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 25 de Maio de 2009.
  Você vê um cão rosnar quando está bravo, e abanar o rabo quando está feliz. Agora, eu rosno quando estou feliz e balanço o rabo quando estou bravo. Logo, sou louco."

Cheshire Cat, em
Alice in Wonderlands

 Anonymous Literacy Surfing by Anonymizer

      Às vezes eu me pego pensando em algumas coisas esquisitas. Hoje foi dia de elucubrar acerca do fato de que uma porrada de gente escreveu coisas muito bacanas que chegaram a virar clássicos, mas sabe-se lá porque cargas d'água, resolveram não assinar suas obras. Entre esses caras está o mano que escreveu a mitologia dos Nibelungos, uma das mais admiradas epopéias da Idade Média, por exemplo. Sabe-se o nome de vários copistas de seus manus- critos, mas não o do verdadeiro artista que trouxe à vida essa obra.

    Da mesma forma, não se sabe quem escreveu a Epopéia de Gilgamesh durante o reinado de Ashurbanipal, tida como o mais antiga obra literária da da história, as Mil e Uma Noites, os textos védicos, o romance picaresco Lazarillo de Tormes, de 1554, e hinos latinos como o assustador Dies irae --  o Dia da Ira
* -- ou Stabat mater, que descreve o sofrimento de Maria durante a cruci- ficação de Jesus. Muitas das grandes obras medievais são anônimas, assim como muitos sijôs coreanos e haikai japoneses. A célebre Rhetorica ad Herennium, obra latina do século I a.C., embora atribuída por muitos a Marcus Tullius Cicero, é reconhecidamente anônima, assim como a imensa maioria dos escritos do início da era Cristã. Em 1623, a sátira Recueil général des caquets de l’accouchée, imprimé au temps de ne plus fâcher é publicada em Paris e a identidade real de seu verdadeiro autor é ainda hoje um mistério.

    Não podemos nos esquecer também de que praticamente todas as poesias e canções folclóricas espalhadas pelo planeta também são obras de ilustres gênios desconhecidos. Pateticamente comparando, eis-me aqui, só faltando dar o cu pra ver se tenho uma ideia original e nada disso acontecer, mas ao mesmo tempo, no mundo todo muita gente teve inspirações espetaculares e entrou numas de não assinar.

    O ser humano é mesmo um bicho esquisito.


    *O hino inicia-se com os versos Dies iræ, dies illa / Solvet sæclum in favilla, / Teste David cum Sibylla! // Quantus tremor est futurus, / quando judex est venturus, / cuncta stricte discussurus! // Tuba mirum spargens sonum / per sepulcra regionum, / coget omnes ante thronum, que dizem algo como Dia da Ira, dia em que / Os séculos serão dissolvidos em cinzas, / Testemunham Davi e Sibila! // Quanto terror é futuro, / quando o Juiz vier, / para julgar a todos sem restrição! // A maravilhosa trompa, dispersa o som / pela região dos sepulcros, / convocando todos ante ao trono. Realmente, o sujeito que escreveu isso e depois leu, deve ter se assustado tanto com sua capacidade de imaginar o fim do mundo que preferiu continuar vivendo escondido.
 

 

       20h32min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Café Tacvba - Ojala Que Llueva Café
   



 

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 24 de Maio de 2009.
  O que o dinheiro faz por nós não compensa o que fazemos por ele."

 

Gustave Flaubert
Escritor francês

 Pois é...

...São Paulo é mesmo uma cidade bizarra, onde é possível estar completamente
sozinho mesmo estando no meio de um monte de gente. A tecnologia apenas
aumenta a força desse paradoxo. O frio, o céu cinzento e a sensação de um dia
que não existe de verdade, evocada pelas tardes doentes típicas de domingo, me deixam com saudades da época em que eu era feliz e não sabia. Que merda.
 

 

       16h52min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Miles Davis - Flamenco Sketches
   
 O Expressionismo Abstrato de Pollock

The Key, by Jackson Pollock, 1946
Oil on canvas, 59 x 84 inches
The Art Institute of Chicago, Illinois

The She-Wolf, by Jackson Pollock, 1943
Oil, gouache, and plaster on canvas, 41 7/8 x 67 inches
The Museum of Modern Art, New York

 

       09h37min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Vanessa Mae - Toccata And Fugue
   



 

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 23 de Maio de 2009.
  Cérebro, eu não gosto de você e você não gosta de mim, mas me ajude agora e depois eu volto a destruí-lo com cerveja."
 

Homer Simpson
em The Simpsons

 As Coisas

Fragmentos do livro As Coisas, de Arnaldo Antunes,
Editora Iluminuras, São Paulo, 1992

Projeto gráfico e capa, Arnaldo Antunes e Zaba Moreau. Ilustrado por sua filha Rosa,
então com 3 anos.  Adotado pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), Ministério
da Educação (MEC), Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FAE) e Secretaria
da Educação do Estado de São Paulo, em 1996.  Prêmio Jabuti de Poesia, em 1993.

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       15h51min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Arnaldo Antunes - Fim Do Dia
   
 Alfred du Musset

Chanson

Disse a meu peito, a meu pobre peito:
- Não te contentas co'uma só amante?
Pois tu não vês que êste mudar constante
Gasta em desejos o prazer do amor?

Êle respondeu: - Não! não me contento;
Não me contento com uma só amante.
Pois tu não vês que êste mudar constante
Empresta aos gozos um melhor sabor?

Disse a meu peito, a me pobre peito:
- Não te contentas desta dor errante?
Pois tu não vês que êste mudar constante
A cada passo só nos traz a dor?

Êle respondeu: - Não! não me contento,
Não me contento desta dor errante...
Pois tu não vês que êste mudar constante
Empresta às mágoas um melhor sabor?

Alfred du Musset
Tradução de Castro Alves

 

       12h27min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Forgotten Rebels - I Left My Heart In Iran
   
 Hélinand de Froidmont

Morte, tu me obrigas a mudar...

Morte, tu me obrigas a mudar
Nesta estufa em que meu corpo sua
Todos os excessos do século.
Tu levantas sobre todos sua clava,
Mas ninguém, no entanto, muda,
E ainda que mude, não se torna sisudo.
Morte, o prudente teme sua passagem.
Agora é ao próprio naufrágio
Que cada um se dirige.
Também eu já virei a página.
Já deixei prazeres e paixões.
Aquele que se não se enxuga para sua desgraça sua.

Hélinand de Froidmont
Tradução de Heitor Megalea

 

       11h48min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Ministry - Whip Or Chain
   



 

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 22 de Maio de 2009.
  É uma infâmia nascer para morrer não se sabe quando nem onde."

 

Clarice Lispector
Escritora brasileira

 O poder curativo da morte

    "Na verdade, há inúmeras fontes que descrevem as práticas mórbidas dos primeiros curandeiros europeus. Os romanos bebiam sangue de gladiadores como remédio contra epilepsia. Mas foi só no Renascimento que o uso de partes de cadáver na medicina se tornou mais comum. No começo, pós feitos de múmias egípcias trituradas eram vendidos como um 'elixir da vida' (...). No início do século 17, curandeiros voltaram sua atenção para os restos mortais de pessoas que haviam sido executadas ou até cadáveres de mendigos e leprosos.

    Paracelso, o médico germano-suíço, foi um dos defensores mais veementes do uso de corpos, que acabou ganhando popularidade até mesmo nos níveis mais altos da sociedade. Era lendária a 'insanidade medicinal', como chama Sugg, do rei britânico Charles II. Ele pagou 6 mil libras por uma receita para liquefazer o cérebro humano. O regente aplicava o destilado, que entrou para a história da medicina como 'as gotas do rei', quase diariamente.

    Estudiosos e membros da nobreza, assim como pessoas comuns, confiavam totalmente nos poderes curativos da morte. Citando uma fonte do século 19, a antropóloga americana Beth Conklin, por exemplo, escreve que na Dinamarca os epiléticos supostamente ficavam aos bandos em volta dos cadafalsos, com uma taça na mão, prontos para beberem o sangue vermelho que escorresse do corpo ainda trêmulo. Crânios eram usados como remédio, assim como o musgo que tendia a brotar deles. Acreditava-se que ele estancava sangramentos.

    A gordura humana supostamente aliviava o reumatismo e a artrite, enquanto uma pasta feita de cadáveres seria boa para contusões. Sugg chega a atribuir significado religioso para a carne humana. Ele diz que para alguns protestantes, ela servia como uma espécie de substituto para a Eucaristia, ou o recebimento do corpo de Cristo em Comunhão Sagrada. Alguns monges até cozinhavam "uma espécie de geleia" com o sangue dos mortos."

 Trecho da reportagem O poder curativo da morte, de Philip Bethge,
Der Spiegel/Uol, 31/01/2009, traduzido por Lana Lim

Leia a reportagem completa AQUI

 

       13h39min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Lobão - Panamericana
   



 

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 19 de Maio de 2009.
  A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos pois pensar bem. Nisto reside o princípio da moral."
 

Blaise Pascal
Filósofo e Matemático francês

 Köerperwelten & Der Zyklus des Lebens

Instalações da exposição Köerperwelten & Der Zyklus des Lebens
(O mundo dos corpos & O ciclo da vida)
, do Dr. Gunther von Hagens, em Berlin

     Essas são algumas das cenas que poderão ser vistas por quem visitar a exposição Köerperwelten & Der Zyklus des Lebens do Dr. Gunther von Hagens, que, já colocou em polvorosa as igrejas católica e protestante na Alemanha, que defendem que a mostra atenta contra a dignidade humana (como se algum ser humano coerente ainda admita que nos reste alguma, na atual ordem das coisas). Além dos religiosos e dos membros da AAATV (Associação Alemã de Avós e Tias-Velhas), políticos de diversos partidos também se mostraram chocados com a ideia expor em seu quintal cadáveres plastinados trepando impunemente aos olhos do ingênuo público de uma das maiores capitais do planeta em pleno século XXI. O deputado conservador Kai Wegner perdeu o que lhe restava de cabelos durante a declaração ao Bild, onde defendeu que a obra simplesmente não se enquadra naquilo que a Constituição consagra como "liberdade de expressão artística". É interessante notar como certos detalhes ainda ocupam e desatinam a mente de alguns líderes de uma nação que no início do mês declarou apoio à missão americana no Afeganistão. Como se pode ver, para ser um completo  idiota não é necessário alguma nacionalidade, credo ou partido político em especial.

    Entretanto, a grande verdade por trás disso tudo é que von Hagens real- mente não tem medo de causar polêmica. Um sujeito desses, com uma ideia dessas, há alguns séculos, conseguiria se manter vivo por no máximo mais uns três dias, contando antes de ontem. Com dois iguais a ele, o Vaticano faliria antes de conseguir bancar cateterismo pra todos os seus cidadãos.

    O Dr. von Hagens é literalmente faca na caveira. O resto é tudo fanfarrão.
 

 

       18h03min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Margo Reymundo - My Hearts Desire
   
 Pequenas considerações sobre a fé e a anarquia
  

  
Datação
   1111 cf. JM3


   Acepções
  
n substantivo feminino
   1    no catolicismo, a primeira das três virtudes teologais
   2    confiança absoluta (em alguém ou em algo); crédito
   Ex.: um homem digno de fé
   3    asseveração, afirmação, comprovação de algum fato
   Ex.: em fé do que dizia, apresentou uma documentação
   4    compromisso assumido de ser fiel à palavra dada, de cumprir exatamente o que se prometeu
   Ex.: violou a fé que devia ao amigo
   5    Rubrica: filosofia.
     na escolástica, crença religiosa sem fundamento em argumentos racionais, embora eventualmente alcançando verdades compatíveis com aquelas obtidas por meio da razão
   6    Rubrica: termo jurídico.
     credibilidade que deve ser dada ao documento no qual se funda, resultando disso a própria veracidade do documento

   Etimologia
  
lat. fìdes,éi 'fé, crença (no sentido religioso), engajamento solene, garantia dada, juramento (na linguagem do direito)'; ver fi-

  Anarquia

  
Datação
  
1671 cf. EscV

   Acepções
  
n substantivo feminino
   1 sistema político baseado na negação do princípio da autoridade
   1.1 negação de qualquer tipo de autoridade
   2 estado de um povo que, de fato ou virtualmente, não tem mais governo
   3 falta de organização e/ou de liderança em qualquer tipo de atividade, local ou instituição; confusão, bagunça
   Ex.: <a a. reinava em seus escritos> <a a. na empresa provocou sua falência> <esta casa é uma a.>
   4 qualquer entidade, organização social etc. desprovida de direção e/ou normas
   Ex.: a universidade está uma a.
   5 Regionalismo: Portugal.
     estado de confusão, bagunça; esculhambação
   6 Rubrica: política.
     teoria política e social segundo a qual o indivíduo deveria desenvolver-se livremente, emancipado de toda tutela governamental


   Etimologia
  
lat.medv. anarchia,ae, do gr. anarkhía,as 'falta de chefe ou governo'; ver a(n)- e -arquia
 
                                                                          Fonte: Dicionário Houaiss
 
    Pois é, eis duas daquelas palavras que à primeira vista parecem não ter nada a ver uma com a outra, mas que se analisadas ipsis litteris e sem paixão, infelizmente definem a mesmíssima coisa: em tese uma grande ideia, mas na realidade uma utopia quase infantil.
 
    Ah, Papai Noel também não existe.
 
    Agora podem me xingar.
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  .................................... Factitìus
 

       17h22min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Eric Clapton - Cocaine
   



 

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 18 de Maio de 2009.
  Penso que se você sabe o que pensa, será muito mais fácil responder a sua pergunta. Não posso responder a sua pergunta."
 

George W. Bush
Ex-Presidente dos EUA

 Anatomia Artística

    "A anatomia acompanha o homem há milhares de anos; existem descrições anatômicas em textos antigos, como no evangelho de São Lucas da Bíblia, e na Ilíada de Homero. Dante Alighieri descreve a 'anatomia do diabo' na Divina Comédia, e Cervantes utiliza termos anatômicos em Dom Quixote. A anatomia acompanha a civilização, desenvolvendo-se ao lado do conhecimento do corpo humano. A Medicina surge no Egito, no período 2700 - 2200 a.C. através dos antigos médicos e cirurgiões dos Faraós, mesclada com a magia, ocultismo e crenças em divindades. Os corpos dos faraós eram embalsamados e suas vísceras guardadas ao lado de seu sarcófago, para a vida futura.

    Herófilo, 335 a.C. - 280 a.C., médico e anatomista grego da região onde se situa atualmente a Turquia, é considerado por muitos, como sendo o “Pai” da Anatomia. Seus escritos foram traduzidos por Galeno, porém, boa parte deles se perdeu na destruição da biblioteca de Alexandria. Galeno, por cerca de 201-131 a.C., realizou estudos a partir de dissecações de animais e deixou uma das primeiras obras de estudo de Anatomia e Fisiologia, utilizada durante centenas de anos. Foi considerado como o 'Príncipe' da Anatomia, e deixou muitos seguidores.

    A dissecação humana era um tabu nas sociedades antigas e medievais até que, no início do século XV, algumas universidades Italianas permitiram que seus médicos de maior credibilidade e pessoas imunes ao comentários gerais, promovessem dissecações públicas de criminosos executados, atraindo grande público."

 Trecho introdutório de Anatomia Artística, de Sérgio Prata
Edição do autor, com apoio da Prefeitura Municipal de Curitiba,
Curitiba, 2000 -
Leia o texto completo AQUI

 

       17h13min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Inocentes - Garotos Do Subúrbio
   
 Necrológio dos desiludidos do amor

Necrológio dos desiludidos do amor

Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.

Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.
Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas nos veremos
seja no claro céu ou turvo inferno.

Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia...

Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados competentemente
(paixões de primeira e segunda classe).

Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.

Carlos Drummond de Andrade

 

       16h00min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Porcos Cegos - Geração Domesticada
   



 

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 17 de Maio de 2009.
  Agora Obama vai me acusar de exportar o terrorismo? Pelo menos alguém poderia lhe dizer: pobre ignorante, estude, leia um pouco para aprender qual é a realidade da América Latina."

Hugo Chávez,
Presidente da Venezuela
 

 A morte de Jean-Paul Marat e a arte

Cabeça de Marat Morto,
Jacques-Louis David, 1793

A morte de Marat,
Jacques-Louis David, 1793



 

Charlotte Corday,
Paul-Jacques-Aimé Baudry,1860

Morte de Marat II,
Edvard Munch, 1907

Morte de Marat I,
Edvard Munch, 1907

O Assassinato de J. P. Marat,
Tableaux Historiques de la Revolution Française, 1901

Charlotte Corday, o Assassinato de Marat,
Jean Joseph Weerts, 1886

    Quando apunhalou o peito do doente deputado Jean-Paul Marat na banheira de sua casa, no início da noite do dia 13 de julho de 1793, a jovem Charllotte Corday sequer imaginava que estava prestes a protagonizar aquela que viria a se tornar uma das cenas mais célebres da história da arte. Acreditando que salvaria a França de uma iminente guerra civil da qual o jacobino Marat seria um dos maiores responsáveis, a girondina Charllotte também assinara com seu ato, na véspera do quarto aniversário da Tomada da Bastilha, sua condenação à morte, que aconteceria poucos dias depois, sob o peso da guilhotina.

    Em homenagem ao político adorado pelas multidões, escreveu, por ocasião do assassinato, o Marquês de Sade: "Como Jesus, Marat amou ardentemente as pessoas, e apenas elas. Como Jesus, Marat odiou reis, nobres, sacerdotes, vilões e, como Jesus, ele nunca parou de lutar contra estas pragas do povo."

   Tendo sido um dos homens mais poderosos da França de seu tempo, ao lado de Maximilien Robespierre e Georges Danton, Jean-Paul Marat, aquele que publicou em seu jornal imensas listas de inimigos do povo, aos quais evocava condenação, teve seus últimos momentos de vida retratados posteriormente por inúmeros artistas. Castigado por uma severa doença de pele, naquela que provavelmente deva ser considerada a primeira homenagem artística a sua imagem, o cadáver de Marat serviu como suporte à maquiagem dos pincéis de Jacques-Louis David, que trabalhou na restauração das cores originais do corpo do chamado l'Ami du Peuple, tornando-o mais belo aos olhares populares. Seu coração foi embalsamado e guardado no Club des Cordeliers e seus restos mortais enviados ao Panthéon de Paris. O momento de sua morte, no entanto, continua intacto, exposto em diversos museus pelo mundo.
 

 

       00h45min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Ramones - Pet Sematary
   



 

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 16 de Maio de 2009.
  Ótima escapatória para o homem, esse mestre da devassidão, responsabilizar as estrelas por sua natureza de bode."
 

William Shakespeare
Dramaturgo e poeta inglês

 Mosca-Varejeira

    "A dra. Kay Scarpetta aproxima o pequeno frasco da vela acesa, iluminando uma larva que bóia em uma solução venenosa de etanol.

    De imediato ela percebe o estágio exato de metamorfose daquela carcaça cremosa, do tamanho de um grão de arroz, antes que fosse preservada em um frasco de amostra com uma tampa preta de rosca. Se a larva tivesse sobrevivido, teria se transformado em uma Calliphora vicina azul, uma mosca-varejeira. Poderia ter colocado seus ovos na boca ou nos olhos de um cadáver humano, ou nas feridas fétidas de uma pessoa viva.

    (...)

    'Vou chamá-la de Larvínia, embora ainda não se possa determinar o gênero', decide Scarpetta, os óculos de armação metálica refletindo a luz oscilante da vela. 'Mas acho que é um bom nome para uma larva.' Um ventilador de teto estala e entorta a chama dentro do globo de vidro enquanto ela ergue o frasco. 'Quem vai me dizer qual é o instar da Larvínia? Em que estágio de vida ela estava antes que alguém' - ela examina cuidadosamente os rostos na mesa, parando em Nic de novo - 'a colocasse neste frasquinho com etanol? E a propósito, suspeito que a Larvínia tenha se afogado. As larvas precisam de ar tanto quanto nós.'"

 Trecho de Mosca-Varejeira, de Patricia Cornwell
Companhia das Letras, São Paulo, 2006

 

       16h18min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Gijs Gieskes - Hard Soft Synth 2C Instruction
   
 Todd Bratrud

    Criado em uma pequena comunidade agrícola da cidadezinha de Crookston, nos cafundós do judas do estado norte-americano de Minnesota, Todd Bratrud é um artista que fez do desenho e do skate a sua vida. Atualmente desenvolve diversos trabalhos que transpiram uma atmosfera excêntrica e burlesca para marcas como Flip Skateboards, Volcom, The Skateboard Mag, Nike, Familia Skateboard Shop e Teenage Runaway Urethane.

    Mais do trampo de Todd aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.  
 

 

       12h16min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Alice Cooper - No More Mr. Nice Guy
   



 

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 15 de Maio de 2009.
  O epitáfio é a última vaidade do homem."


 

Axel Gustafsson Oxenstiern
Nobre e político sueco

 Bibliomania II
    Andei comprando e lendo algumas coisas nos últimos dias de caos em que me encontrei por conta da reforma do meu apartamento. Graças à boa vontade de Jeová, Alá, Brahma, Zeus, Odin, Amon-Rá, Olòdùmarè, Dannan e de mais uma penca de outros deuses que se apiedaram de mim e decidiram preservar o me restava de sanidade mental, agora tenho condições emocionais para postar às duas ou três almas que penam neste blog alguma coisa about:
 

    Kalevala - Poema Primeiro, edição bilíngue finlandês/português, de Elias Lonnrot, Álvaro Faleiros e José Bizerril, Ateliê Editorial: Traduzido para mais de trinta idiomas dos cinco continentes, mas ainda pouco conhecido no Brasil, o poema épico nacional finlandês, Kalevala, resulta do trabalho de pesquisa, compilação e composição do erudito romântico Elias Lönnrot (1802-1884), a partir de diversas fontes da tradição oral camponesa da Finlândia. O texto, composto por cinquenta cantos, tornou-se obra da literatura finlandesa e um de seus símbolos de identidade nacional.





 


 

    Transliteração do Hebraico para Leitores Brasileiros, de Saul Kirschban e outros, Ateliê Editorial: Os padrões de transliteração utilizados no Brasil, eram adequados a leitores do alemão, do inglês, do espanhol, idiomas que também fazem uso dos caracteres latinos, mas não adequados ao leitor do português, uma vez que não há correspondência plena entre os valores fonéticos dos caracteres latinos nesses idiomas. Respondendo a essa necessidade, foi constituída uma comissão do centro de estudos judaicos e do programa de pós-graduação em língua hebraica, literatura e cultura judaicas da FFLCH/USP, com o propósito de elaborar um padrão de transliteração do hebraico adequado ao leitor brasileiro. Esta publicação é o resultado do trabalho da comissão, e constitui uma primeira proposta; ou seja, espera-se que o padrão proposto seja utilizado durante certo tempo, e depois revisado, incorporando-se as sugestões e críticas que tiverem surgido em decorrência dessa primeira fase de utilização.

    Brasil - A história contada por quem viu, de Jorge Caldeira, Editora Mameluco: Qual era a cor da mula que d. Pedro I montava no dia 7 de setembro quando proclamou a independência do Brasil? O que Getúlio Vargas fez segundos antes de atirar contra o próprio coração? O que Jânio Quadros fazia enquanto tramava um golpe? Esses e outros detalhes aparecem em meio aos depoimentos históricos selecionados para compor 'Brasil - a história contada por quem viu'. O livro, resultado de dois anos de trabalho de uma equipe de 21 pessoas chefiada por Jorge Caldeira, revela ao público brasileiro a história do Brasil contada a partir do olhar das pessoas que viveram os mais importantes momentos da construção da nossa nação. O livro traz 173 depoimentos que vão desde a chegada de Cabral até o final do século XX.

 

    A solução de Poincaré, de Donal O'Shea, Editora Record: Donal O’Shea narra a trajetória do conhecimento da geometria desde os escribas da extinta Babilônia até os grandes nomes da matemática do nosso tempo que levaram à famosa proposição de Poincaré e relata as tentativas de resolvê-la ao longo do último século.









 

    O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson, L&PM Pocket: As suspeitas começaram quando Mr. Utterson, um circunspecto advogado londrino, leu o testamento de seu velho amigo Henry Jekyll. Qual era a relação entre o respeitável Dr. Jekyll e o diabólico Edward Hyde? Quem matou Sir Danvers, o ilustre membro do parlamento londrino? Assim começa uma das mais célebres histórias de horror da literatura mundial. A história assustadora do infernal alter ego do Dr. Jekyll e da busca através das ruas escuras de Londres que culmina numa terrível revelação. O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde originou-se de um sonho que Stevenson, o autor, teve certa vez. Ao despertar ele se recordou de 'uma boa história de fantasma'. O foco da personalidade dividida, sugestão subjacente de que o mal é potencialmente mais poderoso que o bem, mantém a contínua popularidade da trama ao longo de mais de cem anos.
 

    Gripe espanhola em São Paulo 1918 - Epidemia e Sociedade, de Cláudio Bertolii Filho, Editora Paz e Terra: Este livro tem o compromisso de retomar a história da Cidade de São Paulo sob perspectivas renovadas, ao enfocar o momento da história paulistana pautado pela trágica epidemia gripal que ocorreu no último trimestre de 1918. Nos 66 dias que a cidade conviveu com a doença e com a morte, revelaram-se novas facetas de uma cidade que buscava ajustar a sua vida nos quadros da modernidade. A epidemia trouxe à tona tanto a fragilidade, como o poder de resistência de uma cidade de imigrantes, tomado por um medo sem precedentes, mas também por iniciativas centradas na solidariedade coletiva e no socorro mútuo.

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       20h47min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Suzi Quatro - 48 Crash
   
 Jacques Prévert

A pesca da baleia

À pesca da baleia, à pesca da baleia,
Dizia o pai com voz colérica
Ao seu filho Próspero, deitado ao lado do armário,
À pesca da baleia, à pesca da baleia,
Você não quer ir,
E por quê posso saber?
E por que irei, papai, pescar
Um animal que não me fez nada,
Vá velho, vá você mesmo pescá-la,
se isso lhe dá tanto prazer,
Prefiro ficar em casa com minha pobre mãe
E o primo Gastão.
Então na sua baleeira sozinho o pai se foi
Pelo mar encapelado…
Eis o pai no mar,
Eis o filho em casa,
Eis a baleia enraivecida,
E eis o primo Gastão que vira a sopeira,
A sopeira com caldo.
O mar estava bravo
A sopa estava boa.
E eis que Próspero sentado se entristece:
À pesca da baleia não fui
E por que não fui?
Talvez a gente a tivesse arpoado,
E então teria sido possível comê-la.
Mas eis que a porta se abre e, escorrendo água,
O pai aparece sem fôlego,
Trazendo a baleia às costas.
Joga o animal na mesa, uma bela baleia de olhos azuis,
Um animal como raramente se vê,
E diz com voz queixosa:
Depressa, vamos esquartejá-la,
Tenho fome, tenho sede, quero comer.
Mas eis que Próspero se levanta,
Olhando o pai no branco dos olhos,
No branco dos olhos azuis de seu pai,
Azuis como os da baleia de olhos azuis
E por que vou esquartejar um pobre animal que nada me fez?
Azar o meu, desisto da minha parte.
Depois joga a faca no chão
Mas a baleia pega da faca e, arremessando-se contra o pai,
Fura-o de um pai ao outro.
Ah, ah, diz o primo Gastão,
Isso me lembra a caça, a caça das borboletas.
E eis
Eis que Próspero que redige o aviso fúnebre,
A mãe que fica de luto pelo pobre marido
E a baleia com lágrimas nos olhos, contemplando o lar destruído,
grita de repente:
Por que matei esse pobre imbecil,
Agora os outros vão me caçar numa motogodile
E depois vão exterminar todos os meus.
Então, soltando uma gargalhada inquietante,
Caminha para a porta e diz
Casualmente à viúva:
Ó dona, se alguém me procurar,
Seja gentil e responda:
A baleia saiu,
Queira sentar
E esperar,
Dentro de uns quinze anos talvez esteja de volta…

Jacques Prévert
Traduzido por Silviano Santiago

 

       14h14min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Patti Smith & Robert Frank - Summer Cannibals
   



 

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 14 de Maio de 2009.
  Há pessoas tão aborrecidas que nos fazem perder um dia inteiro em cinco minutos."

 

Jules Renard
Dramaturgo francês

 Eu sou, eu era.


 

 

       19h26min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Janis Joplin - Summertime
   
 Jim's Skull Art

     Curtiu? Conheça o trampo de Jim, o cirurgião-plástico dos crânios, visitando seu espaço na web, em www.jim-skullgallery.com.  
 

 

       19h13min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Rolling Stones - Angie
   
 Reforma

     Reformar um apartamento vivendo dentro dele é o tipo de situação que insere qualquer um em uma espécie de brisa de marofa interminável, em um mundo surreal digno de uma pintura de Salvador Dalí, onde atores que aten- dem pelas alcunhas de pedreiro, azulejista, pintor, encanador, marceneiro e ajudante envolvem-se em um complexo mise-en-scène que tem como único e principal objetivo testar a sua sanidade mental.

    A Discovery deveria parar de enviar Bear Grylls e Les Stroud para lugares acessíveis como o Deserto da Namíbia, a Cordilheira do Himalaia, os Pântanos da Flórida ou a Floresta Amazônica e mandar os caras pra um apartamento em reforma, pra eu ver se eles são mesmo feras nesse lance de sobrevivência.
 

 

       18h55min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Dire Straits - Money for Nothing
   



 

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 13 de Maio de 2009.
  E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça."

Apocalipse
12:1

 Apocalypse Now

     Dissertar acerca da forma como os brasileiros reagem em situações-limite seria algo aparentemente complicado, pois aquilo que aflige a um, muitas vezes revela-se a tábua de salvação do outro. Como diz o velho ditado "aquilo que é remédio pro pato, pode ser veneno pra marreca". Dessa maneira, colocando-
-me diante da atual situação brasileira e analisando a realidade que me cerca, não consigo vislumbrar situação-limite mais perfeita do que o momento social em que vivemos, onde me vejo sentado diante de uma parede de pau-a-pique que tenta ser encoberta por uma cópia mal feita de um quadro de Renoir. E nesta situação, a moldura que me envolve é mais ou menos a seguinte:

    O telefone está pela hora da morte. O combustível custa os olhos do freguês a cada enchida de tanque. Passagem de ônibus e metrô então, nem se fala. Sapato custa uma fortuna. Pedágio já virou piada. A energia elétrica brilha sob tarifas histriônicas. Ninguém pode mais telefonar, andar de carro, ônibus, metrô ou a pé, a menos que seja descalço, pra gastar só as solas dos pés. E "ai" se precisar de Merthiolate: remédios também estão fora de cogitação. Viraram supérfluos há tempos. O sujeito não pode mais viajar, ver TV, ouvir rádio, ligar o computador ou acessar a Internet. Não tem nem ao menos o direito de ficar doente. Tudo o que coloca um ser humano em contato com outro está custando um absurdo, praticamente uma extorsão consentida. Isso é muito complicado.

    Em pleno século XXI, enquanto o mundo todo converge, a gente senta de cócoras e chora. Enquanto o planeta fica mais pequeno, assistimos às nossas distâncias aumentarem lentamente e nos assustamos com o abismo imoral que se abre diante de nossos olhos, deixando as esperanças do lado de lá do cânion. E a cada vez mais, interesses de poucos e maus negociadores lideram a corrida que nos leva por uma viagem numa estrada que parece não ter retorno. Somos todos passageiros de um caminhão desgovernado, que degrin-
gola montanha abaixo sem motorista, na direção de um inferno social pautado pela violência e pela miséria, pela arrogância e pela desumanização do próximo.

    Viajamos na contramão do mundo e temos a ingenuidade de acreditar que não seremos esmagados pelo fluxo de 6 bilhões de pessoas que batem contra nossas caras a cada meio metro. Do jeito em que as coisas andam é uma questão de tempo até que o atual regime camuflado de castas nos seja im-
posto explicitamente. Da mesma forma que o Código de Manu impunha claras restrições ao povo indiano, reservando o privilégio da educação exclusivamente aos conquistadores árias, vivemos um momento onde a o povo brasileiro vive sob a sombra da mediocridade num delicado estado de aculturação. Sob a mira de nações especuladoras, não consigo imaginar nada mais perigoso e preocu-
pante. Estamos a poucos passos de aceitarmos a condição de sub-raça, dian-
te da onipotência dos petrodólares num cenário mundial cada vez mais crítico.

    De mãos atadas em um turbilhão furioso em mar aberto, só nos resta prender a respiração e torcer para suportar a falta de ar que nos sufoca a cada vez que afundamos no Adamastor que assombra nosso Cabo das Tormentas chamado Brasil. Enquanto enchemos com sal marinho nossos olhos vazados pelo cansaço de uma espera que nunca acaba, sentimo-nos impotentes diante da natureza tenebrosa que parece nos envolver. Em épocas de reformas orçamentárias e previdenciárias, sabermos que políticos e juízes fazem o possível estar de fora do processo é um soco na boca do estômago. Quando a própria justiça se vê no direito de estar acima das regras comuns, vislumbramos o contêiner de esterco que paira sobre nossas cabeças, prestes a ser aberto para nos cobrir com toda sujeira que até então estava escondida debaixo do tapete.

    E enquanto o seu salário aumenta ridiculamente nas proporções de um átomo de hidrogênio no vácuo interestelar, as tarifas e preços disparam como foguetes rumo à estratosfera. Cada vez mais o seu bolso se esvazia e a caixa-forte dos colonizadores se atulha como uma velha gorda e opulenta a rir da sua esquelética desgraça monetária. As coisas são mesmo assim. Sugiro então que deixemos crescer as barbas e nos mudemos pra cavernas no Nepal. Viremos-nos pois, ermitões da montanha. Assim poderemos aproveitar esta caricata situação para ao menos crescer espiritualmente. Atinjamos o nirvana munidos do sofrimento terreno que nos faz humanos até que as portas do Valhala se abram com virgens e néctares e afaste de nós a dor de termos sidos saqueados e vilipendiados sem direito à divina defesa.

    Isto é, até que descubramos que a tão esperada entrada para o Paraíso vai nos custar muito mais dinheiro do que todo aquele que conseguimos economizar durante a vida. Afinal de contas, se fomos mesmo feitos à Sua imagem e semelhança, esta piada deve ter um final muito mais patético do que possamos imaginar. Preparem seus bolsos: o ingresso que leva àquela nuvem com aparência de algodão-doce vai lhe custar a auréola e talvez alguma coisa mais que por enquanto a gente acredita que alma desencarnada não usa nem pra ir ao banheiro.

    É.
 

 

       19h48min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Jethro Tull - Aqualung
   



 

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 10 de Maio de 2009.
  A medicina é a arte do momento certo."


 

Ovídio
Poeta romano

 House M.D.: Season 5, Episode 19 - "Locked in"

     Acabei de assistir ao Episódio 19 da 5ª Temporada de House M.D., Locked in, cuja trama gira em torno de Lee, que após ser atropelado enquanto andava de bicicleta,  está prestes a ter seus órgãos retirados para transplantes por se encontrar em um aparente estado vegetativo. A situação desesperadora é vista do ponto de vista de Lee, que percebe tudo o que se passa a seu redor mas não consegue se comunicar com os médicos e avisá-los de que, embora pareça completamente imóvel, permanece totalmente consciente.

    No entanto, eis que Lee tem como companheiro de quarto, no leito ao lado, um sujeito que sofrera um acidente de moto e que está atento a tudo o que se passa com ele e que, graças a sua fodíssima capacidade diagnóstica, percebe que o candidato a salvador de vidas está na verdade preso dentro de si mesmo devido à Síndrome do Encarceramento. Obviamente, o acidentado fodão em questão é o Dr. Gregory House, que consegue transferir Lee para seu hospital, o Princeton-Plainsboro.   

    O roteiro não é exatamente um dos mais ferrados dessa série, que é uma das mais ferradas de todos os tempos, mas a situação que ele apresenta me parece muito mais do que uma trama envolvendo um raro caso médico, pois a Síndrome do Encarceramento é um desses eventos médicos em que as possibilidades reais às quais um ser humano pode ser reduzido parecem quase uma metáfora dos medos e preconceitos sociais aos quais todos estamos expostos. A Síndrome do Encarceramento é uma daquelas doenças que parecem sair de uma fábula e um desses casos em que a vida insiste em soar como mera arte.

    Quem nunca se sentiu preso dentro de si mesmo, que atire a primeira pedra.
 

 

       17h16min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Cyndi Lauper - True Colors
   



 

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 8 de Maio de 2009.
  Qualquer um que pinte um céu verde e os campos azuis deveria ser esterilizado."

 

Adolf Hitler
Ditador nazista

 Fragmento de O Koisa, de Hilda Hilst

 

  .Posts Relacionados: Hildinha Hilstzinha
  .................................... Hilda Hilst
 

       17h52min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Rod Steward - Da Ya think I’m Sexy?
   



 

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 6 de Maio de 2009.
  Escolha a pílula azul e a história termina. Você acorda em sua cama e acredita no que preferir. Escolha a pílula vermelha e você fica no País das Maravilhas, que eu lhe mostro o quão fundo o buraco do Coelho leva."

Morpheus
in Matrix
 

 For animals eternal Treblinka

For Animals

For animals eternal Treblinka

    Está repleta de martírio a memória que me deram.

    A mãe levava-me pela mão. O perímetro sacrificial era já ali. O som das aves antecipando o fim, os gorjeios inocentes, a emudecida violência das carcaças expostas, as vísceras, o fedor das vísceras gritando. Fúria e som esgotavam-se em podridões. Em certos ângulos do perímetro bancas clamavam verdade e comércio. Copiosas, as carnes esfoladas surgiam suspensas em metálicos ganchos. Penas e plumas encharcadas
pejavam o chão. Uma ave decapitada abraçava o mundo. Em certos pontos do perímetro estreitos canais expulsavam o sangue para um sítio que me pareceu distante, tão distante
quanto um país distante.

     A gutural agonia apagava-se. Fechavam-se as cortinas para a tranquila refeição do meio-dia.

For Animals, de Luís Quintais
in  Duelo, Edições Cotovia, Lisboa, 2004

 

       18h54min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Morrisey - Suedhead
   



 

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 5 de Maio de 2009.
  Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve."

 

Vergílio António Ferreira
Escritor português

 Seamus Heaney

Seguidor

Meu pai lavrava com charrua e cavalo.
Os ombros redondos como velas pandos
Entre os varais e o sulco. Bastava um estalo
De língua e os cavalos iam forcejando.

Um conhecedor. Colocava a travessa
E ajustava a relha de aço agudo e vivo.
Rolavam sem quebrar os torrões de terra.
Na borda do campo, um tirão imprevisto

De rédeas, a junta suarenta virava
E voltava para o terreno. Ele
Estreitava um olho a fitar a lavra,
Traçando o sulco exatamente.

Eu tropeçava nas pegadas das botas,
Caía às vezes na céspede luzidia;
Às vezes ele levava-me nas costas
Descendo e subindo ao ritmo da lida.

Eu queria crescer e lavrar,
Fechar um olho, firmar os braços.
Tudo o que fiz foi seguir sem parar
Pela fazenda à sombra de seus passos.

Um estorvo, falante, falseando,
Caindo sempre. Mas agora
É meu pai que vive tropeçando
Atrás de mim, e não vai embora.

Seamus Heaney
Traduzido por José Antonio Arantes

    Seamus Heaney usa as palavras de uma maneira muito foda. Parece que praticamente tudo o que ele escreve transpira um pouco do suor de um homem que carrega uma espécie de peso asfixiante no plexo, por ter abandonado seu país durante a crise civil. Cada uma de suas lembranças cristaliza o sal desse suor em textos que eu sinto se mexerem dentro da minha cabeça.

    O fato é que Heaney guarda em cada um de seus versos o peso da saudade. E exatamente por isso eu acho que o poema acima foi uma das coisas mais filhasdaputamente profundas que eu li nos últimos tempos.

    Posso até soar exagerado escrevendo isso, mas o fato é que tenho cá meus motivos pra tanto.
 

 

       21h31min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Israel Kamakawiwo'ole - Panini Pua Kea
   



 

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 4 de Maio de 2009.
  Com freqüência, me parece que a noite é mais viva e mais colorida do que o dia."

 

Vincent van Gogh
Pintor expressionista holandês

 Bobok

    "Saí para me distrair e fui dar comigo num enterro... Há uns vinte e cinco anos, penso, eu não ia ao cemitério. O lugar não é nada atraente. Para começar, o cheiro. Uns quinze mortos acabavam de ser levados para lá. (Talvez a noção de "atacado", de muitos mortos, banalize ainda mais a situação. Não se perdeu alguém importante, mas são perdas normais que acontecem a cada dia). Mortalhas de categorias diferentes. Havia mesmo dois catafalcos, o de um general e o de uma dama. Numerosas figuras tristes, desgostos bem simulados, muita alegria franca. Acrescento que não havia lugar para chorar: é preciso levar em conta os pequenos proveitos. Mas o cheiro, o cheiro! Eu não queria ser capelão de um cemitério.

     Examinei com circunspecção o rosto dos mortos, não confiando de modo nenhum em minha impressionabilidade. Havia expressões de doçura e outras desagradáveis. Os sorrisos, em geral, não são nada belos e mesmo, em alguns, estão longe de o ser. Não gosto disso, chega o que se sonha."

 Trecho de Bobok, de Fiódor Mikhailovich Dostoiévski,
página 220, Editora Cultrix, 1985

 

       20h35min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Supertramp - The Logical Song
   
 Um trecho sobre Semmelweis

    "Semmelweis logo entendeu que ainda não tinha conseguido encontrar a explicação completa nem o método seguro de prevenir a febre puerperal. Analisando esse caso, ele logo se convenceu de que a doença devia ter sido transmitida às mãos dos estudantes e médicos depois que eles haviam entrado na Clínica. Notou então que, na fileira de mulheres que haviam morrido, a primeira paciente já tinha ingressado no hospital com uma doença do útero, da qual saía um líquido com odor fétido. Após examiná-la, Semmelweis e seus estudantes haviam apenas lavado as mãos com sabonete, e passado a examinar as pacientes seguintes, que depois adoeceram com febre puerperal.

     Semmelweis concluiu que o material transmitido da primeira paciente para as outras havia produzido a enfermidade. Embora não se tratasse propriamente de matéria cadavérica, o líquido que saía da ferida do útero podia ser considerada como um material em decomposição, tendo propriedades semelhantes ao material de um cadáver.

     Note-se que, a rigor, a hipótese inicial de Semmelweis teve que ser rejeitada. A causa da mortalidade não era apenas o transporte de material dos cadáveres para as pacientes. Existe uma semelhança entre os dois casos, mas não uma identidade. Apesar disso, Semmelweis continuou a se referir sempre à matéria cadavérica, o que produziu muita confusão sobre suas idéias."

 Trecho de Contágio: A história da prevenção das doenças transmissíveis, de Roberto de Andrade Martins,
Cap. 9: O processo de transmissão das doenças,
Versão Online, disponível AQUI

 

       20h11min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Animals - The House Of The Rising Sun
   



 

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 3 de Maio de 2009.
  Vou fazer tudo que for possível para fugir, matar guardas, se necessário, para voltar a fazer o que eu fazia antes assim que eu chegar na rua: matar crianças."

Westley Allan Dodd
Serial killer norte-americano

 Filipe, o Sábio

Se eu tivesse que nascer argentino, assim, e não tivesse
mesmo jeito, eu ia querer nascer o Quino. Grande cara, esse.
 

 

       16h56min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Firoz Dastoor - Raag Kafi
   
 Devia morrer-se de outra maneira

Devia morrer-se de outra maneira

Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêm?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...

José Gomes Ferreira

 

       13h13min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Gijs Gieskes - Hard Soft Synth And TR-808
   
 Don't judge

    Para tudo. Agora observe com cuidado cada uma das fotografias abaixo, cada uma diz explicitamente algo:

Don’t

judge

people

according

to

their

appearence

   Don’t judge people according to their appearance: é isso o que as imagens acima, dispostas em sequência, dizem. O projeto fotográfico é de Peter Chmela. Só não é melhor porque não fui eu quem tive essa ideia. Simplesmente fodástico.
 

 

       00h18min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Guns N' Roses - Welcome To The Jungle
   



 

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 2 de Maio de 2009.
  Sabe, Linus, eu tô desenvolvendo uma nova filosofia, eu só preciso suportar um dia por vez."
 

Charlie Brown
in Peanuts

 Sobre Vírus, Porcos e Homens

     A gripe é uma doença infecciosa causada pelos vírus Orthomyxoviridae, também conhecidos como Mixavirus e que englobam os Influenzavirus dos tipos A, B e C, os Isavirus e os Thogotovirus. Desses, apenas os Isavirus parecem não nos oferecer risco de infecção, ficando restritos exclusivamente a uma espécie de salmão. Apesar de o maior índice de relevância clínica em humanos pertencer aos Influenza A e B, todos os demais são passíveis de atacar qualquer um de nós, sendo o Influenza A, especificamente os do serotipo H1N1, o agente etiológico da atual Gripe Suína.

    O serotipo H1N1 dos Influenza A recebe essa classificação, devido ao modelo específico de resposta que o vírus dá a diferentes anticorpos. Portan-
to, dentro desse conjunto taxonômico, os Influenza A acabam por serem separados de acordo com a forma como interagem com a célula hospedeira a partir da Hemaglutinina (recebendo a nomenclatura H), que é uma glicopro-
teína cuja função é ligar o vírus ao receptor da célula hospedeira, e a Neura-
minidase (representada na nomenclatura por N), uma enzima responsável pela liberação do vírus nessa mesma célula. Assim, para que o vírus obtenha suces-
so em sua reprodução, ele irá mover-se sobre a célula hospedeira com uma molécula de Hemaglutinina localizada em sua superfície e ligada a um Ácido Siálico receptor localizado na célula que pretende infectar. Em seguida, para que o vírus se espalhe, a Neuraminidase decomporá o Ácido Siálico do receptor, libertando assim o agente infectante e dando início ao processo que convencionamos chamar gripe.

    Deixando de lado outros detalhes específicos da virologia, o que mais acaba por nos chamar a atenção são os motivos pelos quais a gripe é uma doença tão difícil de ser combatida e porque novos vírus surgem a cada dia, sempre trazendo à tona o medo de uma pandemia capaz de causar milhões de mortes. Para isso é necessário entender que os vírus que nos interessam neste
momento, os Influenza, possuem uma característica horrivelmente especial: trata-se de um agente que apresenta altas taxas de mutações antigênicas, responsá- veis por introduzir frequentemente novas variantes virais no ambiente. Essas mutações são divididas em minor, ou drift, e major, ou shift, sendo as mutações do segundo tipo as mais preocupantes, pois caracterizam um grau de evolução mais agressivo do agente infeccioso, onde o que se observa é o surgimento de uma linhagem totalmente nova de vírus para a qual geralmente não há imunidade por parte da população.

    Essas mutações ocorrem, especialmente, devido à grande variedade de organismos onde os Influenza são capazes de se instalar e de se reproduzir associada, muitas vezes, aos métodos humanos desenvolvidos para de criação de certos animais. Na China, por exemplo, é altamente comum a criação de aves em viveiros dispostos acima de uma criação de porcos. Nesse caso, os porcos acabam sendo alvo dos excrementos das aves, inclusive alimen-
tando-se dos mesmos. Isso estabelece o trânsito do vírus responsável pela gripe aviária para um organismo suíno, onde ocorre a mutação que torna ao vírus possível sua adaptação em um mamífero, conduzindo por sua vez, a nova variante a organismos humanos. Processos semelhantes envolvendo outros tipos de animais podem dar origem a novas linhagens virais responsáveis por novos focos de infecção em diversas comunidades.

    Também é importante lembrar que a principal característica da mutação bem sucedida talvez seja a preservação exclusiva e sistemática dos indivíduos mais adaptados ao novo ambiente, o que significa que em linhas gerais sobreviverão apenas os vírus capazes de resistir aos medicamentos tradicio- nais, dando origem, assim, a toda uma cepa de descendentes com essa mesma qualidade. Em contrapartida, os organismos infectados também são capazes de reagir a essas novas ameaças, havendo sempre a mesma chance de surgirem indivíduos contra os quais as estratégias de contaminação dos vírus não surtirão efeito, o que selecionará naturalmente, mais uma vez, os mais adaptados à nova realidade. Essa é a beleza justa da natureza, que oferece aos dois lados a oportunidade de lutar com as mesmas armas.

    Isso nos coloca diante de uma verdade óbvia: a Gripe Suína não é a primeira grande candidata a martelo apocalíptico, assim como não será a última. Da mesma forma que a humanidade sobreviveu à Gripe Espanhola de 1918 e 1919, à Gripe Asiática de 1957, à Gripe de Hong Kong de 1968 e à Gripe Aviária de 2005 -- apenas para citar algumas das mais alardeadas pandemias causadas pelos Influenza de que se têm notícia --, também irá sobreviver à Gripe Suína, afinal de contas os desde sempre onipotentes Estados Unidos também já sofreram com um surto de mesmo nome em 1976, quando o então Presidente Gerald Rudolph Ford Jr. ordenou a vacinação em massa da população, causando algo em torno de 25 mortes por -- pasme -- consequência da própria vacinação, contra apenas uma morte ocorrida em virtude da famigerada Gripe Suína.

    Há quem defenda que os meios de transporte atuais facilitarão o alastra-
mento da gripe suína como nunca ocorreu antes na história, mas se por um lado, o vírus hoje viaja mais rápido, a notícia de que isso está acontecendo, também, o que torna mais fácil adotar medidas de prevenção contra conta-
minações. Também não podemos nos esquecer de que a tecnologia e a medicina modernas estão muito além do conhecimento de outras épocas, o que tornam mais rápidas e eficientes as tentativas de identificação dos vírus e o diagnóstico da doença. E não é novidade alguma o fato de que um diagnós- tico prematuro e correto muitas vezes é a diferença entre viver ou morrer.

    É altamente improvável que venhamos a assistir hoje cenas como aquelas vistas em São Paulo durante a pandemia da Gripe Espanhola em 1918 e 1919, quando carroças funerárias do Serviço Sanitário circulavam pela cidade carregadas de cadáveres contaminados, deixados diante das casas pelos familiares apavorados dos mortos. Casas onde todos faleciam em decorrência da gripe tinham os corpos retirados pelo Serviço Sanitário para em seguida serem desinfectadas e lacradas pelas carroças do Serviço de Desinfecção. Isso ocorria em virtude do recém promulgado Decreto Estadual nº 2.918, que apresentava os 800 artigos do então novo Código Sanitário do Estado de São Paulo, que por clara exigência da situação foi o mais detalhista, abrangente e prescritivo de todos os instrumentos legais à disposição dos órgãos de fisca-
lização e controle das atividades relacionadas à saúde até 1970. O próprio Cemitério da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo -- local onde eu moro --, foi fundado nesse momento histórico como uma das respostas do governo de Altino Arantes à escassez de espaço em outras necrópoles da região. Ali foram depositados em valas comuns centenas de corpos infectados.

    Portanto, o que mais me intriga neste exato momento e como eu já comen-
tei no Twitter
quando essa história começou a ser alardeada, é porque tanto diz-que-me-diz pra Gripe Suína, se a humanidade inteira já contraiu o Espírito Suíno faz tempo e ninguém nunca comentou nada.

    Mais fácil entender os Influenza, sério.
 

 

       17h36min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Marc Moulin - Humpty Dumpty
   
 Stéphane Halleux

    Stéphane Halleux é um daqueles artistas cuja obra poderia muito bem inspirar um filme do Tim Burton. O animismo mecânico produzido por esse talen- toso belga, capaz de transformar peças de antiquário em aparatos steampunk de aparências quase orgânicas é, na minha opinião, o torna um dos melhores nessa linha. Stéphane une o real ao imaginário num macabro amálgama digno dos mais perturbados roteiros de ficção fantástica do séc. XIX.

    Perca um pouco de seu valioso tempo ocioso visitando o site do cara e tire suas próprias conclusões.
 

 

       01h11min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              The Smiths - Bigmouth Strikes Again
   
 Ele & Ela

 Ele a xingou e ela nem retrucou. Ela poderia ter dado na cara dele, mas preferiu dar escondida.
 

 

       00h32min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Ravi Shankar - Raga Anandi Kalyan
   



 

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 1º de Maio de 2009.
  Toda verdade passa por três estágios: primeiro, ela é ridicularizada. Segundo, ela sofre violenta oposição. Terceiro, ela é aceita como auto-evidente."

Arthur Schopenhauer
Filósofo alemão

 António de Macedo Papança, o Conde de Monsaraz

A Uma Creança Morta

Por sobre as tristes alfombras
daquelles ermos calados,
como um cortejo de sombras,
caminha o prestito... Ao longe,
na escarpa das penedias,
ouvem-se os psalmos do vento,
como a voz triste dum monge
sob as abobadas frias
de algum sinistro convento...

Não ha flor que não succumba...
Sobre os crepes de uma tumba
vae, morta, inerte, gelada
uma creança, uma flor...
Entremeadas de rosas,
os loiros, finos cabellos,
cingem-lhe, em fartos novellos,
as magras faces sem dôr.
Leva as mãos postas em cruz,
os olhos meio cerrados,
como uns crystaes bafejados,
immoveis, fixos, sem luz...

Ao olhar essa creança,
já morta naquella idade,
acóde-nos á lembrança
se acaso será verdade
haver no azul dos espaços
um Deus, um Deus que não erra
roubando os anjos á terra,
para cingil-os nos braços.

Vae caindo a noite... O mar
naquelle eterno luctar,
das entranhas palpitantes
arranca uns silvos profundos,
tristes, febris, gemebundos,
soturnos, longos, cortantes.

Ouve-se um sino a dobrar;
pára o trabalho nas eiras;
ao longe soa, cantando,
um fresco, sanguineo bando
de raparigas trigueiras.

Cantai, ó pombas! cantai!
que o vosso canto é a vida,
ó almas castas e francas!
É o adeus da despedida
áquella pomba que vae,
pelos escuros da morte,
sacudindo as azas brancas.
Cantai, ó pombas! cantai!

É noite... passam os ventos
entre a rama dos cypestres
e as alvas campas singellas.
Um mocho solta lamentos;
palpitam os pyrilampos;
voa o perfume dos campos...

E aquella triste creança,
a murcha, a livida flor,
tenho ainda na lembrança,
fria, desfeita, sem cor...

Disse-me alguem que o coveiro,
esse homem rude e grosseiro,
tomado de extranha magua,
ao vêl-a morta e tão nova,
quando a poz dentro da cova,
tinha os olhos rasos d'agua.

Conde de Monsaraz
PS: Foi mantida a grafia original

 

       13h09min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              P.I.L. - This Is Not A Love Song
   
 Tweetadas VI
    Um mês após começar a utilizar o Twitter, eu ainda não enxerguei por ali nada de intrinsicamente novo, mas apenas uma proposta que foi capaz de migrar algumas características dos comunicadores instantâneos para um ambiente mais aberto e viabilizar um modelo de plataforma que retira de quem escreve a obrigação de responder a quem o lê. O Twitter é linear no sentido de dar virtualmente ao Zé-Ruela que ninguém segue as mesmas oportunidades que dá ao fodão seguido pelo deserto digital tal e qual um Jesus Cristo geek. Através dos singelos 140 toques abduzidos do SMS, é também mais fácil não escrever cagadas, mas ao mesmo tempo elimina a maquiagem que os textos mais longos geralmente conferem às ideias de quem no fundo não tem muito a dizer.

    O Twitter possibilita às estrelas do mundinho pop mais ou menos algo como a chance de aparecer pra jantar num restaurante badaladinho qualquer, dar uma palestra em cima da mesa, dizer as merdas que quiser com aval do dono e ir embora sem ninguém pra lhes pedir autógrafos ou cobrar a conta. E na minha humilde opinião, é justamente esse o ponto que vem conduzindo o serviço ao sucesso. Doido.

    Em resumo: o lance nos permite ver nas pessoas exatamente aquilo que elas sempre quiseram esconder acerca de si mesmas. Enquanto rede social, no entanto, tende a evoluir mais dentro daquilo que a matemática denomi- naria Teoria do Caos do que daquilo que as ciências políticas denominariam Democracia e/ou Liberdade.

    Não é ruim não, heim. 
 

Ultimamente ando precisando usar tampões de ouvido pra conseguir dormir. Meus vizinhos são definitivamente uns malas. Ou talvez eu seja.
7:28 PM Apr 29th from web


O Lula é tão cagado que o único dedo que lhe falta é justamente aquele que doeria menos quando ele decidisse enfiá-lo na nossa bunda.
6:38 PM Apr 29th from web


The Big Bang Theory é a melhor comédia atual. O fato de eu ser nerd não conta, obviamente.
8:32 PM Apr 28th from web


Não sei porque tanto diz-que-me-diz pra gripe suína, se a humanidade inteira já contraiu o espírito suíno faz tempo e ninguém comentou nada.
7:07 PM Apr 28th from web


Viver mata.
5:06 PM Apr 27th from web


Aviso aos navegantes: algumas atitudes simplesmente não têm volta.
2:10 PM Apr 27th from web


Pra mim alguns vínculos humanos eram absolutamente inquebráveis, mas não, todos, sem excessão, mantém-se por estruturas extremanente frágeis
2:09 PM Apr 27th from web


Às vezes eu gostaria de dizer várias verdades às pessoas, mas me desanima saber que elas vão pensar que é mentira.
7:19 PM Apr 23rd from web


A física quântica afirma que não existe vácuo perfeito. Mas ela não explica a cabeça do Lula, claro.
6:17 PM Apr 23rd from web

Eu mando as pessoas irem se foder, mas elas insistem em não ir.
8:58 PM Apr 22nd from web


Não é por nada não, mas algumas pessoas deveriam praticar roleta russa com uma pistola 380.
10:36 AM Apr 21st from web


Algumas bundas me deixam simplesmente maluco. E alguns cérebros também.
2:51 PM Apr 20th from web


Um porco não voa simplesmente porque ele não tem asas. Não queira entender o motivo: aceite o fato de que ele apenas não nasceu com asas.
9:28 PM Apr 19th from web


Então tá. Tou indo até ali tomar um cartela de fluoxetina com uma dose de cicuta pra ver se acalmo.
9:52 PM Apr 18th from web


Quando nos faltam ideias as dos outros vêm bem a calhar.
8:21 PM Apr 18th from web


Uma das coisas que mais andam me fazendo pensar ultimamente é o motivo pelo qual a inteligência tem um limite, mas a idiotice não. Foda.
3:59 PM Apr 18th from web


Em tempo: Jamais confunda henologia com enologia. Esse H a menos pode ser a causa de uma ressaca filhadaputa.
7:16 PM Apr 17th from web


O grande problema em uma sociedade é que ninguém quer entrar com a bunda, mas todo mundo quer entrar com o pau.
2:43 PM Apr 17th from web
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       12h58min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Patti Smith - Because The Night
   
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     E mais uma vez servindo como modelo básico para confirmação das mais complexas teorias capazes de descrever a psicologia humana, este humilde sociopata comprovou a existência da Síndrome de Adaptação Geral. Pois é, Hans Selye estava certo ao propor um sistema capaz de compensar as alterações psicológicas e ambientais controlado pelas glândulas adrenais. Após uma sobrecarga de pepinos pra abraçar e um cu apertado demais pra a realização eficaz da tarefa, a medula e o córtex responderam com a Fase de Alarme, a de Choque e a de Contra-Choque, a de Resistência e, finalmente, com a de Exaustão, que é quando o sistema operacional resolve apresentar uma linda tela azul. Nesse caso, diante do Erro Fatal, não resta nada além de abortar as aplicações em execução e pressionar CTRL+ALT+DEL. É claro que todas as informações acabam sendo perdidas, mas pelo menos os miolos renascem menos comprometidos e mais capazes de continuar a funcionar.

    Nada como um feriado pra gente conseguir desfragmentar o cérebro, fazer um scandisk completo, restaurar o sistema e alterar algumas configurações.  
 

 

       11h27min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Scott Mckenzie - San Francisco
   



 

   

    



 

Toda a proposta deste blog está resumida em seu título e subtítulo: "Blood Pack - sobre a arte de reciclar seu próprio sangue". Se você não entendeu o que isso significa, é provável que não entenda mais nada do que acontece por aqui. Aliás, se você não entendeu isso, é bastante provável também que nem esteja lendo esta nota, afinal de contas, quem lê as letras miúdas nos contratos, não é mesmo?

Blood Pack é escrito e produzido por Jack Skellington. Você pode reproduzir os meus  textos onde quiser, mas cite a fonte.  Se você gostou do que leu aqui, escreva um e-mail comentando, pra gente conversar. Se não gostou, nem perca tempo tentando me azucrinar, pois eu não vou estar nem aí pra tua crítica. Se curtiu o blog, indique-o para os seus inimigos. Se não curtiu, vá tomar no cu e não volte mais aqui, que você ganha mais.

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