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 27 de Janeiro de 2009.
 Somos uma sociedade de pessoas com no- tória infelicidade: solidão, ansiedade, depres- são, destruição, dependência; pessoas que ficam felizes quando matam o tempo que foi tão difícil conquistar."

Erich Fromm
Psicanalista alemão
 

A necrofilia e a morbidez das massas

    "O vocábulo grego nekros significava “cadáver”, habitante dos infernos. Nekros refere-se aos mortos e não à morte, ao corpo morto ou assassinado.

    Necrofilia é amor ao que é morto. Trata-se de comportamento muito mais freqüente do que geralmente se supõe .Mas dificuldades práticas impedem que essa perversão encontre facilidades objetivas de satisfazer-se. Por isso a grande maioria dos necrófilos vale-se de fantasias ou de outras representações. (É aí que situo a contribuição da mídia). Dificilmente pode-se calcular o número de pessoas com esse problema, porque raramente elas são descobertas ou se confessam.

    A paixão de destruir, ”de despedaçar as estruturas vivas”, é uma outra forma da necrofilia se manifestar. E pode aparecer precocemente, já na infância. Esse desejo de despedaçar aquilo que é vivo encontra sua expressão mais nítida no impulso para desmembrar o corpo, bem visível no comportamento de certos assassinos. Esses necrófilos homicidas desejam mais esquartejar a vítima do que simplesmente executá-la.

    Postar-se perto de cadáveres, de cemitérios ou de qualquer objeto em decomposição é uma outra maneira da necrofilia se exteriorizar. Von Hentig cita os “farejadores”, pessoas para as quais o cheiro de excrementos humanos ou de qualquer coisa pútrida é excitante. Foi o filósofo espanhol Miguel de Unamuno quem primeiro utilizou o termo necrófilo para caracterizar um traço de caráter, ao invés de uma perversão. Mas é de Erich Fromm um dos estudos mais cuidadosos já realizados sobre o caráter necrófilo. Trata-se de uma atração apaixonada por tudo o que é morto, pútrido, doentio. Uma volúpia de transformar o que é vivo em algo sem vida. O ato de destruir pelo prazer de destruir.

    No caráter necrófilo os conflitos e os problemas têm ser resolvidos pela força e pela violência. A força, ou como disse Simone Weil, “o poder de transformar um homem num cadáver - é a primeira e a última solução para tudo. Os problemas da vida devem ser resolvidos pela destruição e nunca pela construção.”

    O interesse particular do necrófilo em relação às coisas mortas é quase sempre verificado não apenas em sua conversação, mas na maneira como lê o noticiário: examinam em primeiro lugar as notícias de morte, os obituários. Ele gosta também de conversar tudo sobre a morte: de que morreram as pessoas, em que condições, quem morreu recentemente, quem parece que vai morrer, e assim por diante. Gosta de freqüentar os velórios e os cemitérios e geralmente não perde ocasião de fazê-lo, toda vez que o fato mostra-se socialmente oportuno.

    É fácil verificar que essa afinidade com os enterros e os cemitérios é apenas uma forma de certo modo atenuada de um interesse mais gritante e manifesto pelos necrotérios e pelos túmulos, já comentados.

    O necrófilo é um desmancha-prazeres, um esterilizador da alegria do grupo. Entedia mais que anima. A vida do necrófilo é comandada pelo que está morto.

    Lewis Mumford mostrou que a conexão entre a destrutividade e as “megamáquinas” não é fenômeno recente; já existia na Mesopotâmia e no Egito, há cerca de cinco mil anos. Os produtos finais da megamaquina do Egito eram túmulos colossais, habitados por corpos mumificados. Na Assíria, como ocorreu em todos os outros impérios em expansão, o principal testemunho de sua eficiência técnica era um deserto de aldeias e cidades destruídas, assim como solos envenenados; o protótipo das atrocidades modernas.

    As grandes massas cultuam hoje os artefatos mecânicos, desprovidos de afeto. Não mostram maior interesse pelas pessoas, pela natureza e pelas estruturas vivas. Há homens que sentem mais ternura por seus automóveis que por suas famílias.

    A sociedade necrofilizada atual fundiu a técnica com a destrutividade. O culto da máquina e da velocidade, a glorificação da guerra, a destruição de todos os valores culturais, um ódio gratuito pelas minorias, são seus traços principais.

    Essa sociedade estabeleceu também uma relação da rapidez com a coragem e da lentidão com a covardia. Para ela, a embriaguez das grandes velocidades, em bólidos assassinos, consagra a alegria de seus condutores, que passam a sentirem-se como verdadeiras divindades cinéticas.

    A fusão da técnica com a destrutividade, que se tornou bem visível, a partir da segunda guerra mundial, acabou por consagrar-se definitivamente na recente guerra do Iraque. Colocado na cômoda posição de um mero intermediário da destruição tecnológica, o homem pode eximir-se da conseqüência de seus atos.

     O importante é subjugar o inimigo, “vencer a guerra”, rapidamente, pelo menor preço possível.

    A morte de civis indefesos é um mero efeito colateral do conflito bélico, como disse recentemente um comandante de tropas aliadas.

    No show-bélico da atualidade as mortes são vivenciadas como se o telespectador estivesse participando de um videogame. Falta, nessa morte transmitida eletronicamente, o componente orgânico, a relação física direta. E os próprios combatentes, ao serem colocados na posição de meros intermediários da destruição tecnológica, podem eximir-se de culpas, em relação às mortes decorrentes de seus atos.

    A guerra é agora um grande show tecnológico, com direito a transmissão simultânea, para todo o mundo. Hoje não se informa mais sobre os bombardeios realizados no campo do inimigo; transmite-se ao vivo. O espectador é levado à condição de co-piloto dos aviões de guerra, com direito a satisfazer a sua voraz necrofilia, da forma mais regredida possível.

    O simbolismo da morte não é mais o odor desagradável de excrementos ou de cadáveres; seus símbolos atuais são máquinas limpas, que brilham. Mas a realidade por detrás dessa fachada anti-séptica torna-se cada vez mais visível.

    O homem está transformando o mundo num lugar malcheiroso e envenenado, em nome de um progresso cada vez mais dedutível. Ele polui o ar, a água, o solo, os animais e a si mesmo. Pouca diferença existe se o faz intencionalmente ou não.Tendo conhecimento dos perigos possíveis, não pode ser isentado de responsabilidade. Mas seu caráter necrófilo o impede de utilizar os conhecimentos disponíveis e a própria razão.

    Os problemas mais angustiantes da atualidade estão relacionados com uma crescente atração pela morte e pelo mórbido. Refiro-me particularmente as drogas, aos crimes hediondos, a decadência cultural e moral, ao descaso com os valores éticos, nas mais diversas culturas.

    Como esperar que os jovens, os mais pobres e os desesperados não se deixem atrair pela sordidez, tão bem promovida pelos que dirigem o curso da história moderna?

    O mundo da tecnologia desumanizada é, sobretudo uma expressão do mundo da morte e da desesperança.

    O fascínio que o mórbido exerce, sobre o náufrago humano, reflete a dissociação entre o pensamento, o afeto e a sua vontade. E essa necrofilia prolifera e se multiplica quanto mais esse náufrago saboreia a sua insanidade projetada.

    As ciências humanas não conseguiram descobrir ainda as vacinas cívicas capazes de neutralizar as tendências mórbidas do homem, o que torna praticamente impossível controlar a morbidez social epidêmica."

 Dr. Alvaro Acioli de Oliveira, ocupante da Cadeira nº 07
da Academia Fluminense de Medicina,
in
A necrofilia e a morbidez das massas 

 

       16h54min  Comente   Posted By Jack Sk.  

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 26 de Janeiro de 2009.
 Biquíni são dois pedaços de pano cercado de mulher por todos os lados."

Leon Eliachar
Escritor carioca

Wicked Weasel

    Essa aí em cima é a Jennifer, em duas de suas fotos que eu selecionei no site da Wicked Weasel. Como todo bom sem-vergonha, eu adoro uma mulher pervertida e a Jennifer me parece ser do naipe em que as bolas entram justas na caçapa, se é que vocês me entendem.

    Entra ano, sai ano, e eu não mudo. Incrível.


 

       12h56min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Lisa Black

    A artista Lisa Black vive na Nova Zelândia, onde desenvolve uma série de esculturas entituladas Fixed, que combinam técnicas de taxidermia e mecânica em uma mistura de partes orgânicas e industriais. O resultado são criações franksteinianas bastante interessantes.

    Você pode conhecer melhor esse trabalho de Lisa Black navegando na área específica de seu website, aqui.


 

       12h32min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Shuvalov Painter


Shuvalov Painter - Attic vase painter of the red-figure style,
active between 440 and 410 BC
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(Só pra lembrar que uma boa trepada já foi considerada arte, um dia.)


 

       12h18min  Comente   Posted By Jack Sk.  

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 25 de Janeiro de 2009.
 Problemas complicados demais para serem resolvidos pelo senso comum são soluciona- dos através de longas séries de inferências indutivas e dedutivas que vão e vêm, seguindo trajetórias complexas entre a máquina observada e a hierarquia mental
da máquina encontrada nos manuais."

Robert M. Pirsig
Escritor e filósofo americano


 

De moto pela América do Sul

    "Alberto, ainda morto para o mundo, desafiava o sol da manhã a penetrar seu sono pesado quando eu comecei a me vestir. Essa tarefa não era assim tão difícil, já que a diferença entre nossos trajes diurno e noturno era basicamente o sapato. O jornal local tinha um número considerável de páginas, tão diferente dos nossos pobre diários, mas eu estava interessado somente em um pequeno pedaço das notícias locais, o qual eu encontrei com letras grandes na seção dois: DOIS ARGENTINOS ESPECIALISTAS EM LEPROLOGIA VIAJAM PELA AMÉRICA DO SUL DE MOTOCICLETA. E mais abaixo, em letras menores: 'Eles estão em Temuco e querem visitar Rapa Nui'.

    Em poucas palavras, era assim que nossa ousadia era descrita: nós, especialistas, figuras-chave do campo da leprologia nas Américas, com uma vasta experiência, já tendo curado mais de três mil pacientes, familiarizados com todos os centros importantes do continente e com suas condições sanitárias, tínhamos nos dignado a visitar esta cidadezinha pitoresca e melancólica. Nós imaginamos que eles iriam apreciar bastante nosso respeito pela cidade, mas não sabíamos com certeza. Logo, toda a família estava reunida ao redor do artigo e todos os outros itens do jornal eram tratados com um desprezo olímpico. E assim, deleitados com a admiração de nossos anfitriões, demos adeus a essas pessoas de quem hoje não lembramos nada, nem mesmo os nomes. Tínhamos pedido permissão para deixar a moto na garagem de um homem que morava na saída da cidade e nos dirigimos para lá. Só que, agora, não éramos mais um par de quase-mendigos com uma moto a reboque, Não, agora nós éramos “os especialistas”, e era assim que nos tratavam. Passamos o dia consertando a moto, e uma empregada mestiça vinha sempre nos oferecer os mais variados petiscos. Às cinco da tarde, depois de um lanche suntuoso oferecido por nosso anfitrião, nos despedimos de Temuco e seguimos para o norte."

Ernesto Che Guevara, in De moto pela América do Sul - Diário de viagem,
Págs. 45 a 47 - 1ª ed. - Sá Editora, 2001
 

 

       13h56min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Zen e a arte da manutenção de motocicletas

    "O objetivo real do método científico é certificar-se de que a natureza não nos enganou, fazendo-nos pensar que sabemos algo que realmente não sabemos. Todo mecânico, cientista ou técnico já passou tantas vezes por isso, que está sempre de sobreaviso. Essa é a razão principal pela qual tantos dados científicos e mecânicos parecem tão monótonos e cautelosos. Se a gente se descuidar, ou começar a romantizar os dados científicos, enfeitando as coisas aqui e ali, logo a natureza vai fazer a gente de bobo. É o que acontece muitas vezes, mesmo quando não se lhe dá nenhuma oportunidade. Deve-se ser extremamente cuidadoso e extremamente lógico ao lidar com a natureza: é só escorregar no raciocínio, que o edifício científico inteiro desmorona. Uma dedução equivocada sobre a máquina pode deixar-nos confusos indefinidamente."

Robert M. Pirsig, in Zen e a arte da manutenção de motocicletas,
Cap. 9 - 4ª ed. - Editora
Paz e Terra, 1984

Curtiu? Leia o Capítulo inteiro AQUI!
 

 

       13h43min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Bike EXIF


    Como nem só de sexo, drogas e rock n' roll vive um psicopata, fica a dica do site Bike EXIF, de Chris Hunter, designer radicado na Austrália. O site mostra motocicletas pra todos os gostos e estilos, dos modelos vintage aos mais modernos.

    E pra quem já se acostumou com a putaria que é este blog, aconselho uma visitinha às Guzzi Girls do Cycle Garden Moto Giuzzi, onde é possível encontrar motos e xavascas de todo tipo assim, juntinhas, demonstrando de forma clara porque vale a pena viver.


 

       13h10min  Comente   Posted By Jack Sk.  

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 24 de Janeiro de 2009.
 Os otimistas são uns cômicos."


Elsa Triolet
Escritora francesa

The Disaster Series

THE DISASTER SERIES
Burning of the Yankee clipper
Golden Light - February, 1853
By Cindy Stelmackowich

THE DISASTER SERIES
Burning of the Houses of Assembly Montreal – April 25, 1849
By Cindy Stelmackowich

    Cindy Stelmackowich, professora de História da Arte na Carleton University de Ottawa, produziu The Disaster Series como um comentário a respeito do impacto dos desastres naturais na cultura ocidental. Cindy observa que se eles estão em notícias, filmes e na literatura, é porque deixam suas marcas em nossa consciência. Fascinada pela medicina do Séc.XIX, Cindy também observa o quanto as respresentações anatômicas podem ser capazes de se mostrar vivas e mortas devido a seus gestos, que adicionam às ilustrações uma carga emocional subjetiva, algo que acredita muitas vezes faltar em seus equivalentes atuais.

    Ao inserir literalmente a cena do desatre na anatomia humana, Cindy Stelmackowich visa simbolizar a incapacidade dos dias modernos em liberar a emoção que esses desatres imprimem em nossa imaginação.

     Se você curtiu a proposta, saiba mais sobre ela aqui.


 

       14h20min  Comente   Posted By Jack Sk.  

pensando com meus botões

    Fala sério, tem coisa mais linda do que uma mulher dessas, inteirinha desenhada, de cima até lá embaixo?

    Eu tinha certeza absoluta de que minha mania por gibis quando eu era criança um dia ia evoluir pra alguma coisa realmente mais séria.


 

       14h07min  Comente   Posted By Jack Sk.  

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 23 de Janeiro de 2009.
 A tecnologia é dominada por aqueles que gerem o que não entendem."

Arthur Bloch
Autor das Leis de Murphy

Problemas técnicos

    Meu computador deu uma zoada maravilhosa no dia 19. Foi uma coisa dessas de cinema, onde rolam erro de leitura, desaparecimento de arquivos, travamentos com direito a telas azuis, palavrões, tiroteio, capotamentos, explosões nucleares e tudo o mais. Graças a essa presepada, não fui capaz de colocar no ar o post que eu havia acabado de montar praquele dia, esse aí em baixo, que fala do ritual tupinambá. Como o disco rígido estava dando sinal de morte iminente, acabei ficando puto e me vi obrigado a comprar um computador novo, que só de raiva tem tanto espaço, mas tanto espaço, que o primeiro bit que foi gravado neste HD entrou e, na mesma hora, voltou pro CD-ROM, correndo de medo.

    E então, quatro dias depois, vários reais mais pobre e completamente perdido com as senhas que eu não havia anotado em bosta de lugar algum, estou aqui, rebolando como uma puta velha pra conseguir colocar a zona em ordem. Mudar de computador é realmente uma voadora nas bolas do saco.

    Besteiras a parte, espero colocar tudo em dia e voltar a postar normalmente nesta pocilga em breve.

    ô vidinha maômeno, viu.

 

 

       19h58min  Comente   Posted By Jack Sk.  

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 19 de Janeiro de 2009.
 O leão é feito de carneiro assimilado."


Paul Ambroise Valery
Poeta francês

Ritual Tupinambá
(...) quando os prisioneiros são trazidos para casa, as mulheres e os filhos dos selvagens têm permissão para bater neles (...) (...) as mulheres levam o prisioneiro algumas vezes até o local e dançam em volta dele (...)
(...) a ibira-pema é pendurada em uma haste acima do chão de uma cabana vazia, em volta da qual os selvagens dançam e cantam durante a noite (...) (...) o rosto do prisioneiro é pintado da mesma maneira, com as mulheres cantando em volta enquanto uma delas faz a pintura (...)
(...) quando começam a beber, carregam o prisioneiro para o local e fazem-no beber junto, divertindo-se às custas dele (...)
(...) a mussurana é retirada de seu pescoço, amarrada em volta do corpo e retesada dos dois lados (...) muitas pessoas seguram o cordão em cada extremidade (...)
(...) quando a pele está retirada, um homem pega o morto e corta as pernas acima do joelho e os braços junto ao corpo (...)
(...) são as mulheres que levam as vísceras, das quais, depois de cozidas, fazem uma papa denominada mingau, que elas e as crianças bebem (...)
(...) as mulheres comem as vísceras e também a carne da cabeça; os miolos, a língua e o que mais for aproveitável, são as crianças que recebem (...) (...) depois de tudo isso, cada um volta para a sua cabana levando seu bocado (...)

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       13h43min  Comente   Posted By Jack Sk.  

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 18 de Janeiro de 2009.
 O sexo e a morte - a porta da frente e a porta de trás do mundo."

William Faulkner
Escritor norte-americano

Namie Koshino

Isso é o que eu chamaria de uma menina gozada.

 

       13h43min  Comente   Posted By Jack Sk.  

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 17 de Janeiro de 2009.
 Quase todas as modernas reformas sociais são concepções românticas, um esforço para acomodar a realidade aos nossos desejos."

Fernando Pessoa
Poeta português

A ironia dos vermes
A ironia dos vermes

Eu imagino que és uma princesa
Morta na flor da castidade branca...
Que teu cortejo sepulcral arranca
Por tanta pompa espasmos de surpresa.

Que tu vais por um coche conduzida,
Por esquadrões flamívomos guardada,
Como carnal e virgem madrugada,
Bela das belas, sem mais sol, sem vida.

Que da Corte os luzidos Dignitários
Com seus aspectos marciais, bizarros,
Seguem-te após nos fagulhantes, carros
E a excelsa cauda dos cortejos vários.

Que a tropa toda forma nos caminhos
Por onde irás passar indiferente;
Que há no semblante vão de toda a gente
Curiosidades que parecem vinhos.

Que os potentes canhões roucos atroam
O espaço claro de uma tarde suave,
E que tu vais, Lírio dos lírios e ave
Do Amor, por entre os sons que te coroam.

Que nas flores, nas sedas, nos veludos,
E nos cristais do féretro radiante
Nos damascos do Oriente, na faiscante
Onda de tudo há longos prantos mudos.

Que do silêncio azul da imensidade,
Do perdão infinito dos Espaços
Tudo te dá os beijos e os abraços
Do seu adeus a tua Majestade.

Que de todas as coisas como Verbo
De saudades sem termo e de amargura,
Sai um adeus a tua formosura,
Num desolado sentimento acerbo.

Que o teu corpo de luz, teu corpo amado,
Envolto em finas e cheirosas vestes,
Sob o carinho das Mansões celestes
Ficará pela Morte encarcerado.

Que o teu séquito é tal, tal a coorte,
Tal o sol dos brasões, por toda a parte,
Que em vez da horrenda Morte suplantar-te
Crê-se que és tu que suplantaste a Morte.

Mas dos faustos mortais a regia trompa,
Os grandes ouropéis, a real Quermesse,
Ah! tudo, tudo proclamar parece
Que hás de afinal apodrecer com pompa.

Como que foram feitos de luxúria
E gozo ideal teus funerais luxuosos
Para que os vermes, pouco escrupulosos,
Não te devorem com plebéia fúria.

Para que eles ao menos vendo as belas
Magnificências do teu corpo exausto
Mordam-te com cuidados e cautelas
Para o teu corpo apodrecer com fausto.

Para que possa apodrecer nas frias
Geleiras sepulcrais d'esquecimentos,
Nos mais augustos apodrecimentos,
Entre constelações e pedrarias.

Mas ah! quanta ironia atroz, funérea,
Imaginária e cândida Princesa:
És igual a uma simples camponesa
Nos apodrecimentos da Matéria!

Cruz e Souza
in Faróis
 

       12h33min  Comente   Posted By Jack Sk.  

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 16 de Janeiro de 2009.
 Não mate, mas bata violentamente."


Robert Mugabe
Presidente do Zimbábue

Loli_rot

Loli_rot, East Harling, Norfolk
I'm Hayley

I'm 19
I go to art school
I like Pink things
:)
la la la

    Tsc, tsc, tsc... Hayley, Hayley, Hayley... Tadinha dela, tão gostosinha e tão tontinha. Isso é o que geralmente ocorre com uma mulher quando os peitos crescem mais do que o cérebro, o equivalente masculino da massa muscular maior do que a cinzenta.

    Mas que eu comia, comia. 

 

       11h10min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Sobre a dignidade da pessoa humana

    "Mais difícil do que situar os autores em uma corrente ou outra é fixar para ambas as correntes o significado preciso do que se entende por dignidade da pessoa humana. Vejamos doravante.

    Consoante lições de Ingo Wolfgang Sarlet, os Estados Unidos da América, a maior potência do mundo, membro da ONU (Organização das Nações Unidas), em números expressivos de estados federados admite a execução da pena capital, pena de morte. E a sua Suprema Corte, embora não de forma unânime, entende-a constitucional. Entretanto, a Suprema Corte norte-americana tem decidido que determinadas técnicas de executar a pena capital são cruéis e desumanas, logo devem ser proibidas. É exemplo a morte por enforcamento, que constitui, no entender da Corte, prática atentatória à dignidade da pessoa humana, nomeadamente, por inflingir – ao menos em relação aos outros meios utilizados (injeção letal e eletrocutamento) – sofrimento desnecessário ao sentenciado, já que constatada a possibilidade maior de uma postergação do estado de inconsciência e morte, com risco de asfixia lenta e até mesmo de decapitação parcial ou total, verificada em diversos casos.

    Veja, caro leitor, os EUA entendem que a pena de morte não é ofensiva à dignidade da pessoa humana, apenas o modo de executá-la, que pode vir a ser ofensivo à dignidade da pessoa humana.

    No Islão, a Constituição Iraniana de 1980, em seu artigo 22, dispõe que, "a dignidade dos indivíduos é inviolável. .. salvo nos casos autorizados por lei". Vejam o quão frágil também o é a proteção da dignidade da pessoa humana neste país, onde ainda se verificam práticas de tortura, mutilações genitais, discriminação religiosa e sexual.

    Como membro da delegação brasileira junto à CDH (Comissão de Direitos
Humanos) da ONU, J.A. Lindgren Alves destaca a preocupação da CDH com a situação dos direitos humanos no Sudão. Em situação avaliada pela CDH nos anos de 1991 a 1994, apurou-se que o sistema penal sudanês contém dois componentes principais, que são radicalmente contrários às provisões das convenções internacionais de que o Sudão é parte, quais sejam, crimes absolutos e a instituição de retribuição.

    Explicando. Os crimes absolutos são imperdoáveis e passíveis de punição corporal ou pena de morte, não contemplando atenuações de responsabilidade baseadas em gênero ou idade – inclusive, a partir da puberdade, havendo completado quinze anos, e até os 70, todos os ofensores são punidos, podendo as crianças entre sete anos e a puberdade ter a sentença transformada pelas Cortes em açoitamento que não excederá vinte chibatadas

    São espécies de crimes absolutos: o assalto à mão armada (punível com morte, ou crucificação e morte, ou amputação da mão direita e do pé esquerdo); roubo capital (punido pela amputação da mão direita); adultério feminino (punido com morte por apedrejamento se a ré for casada, ou 100 chibatadas, se solteira); adultério masculino (punição com açoitamento, e, adicionalmente, com expatriação por um ano).

    A retribuição múltipla, segundo componente do sistema penal questionado pela CDH, também está prevista no Código Penal e consiste na possibilidade de um indivíduo ser executado em lugar de um grupo e um grupo no lugar de um indivíduo."

Roberto Wagner Lima Nogueira, 2006, in Notas para um ensaio sobre a dignidade da pessoa humana: Conceito fundamental da Ciência Jurídica,
4. Apontamentos sobre os modelos jurídicos, ocidental e islâmico. 

  Interessante. Vale a pena refletir sobre isso, se você é um desses que ainda acreditam que resta algum tipo de dignidade na humanidade.

 

       09h19min  Comente   Posted By Jack Sk.  

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 15 de Janeiro de 2009.
 Sou escravo pelos meus vícios e livre pelos meus remorsos."

Jean Jacques Rousseau
Escritor francês

BERE'SHITH

BERE'SHITH, Jack Sk., 2009

 

       17h38min  Comente   Posted By Jack Sk.  

de volta outra vez

    Voltei. 

    Quero dizer, o corpo voltou, porque o espírito ficou por aí, em algum lugar.

 

       17h35min  Comente   Posted By Jack Sk.  

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 02 de Janeiro de 2009.
 Sempre que estiver em perigo use a cápsula beta e você, Hayata, se transformará no Ultraman!"

Narrador de Ultraman,
criado por Eiji Tsuburaya

até já

    Então, o negócio é o seguinte: psicopata também tem férias. Vou viajar pra respirar outros ares, pois sabem como é, esta vida de desajustado social cansa. Dá muito trabalho escrever um blog pra meia-dúzia de pessoas, porque quando a gente quase não tem leitores não pode se dar ao luxo de perder o pouco que tem.

    Lá pelo meio do mês eu volto. Enquanto eu estiver fora, lembre-se de não aceitar doces de estranhos, de escovar os dentes após as refeições e, principalmente, de usar camisinha quando for trepar. 

    Até breve.

 

       10h56min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Kaiju Eika

    Kaiju Eika é a denominação japonesa para Filme de Monstro. Quem foi moleque nos anos 70 e 80 e viajou assistindo Ultraman, Ultraseven, Spectreman, Godzilla e similares, sabe do que eu estou falando. E foi mergulhando nas águas sombrias da Internerd que me deparei com este post bastante doido sobre anatomia de monstros, no Pink Tentacle

    Seguem dois desenhos vintage de monstros vistos por dentro. Se você curtiu a parada, é só acessar os links indicados e viajar.


    Este sketch da anatomia de Godzilla revela um cérebro relativamente pequeno, pulmões gigantes para suportar o fôlego debaixo d'água, pernas musculosas capazes de suportar 20.000 toneladas de peso corporal mais uma bolsa de urânio e uma bolsa de reação nuclear, que produzem seu hálito de fogo radioativo e também energizam seu corpo:


    Esta ilustração do Monstro Flamejante Gamera, retirada de An Anatomical Guide to Monsters, revela olhos que podem enxergar na escuridão, braços fortes o suficiente para erguer e arremessar um barco de 50 toneladas, além de bolsas de fogo, que tornam possível Gamera disparar chamas de suas mãos:

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       10h24min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Almeida Garrett
Gozo e dor

Se estou contente, querida,
Com esta imensa ternura
De que me enche o teu amor?
Não. Ai não; falta-me a vida;
Sucumbe-me a alma à ventura:
O excesso de gozo é dor.

Dói-me alma, sim; e a tristeza
Vaga, inerte e sem motivo,
No coração me poisou.
Absorto em tua beleza,
Não sei se morro ou se vivo,
Porque a vida me parou.

É que não há ser bastante
Para este gozar sem fim
Que me inunda o coração.
Tremo dele, e delirante
Sinto que se exaure em mim
Ou a vida ou a razão.

Almeida Garrett
 

       10h06min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Hans Magnus Enzensberger
O outro

alguém ri
está preocupado
expõe a minha cara com pele e cabelo debaixo do céu
faz rolar palavras da minha boca
alguém que tem dinheiro e medo e um passaporte
alguém que briga e ama
alguém se move
alguém estrebucha

mas não eu
eu sou o outro
que não ri
que não tem cara debaixo do céu
nem palavras na boca
que é desconhecido consigo e comigo
não eu: o outro: sempre o outro
que não vence nem é vencido
que não se preocupa
que não se move

o outro
que se é indiferente
de quem não sei
de quem ninguém sabe quem é
que não me comove
que sou eu

Hans Magnus Enzensberger
(
Traduzido por Almeida Faria)
in Poemas Políticos - Publicações Dom Quixote, 1975
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       01h04min  Comente   Posted By Jack Sk.  

pequenas dicas

    A versão de Baba O'Riley, do The Who, feita pelo Blue Men Group é simplesmente foda. O vídeo Basketballs and Kitchen, dos britânicos do Stomp, e que faz parte do DVD Stomp Out Loud, também é ducaralho.

 

       00h43min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Wotan Flat Ground

    Se você é como eu e também gosta de brinquedos perigosos, precisa conhecer a faca Wotan, projetada por Peter Hammer, da Cutelaria Corneta.
     
    Forjada em Aço-Carbono 52100 -- o mesmo que se usa pra forjar rolamentos -- e submetida a tratamento térmico com direito a resfriamento em solução salina aquosa super saturada a 150º e em nitrogênio líqüido, uma faca Wotan vai pra bainha com uma lâmina de 190mm de comprimento, 6mm de espessura e dureza de cerca de 58 pontos na Escala Rockwell. É um mimo capaz de cortar um tijolo sem fazer muita força.

    Só pra constar: é a faca oficial utilizada pelo pessoal do BOPE.

 

       00h28min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Jazzanatomy: The music that makes us.

    Bēhance Network é uma espécie de rede social onde você pode expor seu portfolio ou projeto. É um desses sites onde vale a pena se perder um tempo e que pouca gente conhece. E é no Bēhance Network que o sul-africano da Cidade do Cabo, Maximillian Goldin, publicou seu portfolio Jazzanatomy: The music that makes us, onde rola uma série de ilustrações muito criativas que unem música e anatomia humana:

  Fala sério, o trabalho do cara é muito bom


 

       00h15min  Comente   Posted By Jack Sk.  

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 1º de Janeiro de 2009.
 Ter um espírito aberto não é tê-lo escan- carado a todas as tolices."

Jean Rostand
Biólogo e escritor francês

Joel-Peter Witkin

Cupid And Centaur, de Joel-Peter Witkin, 1992

 

       23h44min  Comente   Posted By Jack Sk.  

Mensagem de Ano-Novo

    E finalmente, eis que chega o novo ano.

    A chegada de um novo ciclo acende, então, a chama da mudança. Não porque os ciclos reservem em si alguma espécie de magia, mas porque as pessoas são estúpidas e precisam crer que o início de um novo ciclo é o estopim para uma mudança. As pessoas são, de um modo geral, tolos crentes, velhos curandeiros sem talento e sem estudo, pobres almas perdidas na tempestade, que enxergam a vida em ciclos por segundo e refletem-se em falsas medidas de Hertz. 

    Espero que este novo ciclo revele que não existe almoço grátis e que qualquer demonstração de boa vontade daqueles que conduzem esta nação ao caos tributário nada mais é do que um abraço que terminará com uma facada nas costas. Espero que este novo ciclo demonstre através de cálculos elegantes a mediocridade daqueles que pregam uma nova esperança num país previsível e sem perspectivas de renovação política. Espero que este novo ciclo ridicularize a ingenuidade daqueles que acreditam que o novo presidente de um povo possa verdadeiramente melhorar a vida de outras pessoas em outros países.

    Espero que este novo ciclo mostre às pessoas a ineficiência da reforma ortográfica num país de analfabetos, cultuada por aqueles que acreditam-se intelectuais apenas porque cagam lendo Goethe. Espero que este novo ciclo desmascare a inclusão digital que não deseja mais do que simplesmente vender tecnologia para quem não sabe usá-la. Espero que este novo ciclo exponha as entranhas cancerosas de um país onde se rouba desabrigados e se explora a fome dos esfomeados, onde pessoas morrem nas filas dos hospitais e tantos outros são enterrados anonimamente junto de suas esperanças, em caixões baratos e valas para indigentes.

    Espero que a Marquês de Sapucaí desfile cheia de luxo e de felicidade de mentira, para encobrir a lavagem de dinheiro e revestir de lantejoulas a decadência carioca. Espero que este novo ciclo encontre dezenas de histórias tristes para serem exaustivamente exploradas pela mídia até serem esgotadas para então serem substituídas por outras histórias tristes, apenas para que as pessoas sintam-se um pouquinho melhor, acreditando que a desgraça dos outros é maior do que a sua. 

    E espero, especialmente, que você seja capaz de aceitar o fato de que este novo ano nada mais é do que o ano velho rindo da sua cara.

    A única diferença é que este está mais longe de acabar.

    Feliz Ano-Novo.

 

       00h28min  Comente   Posted By Jack Sk.  

de volta

    Tá aqui o leiaute novo e o motivo da minha ausência nos últimos dias. Eu me divirto pesquisando imagens em tudo quanto é site pra depois desmontar todas e encaixar tudo num modelo personalizado. 

    Pra quem gosta da linha grunge design, o desenho atual do blog tá praticamente um orgasmo.

 

       00h03min  Comente   Posted By Jack Sk.  

  

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Toda a proposta deste blog está resumida em seu título e subtítulo: "Blood Pack - sobre a arte de reciclar seu próprio sangue". Se você não entendeu o que isso significa, é provável que não entenda mais nada do que acontece por aqui. Aliás, se você não entendeu isso, é bastante provável também que nem esteja lendo esta nota, afinal de contas, quem lê as letras miúdas nos contratos, não é mesmo?

Blood Pack é escrito e produzido por Jack Skellington. Você pode reproduzir os meus  textos onde quiser, mas cite a fonte.  Se você gostou do que leu aqui, escreva um e-mail comentando, pra gente conversar. Se não gostou, nem perca tempo tentando me azucrinar, pois eu não vou estar nem aí pra tua crítica. Se curtiu o blog, indique-o para os seus inimigos. Se não curtiu, vá tomar no cu e não volte mais aqui, que você ganha mais.

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