 |
|
|
|
|
|
|


|
A
necrofilia e a morbidez das massas
|
"O
vocábulo grego nekros
significava “cadáver”, habitante dos
infernos. Nekros refere-se aos
mortos e não à morte, ao corpo morto
ou assassinado.
Necrofilia é amor ao que é morto. Trata-se de comportamento
muito mais freqüente do que
geralmente se supõe .Mas
dificuldades práticas impedem que
essa perversão encontre facilidades
objetivas de satisfazer-se. Por isso
a grande maioria dos necrófilos
vale-se de fantasias ou de outras
representações. (É aí que situo a
contribuição da mídia). Dificilmente
pode-se calcular o número de pessoas
com esse problema, porque raramente
elas são descobertas ou se
confessam.
A paixão de destruir, ”de despedaçar as estruturas vivas”, é
uma outra forma da necrofilia se
manifestar. E pode aparecer
precocemente, já na infância. Esse
desejo de despedaçar aquilo que é
vivo encontra sua expressão mais
nítida no impulso para desmembrar o
corpo, bem visível no comportamento
de certos assassinos. Esses
necrófilos homicidas desejam mais
esquartejar a vítima do que
simplesmente executá-la.
Postar-se perto de cadáveres, de cemitérios ou de qualquer
objeto em decomposição é uma outra
maneira da necrofilia se
exteriorizar. Von Hentig cita os “farejadores”,
pessoas para as quais o cheiro de
excrementos humanos ou de qualquer
coisa pútrida é excitante. Foi o
filósofo espanhol Miguel de Unamuno
quem primeiro utilizou o termo
necrófilo para caracterizar um traço
de caráter, ao invés de uma
perversão. Mas é de Erich Fromm um
dos estudos mais cuidadosos já
realizados sobre o caráter necrófilo.
Trata-se de uma atração apaixonada
por tudo o que é morto, pútrido,
doentio. Uma volúpia de transformar
o que é vivo em algo sem vida. O ato
de destruir pelo prazer de destruir.
No caráter necrófilo os conflitos e os problemas têm ser
resolvidos pela força e pela
violência. A força, ou como disse
Simone Weil, “o poder de transformar
um homem num cadáver - é a primeira
e a última solução para tudo. Os
problemas da vida devem ser
resolvidos pela destruição e nunca
pela construção.”
O interesse particular do necrófilo em relação às coisas
mortas é quase sempre verificado não
apenas em sua conversação, mas na
maneira como lê o noticiário:
examinam em primeiro lugar as
notícias de morte, os obituários.
Ele gosta também de conversar tudo
sobre a morte: de que morreram as
pessoas, em que condições, quem
morreu recentemente, quem parece que
vai morrer, e assim por diante.
Gosta de freqüentar os velórios e os
cemitérios e geralmente não perde
ocasião de fazê-lo, toda vez que o
fato mostra-se socialmente oportuno.
É fácil verificar que essa afinidade com os enterros e os
cemitérios é apenas uma forma de
certo modo atenuada de um interesse
mais gritante e manifesto pelos
necrotérios e pelos túmulos, já
comentados.
O necrófilo é um desmancha-prazeres, um esterilizador da
alegria do grupo. Entedia mais que
anima. A vida do necrófilo é
comandada pelo que está morto.
Lewis Mumford mostrou que a conexão entre a destrutividade e
as “megamáquinas” não é fenômeno
recente; já existia na Mesopotâmia e
no Egito, há cerca de cinco mil
anos. Os produtos finais da
megamaquina do Egito eram túmulos
colossais, habitados por corpos
mumificados. Na Assíria, como
ocorreu em todos os outros impérios
em expansão, o principal testemunho
de sua eficiência técnica era um
deserto de aldeias e cidades
destruídas, assim como solos
envenenados; o protótipo das
atrocidades modernas.
As grandes massas cultuam hoje os artefatos mecânicos,
desprovidos de afeto. Não mostram
maior interesse pelas pessoas, pela
natureza e pelas estruturas vivas.
Há homens que sentem mais ternura
por seus automóveis que por suas
famílias.
A sociedade necrofilizada atual fundiu a técnica com a
destrutividade. O culto da máquina e
da velocidade, a glorificação da
guerra, a destruição de todos os
valores culturais, um ódio gratuito
pelas minorias, são seus traços
principais.
Essa sociedade estabeleceu também uma relação da rapidez com
a coragem e da lentidão com a
covardia. Para ela, a embriaguez das
grandes velocidades, em bólidos
assassinos, consagra a alegria de
seus condutores, que passam a
sentirem-se como verdadeiras
divindades cinéticas.
A fusão da técnica com a destrutividade, que se tornou bem
visível, a partir da segunda guerra
mundial, acabou por consagrar-se
definitivamente na recente guerra do
Iraque. Colocado na cômoda posição
de um mero intermediário da
destruição tecnológica, o homem pode
eximir-se da conseqüência de seus
atos.
O importante é subjugar o inimigo, “vencer a guerra”,
rapidamente, pelo menor preço
possível.
A morte de civis indefesos é um mero efeito colateral do
conflito bélico, como disse
recentemente um comandante de tropas
aliadas.
No show-bélico da atualidade as mortes são vivenciadas como
se o telespectador estivesse
participando de um videogame. Falta,
nessa morte transmitida
eletronicamente, o componente
orgânico, a relação física direta. E
os próprios combatentes, ao serem
colocados na posição de meros
intermediários da destruição
tecnológica, podem eximir-se de
culpas, em relação às mortes
decorrentes de seus atos.
A guerra é agora um grande show tecnológico, com direito a
transmissão simultânea, para todo o
mundo. Hoje não se informa mais
sobre os bombardeios realizados no
campo do inimigo; transmite-se ao
vivo. O espectador é levado à
condição de co-piloto dos aviões de
guerra, com direito a satisfazer a
sua voraz necrofilia, da forma mais
regredida possível.
O simbolismo da morte não é mais o odor desagradável de
excrementos ou de cadáveres; seus
símbolos atuais são máquinas limpas,
que brilham. Mas a realidade por
detrás dessa fachada anti-séptica
torna-se cada vez mais visível.
O homem está transformando o mundo num lugar malcheiroso e
envenenado, em nome de um progresso
cada vez mais dedutível. Ele polui o
ar, a água, o solo, os animais e a
si mesmo. Pouca diferença existe se
o faz intencionalmente ou não.Tendo
conhecimento dos perigos possíveis,
não pode ser isentado de
responsabilidade. Mas seu caráter
necrófilo o impede de utilizar os
conhecimentos disponíveis e a
própria razão.
Os problemas mais angustiantes da atualidade estão
relacionados com uma crescente
atração pela morte e pelo mórbido.
Refiro-me particularmente as drogas,
aos crimes hediondos, a decadência
cultural e moral, ao descaso com os
valores éticos, nas mais diversas
culturas.
Como esperar que os jovens, os mais pobres e os desesperados
não se deixem atrair pela sordidez,
tão bem promovida pelos que dirigem
o curso da história moderna?
O mundo da tecnologia desumanizada é, sobretudo uma expressão
do mundo da morte e da desesperança.
O fascínio que o mórbido exerce, sobre o náufrago humano,
reflete a dissociação entre o
pensamento, o afeto e a sua vontade.
E essa necrofilia prolifera e se
multiplica quanto mais esse náufrago
saboreia a sua insanidade projetada.
As ciências humanas não conseguiram descobrir ainda as
vacinas cívicas capazes de
neutralizar as tendências mórbidas
do homem, o que torna praticamente
impossível controlar a morbidez
social epidêmica."
Dr.
Alvaro
Acioli de Oliveira,
ocupante da Cadeira nº 07
da
Academia Fluminense de Medicina,
in
A necrofilia e
a morbidez das massas
|
|
|
 |
Wicked
Weasel
Essa aí em cima é a
Jennifer, em duas de suas fotos que
eu selecionei no site da
Wicked Weasel. Como todo bom
sem-vergonha, eu adoro uma mulher
pervertida e a
Jennifer me parece ser do naipe em
que as bolas entram justas na caçapa, se
é que vocês me entendem.
Entra ano, sai ano, e eu não mudo. Incrível.
|
Lisa Black
A artista
Lisa Black vive na Nova Zelândia,
onde desenvolve uma série de esculturas
entituladas Fixed, que combinam
técnicas de taxidermia e mecânica em uma
mistura de partes orgânicas e
industriais. O resultado são criações
franksteinianas bastante
interessantes.
Você pode conhecer melhor esse trabalho de
Lisa Black navegando na
área específica de seu website, aqui.
|
|
Shuvalov Painter
Shuvalov Painter
-
Attic vase painter of the
red-figure style,
active between 440 and 410 BC.
(Só pra
lembrar que uma boa trepada já foi
considerada arte, um dia.)
|
|
 |
De
moto pela América do Sul
|
"Alberto,
ainda morto para o mundo, desafiava
o sol da manhã a penetrar seu sono
pesado quando eu comecei a me
vestir. Essa tarefa não era assim
tão difícil, já que a diferença
entre nossos trajes diurno e noturno
era basicamente o sapato. O jornal
local tinha um número considerável
de páginas, tão diferente dos nossos
pobre diários, mas eu estava
interessado somente em um pequeno
pedaço das notícias locais, o qual
eu encontrei com letras grandes na
seção dois: DOIS ARGENTINOS
ESPECIALISTAS EM LEPROLOGIA VIAJAM
PELA AMÉRICA DO SUL DE MOTOCICLETA.
E mais abaixo, em letras menores:
'Eles estão em Temuco e querem
visitar Rapa Nui'.
Em poucas palavras, era assim que nossa ousadia era descrita:
nós, especialistas, figuras-chave do
campo da leprologia nas Américas,
com uma vasta experiência, já tendo
curado mais de três mil pacientes,
familiarizados com todos os centros
importantes do continente e com suas
condições sanitárias, tínhamos nos
dignado a visitar esta cidadezinha
pitoresca e melancólica. Nós
imaginamos que eles iriam apreciar
bastante nosso respeito pela cidade,
mas não sabíamos com certeza. Logo,
toda a família estava reunida ao
redor do artigo e todos os outros
itens do jornal eram tratados com um
desprezo olímpico. E assim,
deleitados com a admiração de nossos
anfitriões, demos adeus a essas
pessoas de quem hoje não lembramos
nada, nem mesmo os nomes. Tínhamos
pedido permissão para deixar a moto
na garagem de um homem que morava na
saída da cidade e nos dirigimos para
lá. Só que, agora, não éramos mais
um par de quase-mendigos com uma
moto a reboque, Não, agora nós
éramos “os especialistas”, e era
assim que nos tratavam. Passamos o
dia consertando a moto, e uma
empregada mestiça vinha sempre nos
oferecer os mais variados petiscos.
Às cinco da tarde, depois de um
lanche suntuoso oferecido por nosso
anfitrião, nos despedimos de Temuco
e seguimos para o norte."
Ernesto Che Guevara, in De moto
pela América do Sul - Diário de
viagem,
Págs. 45 a 47 - 1ª ed. - Sá Editora,
2001
|
|
Zen
e a arte da manutenção de motocicletas
|
"O
objetivo real do método científico é
certificar-se de que a natureza não
nos enganou, fazendo-nos pensar que
sabemos algo que realmente não
sabemos. Todo mecânico, cientista ou
técnico já passou tantas vezes por
isso, que está sempre de sobreaviso.
Essa é a razão principal pela qual
tantos dados científicos e mecânicos
parecem tão monótonos e cautelosos.
Se a gente se descuidar, ou começar
a romantizar os dados científicos,
enfeitando as coisas aqui e ali,
logo a natureza vai fazer a gente de
bobo. É o que acontece muitas vezes,
mesmo quando não se lhe dá nenhuma
oportunidade. Deve-se ser
extremamente cuidadoso e
extremamente lógico ao lidar com a
natureza: é só escorregar no
raciocínio, que o edifício
científico inteiro desmorona. Uma
dedução equivocada sobre a máquina
pode deixar-nos confusos
indefinidamente."
Robert
M. Pirsig, in Zen e a arte da
manutenção de motocicletas,
Cap. 9 - 4ª ed. - Editora
Paz e Terra, 1984
Curtiu? Leia o Capítulo inteiro
AQUI!
|
|
|
Bike
EXIF
Como nem só de sexo, drogas e rock n' roll
vive um psicopata, fica a dica do site
Bike EXIF, de Chris Hunter, designer
radicado na Austrália. O site mostra
motocicletas pra todos os gostos e
estilos, dos modelos vintage aos
mais modernos.
E pra quem já se acostumou com a putaria
que é este blog, aconselho uma visitinha
às
Guzzi Girls do
Cycle Garden Moto Giuzzi, onde é
possível encontrar motos e xavascas de
todo tipo assim, juntinhas, demonstrando
de forma clara porque vale a pena viver.
|
|
 |
The Disaster
Series
 |
 |
|
THE
DISASTER SERIES
Burning of the Yankee clipper
Golden Light - February, 1853
By Cindy Stelmackowich |
THE
DISASTER SERIES
Burning of the Houses of Assembly
Montreal – April 25, 1849
By Cindy Stelmackowich |
Cindy Stelmackowich, professora de
História da Arte na
Carleton University de Ottawa,
produziu The Disaster Series como
um comentário a respeito do impacto dos
desastres naturais na cultura ocidental.
Cindy observa que se eles estão em
notícias, filmes e na literatura, é
porque deixam suas marcas em nossa
consciência. Fascinada pela medicina
do Séc.XIX, Cindy também observa o
quanto as respresentações anatômicas
podem ser capazes de se mostrar vivas e
mortas devido a seus gestos, que
adicionam às ilustrações uma carga
emocional subjetiva, algo que acredita
muitas vezes faltar em seus equivalentes
atuais.
Ao inserir literalmente a cena do desatre na anatomia humana,
Cindy Stelmackowich visa simbolizar
a incapacidade dos dias modernos em
liberar a emoção que esses desatres
imprimem em nossa imaginação.
Se você curtiu a proposta,
saiba mais sobre ela aqui.
|
|
pensando com
meus botões

Fala sério, tem coisa mais linda do que
uma mulher dessas, inteirinha desenhada,
de cima até lá embaixo?
Eu tinha certeza absoluta de que minha
mania por gibis quando eu era criança um
dia ia evoluir pra alguma coisa
realmente mais séria.
|
|
 |
Problemas
técnicos
Meu computador deu uma zoada maravilhosa
no dia 19. Foi uma coisa dessas de cinema,
onde rolam erro de leitura, desaparecimento
de arquivos, travamentos com direito a telas
azuis, palavrões, tiroteio, capotamentos,
explosões nucleares e tudo o mais. Graças a
essa presepada, não fui capaz de colocar no
ar o post que eu havia acabado de montar
praquele dia, esse aí em baixo, que fala do
ritual tupinambá. Como o disco rígido estava
dando sinal de morte iminente, acabei
ficando puto e me vi obrigado a comprar um
computador novo, que só de raiva tem tanto
espaço, mas tanto espaço, que o primeiro bit
que foi gravado neste HD entrou e, na mesma
hora, voltou pro CD-ROM, correndo de medo.
E então, quatro dias depois, vários reais
mais pobre e completamente perdido com as
senhas que eu não havia anotado em bosta de
lugar algum, estou aqui, rebolando como uma
puta velha pra conseguir colocar a zona em
ordem. Mudar de computador é realmente uma
voadora nas bolas do saco.
Besteiras a parte, espero colocar tudo em
dia e voltar a postar normalmente nesta
pocilga em breve.
ô vidinha maômeno, viu.
|
|
 |
 |
 |
| O leão é feito de carneiro assimilado."
|
|
 |
|
Paul Ambroise Valery
Poeta francês |
Ritual Tupinambá
 |
 |
| (...) quando os prisioneiros são trazidos para casa, as mulheres e os filhos dos selvagens têm permissão para bater neles (...) |
(...) as mulheres levam o prisioneiro algumas vezes até o local e dançam em volta dele (...)
|
 |
 |
| (...) a ibira-pema é pendurada em uma haste acima do chão de uma cabana vazia, em volta da qual os selvagens dançam e cantam durante a noite (...) |
(...) o rosto do prisioneiro é pintado da mesma maneira, com as mulheres cantando em volta enquanto uma delas faz a pintura (...) |
 |
 |
(...) quando começam a beber, carregam o prisioneiro para o local e fazem-no beber junto, divertindo-se às custas dele (...)
|
(...) a mussurana é retirada de seu pescoço, amarrada em volta do corpo e retesada dos dois lados (...) muitas pessoas seguram o cordão em cada extremidade (...) |
 |
 |
(...) quando a pele está retirada, um homem pega o morto e corta as pernas acima do joelho e os braços junto ao corpo (...)
|
(...) são as mulheres que levam as vísceras, das quais, depois de cozidas, fazem uma papa denominada mingau, que elas e as crianças bebem (...) |
 |
 |
| (...) as mulheres comem as vísceras e também a carne da cabeça; os miolos, a língua e o que mais for aproveitável, são as crianças que recebem (...) |
(...) depois de tudo isso, cada um volta para a sua cabana levando seu bocado (...)
|
|
.Posts
Relacionados:
pseudo-canibalismo
....................................
Pigmeus devorados
....................................
Rituais de Canibalismo no Brasil
....................................
be a cannibal!
....................................
Os canibais de Goya
....................................
Os canibais de Hans Staden
....................................
Criatividade
|
|
|
|
|
|
A ironia dos
vermes
A
ironia dos vermes
Eu imagino que és uma princesa
Morta na flor da castidade branca...
Que teu cortejo sepulcral arranca
Por tanta pompa espasmos de surpresa.
Que tu vais por um coche conduzida,
Por esquadrões flamívomos guardada,
Como carnal e virgem madrugada,
Bela das belas, sem mais sol, sem vida.
Que da Corte os luzidos Dignitários
Com seus aspectos marciais, bizarros,
Seguem-te após nos fagulhantes, carros
E a excelsa cauda dos cortejos vários.
Que a tropa toda forma nos caminhos
Por onde irás passar indiferente;
Que há no semblante vão de toda a gente
Curiosidades que parecem vinhos.
Que os potentes canhões roucos atroam
O espaço claro de uma tarde suave,
E que tu vais, Lírio dos lírios e ave
Do Amor, por entre os sons que te coroam.
Que nas flores, nas sedas, nos veludos,
E nos cristais do féretro radiante
Nos damascos do Oriente, na faiscante
Onda de tudo há longos prantos mudos.
Que do silêncio azul da imensidade,
Do perdão infinito dos Espaços
Tudo te dá os beijos e os abraços
Do seu adeus a tua Majestade.
Que de todas as coisas como Verbo
De saudades sem termo e de amargura,
Sai um adeus a tua formosura,
Num desolado sentimento acerbo.
Que o teu corpo de luz, teu corpo amado,
Envolto em finas e cheirosas vestes,
Sob o carinho das Mansões celestes
Ficará pela Morte encarcerado.
Que o teu séquito é tal, tal a coorte,
Tal o sol dos brasões, por toda a parte,
Que em vez da horrenda Morte suplantar-te
Crê-se que és tu que suplantaste a Morte.
Mas dos faustos mortais a regia trompa,
Os grandes ouropéis, a real Quermesse,
Ah! tudo, tudo proclamar parece
Que hás de afinal apodrecer com pompa.
Como que foram feitos de luxúria
E gozo ideal teus funerais luxuosos
Para que os vermes, pouco escrupulosos,
Não te devorem com plebéia fúria.
Para que eles ao menos vendo as belas
Magnificências do teu corpo exausto
Mordam-te com cuidados e cautelas
Para o teu corpo apodrecer com fausto.
Para que possa apodrecer nas frias
Geleiras sepulcrais d'esquecimentos,
Nos mais augustos apodrecimentos,
Entre constelações e pedrarias.
Mas ah! quanta ironia atroz, funérea,
Imaginária e cândida Princesa:
És igual a uma simples camponesa
Nos apodrecimentos da Matéria!
Cruz
e Souza
in Faróis |
|
|
|
|
Loli_rot

Loli_rot, East Harling, Norfolk
I'm Hayley
I'm 19
I go to art school
I like Pink things
:)
la la la
Tsc, tsc, tsc... Hayley,
Hayley,
Hayley...
Tadinha dela, tão gostosinha e tão
tontinha. Isso é o que geralmente ocorre
com uma mulher quando os peitos crescem
mais do que o cérebro, o equivalente
masculino da massa muscular maior do que a
cinzenta.
Mas que eu comia, comia.
|
Sobre a dignidade da pessoa humana
|
"Mais
difícil do que situar os
autores em uma corrente ou outra é fixar
para ambas as correntes o significado
preciso do que se entende por dignidade
da pessoa humana. Vejamos
doravante.
Consoante
lições de Ingo Wolfgang Sarlet, os
Estados Unidos da América, a
maior potência do mundo, membro da
ONU (Organização das Nações
Unidas), em números expressivos de
estados federados admite a execução
da pena capital, pena de morte.
E a sua Suprema Corte, embora não
de forma unânime, entende-a
constitucional. Entretanto, a
Suprema Corte norte-americana tem
decidido que determinadas técnicas
de executar a pena capital são cruéis
e desumanas, logo devem
ser proibidas. É exemplo a morte
por enforcamento, que constitui, no
entender da Corte, prática
atentatória à dignidade da pessoa
humana, nomeadamente, por
inflingir – ao menos em relação
aos outros meios utilizados (injeção
letal e eletrocutamento) –
sofrimento desnecessário ao
sentenciado, já que constatada a
possibilidade maior de uma postergação
do estado de inconsciência e morte,
com risco de asfixia lenta e até
mesmo de decapitação parcial ou
total, verificada em diversos casos.
Veja,
caro leitor, os EUA entendem que a
pena de morte não é ofensiva à
dignidade da pessoa humana,
apenas o modo de executá-la,
que pode vir a ser ofensivo
à dignidade da pessoa humana.
No
Islão, a Constituição Iraniana de
1980, em seu artigo 22, dispõe que,
"a dignidade dos indivíduos é
inviolável. .. salvo nos casos autorizados
por lei". Vejam o quão frágil
também o é a proteção da
dignidade da pessoa humana neste país,
onde ainda se verificam práticas
de tortura, mutilações
genitais, discriminação
religiosa e sexual.
Como
membro da delegação brasileira
junto à CDH (Comissão de Direitos
Humanos) da ONU, J.A. Lindgren Alves
destaca a preocupação da CDH
com a situação dos direitos
humanos no Sudão. Em situação
avaliada pela CDH nos anos de 1991 a
1994, apurou-se que o sistema
penal sudanês contém dois componentes
principais, que são radicalmente
contrários às provisões das convenções
internacionais de que o Sudão
é parte, quais sejam, crimes
absolutos e a instituição
de retribuição.
Explicando.
Os crimes absolutos são imperdoáveis
e passíveis de punição
corporal ou pena de morte,
não contemplando atenuações de
responsabilidade baseadas em gênero
ou idade – inclusive, a partir da
puberdade, havendo completado quinze
anos, e até os 70, todos os
ofensores são punidos, podendo
as crianças entre sete anos e a
puberdade ter a sentença
transformada pelas Cortes em açoitamento
que não excederá vinte
chibatadas.
São
espécies de crimes absolutos:
o assalto à mão armada (punível
com morte, ou crucificação e
morte, ou amputação da mão
direita e do pé esquerdo); roubo
capital (punido pela amputação
da mão direita); adultério
feminino (punido com morte por
apedrejamento se a ré for casada,
ou 100 chibatadas, se solteira); adultério
masculino (punição com açoitamento,
e, adicionalmente, com expatriação
por um ano).
A
retribuição múltipla,
segundo componente do sistema penal
questionado pela CDH, também está
prevista no Código Penal e consiste
na possibilidade de um indivíduo
ser executado em lugar de um grupo
e um grupo no lugar de um indivíduo."
Roberto
Wagner Lima Nogueira, 2006, in Notas
para um ensaio sobre a dignidade da
pessoa humana: Conceito fundamental
da Ciência Jurídica,
4.
Apontamentos sobre os modelos
jurídicos, ocidental e
islâmico.
|
Interessante. Vale a pena refletir
sobre isso, se você é um desses
que ainda acreditam que resta algum
tipo de dignidade na humanidade.
|
|
|
|
BERE'SHITH
BERE'SHITH, Jack Sk., 2009
|
de volta outra vez
Voltei.
Quero dizer, o corpo voltou, porque
o espírito ficou por aí, em algum
lugar.
|
|
|
até já
Então, o negócio é o seguinte:
psicopata também tem férias. Vou viajar
pra respirar outros ares, pois sabem como
é, esta vida de desajustado social cansa.
Dá muito trabalho escrever um blog pra
meia-dúzia de pessoas, porque quando a
gente quase não tem leitores não pode se
dar ao luxo de perder o pouco que tem.
Lá pelo meio do mês eu volto. Enquanto
eu estiver fora, lembre-se de não
aceitar doces de estranhos, de escovar os dentes após as
refeições e, principalmente, de usar
camisinha quando for trepar.
Até breve.
|
Kaiju Eika
Kaiju Eika é a denominação
japonesa para Filme de Monstro.
Quem foi moleque nos anos 70 e 80 e viajou
assistindo Ultraman,
Ultraseven,
Spectreman,
Godzilla
e similares, sabe do que eu estou falando.
E foi mergulhando nas águas sombrias da
Internerd que me deparei com este
post bastante doido sobre anatomia de
monstros, no Pink
Tentacle.
Seguem dois desenhos vintage de
monstros vistos por dentro. Se você
curtiu a parada, é só acessar os links
indicados e viajar.
|
Este sketch da anatomia de Godzilla
revela um cérebro relativamente
pequeno, pulmões gigantes para
suportar o fôlego debaixo
d'água, pernas musculosas capazes
de suportar 20.000 toneladas de
peso corporal mais uma bolsa de
urânio e uma bolsa de reação
nuclear, que produzem seu hálito
de fogo radioativo e também
energizam seu corpo:
|
|

|
|
|
Esta ilustração do Monstro
Flamejante Gamera, retirada de
An Anatomical Guide to
Monsters, revela olhos que
podem enxergar na escuridão,
braços fortes o suficiente para
erguer e arremessar um barco de 50
toneladas, além de bolsas de
fogo, que tornam possível Gamera
disparar chamas de suas mãos:
|
|

|
|
.Posts
Relacionados: 黒鷺死体宅配便
& Highway 61 Revisited
....................................
Netsuke erótico
....................................
Ecchi & Hentai
....................................
AIKa
e você: tudo a ver.
....................................
Nana,
nenê...
|
Almeida Garrett
Gozo
e dor
Se estou contente, querida,
Com esta imensa ternura
De que me enche o teu amor?
Não. Ai não; falta-me a vida;
Sucumbe-me a alma à ventura:
O excesso de gozo é dor.
Dói-me alma, sim; e a tristeza
Vaga, inerte e sem motivo,
No coração me poisou.
Absorto em tua beleza,
Não sei se morro ou se vivo,
Porque a vida me parou.
É que não há ser bastante
Para este gozar sem fim
Que me inunda o coração.
Tremo dele, e delirante
Sinto que se exaure em mim
Ou a vida ou a razão.
Almeida Garrett |
|
Hans Magnus Enzensberger
O outro
alguém ri
está preocupado
expõe a minha cara com pele e cabelo debaixo do céu
faz rolar palavras da minha boca
alguém que tem dinheiro e medo e um passaporte
alguém que briga e ama
alguém se move
alguém estrebucha
mas não eu
eu sou o outro
que não ri
que não tem cara debaixo do céu
nem palavras na boca
que é desconhecido consigo e comigo
não eu: o outro: sempre o outro
que não vence nem é vencido
que não se preocupa
que não se move
o outro
que se é indiferente
de quem não sei
de quem ninguém sabe quem é
que não me comove
que sou eu
Hans Magnus Enzensberger
(Traduzido
por Almeida Faria)
in Poemas Políticos -
Publicações Dom Quixote, 1975 |
|
.Posts
Relacionados: Hotel Fraternité
|
Wotan Flat
Ground

Se você é como eu e também gosta de
brinquedos perigosos, precisa conhecer a
faca Wotan,
projetada por Peter
Hammer, da Cutelaria
Corneta.
Forjada em Aço-Carbono
52100 -- o mesmo que se usa pra forjar
rolamentos -- e submetida a tratamento
térmico com direito a resfriamento em
solução salina aquosa super saturada a
150º e em nitrogênio líqüido, uma faca
Wotan vai pra bainha com uma lâmina de
190mm de comprimento, 6mm de espessura e
dureza de cerca de 58 pontos na Escala
Rockwell. É um mimo capaz de cortar
um tijolo sem fazer muita força.
Só pra constar: é a faca oficial
utilizada pelo pessoal do BOPE.
|
Jazzanatomy: The music that makes us.
Bēhance
Network é uma espécie de rede social
onde você pode expor seu portfolio ou
projeto. É um desses sites onde vale a
pena se perder um tempo e que pouca gente
conhece. E é no Bēhance
Network que o sul-africano da Cidade
do Cabo, Maximillian Goldin,
publicou seu portfolio Jazzanatomy: The music that makes
us, onde rola uma série de
ilustrações muito criativas que unem
música e anatomia humana:
Fala sério, o trabalho do cara é muito
bom.
|
|
|
Mensagem de
Ano-Novo
E finalmente, eis que chega o novo ano.
A chegada de um novo ciclo acende, então, a chama da mudança. Não porque os ciclos reservem em si alguma espécie de magia, mas porque as pessoas são estúpidas e precisam crer que o início de um novo ciclo é o estopim para uma mudança. As pessoas são, de um modo geral, tolos crentes, velhos curandeiros sem talento e sem estudo, pobres almas perdidas na tempestade, que enxergam a vida em ciclos por segundo e refletem-se em falsas medidas de Hertz.
Espero que este novo ciclo revele que não existe almoço grátis e que qualquer demonstração de boa vontade daqueles que conduzem esta nação ao caos tributário nada mais é do que um abraço que terminará com uma facada nas costas. Espero que este novo ciclo demonstre através de cálculos elegantes a mediocridade daqueles que pregam uma nova esperança num país previsível e sem perspectivas de renovação política. Espero que este novo ciclo ridicularize a ingenuidade daqueles que acreditam que o novo presidente de um povo possa verdadeiramente melhorar a vida de outras pessoas em outros países.
Espero que este novo ciclo mostre às pessoas a ineficiência da reforma ortográfica num país de analfabetos, cultuada por aqueles que acreditam-se intelectuais apenas porque cagam lendo Goethe. Espero que este novo ciclo
desmascare a inclusão digital que não deseja mais do que simplesmente vender tecnologia para quem não sabe usá-la. Espero que este novo ciclo exponha as entranhas cancerosas de um país onde se rouba desabrigados e se explora a fome dos esfomeados, onde pessoas morrem nas filas dos hospitais e tantos outros são enterrados anonimamente junto de suas esperanças, em caixões
baratos e valas para indigentes.
Espero que a Marquês de Sapucaí desfile cheia de luxo e de felicidade de mentira, para encobrir a lavagem de dinheiro e revestir de lantejoulas a decadência carioca. Espero que este novo ciclo encontre dezenas de histórias tristes para serem exaustivamente exploradas pela mídia até serem esgotadas para então serem
substituídas por outras histórias tristes, apenas para que as pessoas sintam-se um pouquinho melhor, acreditando que a desgraça dos outros é maior do que a sua.
E espero, especialmente, que você seja capaz de aceitar o fato de que este novo ano nada mais é do que o ano velho rindo da sua cara.
A única diferença é que este está mais longe de acabar.
Feliz Ano-Novo.
|
de volta
Tá aqui o leiaute novo e o motivo da
minha ausência nos últimos dias. Eu me
divirto pesquisando imagens em tudo quanto
é site pra depois desmontar todas e
encaixar tudo num modelo personalizado.
Pra quem gosta da linha grunge design,
o desenho atual do blog tá praticamente
um orgasmo.
|
|
|
|
|
|
|
|
Toda a
proposta deste blog está resumida em seu título e
subtítulo: "Blood Pack
- sobre a arte de reciclar seu
próprio sangue". Se você não entendeu o
que isso significa, é provável que não entenda mais
nada do que acontece por aqui. Aliás, se você não
entendeu isso, é bastante provável também que nem
esteja lendo esta nota, afinal de contas, quem lê as
letras miúdas nos contratos, não é mesmo? |
|
Blood
Pack é escrito e produzido por
Jack Skellington. Você pode reproduzir os meus textos
onde quiser, mas cite a fonte. Se você gostou do que
leu aqui, escreva um e-mail
comentando, pra gente conversar. Se não gostou, nem perca
tempo tentando me azucrinar, pois eu não vou estar nem
aí pra tua crítica. Se curtiu o blog, indique-o para os
seus inimigos. Se não curtiu, vá tomar no cu e não volte
mais aqui, que você ganha mais. |
|
Since September 17, 2007
|
|
|
|

|
|
|