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26
de Fevereiro de 2009.
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O Vibrossauro e os
Elefantes Musicais

Vibrosaurus,
de Constantin Luser
Um dinossauro de tubas e clarins: o
Vibrosaurus, criado por
Constantin Luser, em 2008, é exatamente
isso. Ele é o resultado de mais uma genial
mente desvairada com um pé no surrealismo e
outro numa viagem de
ácido lisérgico à terra dos elefantes
musicais do artista realista-metamórfico
Vladimir Kush, cujo trampo também não
fica devendo absolutamente nada a uma
overdose de chá de
ayahuasca.

Musical
Elephants, de Vladimir Kush
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25
de Fevereiro de 2009.
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Vagabundagem,
de Rimbaud
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Vagabundagem
Lá ia eu com as mãos em meus bolsos
furados;
O paletó também se tornara irreal;
E sob aquele céu, Musa! eu era teu
vassalo;
E imaginava amores nunca imaginados!
Nas calças um buraco e eu só tinha
aquelas.
- Pequeno Polegar das rimas,
sonhador,
Instalei meu albergue na Ursa Maior.
- Lá no céu o frufru de seda das
estrelas...
Eu as ouvia, sentado à beira das
estradas,
nas noites boas de setembro, quando
o orvalho
revigorava-me a fronte como um
vinho;
E em meio às sombras fantásticas,
então,
dedilhava, como se fossem lira, os
elásticos
de meus sapatos, o pé junto do
coração!
Jean-Nicholas Arthur Rimbaud
traduzido por Ferreira Gullar |
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Vicodin na orelha

A criatividade do ser humano é
definitivamente algo bizarro. Becky Stern,
após matutar a respeito de o que fazer com
as sobras de
Vicodin -- o indefectível opiáceo do
igualmente indefectível
Dr. House --, decidiu pela transformação
do medicamento em meigos pingentes para
brincos. O resul- tado ta aí em cima.
Esse é o real poder da mídia, capaz de
tornar cult até mesmo um inerte
comprimidozinho cujo principal componente, a
hidrocodona, tem a mesma estrutura básica da
viciante
morfina.
E o pior é que eu usaria um brinco desses.
|
Freud explica
Não sei explicar exatamente os motivos
disso, mas o fato é que de tempos em tempos
eu me convenço de que manter um blog que
ninguém lê é uma coisa tão vazia que eu
acabo passando diversos dias longe daqui,
dedicando minha vida aos mais variados
impropérios comportamentais.
Daí eu entendo a verdadeira utilidade
terapêutica de manter um blog que ninguém lê
e então, eu volto.
Talvez o
Tio Sigmundo explique.
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| 16
de Fevereiro de 2009.
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Evoluzione della
specie
Às vésperas de 2009, ano em que se comemora
os 200 anos do nasci- mento do naturalista
Charles Darwin, a
Elle Italia publicou o editorial
Evoluzione della specie,
brilhantemente idealizado pelas lentes
explícitas de
Ruven Afanador. O cenário inquietante e
a forte presença da gostosíssima modelo
americana
Kemp Muhl dispensam comentários.
Achei simplesmente ducaralho.
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Gregory Corso
O lamento de Zizi
Estou apaixonado pela doença do riso
far-me-ia muito bem se a tivesse -
usei as esplêndidas cabaias do
Sudão,
pus os magnificentes halivas de
Boudodin Bros.,
beijei as Fátimas cantantes do chulo
de Adém,
escrevi gloriosos salmos no café
Hakhaliba,
mas nunca tive a doença do riso,
então para que sirvo eu?
O comerciante gordo oferece-me ópio,kief,
haxixe, até suco de camelo,
tudo é insatisfatório -
Oh noite amarga e terrível! tu de
novo! terei ainda
que tirar os meus dentes irreais
despir o meu irrisível eu
pôr a dormir esta cabeça
melancólica?
Não sou nada sem a doença do riso.
O meu pai apanhou-a, o meu avô
também;
certamente o Tio Fez há-de
apanhá-la, mas eu, eu
a quem faria tão bem,
apanhá-la-ei alguma vez?
Gregory Corso |
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Dois poemas de
Batista Cepelos
Os Vagabundos
Eil-os sem directriz, macillentos e
rôtos,
Perlustrando a extensão dessas ruas
e viellas...
Vê-se-lhes no semblante o ar dos
velhos pilotos,
Cançados de vencer procellas e
procellas...
Expostos ao ladrar de cães e de
garotos,
Soffrem caladamente injurias e
mazellas;
E, á noite, vão sonhar, na pedra dos
exgottos,
Ao frigido lençol da lua e das
estrellas...
E, desde que amanhece, apressados e
argutos,
Vagam pela cidade, em pleno
reboliço;
Ou ficam a scismar, nos jardins e
viaductos...
E, emquanto as ambições se chocam
frente a frente,
Os Vagabundos, bem alheios a tudo
isso,
Vão passando, a fumar,
philosoficamente...
Batista Cepelos
¤ ¤ ¤
¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤ ¤
Resignação
Este Anjo do Infortúnio, que me guia
Desde o primeiro albor da tenra
idade,
E os lírios roxos da melancolia
Desfolha sôbre a minha mocidade...
Êste, que me acompanha e me vigia,
Sorrindo-me um sorriso de bondade,
E, na dor, que é o meu pão de cada
dia,
Me fortalece contra a iniqüidade...
Este, bendito seja, enquanto eu
vivo,
A debater-me em trevas horrorosas,
Como um ansioso pássaro cativo!
E que, sôbre o meu túmulo,
tristonho,
Distenda as asas misericordiosas,
Quando eu sonhar aquele Grande
Sonho...
Batista Cepelos
Obs.: Os dois poemas de
Batista Cepelo acima postados
mantém suas grafias originais. |
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| 15
de Fevereiro de 2009.
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| 12
de Fevereiro de 2009.
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MPD Psycho & Death
Note
Como todo bom sociopata nerd, eu também
gosto de mangás. Sou capaz de passar um dia
inteiro lendo mangás. Por isso, vou dar aqui
a dica de dois títulos aparentemente
sensacionalistas, mas capazes de fazer um
desavisado paralisar o olhar em diversas
cenas pra lá de grotescas:
O primeiro deles é
多重人格探偵サイコ
ou
MPD Psycho, o acrônimo de
Multiple Personality Detective Psycho,
que conta a história de um policial
especialista em análise comportamental que
investiga diversos casos de assassinatos em
série. A criatividade bizarra de cada
serial killer que aparece na história já
seria suficiente pra causar mal estar nas
mentes mais sensíveis, mas o fato de o
profiler, ao redor de quem gira toda a
trama, sofrer de Transtorno Múltiplo de
Personalidade é, na verdade, a grande
sacada. Está sendo publicado no Brasil pela
Panini.
O segundo é
デスノート
ou
Death Note, onde um caderno com o
poder de condenar à morte aquele que tem seu
nome escrito nele, é largado à sorte no
mundo dos humanos por um Shinigami --
um deus da morte -- entediado e cai nas mãos
de um estudante prodígio, que decide
"limpar" o mundo apoiado nos poderes do
death note. O lance seria babaca se não
houvesse uma nítida e contínua especulação
acerca da tênue linha que separa o bem do
mal, espe- cialmente explicitada nos
diálogos entre o estudante e o Shinigami
e no duelo entre o mesmo estudante e o
misterioso agente L. No Japão,
Death Note já virou dois longas
live-action para TV, produzidos pela
Warner Bros japonesa. No Brasil
foi publicado
pela
Editora JBC.
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e você: tudo a ver.
....................................
Nana,
nenê...
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| 10
de Fevereiro de 2009.
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Gisele by (RED)
E para animar esta terça-feira mezza buca,
eis algumas fotos da maravilhosa, apetitosa,
saborosa e a cada dia mais gostosa
Gisele Bündchen, com seus 1,80m de altura e
57kg de graça e energia. Os cliques foram
produzidos pelo fotógrafo Matt Jones, para
Elle Magazine, com o louvável objetivo
de divulgar a campanha do
(RED), o projeto criado pelo cantor Bono
Vox para subsidiar a luta contra a Aids na
África.
O que ela e o Bono têm de nobre, eu tenho de sem vergonha.
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| 9
de Fevereiro de 2009.
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Valerio Carrubba
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Nina Ricci ran in,
2006
oil on stainless steel
60 X 52,6cm |
Degas is aged,
2008
oil on stainless steel
60 X 52,6cm |
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Delia failed,
2006
Oil on stainless steel
60 X 52,6cm |
Yo banana boy,
2007
Oil on stainless steel
66 X 50cm |
Valerio Carrubba, a mente doentia por trás
dessas obras, é um artista hipersurealista
nascido na Sicília e radicado em Milão.
Buscando inspiração em Salvador Dalí,
Carrubba muitas vezes realiza uma pintura
sobre a outra, real-
çando as cores e dando a
seu trabalho uma aura fantástica e
perturbadora.
O cara é foda. Viaje mais em
algumas de suas outras pinturas, aqui.
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| 8
de Fevereiro de 2009.
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Masturbating is not
a crime

Ainda bem, porque se
fosse, eu e você já devíamos estar
cumprindo prisão perpétua faz tempo, né,
menina?
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| 7
de Fevereiro de 2009.
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Red Hook, Brooklyn,
NYC
Fotografias de
Red Hook,
Brooklyn, tiradas por
Mimi Kirchner. Eis um excelente cenário
para constituir a moradia de um sociopata
como este que vos escreve, permeado por uma
inspiradora atmosfera expressionista de uma
suave manhã de inverno na
Big Apple.
Só faltam as putas e uma garrafa de
Zacapata Centenario.
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| 6
de Fevereiro de 2009.
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Cutting

Cutting by Rev Lower at Evolved Body Art
in Columbus, Ohio.
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Moto orgânica




Saca só os detalhes da maquininha aí em
cima, produzida na
Paul Yaffe Originals, de
Paul Yaffe, que desenvolve designs
exóticos para motos Harley-Davidson, desde
1984. O conceito acima, desenvolvido por
Paul em parceria com Keith Kasnot e
Craig Foster, levou dois anos pra ser
concluído.
O singelo mimo serviu de presente ao Dr.
Edward B. Diethrich, fundador do Arizona
Heart Institute.
Querendo babar mais um pouco no brinquedo,
fique à vontade. |
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Bike EXIF |
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| 5
de Fevereiro de 2009.
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Zica
O ano mal
começou e eu já consegui:
1) Quebrar os óculos;
2) Quebrar o computador;
3) Quebrar um dente.
Estou pensando em encomendar um ebó, porque
do jeito que as coisas estão é uma questão
de muito pouco tempo pra começar a chover
caralhos negros na minha cabeça.
|
Virgem morta
Virgem morta
Oh! make her a grave where the
sun-beams rest,
When they promise a glorious morrow!
They’ll shine o’er sleep, like a
smile from the West,
From her own lov’d island of sorrow.
TH. MOORE
Lá bem na extrema da floresta
virgem,
Onde na praia em flor o mar
suspira...
Lá onde geme a brisa do crepúsculo
E mais poesia o arrebol transpira...
Nas horas em que a tarde moribunda
As nuvens roxas desmaiando corta,
No leito mole da molhada areia
Deitem o corpo da beleza morta.
Irmã chorosa a suspirar desfolhe
No seu dormir da laranjeira as
flores,
Vistam-na de cetim, e o véu de noiva
Lhe desdobrem da face nos palores.
Vagueie em torno, de saudosas
virgens
Errando à noite, a lamentosa
turma...
E, entre cânticos de amor e de
saudade,
Junto às ondas do mar a virgem
durma.
Às brisas da saudade soluçantes
Aí, em tarde misteriosa e bela,
Entregarei as cordas do alaúde
E irei meus sonhos prantear por ela!
Quero eu mesmo de rosa o leito
encher-lhe
E de amorosos prantos perfumá-la...
E a essência dos cânticos divinos
No túmulo da virgem derramá-la.
Que importa que ela durma descorada
E velasse o palor a cor do pejo?
Quero a delícia que o amor sonhava
Nos lábios dela pressentir num
beijo.
Desbotada coroa do poeta!
Foi ela mesma quem prendeu-te
flores!
Ungiu-as no sacrário de seu peito
Inda virgem do alento dos amores!...
Na minha fronte riu de ti, passando,
Dos sepulcros o vento peregrino...
Irei eu mesmo desfolhar-te agora
Da fronte dela no palor divino!...
E contudo eu sonhava! e pressuroso
Da esperança o licor sorvi sedento!
Ai! que tudo passou!... só resta
agora
O sorriso de um anjo macilento!
Ó minha amante, minha doce virgem,
Eu não te profanei, tu dormes pura:
No sono do mistério, qual na vida,
Podes sonhar ainda na ventura.
Bem cedo, ao menos, eu serei contigo
— Na dor do coração a morte leio...
Poderei amanhã, talvez, meus lábios
Da irmã dos anjos encostar no
seio...
E tu, vida que amei! pelos teus
vales
Com ela sonharei eternamente...
Nas noites junto ao mar e no
silêncio,
Que das notas enchi da lira
ardente!...
Dorme ali minha paz, minha
esperança,
Minha sina de amor morreu com ela,
E o gênio do poeta, lira eólia
Que tremia ao alento da donzela!
Qu'esperanças, meu Deus! E o mundo
agora
Se inunda em tanto sol no céu da
tarde!
Acorda, coração!... Mas no meu peito
Lábio de morte murmurou: — É tarde!
É tarde! e quando o peito estremecia
Sentir-me abandonado e
moribundo!?...
É tarde! é tarde! ó ilusões da vida,
Morreu com ela da esperança o
mundo!...
No leito virginal de minha noiva
Quero, nas sombras do verão da vida,
Prantear os meus únicos amores,
Das minhas noites a visão perdida...
Quero ali, ao luar, sentir passando
Por alta noite a viração marinha,
E ouvir, bem junto às flores do
sepulcro,
Os sonhos de su'alma inocentinha.
E quando a mágoa devorar meu
peito...
E quando eu morra de esperar por
ela...
Deixai que eu durma ali e que
descanse,
Na morte ao menos, sobre o seio
dela!
Álvares de Azevedo
Poema agrupado posteriormente e
publicado em Lira dos Vinte Anos |
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| 4
de Fevereiro de 2009.
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Kate Clark
Kate Clark vive em Nova York e mantém
seu estúdio no Brooklyn, de onde saem
trabalhos como esses que você viu aí em
cima. Essas obras, que unem partes
verdadeiras de animais a manipulações de
cabeças humanas artificiais realmente acabam
de entrar pra galeria das coisas que me
causam incômodo, o que, segundo meu
julgamento, significa que algo é muito foda.
Como seu próprio site diz, o trabalho de
Clark pode ser conectado a um nível
primitivo, onde humanos derivam de uma
ferocidade animalesca.
O pior é que eu também concordo com essa
idéia e talvez por isso, essas obras de fato
me provoquem tanto, afinal de contas, o que
mais assusta não são as partes animais, são
as faces humanas.
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My fuckin'God

Querido Deus,
Eu prometo que, se algum dia, ao abrir a
minha geladeira, me deparar com uma surpresa
dessas, mudo a minha cama pra cozinha.
Jack Sk.
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| 3
de Fevereiro de 2009.
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| 2
de Fevereiro de 2009.
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efeito estufa
Eu odeio
calor. Hoje eu me fodi o dia todo, suando
como um queijo numa prateleira sem
refrigeração em um boteco qualquer de quinta
categoria na periferia de Aracaju. Eu seria
muito mais feliz se o clima do Brasil fosse
mais parecido com o da Islândia.
Graças a esse motivo, hoje estarei em greve
no blog. Vou tirar a noite pra assistir aos
primeiros episódios da nona temporada de
CSI, na AXN e da quinta temporada de
Grey's Anatomy, na Sony.
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| 1º
de Fevereiro de 2009.
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Hildinha Hilstzinha
Filó, a fadinha lésbica
Ela era gorda e miúda.
Tinha pezinhos redondos.
A cona era peluda
Igual à mão de um mono.
Alegrinha e vivaz
Feito andorinha
Às tardes vestia-se
Como um rapaz
Para enganar mocinhas.
Chamavam-lhe "Filó, a lésbica
fadinha".
Em tudo que tocava
Deixava sua marca registrada:
Uma estrelinha cor de maravilha
Fúcsia, bordô
Ninguém sabia o nome daquela cô.
Metia o dedo
Em todas as xerecas: loiras, pretas
Dizia-se até...
Que escarafunchava bonecas.
Bulia, beliscava
Como quem sabia
O que um dedo faz
Desde que nascia.
Mas à noite... quando dormia...
Peidava, rugia... e...
Nascia-lhe um bastão grosso
De início igual a um caroço
Depois...
Ia estufando, crescendo
E virava um troço
Lilás
Fúcsia
Bordô
Ninguém sabia a cô do troço
Da Fadinha Filô.
Faziam fila na Vila.
Falada "Vila do Troço".
Famosa nas Oropa
Oiapoc ao Chuí
Todo mundo tomava
Um bastão no oiti.
Era um gozo gozoso
Trevoso, gostoso
Um arrepião nos meio!
Mocinhas, marmanjões
Ressecadas velhinhas
Todo mundo gemia e chorava
De pura alegria
Na Vila do Troço.
Até que um belo dia...
Um cara troncudão
Com focinho de tira
De beiço bordô, fúcsia ou maravilha
(ninguém sabia o nome daquela cô)
Seqüestrou Fadinha
E foi morar na Ilha.
Nem barco, nem ponte
O troncudão nadando feito
rinoceronte
Carregava Fadinha.
De pernas abertas
Nas costas do gigante
Pela primeira vez
Na sua vidinha
Filó estrebuchava
Revirando os óinho
Enquanto veloz veloz
O troncudão nadava.
A Vila do Troço
Ficou triste, vazia
Sorumbática, tétrica
Pois nunca mais se viu
Filó, a Fadinha lésbica
Que à noite virava fera
E peidava e rugia
E nascia-lhe um troço
Fúcsia
Lilás
Maravilha
Bordô
Até hoje ninguém conhece
O nome daquela cô.
E nunca mais se viu
Alguém-Fantasia
Que deixava uma estrela
Em tudo que tocava
E um rombo na bunda
De quem se apaixonava.
Moral da estória, em relação à
Fadinha:
Quando menos se espera, tudo
reverbera.
Moral da estória, em relação ao
morador
da Vila do Troço:
Não acredite em Fadinhas.
Muito menos com cacete.
Ou somem feito andorinhas
Ou te deixam cacoetes.
Hilda Hilst
in Bufólicas, 1992 |
|
Hilda Hilst era foda. Não sei
porque cargas d'água, mas as coisas
que ela escrevia me causam um misto
de incômodo e repulsa com admiração
e acessos de gargalhadas. Poucas
pessoas conseguem fazer isso comigo.
Além do mais, escrever algo como o
Caderno Rosa de Lori Lamby e
deixar os outros lerem, realmente,
não é pra qualquer um, há de se ter
muito culhão pra tanto. É que
ninguém espera que um ser humano são possa
conceber uma garotinha de oito anos
capaz de dizer coisas como esta aqui, ó: |
|
"Papi não está mais
triste não, ele está é
diferente, acho que é
porque ele está
escrevendo a tal
bananeira, quero dizer a
bandalheira que o Lalau
quer. Eu tenho que
continuar a minha
história e vou pedir
depois pro tio Lalau se
ele não quer pôr o meu
caderno na máquina dele,
pra ficar livro mesmo.
Eu contei pro papi que
gosto muito de ser
lambida, mas parece que
ele nem me escutou, e se
eu pudesse eu ficava
muito tempo na minha
caminha com as pernas
abertas mas parece que
não pode porque faz mal,
e porque tem isso da
hora. É só uma hora,
quando é mais, a gente
ganha mais dinheiro, mas
não é todo mundo que tem
tanto dinheiro assim pra
lamber. O moço falou que
quando ele voltar vai
trazer umas meias
furadinhas pretas pra eu
botar. Eu pedi pra ele
trazer meias cor-de-rosa
porque eu gosto muito de
cor-de-rosa e se ele
trazer eu disse que vou
lamber o piupiu dele
bastante tempo, mesmo
sem chocolate. Ele disse
que eu era uma putinha
muito linda. Ele quis
também que eu voltasse
pra cama outra vez, mas
já tinha passado uma
hora e tem uma campainha
quando a gente fica mais
de uma hora no quarto.
Aí ele só pediu pra dar
um beijo no meu
buraquinho lá atrás, eu
deixei, ele pôs a língua
no meu buraquinho e eu
não queria que ele
tirasse a língua, mas a
campainha tocou de novo.
E depois quando ele
saiu, eu ouvi uma briga,
mas ele disse que ia
pagar de um jeito bom,
ele usou uma palavra que
eu depois perguntei pra
mamãe e mami disse que
essa palavra que eu
perguntei é regiamente.
Então regiamente, ele
disse. Eu ouvi mami
dizer que esse verão bem
que a gente podia ir pra
praia, mas eu fico
triste porque não vamos
ter as pessoas pra eu
chupar como sorvete e me
lamber como gato se
lambe. Por que será que
ninguém descobriu pra
todo mundo ser lambido e
todo mundo ia ficar com
dinheiro pra comprar
tudo o que eu vejo, e
todos também iam comprar
tudo, porque todo mundo
só pensa em comprar
tudo. Os meus amiguinhos
lá da escola falam
sempre dos papi e das
mami deles que foram
fazer compras, e eu
então acho que eles são
lambidos todo dia. É
mais gostoso ser lambido
que lamber, aquele dia
que eu lambi o piupiu de
chocolate do homem foi
gostoso mas acho que é
porque tinha chocolate.
Sem chocolate eu ainda
não lambi ele."
Trecho de O Caderno
Rosa de Lori Lamby,
de Hilda Hilst, 1990 |
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Pois sim, o livro trata exatamente disso
que parece tratar: a vida de Lori Lamby, uma
garotinha de oito anos que relata
suas aventuras sexuais com adultos
em seu diário. Sou obrigado a
admitir que uma dessas nem eu
conseguiria colocar no papel, quanto
mais, publicar. Mas pra uma mulher
que viveu a vida como
Hilda Hilst viveu a dela,
fazendo Dercy Gonçalves parecer uma
beata moralista e capaz de fazer
corar a mais vagabunda das
prostitutas da Rua Augusta, dar vida
aos pensamentos de uma
cordeirinha a la Lori, deve ter
sido algo básico.
Na minha humilde opinião de
psicopata e desequilibrado social,
Hilda era genial. Vale a pena
conhecer a obra dessa mulher.
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.Posts
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Hilda Hilst |
(In)utilidades internérdicas
Acabo de
colocar mais algumas coisas no leiaute.
Típica coisa de quem não tem mais o que
fazer mesmo. Agora meus três ou quatro
leitores podem perder mais alguns segundos
de suas preciosas vidas espiando os novos
detalhes que não têm função nenhuma, além de
entupir suas conexões com mais uma imagem.
Ah, agora também tem uma banana dançante, ao
lado da música que eu estou ouvindo no
momento em que eu escrevo cada post. Espero
que vocês gostem dela e quem não gostar,
pode enfiá-la no rabo.
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Toda a
proposta deste blog está resumida em seu título e
subtítulo: "Blood Pack
- sobre a arte de reciclar seu
próprio sangue". Se você não entendeu o
que isso significa, é provável que não entenda mais
nada do que acontece por aqui. Aliás, se você não
entendeu isso, é bastante provável também que nem
esteja lendo esta nota, afinal de contas, quem lê as
letras miúdas nos contratos, não é mesmo? |
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Blood
Pack é escrito e produzido por
Jack Skellington. Você pode reproduzir os meus textos
onde quiser, mas cite a fonte. Se você gostou do que
leu aqui, escreva um e-mail
comentando, pra gente conversar. Se não gostou, nem perca
tempo tentando me azucrinar, pois eu não vou estar nem
aí pra tua crítica. Se curtiu o blog, indique-o para os
seus inimigos. Se não curtiu, vá tomar no cu e não volte
mais aqui, que você ganha mais. |
|
Since September 17, 2007
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