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Sony
World Photography Awards
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Tamany Baker, Sony World
Photography Awards - Cannes 2009,
Categoria Profissional Conceito e
Construção
Tamany
Baker/Sony World Photography Awards
- Fonte:
UOL
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La
dissection des parties du corps humain

La dissection des parties du corps humain,
de Charles Estienne & Étienne de la Rivière,
Paris, 1546, Xilogravura,
National Library of Medicine - EUA
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Enterro
Celestial
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"Kejun
e eu nos conhecemos quando ele tinha
vinte e cinco anos, e eu, vinte e
dois. Quando o vi pela primeira vez,
ele ajudava o professor como
assistente de laboratório, numa aula
de dissecação. Eu nunca tinha visto
seccionarem um corpo humano, e me
escondi atrás dos colegas como um
bicho assustado, nervosa demais até
para olhar para o cadáver branco
mergulhado no formol. Kejun ficou me
observando e sorrindo. Pareceu
entender o que eu sentia e se
solidarizar comigo. Mais tarde,
naquele mesmo dia, veio me procurar.
Emprestou-me um livro com diagramas
anatômicos coloridos. Disse que eu
venceria o medo se primeiro os
estudasse. Estava certo. Depois de
ler o livro várias vezes, achei a
aula seguinte de dissecação muito
mais fácil. A partir de então, Kejun
respondia pacientemente a todas as
minhas questões. E logo se tornou
mais que um irmão mais velho ou um
professor para mim. Eu me apaixonei
por ele."
Trecho de Enterro Celestial,
de Xinran |
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Bjørg
Jewellery
Há algum tempo eu não via um site com uma
fotografia tão foda quanto o da
Bjørg Jewellery, que produz jóias
a la este blog.
Dá uma viajada
por lá e depois me diz se eu não tenho
razão.
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O
design de Hiroshi Tsunoda
Inspirado na
tradição nipo-fetichista
Nyotaimori (女体盛り),
o designer Hiroshi Tsunoda criou três peças
de cerâmica para jantares japoneses que
juntas, formam um corpo feminino que assume
uma aparência completamente diferente quando
ocupado pelos elementos culinários. Pra quem
gosta, existe também uma versão masculina da
proposta.
Você pode comprar a arte utilitária de
Hiroshi Tsunoda na
DesignCode.
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Rainer
Maria Rilke
A Morte do Poeta
Ali jazia. Sobre o travesseiro
erguido
era de rejeição seu pálido
semblante,
desde que o mundo, e o que dele
conhecera antes
de arrancado dos seus sentidos,
retornou ao ano desinteressante.
Os que o viam viver nem devem ter
suposto
o quanto ele era um só com tudo
isto, com estes
prados, estas baixadas, estas águas:
destes
era feito, eles eram o seu próprio
rosto.
Oh o seu rosto tinha toda esta
largura
que ainda o quer, que ainda o anda a
procurar,
e sua máscara de morte, ansiosa,
alvar,
também é tenra e aberta como a
carnadura
de uma fruta qualquer que
apodrecesse ao ar.
Rainer Maria Rilke
Traduzido por José Paulo Paes |
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Victor
Hugo
O Tumulo e a Rosa
Falando o tumulo á rosa:
"Flor dos amores (dizia),
Que fazes tu desses prantos,
De que a aurora te rocia?"
Responde ao tumulo a rosa:
- "Que fazes de quanto cae
Em teo bojo, sempre aberto,
E nelle sumir-se vae?"
E a rosa: "Tumulo escuro,
Desses prantos da alvorada,
De ambar e mel formo, á sombra,
Uma essencia perfumada."
E o tumulo: - "Oh! flor mimosa!
O corpo, que em mim cahio,
É crysalida, despida
Por anjo, que ao ceo subio."
Victor Hugo
Traduzido por João Cardoso de
Menezes e Souza, Barão de
Paranapiacaba
Obs: foi mantida a grafia da
época da tradução original |
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Edward
Gorey
O ilustrador e
escritor norte-americano
Edward St. John Gorey foi provavelmente
o mais macabro artista de seu gênero. Tendo
influenciado diretamente o trabalho de
Tim Burton, sua obra foi também
referência para diversos artistas, entre
eles
Mark Romanek, do
Nine Inch Nails (em
The Perfect Drug)
e o compositor de jazz
Michael Mantler.
Pra variar, também é
referenciado
no episódio 392 de
The Simpsons --
Yokel Chords -- , quando Bart narra
um conto sobre o velho Dark Stanley, que
cozinhava crianças da escola. A seqüência
que se segue durante a narração de
Bart é uma explícita homenagem ao estilo
macabro das ilustrações de
Gorey.
Embora tenha publicado mais de 100 títulos
(quase todos anagramas de seu nome), a
maioria deles é praticamente impossível de
ser encontrada por reles mortais como eu e
você, simplesmente porque, tal e qual seus
desenhos, seus lançamentos ocorreram na
escuridão da publicidade. Por isso, vou
postar, a partir de hoje, a sequência
alfabética da única obra dele que eu conheço
inteira,
The
Gashlycrumb tinies:
Perturbador, né não? Em breve, mais sobre
esta obra do tio
Gorey.
|
Cu
E lá se foi a
porra do meu final de semana. Dois dias
seguidos acordando voluntariamente às 7h da
matina, por pura e simplesmente falta de
sono. Isso é decididamente uma voadora nas
bolas.
A partir desta segunda, com a mais absoluta
certeza, voltarei a sentir um puta sono de
manhã.
Cu.
|
|
 |
Super
GIG 20 X Marine Band

Definitivamente a
Super GIG 20 da
Hering não vale o trocado que custa. É
só você entrar numas de fazê-la trabalhar de
verdade pra que ela abra as pernas mais do
que puta velha sem clientes. Isso me faz ter
algumas dúvidas quanto ao fato de a má
qualidade do instrumento ser exclusiva do
modelo em questão ou um problema geral de
marca mesmo. Honestamente não conheço as
outras gaitas da Hering pra afirmar qualquer
coisa. É por esse motivo que agora eu só vou
comprar da
Marine Band, fabricada pela
Hohner.
A
Super GIG 20 custa 20 vezes menos, mas
em compensação a
Marine Band dura 30 vezes mais, além de
ter um som mais suave, que na minha opinião
é perfeito pra um blues sem-vergonha, assim,
que nem os que eu toco quando o meu saco
está cheio e o mundo conspira ao meu redor.
Se você também curte colocar uma gaita pra
funcionar de vez em quando, fica a dica da
Marine Band.
|
Pneumotórax
|
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispnéia e
suores noturnos. A vida inteira
que podia ter sido e que não
foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e
três... trinta e três...
- Respire.
....................................................................................
- O senhor tem uma escavação no
pulmão esquerdo e o
[pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível
tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é
tocar um tango argentino.
in Libertinagem, de
Manuel Bandeira, 1930 |
|
O
Pulso
O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa...
Peste bubônica
Câncer, pneumonia
Raiva, rubéola
Tuberculose e anemia
Rancor, cisticircose
Caxumba, difteria
Encefalite, faringite
Gripe e leucemia...
E o pulso ainda pulsa
E o pulso ainda pulsa
Hepatite, escarlatina
Estupidez, paralisia
Toxoplasmose, sarampo
Esquizofrenia
Úlcera, trombose
Coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes
Asma, cleptomania...
E o corpo ainda é pouco
E o corpo ainda é pouco
Assim...
Reumatismo, raquitismo
Cistite, disritmia
Hérnia, pediculose
Tétano, hipocrisia
Brucelose, febre tifóide
Arteriosclerose, miopia
Catapora, culpa, cárie
Câimba, lepra, afasia...
O pulso ainda pulsa
E o corpo ainda é pouco
Ainda pulsa
Ainda é pouco
Pulso (4x)
Assim...
Titãs
Composição: Arnaldo Antunes |
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 |
Os
Cantos de Ezra Pound


Os Cantos é provavelmente a obra
mais conhecida do maluco de plantão
Ezra Pound, que conta com algo em torno
de meros cinco mil versos. Se você não
estiver preparado emocionalmente para
mergulhar no universo paranóico de
Pound, é provável que veja em sua obra
máxima o exato instante em que um
esquizofrênico rompe seu último contato com
a realidade, narrado pelo próprio
esquizofrênico.
A estrutura épica de
Os Cantos intercala citações em
diversos idiomas, pensamentos entrecortados
e ideias que se ligam e se perdem a todo
instante, como se
Ezra Pound houvesse redigido cada linha
na mesma velocidade em que sua mente
processava as palavras. Há quem veja em
Os Cantos uma consciente e feroz
crítica social, mas eu, honestamente,
enxergo seus versos de uma maneira muito
mais literal, no sentido de quem vomita as
próprias vísceras e tenta dizer isso
enquanto vê seu rim escapando-lhe da boca.
Eu costumo achar que
Pound não é pra qualquer um e sempre me
pergunto se ele mesmo, em algum momento,
tentou ser algo para alguém.
Parece louco, mas eu tenho vontade de tentar escrever algo
assim, nesse mesmo estilo, qualquer hora. |
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Ezra Pound |
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Mihai
Eminescu, por Jack Sk.
Para exercitar meus estudos linguisticos e
sair um pouco da inércia mental que anda se
estabelecendo em minha mente perturbada,
resolvi traduzir um poema de
Mihai Eminescu, um poeta de quem eu
gosto bastante e de quem eu nunca citei nada
por aqui.
Eminescu é considerado o poeta nacional
da Romênia, portanto, obviamente, o texto
original foi escrito em romeno.
O poema escolhido foi
Peste vârfuri, pois seus versos
evocam uma atmosfera deveras familiar a este
obscuro sítio vermelho da web.
As prioridades desta tradução foram, em
primeiro lugar, preservar a estrutura das
rimas -- ABBA, externa, interpolada
--, a sonoridade do tipo perfeita,
caracterizada pela exatidão dos sons finais
e pela paridade entre as últimas vogais e
consoantes, e em segundo lugar, sustentar a
ideia chave do poema e as sensações
evocadas pelo uso específico do vocabulário1.
O resultado tá aí. Espero que vocês curtam.
|
Mihai
Eminescu, poeta nacional da
Romênia,
traduzido por
Jack Sk. |
|
Peste
vârfuri
Peste vârfuri trece lună,
Codru-şi bate frunza lin,
Dintre ramuri de arin
Melancolic cornul sună.
Mai departe, mai departe,
Mai încet, tot mai încet,
Sufletu-mi nemângâiet
Îndulcind cu dor de moarte.
De ce taci, când fermecată
Inima-mi spre tine-ntorn?
Mai suna-vei, dulce corn,
Pentru mine vre odată?
Mihai Eminescu |
Sobre os cumes
Sobre os cumes passa a lua,
Palpita o bosque inteiro,
Entre ramos de amieiro
A trompa triste soa, nua.
Mais distante, mais distante,
Mais suave, mais suave
Em minh'alma, inunda grave
A doce morte, dominante
Por que paras, se meu eu,
mágico, te busca e não encontra?
Ouvirei, de novo doce trompa,
O som de seu bronteu?
Mihai Eminescu |
[1] Como
no caso de cornul, que remete à
ideia de uma corneta de chifre de uso
típico em caçadas e traduzido como
trompa ou na segunda linha da
primeira estrofe, que cita literalmente
o leve barulho das folhas agitando-se no
bosque, onde optei por omitir a palavra
frunza -- folha -- em detrimento
da ideia do barulho natural do bosque
palpitando. Da mesma forma, a
tentativa se estende à indagação final,
na última estrofe, onde Mihail se
pergunta quando voltará a ouvir o som da
trompa, à qual eu anexei a ideia do
bronteu -- um vaso de bronze, que
nos palcos de teatro da antiga Grécia,
recebia uma função na sonoplastia,
simulando o som de trovões quando pedras
eram manipuladas em seu interior --
remetendo novamente à ideia de um som
que evoca melancolia, como é descrito na
quarta linha da primeira estrofe com a
palavra melancolic, traduzida, na
ocasião, como triste.
Leia outras traduções minhas para outros
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Guillermo
Arriaga
O roteirista de "Amores
Brutos", "21
Gramas", "Babel"
e "Os
Três Enterros de Melquíades Estrada",
Guillermo Arriaga, é também escritor de
ficção. Suas obras frequentemente parecem
expor a questão da morte sob um ou outro
aspecto.
Entre seus títulos traduzidos para o português, está "Um
Doce Aroma de Morte", que conta a
história de Adela, uma adolescente cujo
cadáver esfaqueado e nu é encontrado à beira
de um rio em Loma Grande por Ramón, o dono
de uma venda no povoado. Outro livro do
mexicano Guillermo editado no Brasil é "O
Esquadrão Guilhotina" que gira em torno
da história do Dr. Feliciano Velasco y
Borbolla de la Fuente, um comerciante
formado em Direito que, de uma hora para
outra, vê-se intimamente ligado à Revolução
Mexicana por conta de seu trabalho, que
proporcionara uma melhoria à guilhotina.
Se você não conhece o trabalho de Arriaga,
alugue um de seus filmes ou sei lá, pelo
menos leia um pedaço de alguma coisa que ele
tenha escrito. Pode apostar que você não vai
se arrepender.
|
"Velasco suspirou fundo e
satisfeito quando divisou ao
longe a presença magnífica de
sua criação. A guilhotina se
erguia imponente sobre os homens
e as mulheres que a rodeavam
admirados, perplexos. Velasco a
sentiu como uma representação
divina, símbolo universal da
morte, à qual seus súditos
faziam reverência. É verdade, a
guilhotina não tinha sido, muito
a seu pesar, um invento seu, mas
lhe dera em definitivo uma
inesperada dimensão, outra
participação no processo
histórico. A guilhotina aparecia
na Revolução como mais natural,
mais afeita à índole dos
mexicanos que à dos franceses.
'Não há nada que a iguale ou a
supere', pensou Feliciano. 'É
sublime, é mágica.'"
Trecho de O Esquadrão
Guilhotina,
de Guillermo Arriaga
Traduzido por Carla Branco
(Baixe
o primeiro capítulo do livro em
PDF)

"Os pêsames repentinos, os
olhares ambíguos, as tímidas
condolências, as perguntas
impertinentes criaram em Ramón
uma certeza: o que se dizia de
sua relação com Adela já não era
um brincadeira ou um boato, mas
uma verdade nova e definitiva
que crescia minuto a minuto e
que lhe era cada vez mais
difícil desmentir. Adela se
transformava para ele numa
armadilha e num mistério. A
lembrança que ele tinha da moça
se tornou confusa. Uma após a
outra, as imagens se sucediam:
Adela vestida com uma blusa
branca e uma saia amarela
comprando salsa na venda; Adela
enveredando pelas ruas do
povoado.
Adela nua, estirada, silenciosa no silêncio de uma plantação
de sorgo. Adela filha
assassinada, Adelada encharcada
em sangue, Adela encharcando-o
com seu sangue. Adela refletida
no rosto do seu pai, na dor de
sua mãe. Adela, Adela, Adela.
Aquele aroma, aquele corpo que
ele havia estreitado. Adela, o
temor a Adela, o amor a Adela,
Quem era Adela?"
Trecho de Um Doce Aroma de
Morte,
de Guillermo Arriaga
Traduzido por Joana Angélica d'Avila
Melo
(Baixe
o primeiro capítulo em PDF)
|
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|
 |
Paul
Verlaine
Pesadelo
No meu sonho, vi passar,
com a rapidez de um olhar,
como um relâmpago no ar
ou pedra em despenhadeiro,
o
cavaleiro
das baladas alemãs,
em fugas loucas e vãs,
agarrado às hirtas lãs
desse que vai num arranco,
cavalo
branco.
Como a encarnação do mal,
o cavaleiro fatal,
ventando no vendaval,
avança, riscando a espora,
mundo
em fora.
Sua pupila reluz
e apaga-se, como a luz
azul, de reflexos crus,
que lança e relança a espada
desembainhada.
No feltro uma pluma traz,
atirada para trás.
E na vertigem revolta,
a
capa solta,
voa, de cá para lá,
enquanto na noite má,
rebrilham, num hah! hah! hah!
de risadas estridentes,
trinta
e dois dentes.
Paul Verlaine
Traduzido por Dante Milano |
|
Ryūnosuke
Akutagawa
|
"Sim, Senhor Comissário, é
verdade. Quem encontrou o
cadáver fui eu mesmo. Esta
manhã, como de costume, fui
cortar cedro na montanha do
outro lado. Nisso, encontrei
aquele cadáver dentro do bosque,
no sopé da montanha. Onde foi
exatamente que eu encontrei? A
cerca de quinhentos metros da
estrada Yamanashi. Num lugar
ermo, onde cedros finos se
misturam aos bambus.
O cadáver estava deitado de costas, vestia um quimono de seda
azul e trazia um chapéu
pregueado à moda da capital.
Via-se um só golpe de espada,
mas, como era muito fundo e bem
no meio do peito, as folhas
secas de bambu ao redor do
cadáver pareciam tingidas de
vermelho. Não, Senhor
Comissário, não corria mais
sangue. Pareceu-me que a ferida
havia secado. Lembro-me bem de
que havia uma mosca lambendo o
sangue e não deu mostras de
perceber meus passos.
Pergunta-me o senhor se não vi uma espada ou qualquer outra
coisa? Não, senhor, não havia
nada. Só um pedaço de corda
jogado ao pé do cedro. Depois…
Ah, ia-me esquecendo! Além da
corda, havia um pente. Foi tudo
o que encontrei à volta do
corpo. Mas, como as plantas e as
folhas de bambu caídas ao redor
do cadáver estavam muito
pisadas, não há dúvidas de que o
homem, antes de ser assassinado,
resistiu bravamente. Como? Se eu
não vi nenhum cavalo? É um lugar
inacessível a cavalos. Há uma
mata densa separando o local do
caminho por onde eles passam..."
Trecho inicial do conto
Dentro de um bosque,
Depoimento de um lenhador
interrogado pelo alto comissário
de polícia,
de
Ryūnosuke Akutagawa,
in revista japonesa
mensal Shinchō, 1922
|
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 |
La
Coquine Doudou
Laura Lorenza, la coquine doudou, é
essa maravilhosa francesinha amadora e
ninfomaníaca de vinte e poucos anos que,
quando indagada a respeito de sua posição
sexual favorita, responde sem medo
levrette en anal et sur l’homme en vaginal,
j’aime les doubles pénétrations, como
toda boa Wonder Woman du sexe que
levou a cabo a proeza de trepar com 70
homens numa mesma noite. Tudo isso sem
contar seu belo rostinho de
vagabunda pistoleira
puta safadinha e seu corpo
de cavala, dessas na qual a gente monta e
não quer mais sair de cima.
Gostou da Laurinha? Acesse
seu site e também
tudo o mais onde a menina é citada no
Google.
|
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 |
Susy
Oliveira

Conheça outras esculturas bizarramente
angulosas de Susy Oliveira em
seu site!
|
|
 |
Secretary
& Hybrid Medical Animation
Hoje eu estou em coma criativo. O motivo é o
atual clima paulistano, que até então era
restrito a locais indubitavelmente
agradáveis como
Chade,
Líbia e o
Vale da Morte. Como eu não estou a fim
de escrever nada, seguem duas dicas
razoavelmente decentes:
 |
Secretary (2002): A
história gira em torno da
relação sadomasoquista que se
instaura entre Lee Holloway (Maggie
Gyllenhaal), que assume o cargo
de secretária no escritório de
advocacia de E. Edward Grey
(James Spader) após receber alta
de um hospital psiquiátrico onde
tratava seu
transtorno de personalidade
borderline. O roteiro de
Erin Cressida Wilson é
explicitamente baseado no conto
homônimo de Mary Gaitskill, pu-
blicado em
Bad Behavior
e prima pela forma como caminha
entre o erótico e o cômico sem
constrangimentos.
Você pode
baixar o filme dublado em
por- tuguês aqui, no
Megarotic. Se você não tiver
nenhum player decente pra rodar
a bagaça, baixe o
GOM Player. |
|
O
filme ganhou, entre outras
coisas, o
Independent Spirit Awards
de Melhor Roteiro de Estréia e o
Prêmio Especial do Júri na
categoria Drama, no
Sundance Film Festival. |
|
|
Pronto. Agora
sim vocês podem perder um tempo com alguma
coisa realmente interessante.
|
|
 |
Chow
Martin
I
draw.
I paint.
Life is good.
É com essas palavras que o
Chow Martin define a si mesmo.
Chow tem uma grande habilidade em
produzir desenhos onde as figuras que
retrata apresentam músculos bem delineados
que ocupam papel de destaque em sua arte,
estabelecendo no conjunto uma aura
perturbadora.
O trampo do cara é claro, limpo e objetivo,
como é fácil perceber olhando a ilustração
abaixo:

**Trust
The Panda**, por Chow Martin, 2008
|
|
 |
Histórias
Fabulosas Blood Pack

por Jack Sk.
|
 |
ra uma vez um
homem bem bobão. Ele era tão bobão, mas tão bobão, que nenhuma mulher
havia tido coragem de fazer sexo com |
| ele. O homem bem bobão era mais virgem do
que o Chico Xavier, e |
graças a esse infortúnio da virtude, ficava
irritado, o que fazia com que ele se dedicasse a futucar e a tratar mal as
pessoas, como se o cosmos conspirasse contra si e o mundo fosse
responsável por seus insucessos. Tudo o que ele mais desejava, no fundo,
era que toda a humanidade se fodesse de verde e amarelo, apenas porque
ele, o homem bem bobão, não obtinha êxito em estar perto de uma vagina.
Ele sonhava em poder sentir a umidade e o aroma do sexo feminino tão
perto quanto fosse possível, mas tudo o que ele conseguia era
cheirar uma ou outra perereca fedorenta sem querer, quando apanhava algum
ônibus lotado.
|
|
 |
le passava
noites a sonhar com o dia em que finalmente conseguiria viver perto de uma
bocetinha. Pensava tanto nisso que no dia |
| de seu aniversário de
trinta e tantos anos, desejou em pensa- |
mento, ao apagar a velinha: na próxima vida reencarnaria nas
condições necessárias para viver o mais perto possível de uma bela e
formosa vagina.
|
|
 |
aquela mesma
noite o homem bem bobão recebeu a visita de um anjo. Ele dizia, entre
nuvens e empunhando uma espada de fogo, |
| que o Senhor ouvira seu pedido e, após
analisar atentamente sua |
vida, decidira enviar o soldado celestial para comunicar
ao homem bem bobão que este realmente merecia, em virtude de sua conduta
imutável, reencarnar tão perto de uma xereca quanto fosse possível.
|
|
 |
homem bem
bobão mal teve tempo de esboçar um sorriso e o anjo sumiu de suas
vistas, deixando-o atônito e repleto de uma felicida- |
| de nunca antes experimentada.
Ele finalmente tinha a certeza de |
que um dia, dentro das esferas da eternidade, estaria,
como sempre desejou, pertinho-pertinho de uma vagina.
|
|
 |
não importava
como isso aconteceria. Poderia reencarnar em um médico ginecologista, em
algum cafetão, algum Dom Juan, algum |
| milionário, algum ator pornô ou até mesmo
quem sabe, num momento |
de extrema bondade, Deus poderia olhar seu
sofrimento terreno nesta vida e mandá-lo de volta como um herdeiro
legítimo de Larry Flint. Assim, fora toda aquela mulherada, o homem bem bobão
também seria podre de rico. Mas nesse caso, o melhor mesmo é que além
de tudo ele seria famoso: assim o mundo inteiro, que sempre chacoteou seu
azar com o sexo oposto, teria que engoli-lo sem manteiga. O planeta todo
saberia que o homem bem bobão agora era o maior comedor da paróquia.
Isso aliviava sua dor e lhe dava ânimo para seguir sua vida e encarar de
frente o fato de que morreria virgem, sem nunca ter visto uma bocetinha
nesta vida.
|
|
 |
ntão, numa
bela manhã de sol, o homem bem bobão, de tanto desejar essa outra vida,
decidiu se matar, para acelerar o processo |
| de
reencarnação. Passou a mão numa faca de
Rocambole Pullman |
e sentou-se na janela de seu apartamento. Olhou pela última vez
aquela sala vazia, amaldiçoou cada pessoa da Terra, fechou os olhos,
pensou na boceta mais linda que podia e mandou ver na barriga. Com a faca
plástica enterrada em sua pança flácida, o homem bem bobão despencou
feito uma banana podre por dezesseis longos andares, até estatelar-se na
calçada em frente ao prédio, num baque surdo toado de estrelas.
|
|
 |
ma multidão
ajuntou-se ao redor do corpo inerte do homem bem bobão, que permanecia
esquálido, tal e qual uma escultura cubista, |
| emoldurado pelos paralelepípedos
banhados de vermelho. A imagem
|
sem vida chamava cada vez mais gente, e todo mundo
se perguntava porque diabos aquele infame desconhecido chovera de maneira tão
bizarra num dia tão lindo. Os pássaros cantavam a morte do homem bem
bobão e o rabecão do IML estacionava devagar, ao mesmo tempo em que as
atenções se voltavam aos peritos, que agora estudavam uma forma de
retirar dali aquele saco humano de ossos quebrados, sem nenhuma conexão
entre si.
|
|
 |
nquanto isso,
o homem bem bobão renascia sob sua nova forma em algum ponto distante da
Índia continental. Finalmente levando sua |
| vida próximo demais de uma vagina, tudo
o que o homem bem bobão |
fazia, novamente, era praguejar e amaldiçoar o
universo e as leis da natureza. Todo aquele aroma, todo aquele suor
feminino que vertia entre aquelas coxas volumosas, toda aquela umidade e
todo aquele desejo latente daquele corpo que o recebia, agora era nada. O
homem bem bobão, defini- tivamente, não estava contente.
|
|
 |
ealmente,
aquela sua nova vida de Trichomonas vaginalis não era a coisa mais
excitante do mundo...
|
 |
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Maria e o Professor |
Samar
Samar, a.k.a.
bad_bunny.
Mais dela em seu
MySpace e em seu perfil no
BMEzine.
|
|
 |
80's

Saudades da época em que a gente ligava o
rádio e ouvia Police, Pil,
Dead Kennedys, A-ha, The
Pretenders, U2, Joy Division,
New Order, The Smiths, Echo & the
Bunnymen, Bauhaus, Hüsker Dü,
Siouxsie and Banshees, B-52,
Oingo Boingo, Sigue Sigue Sputnik,
Bruce Springsteen, Depeche Mode,
Rick Astley, Tears for Fears,
The Cult, Erasure, Sonic Youth,
Information Society,
Pet Shop Boys, 10.000 Maniacs,
Talking Heads, Pixies,The
Human League, Dire Straits,
Cindy Lauper, Culture Club,
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Inocentes, Garotos Podres,
Ultraje à Rigor, Hanoi Hanoi,
Paralamas do Sucesso, Nenhum de Nós,
Kid Abelha, Titãs, Lobão,
Ira!, Dead Fish...
Saudades da época em que a gente era feliz e
nem sabia.
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Lá
vâmo nóis di novu
Mês novo,
layout velho. O fato é que eu gostei
bastante deste desenho atual e resolvi
mantê-lo por pelo menos mais este mês. Se eu
estiver inspirado e
nossa-senhora-do-santo-design achar que eu
mereço uma luz entre uma putaria e outra,
pode ser que em abril este matadouro virtual
vislumbre no horizonte da mediocridade
bloguística com uma cara diferente.
Mas não fique feliz, o conteúdo vai
continuar sempre a mesma droga.
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Toda a
proposta deste blog está resumida em seu título e
subtítulo: "Blood Pack
- sobre a arte de reciclar seu
próprio sangue". Se você não entendeu o
que isso significa, é provável que não entenda mais
nada do que acontece por aqui. Aliás, se você não
entendeu isso, é bastante provável também que nem
esteja lendo esta nota, afinal de contas, quem lê as
letras miúdas nos contratos, não é mesmo? |
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Blood
Pack é escrito e produzido por
Jack Skellington. Você pode reproduzir os meus textos
onde quiser, mas cite a fonte. Se você gostou do que
leu aqui, escreva um e-mail
comentando, pra gente conversar. Se não gostou, nem perca
tempo tentando me azucrinar, pois eu não vou estar nem
aí pra tua crítica. Se curtiu o blog, indique-o para os
seus inimigos. Se não curtiu, vá tomar no cu e não volte
mais aqui, que você ganha mais. |
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Since September 17, 2007
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