filho a Michael tornou-se
claramente a aposta com maior
probabilidade de se estourar a banca do
cassino da promiscuidade adulta.
Michael deveria ter sido tratado tão logo
partiu para a absurda insanidade de
renegar sua negritude, mas novamente foi
deixado livre para levar a cabo a bizarra
experiência regada à hidroquinona e
insanidade, pois o show deve continuar. Não
são todos os dias em que um lobisomem de videoclipe
resolve transformar-se em um vampiro de
verdade. Ainda mais aquele que vendeu 50
milhões de cópias de um mesmo título. O
sol não nos deixa mentir.
Não se admite formalmente, mas a besta
humana arrasada, doente em todos os
sentidos possíveis e imagináveis,
desprovida de qualquer discernimento,
destituída de sua razão, falida, acuada
e ridicularizada é uma atração e tanto.
O carrossel de horrores que insiste em
manter o monstro preso ao centro da arena
na medida em que gira cada vez mais rápido
é a prova real dessa equação explosiva,
onde a bile entra em ebulição e
evidencia a maquiavélica tendência
humana de se deleitar com a desgraça
alheia.
O talentoso ex-negro com trejeitos homossexuais, tão logo seja
possível, tornar-se-á também ex-milionário,
perderá o pouco que lhe resta de
dignidade e um suicídio muito
provavelmente coroará o final da existência
daquele que encantou o mundo andando pra
trás enquanto simulava andar para a
frente, em uma triste premonição da metáfora
maior que lhe regeu a vida: Michael sempre
caminhou rumo a sua derrocada, a cada
passo de seu Moonwalker, pelas
redes de TV.
E quando as cortinas se fecharem, abaixo
de todos, sob uma lápide hipócrita, um
nariz de plástico será a única e eterna
testemunha daquilo que todos sabíamos mas
não tivemos coragem de admitir: negros
pobres e homossexuais devem morrer
exatamente como nasceram, caso contrário
terão suas vidas vilipendiadas e
saqueadas, pois o mundo dos ricos, ao
menos na atual forma do mundo, pertence
aos brancos.
E os penetras são exemplarmente punidos.
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10
de Setembro de 2008. |
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detalhes...
Se você gosta dos detalhes no layout
deste blog sem leitores, aproveite que
não há muitos com quem dividir e veja se
consegue reparar nas pequenas alterações
que eu fiz na coluna lateral, inserindo um
desenho diferente na caixa de busca e um
suporte para os Arquivos de Posts.
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Crônica
mosquital
E lá se foi mais uma noite de paz nas asas de um
Culex quinquefasciatus desgraçado. Mais uma vez um deles entrou numas de remedar um B-52 através de rasantes da ordem de bilhões de decibéis contra meus pobres tímpanos em transe. Eu gostaria
imensamente de saber como um bichinho-cu
-- um trocinho tão insignificante -- é capaz de foder tanto com o sono de concentrações humanas inteiras.
Todas as vezes em que um pernilongo insiste em encher o meu saco durante a noite eu me pergunto por que caralhos esses malditos animais existem e a menos que esses filhos-das-putas oportunistas tenham dado uma de
entrões, eu gostaria de saber também por que raios Noé tinha que juntar um casal dessa praga chupadora de sangue na merda da arca. Pernilongos devem chupar mais sangue das pessoas do que todo o contingente de doações sangüíneas do mundo. Pernilongos são, por premissa e extensão direta, os catalisadores da crise nos bancos de sangue, uma vez que eles chupam primeiro todo o fluído que as pessoas poderiam doar pras outras. Pernilongos são ladrões de bancos e sendo assim, merecem a pena capital. Sou a favor do genocídio de todo díptero da subordem
Nematocera.
Quando eu comento com outras pessoas que os pernilongos deveriam ser varridos da face da Terra, sempre surge um babaca defensor da natureza dizendo que a ausência de pernilongos causaria um grande desequilíbrio na cadeia alimentar, o que em outras palavras seria mais ou menos como profetizar o fim da humanidade como conseqüência direta do fim dos pernilongos. Pois bem, fodam-se as aranhas comedoras de pernilongos, fodam-se as rãs, as pererecas, os sapos e toda sorte de anfíbios comedores de pernilongos. E fodam-se as cobras comedoras de anfíbios e as aves de rapina comedoras de cobras. Aranhas e sapos que aprendam a comer tatus-bolas e grilos ou admitam suas incompetências para se adaptarem ao ambiente e sejam banidos do planeta com a mesma vassoura darwinística usada para acabar com os pernilongos. O mesmo vale pras cobras, pras aves de
rapina e pra quem mais vier atrás e
estiver na linha de tiro: "oncinha
pintada, zebrinha listrada, coelhinho
peludo, vão se foder". É adaptar-se ou ralar peito, sem Plano B. Quero que todos se
fodam.
Mesmo que a cadeia alimentar vá pras cucuias sem eles, eu insisto em defender o holocausto
pernilonguístico, pois uma vez ejetados esses insetos imbecis do sistema solar e enviados pra casa do Zé Dirceu ou pra puta que o pariu, provavelmente a porra da cadeia alimentar só entrará em colapso total depois que eu estiver velho, ou seja, quando eu também já vou estar querendo que não apenas ela, mas também o mundo, de uma forma geral, se
fodam. Sim, egoísmo puro, eu sou um animal egoísta que só olha pro próprio umbigo. Além disso, nego extinguiu os dodôs e cadê que a cadeia alimentar se desequilibrou? Será mesmo que os dodôs eram menos importantes pra vida terráquea do que os pernilongos? Na minha opinião os únicos que se foderiam além dos pernilongos são os fabricantes de inseticidas, o que, aliás, também não me faria a menor diferença, uma vez que essas bostas nunca dão cabo desses pequenos mensageiros do demônio.
Pau no cu dos pernilongos e se você acha que eu estou errado, comece a ensiná-los a
irem chupar gelinho ao invés de zoar na minha orelha à noite.
E pau no seu cu também. PS:
este foi um post-desabafo, totalmente passional e
irracional.
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Annete Schwarz
Como todo mundo que lê este blog já
está careca de saber, este que vos
escreve é um sociopata desequilibrado com
nítido fetiche por mulheres sem vergonha
alguma na cara. A coisinha linda aí em
cima se chama Annette Schwarz, nascida em
uma pequena cidade da Alemanha, não muito
distante da fronteira com a França, no
ano de 1984.
Além de ser uma gracinha e uma atriz
pornô daquelas bem safadas, o que a torna
ainda mais interessante, Fräulein Schwarz
tem um blog muito instrutivo no que se
refere a seus talentos como pistoleira
profissional do sexo meretriz
intérprete, onde ela deixa claro, a cada
post, que nasceu só pra deixar os homens
com cara de idiotas.
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Independência
ou Morte?
Cento e oitenta e seis anos de independência.
Rá!
Mudaram as moscas, mas a merda continua a
mesma.
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busca interna
Inseri uma caixinha de busca interna na
coluna esquerda do blog, pra ver se ajuda
em alguma coisa. Isso significa que se
não ajudar em nada eu arranco fora, pra
deixar o código-fonte mais limpo.
O sistema é produzido e gerenciado pelo
Google, por isso depende diretamente de
uma indexação prévia das páginas do
Blood Pack dentro do motor dos caras. Como
eu atualizo o blog sempre, a indexação
de todas as páginas desta espelunca
acontece relativamente rápido.
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Gavin Turk
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Me as Him,
Gavin Turk, 100cm X 100cm, 2007
Oxidação
de pinturas com urina sobre telas
com preparados de cobre enquadradas
em caixas de acrílico. |
As pinturas oxidadas acima foram o
resultado de uma proposta elaborada pelo
artista plástico Gavin Turk em 16 de julho
de 2007 denominada Me as Him (Eu
como Ele), sendo Andy Warhol o
"Ele" em questão. Durante uma
performance filmada na Riflemaker
Gallery, cem artistas,
curadores e escritores foram convidados a
urinar em quatro telas previamente
preparadas por
Gavin. As telas foram
então expostas na Sotheby's
durante a Frieze
Art Fair 2007.
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Poema de sete
faces
Poema de sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As coisas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mas vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987) |
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Humilitas occidit superbiam
Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610) pintou uma
famosa série de obras envolvendo as
figuras de David e Golias, incluindo
David com a cabeça de Golias, em
1607, onde a cabeça decepada do gigante
Golias é, na verdade, um
auto-retrato.
O modelo de David era
na verdade Cecco, então amante de
Caravaggio.
Boilices à parte, a relação entre os dois homens lança alguma luz sobre
a erotização da imagem de David por
Caravaggio,
que apresenta o rei dos judeus com a camisa
caída sobre apenas um dos ombros e as calças parcialmente
desfeitas.
Na terceira
pintura
acima, exposta na Galleria
Borghese, a espada de David traz a inscrição
H-AS O S, abreviação latina de
Humilitas occidit superbiam, que
pode ser traduzida como A humildade
sobrepuja o orgulho. A máxima é tomada a partir de
Santo
Agostinho, que interpreta
moralmente o duelo entre David e Golias como um
duelo entre humildade e orgulho, que sobre
aspectos tipológicos pode ser
compreendido como o embate entre Cristo e Satanás.
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A morte da Virgem
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Judite e Holofernes
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blá-blá-blá
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Síndrome de
Burnout
O
negócio é o seguinte: eu ia escrever
mais algumas coisas por aqui, mas como eu
sou temperamental, entrei numas, assim, do
nada, de ir dar um rolê na rua e então
acontece que eu não vou postar mais nada.
Tchau.
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Uma fase negra
Cá estou
eu, mais uma vez, com um novo template pra
este grande blog que ninguém lê. Como
esta josta nunca havia ganho um desenho em
cores escuras, achei que este layout
combinaria com minha atual fase negra e
niilista. O cabeçalho é uma montagem
mórbida (só pra variar) que eu produzi a
partir de uma foto que eu fiz das teclas
do meu piano e a imagem de rodapé tem a
finalidade de propor uma pequena reflexão
brega: "help me" foi
escrito pela vítima, antes de morrer, com
seu próprio sangue ou por um assassino
perturbado, que busca um sentido em suas
atitudes?
Tá, eu sei que desta vez eu forcei a
amizade, mas como dizem as letras miúdas
lá embaixo, quem não curtiu vá tomar no cu e não volte
mais aqui, que ganha mais.
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Toda a
proposta deste blog está resumida em seu título e
subtítulo: "Blood Pack
- sobre a arte de reciclar seu
próprio sangue". Se você não entendeu o
que isso significa, é provável que não entenda mais
nada do que acontece por aqui. Aliás, se você não
entendeu isso, é bastante provável também que nem
esteja lendo esta nota, afinal de contas, quem lê as
letras miúdas nos contratos, não é mesmo? |
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Blood
Pack é escrito e produzido por
Jack Skellington. Você pode reproduzir os meus textos
onde quiser, mas cite a fonte. Se você gostou do que
leu aqui, escreva um e-mail
comentando, pra gente conversar. Se não gostou, nem perca
tempo tentando me azucrinar, pois eu não vou estar nem
aí pra tua crítica. Se curtiu o blog, indique-o para os
seus inimigos. Se não curtiu, vá tomar no cu e não volte
mais aqui, que você ganha mais. |
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Since September 17, 2007
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