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Anonymous
Literacy Surfing by Anonymizer
Às vezes eu me pego pensando em algumas
coisas esquisitas. Hoje foi dia de elucubrar
acerca do fato de que uma porrada de gente
escreveu coisas muito bacanas que chegaram a
virar clássicos, mas sabe-se lá porque
cargas d'água, resolveram não assinar suas
obras. Entre esses caras está o mano que
escreveu a mitologia dos Nibelungos,
uma das mais admiradas epopéias da Idade
Média, por exemplo. Sabe-se o nome de vários
copistas de seus manus- critos, mas não o do
verdadeiro artista que trouxe à vida essa
obra.
Da mesma forma, não se sabe quem escreveu a Epopéia de
Gilgamesh durante o reinado de
Ashurbanipal, tida como o mais antiga obra
literária da da história, as Mil e Uma
Noites, os textos védicos, o romance
picaresco Lazarillo de Tormes, de
1554, e hinos latinos como o assustador
Dies irae -- o Dia da Ira*
--
ou Stabat mater, que descreve o
sofrimento de Maria durante a cruci- ficação
de Jesus. Muitas das grandes obras medievais
são anônimas, assim como muitos
sijôs coreanos e
haikai japoneses. A célebre Rhetorica
ad Herennium, obra latina do século I
a.C., embora atribuída por muitos a Marcus
Tullius Cicero, é reconhecidamente anônima,
assim como a imensa maioria dos escritos do
início da era Cristã. Em 1623, a sátira
Recueil général des caquets de l’accouchée,
imprimé au temps de ne plus fâcher é
publicada em Paris e a identidade real de
seu verdadeiro autor é ainda hoje um
mistério.
Não podemos nos esquecer também de que praticamente todas as
poesias e canções folclóricas espalhadas
pelo planeta também são obras de ilustres
gênios desconhecidos. Pateticamente
comparando, eis-me aqui, só faltando dar o
cu pra ver se tenho uma ideia original e
nada disso acontecer, mas ao mesmo tempo, no
mundo todo muita gente teve inspirações
espetaculares e entrou numas de não assinar.
O ser humano é mesmo um bicho esquisito.
*O
hino inicia-se com os versos
Dies iræ, dies illa
/ Solvet sæclum in favilla, / Teste David
cum Sibylla! // Quantus tremor est futurus,
/ quando judex est venturus, / cuncta
stricte discussurus! // Tuba mirum spargens
sonum / per sepulcra regionum, / coget omnes
ante thronum, que dizem algo como
Dia da Ira, dia em que / Os séculos serão
dissolvidos em cinzas, / Testemunham Davi e
Sibila! // Quanto terror é futuro, / quando
o Juiz vier, / para julgar a todos sem
restrição! // A maravilhosa trompa, dispersa
o som / pela região dos sepulcros, /
convocando todos ante ao trono.
Realmente, o sujeito que escreveu isso e
depois leu, deve ter se assustado tanto com
sua capacidade de imaginar o fim do mundo
que preferiu continuar vivendo escondido.
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Pois
é...

...São Paulo é mesmo uma cidade bizarra,
onde é possível estar completamente
sozinho mesmo estando no meio de um monte de
gente. A tecnologia apenas
aumenta a força desse paradoxo. O frio, o
céu cinzento e a sensação de um dia
que não existe de verdade, evocada pelas
tardes doentes típicas de domingo, me deixam
com saudades da época em que eu era feliz e
não sabia. Que merda.
|
O
Expressionismo Abstrato de Pollock
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The
Key, by Jackson Pollock,
1946
Oil on canvas, 59 x 84 inches
The Art Institute of Chicago,
Illinois |
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The She-Wolf,
by Jackson Pollock, 1943
Oil, gouache, and plaster on canvas,
41 7/8 x 67 inches
The Museum of Modern Art, New York |
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As
Coisas
Fragmentos do livro As Coisas, de
Arnaldo Antunes,
Editora Iluminuras, São Paulo, 1992
Projeto gráfico e capa, Arnaldo Antunes e
Zaba Moreau. Ilustrado por sua filha Rosa,
então com 3 anos. Adotado pelo
Programa Nacional do Livro Didático (PNLD),
Ministério
da Educação (MEC), Fundação para o
Desenvolvimento da Educação (FAE) e
Secretaria
da Educação do Estado de São Paulo, em 1996.
Prêmio Jabuti de Poesia, em 1993.
|
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Arnaldo Antunes |
Alfred
du Musset
|
Chanson
Disse a meu peito, a meu pobre
peito:
- Não te contentas co'uma só
amante?
Pois tu não vês que êste mudar
constante
Gasta em desejos o prazer do
amor?
Êle respondeu: - Não! não me
contento;
Não me contento com uma só
amante.
Pois tu não vês que êste mudar
constante
Empresta aos gozos um melhor
sabor?
Disse a meu peito, a me pobre
peito:
- Não te contentas desta dor
errante?
Pois tu não vês que êste mudar
constante
A cada passo só nos traz a dor?
Êle respondeu: - Não! não me
contento,
Não me contento desta dor
errante...
Pois tu não vês que êste mudar
constante
Empresta às mágoas um melhor
sabor?
Alfred du Musset
Tradução de Castro Alves |
|
Hélinand
de Froidmont
|
Morte, tu me obrigas a mudar...
Morte, tu me obrigas a mudar
Nesta estufa em que meu corpo
sua
Todos os excessos do século.
Tu levantas sobre todos sua
clava,
Mas ninguém, no entanto, muda,
E ainda que mude, não se torna
sisudo.
Morte, o prudente teme sua
passagem.
Agora é ao próprio naufrágio
Que cada um se dirige.
Também eu já virei a página.
Já deixei prazeres e paixões.
Aquele que se não se enxuga para
sua desgraça sua.
Hélinand de Froidmont
Tradução de Heitor Megalea |
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O
poder curativo da morte
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"Na verdade, há inúmeras fontes
que descrevem as práticas
mórbidas dos primeiros
curandeiros europeus. Os romanos
bebiam sangue de gladiadores
como remédio contra epilepsia.
Mas foi só no Renascimento que o
uso de partes de cadáver na
medicina se tornou mais comum.
No começo, pós feitos de múmias
egípcias trituradas eram
vendidos como um 'elixir da
vida' (...). No início do século
17, curandeiros voltaram sua
atenção para os restos mortais
de pessoas que haviam sido
executadas ou até cadáveres de
mendigos e leprosos.
Paracelso, o médico germano-suíço, foi um dos defensores mais
veementes do uso de corpos, que
acabou ganhando popularidade até
mesmo nos níveis mais altos da
sociedade. Era lendária a
'insanidade medicinal', como
chama Sugg, do rei britânico
Charles II. Ele pagou 6 mil
libras por uma receita para
liquefazer o cérebro humano. O
regente aplicava o destilado,
que entrou para a história da
medicina como 'as gotas do rei',
quase diariamente.
Estudiosos e membros da nobreza, assim como pessoas comuns,
confiavam totalmente nos poderes
curativos da morte. Citando uma
fonte do século 19, a
antropóloga americana Beth
Conklin, por exemplo, escreve
que na Dinamarca os epiléticos
supostamente ficavam aos bandos
em volta dos cadafalsos, com uma
taça na mão, prontos para
beberem o sangue vermelho que
escorresse do corpo ainda
trêmulo. Crânios eram usados
como remédio, assim como o musgo
que tendia a brotar deles.
Acreditava-se que ele estancava
sangramentos.
A gordura humana supostamente aliviava o reumatismo e a
artrite, enquanto uma pasta
feita de cadáveres seria boa
para contusões. Sugg chega a
atribuir significado religioso
para a carne humana. Ele diz que
para alguns protestantes, ela
servia como uma espécie de
substituto para a Eucaristia, ou
o recebimento do corpo de Cristo
em Comunhão Sagrada. Alguns
monges até cozinhavam "uma
espécie de geleia" com o sangue
dos mortos."
Trecho da reportagem O
poder curativo da morte, de
Philip Bethge,
Der Spiegel/Uol, 31/01/2009,
traduzido por Lana Lim
Leia a reportagem completa AQUI
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Köerperwelten
& Der Zyklus des Lebens
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Instalações da exposição
Köerperwelten & Der Zyklus des
Lebens
(O mundo dos corpos & O ciclo da
vida), do Dr. Gunther von
Hagens, em Berlin |
Essas são
algumas das cenas que poderão ser vistas por
quem visitar a exposição
Köerperwelten & Der Zyklus des Lebens
do
Dr. Gunther von Hagens, que, já colocou
em polvorosa as igrejas católica e
protestante na Alemanha, que defendem que a
mostra atenta contra a dignidade humana
(como se algum ser humano coerente ainda
admita que nos reste alguma, na atual ordem
das coisas). Além dos religiosos e dos
membros da AAATV (Associação Alemã
de Avós e Tias-Velhas), políticos de
diversos partidos também se mostraram
chocados com a ideia expor em seu quintal
cadáveres plastinados trepando impunemente
aos olhos do ingênuo público de uma das
maiores capitais do planeta em pleno século
XXI. O deputado conservador
Kai Wegner perdeu o que lhe restava de
cabelos durante a declaração ao
Bild, onde defendeu que a obra
simplesmente não se enquadra naquilo que a
Constituição consagra como "liberdade de
expressão artística". É interessante notar
como certos detalhes ainda ocupam e
desatinam a mente de alguns líderes de
uma nação que no início do mês declarou
apoio à missão americana no Afeganistão.
Como se pode ver, para ser um completo
idiota não é necessário alguma
nacionalidade, credo ou partido político em
especial.
Entretanto, a grande verdade por trás disso
tudo é que von Hagens real- mente não tem
medo de causar polêmica. Um sujeito desses,
com uma ideia dessas, há alguns séculos,
conseguiria se manter vivo por no máximo
mais uns três dias, contando antes de ontem.
Com dois iguais a ele, o Vaticano faliria
antes de conseguir bancar cateterismo pra
todos os seus cidadãos.
O Dr. von Hagens é literalmente faca na
caveira. O resto é tudo fanfarrão.
|
Pequenas
considerações sobre a fé e a anarquia
Fé
Datação
1111 cf. JM3
Acepções
n
substantivo
feminino
1 no catolicismo, a
primeira das três virtudes
teologais
2 confiança absoluta (em alguém ou em algo); crédito
Ex.: um homem digno de fé
3 asseveração, afirmação, comprovação de algum fato
Ex.: em fé do que dizia, apresentou uma
documentação
4 compromisso assumido de ser fiel à palavra dada, de
cumprir exatamente o que se
prometeu
Ex.: violou a fé que devia ao amigo
5 Rubrica: filosofia.
na escolástica, crença
religiosa sem fundamento em
argumentos racionais, embora
eventualmente alcançando
verdades compatíveis com
aquelas obtidas por meio da
razão
6 Rubrica: termo jurídico.
credibilidade que deve
ser dada ao documento no
qual se funda, resultando
disso a própria veracidade
do documento
Etimologia
lat.
fìdes,éi
'fé, crença (no sentido
religioso), engajamento
solene, garantia dada,
juramento (na linguagem do
direito)'; ver
fi- |
|
Anarquia
Datação
1671 cf. EscV
Acepções
n
substantivo
feminino
1 sistema político baseado na negação do princípio da
autoridade
1.1 negação de qualquer tipo de autoridade
2 estado de um povo que, de fato ou virtualmente, não tem
mais governo
3 falta de organização e/ou de liderança em qualquer tipo de
atividade, local ou
instituição; confusão,
bagunça
Ex.: <a a. reinava em seus escritos> <a a. na
empresa provocou sua
falência> <esta casa é uma
a.>
4 qualquer entidade, organização social etc. desprovida de
direção e/ou normas
Ex.: a universidade está uma a.
5 Regionalismo: Portugal.
estado de confusão, bagunça; esculhambação
6 Rubrica: política.
teoria política e social segundo a qual o indivíduo
deveria desenvolver-se
livremente, emancipado de
toda tutela governamental
Etimologia
lat.medv.
anarchia,ae, do gr.
anarkhía,as 'falta de
chefe ou governo'; ver
a(n)- e
-arquia |
|
Fonte: Dicionário Houaiss
Pois é, eis duas daquelas palavras que à
primeira vista parecem não ter nada a
ver uma com a outra, mas que se
analisadas ipsis litteris e sem
paixão, infelizmente definem a
mesmíssima coisa: em tese uma grande
ideia, mas na realidade uma utopia quase
infantil.
Ah, Papai Noel também não existe.
Agora podem me xingar.
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Escatologias do Houaiss
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Factitìus |
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Anatomia
Artística
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"A anatomia acompanha o homem há
milhares de anos; existem
descrições anatômicas em textos
antigos, como no evangelho de
São Lucas da Bíblia, e na Ilíada
de Homero. Dante Alighieri
descreve a 'anatomia do diabo'
na Divina Comédia, e Cervantes
utiliza termos anatômicos em Dom
Quixote. A anatomia acompanha a
civilização, desenvolvendo-se ao
lado do conhecimento do corpo
humano. A Medicina surge no
Egito, no período 2700 - 2200
a.C. através dos antigos médicos
e cirurgiões dos Faraós,
mesclada com a magia, ocultismo
e crenças em divindades. Os
corpos dos faraós eram
embalsamados e suas vísceras
guardadas ao lado de seu
sarcófago, para a vida futura.
Herófilo, 335 a.C. - 280 a.C., médico e anatomista grego da
região onde se situa atualmente
a Turquia, é considerado por
muitos, como sendo o “Pai” da
Anatomia. Seus escritos foram
traduzidos por Galeno, porém,
boa parte deles se perdeu na
destruição da biblioteca de
Alexandria. Galeno, por cerca de
201-131 a.C., realizou estudos a
partir de dissecações de animais
e deixou uma das primeiras obras
de estudo de Anatomia e
Fisiologia, utilizada durante
centenas de anos. Foi
considerado como o 'Príncipe' da
Anatomia, e deixou muitos
seguidores.
A dissecação humana era um tabu nas sociedades antigas e
medievais até que, no início do
século XV, algumas universidades
Italianas permitiram que seus
médicos de maior credibilidade e
pessoas imunes ao comentários
gerais, promovessem dissecações
públicas de criminosos
executados, atraindo grande
público."
Trecho
introdutório de Anatomia
Artística, de Sérgio Prata
Edição do autor, com apoio da
Prefeitura Municipal de
Curitiba,
Curitiba, 2000 -
Leia o texto completo AQUI
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Necrológio
dos desiludidos do amor
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Necrológio dos desiludidos do
amor
Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no
peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os
jornais.
Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.
Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas nos
veremos
seja no claro céu ou turvo
inferno.
Os médicos estão fazendo a
autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles
possuíam.
Vísceras imensas, tripas
sentimentais
e um estômago cheio de poesia...
Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados competentemente
(paixões de primeira e segunda
classe).
Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem
amor.
Única fortuna, os seus dentes de
ouro
não servirão de lastro
financeiro
e cobertos de terra perderão o
brilho
enquanto as amadas dançarão um
samba
bravo, violento, sobre a tumba
deles.
Carlos Drummond de Andrade |
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A
morte de Jean-Paul Marat e a arte
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Cabeça de Marat Morto,
Jacques-Louis David, 1793 |
A morte de Marat,
Jacques-Louis David, 1793 |
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Charlotte Corday,
Paul-Jacques-Aimé Baudry,1860 |
Morte de Marat II,
Edvard Munch, 1907 |
 |
|
Morte de Marat I,
Edvard Munch, 1907 |
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O Assassinato de J. P.
Marat,
Tableaux Historiques de la
Revolution Française, 1901 |
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Charlotte Corday, o
Assassinato de Marat,
Jean Joseph Weerts, 1886 |
Quando apunhalou o peito do doente deputado
Jean-Paul Marat na banheira de sua casa, no
início da noite do dia 13 de julho de 1793,
a jovem Charllotte Corday sequer imaginava
que estava prestes a protagonizar aquela que
viria a se tornar uma das cenas mais
célebres da história da arte. Acreditando
que salvaria a França de uma iminente guerra
civil da qual o jacobino Marat seria um dos
maiores responsáveis, a girondina Charllotte
também assinara com seu ato, na véspera do
quarto aniversário da Tomada da Bastilha,
sua condenação à morte, que aconteceria
poucos dias depois, sob o peso da
guilhotina.
Em homenagem ao político adorado pelas multidões, escreveu, por ocasião
do assassinato, o
Marquês de Sade: "Como Jesus, Marat amou
ardentemente as pessoas, e apenas elas. Como
Jesus, Marat odiou reis, nobres, sacerdotes,
vilões e, como Jesus, ele nunca parou de
lutar contra estas pragas do povo."
Tendo sido um dos homens mais poderosos da França de seu tempo, ao
lado de Maximilien Robespierre e Georges
Danton, Jean-Paul Marat, aquele que publicou
em seu jornal imensas listas de inimigos do
povo, aos quais evocava condenação, teve
seus últimos momentos de vida retratados
posteriormente por inúmeros artistas.
Castigado por uma severa doença de pele,
naquela que provavelmente deva ser
considerada a primeira homenagem artística a
sua imagem, o cadáver de Marat serviu como
suporte à maquiagem dos pincéis de
Jacques-Louis David, que trabalhou na
restauração das cores originais do corpo do
chamado l'Ami du Peuple, tornando-o
mais belo aos olhares populares. Seu coração
foi embalsamado e guardado no Club des
Cordeliers e seus restos mortais
enviados ao Panthéon de Paris. O
momento de sua morte, no entanto, continua
intacto, exposto em diversos museus pelo
mundo.
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Mosca-Varejeira
|
"A dra. Kay Scarpetta aproxima o
pequeno frasco da vela acesa,
iluminando uma larva que bóia em
uma solução venenosa de etanol.
De imediato ela percebe o estágio exato de metamorfose
daquela carcaça cremosa, do
tamanho de um grão de arroz,
antes que fosse preservada em um
frasco de amostra com uma tampa
preta de rosca. Se a larva
tivesse sobrevivido, teria se
transformado em uma Calliphora
vicina azul, uma
mosca-varejeira. Poderia ter
colocado seus ovos na boca ou
nos olhos de um cadáver humano,
ou nas feridas fétidas de uma
pessoa viva.
(...)
'Vou chamá-la de Larvínia, embora ainda não se possa
determinar o gênero', decide
Scarpetta, os óculos de armação
metálica refletindo a luz
oscilante da vela. 'Mas acho que
é um bom nome para uma larva.'
Um ventilador de teto estala e
entorta a chama dentro do globo
de vidro enquanto ela ergue o
frasco. 'Quem vai me dizer qual
é o instar da Larvínia? Em que
estágio de vida ela estava antes
que alguém' - ela examina
cuidadosamente os rostos na
mesa, parando em Nic de novo -
'a colocasse neste frasquinho
com etanol? E a propósito,
suspeito que a Larvínia tenha se
afogado. As larvas precisam de
ar tanto quanto nós.'"
Trecho
de Mosca-Varejeira, de
Patricia Cornwell
Companhia das Letras, São Paulo,
2006
|
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Todd
Bratrud
Criado em uma pequena comunidade agrícola da
cidadezinha de Crookston, nos cafundós do
judas do estado norte-americano de
Minnesota, Todd Bratrud é um artista que fez
do desenho e do skate a sua vida. Atualmente
desenvolve diversos trabalhos que transpiram
uma atmosfera excêntrica e burlesca para
marcas como
Flip Skateboards,
Volcom,
The Skateboard Mag,
Nike,
Familia Skateboard Shop e
Teenage Runaway Urethane.
Mais do trampo de Todd
aqui,
aqui,
aqui,
aqui,
aqui e
aqui.
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Bibliomania
II
Andei comprando e lendo algumas
coisas nos últimos dias de caos em
que me encontrei por conta da
reforma do meu apartamento. Graças à
boa vontade de Jeová, Alá, Brahma,
Zeus, Odin, Amon-Rá, Olòdùmarè,
Dannan e de mais uma penca de outros
deuses que se apiedaram de mim e
decidiram preservar o me restava de
sanidade mental, agora tenho
condições emocionais para postar às
duas ou três almas que penam neste
blog alguma coisa about:
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Kalevala - Poema Primeiro,
edição bilíngue finlandês/português, de
Elias Lonnrot, Álvaro Faleiros e José
Bizerril, Ateliê Editorial: Traduzido
para mais de trinta idiomas
dos cinco continentes, mas
ainda pouco conhecido no
Brasil, o poema épico
nacional finlandês, Kalevala,
resulta do trabalho de
pesquisa, compilação e
composição do erudito
romântico Elias Lönnrot
(1802-1884), a partir de
diversas fontes da tradição
oral camponesa da Finlândia.
O texto, composto por
cinquenta cantos, tornou-se
obra da literatura
finlandesa e um de seus
símbolos de identidade
nacional.
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Transliteração do Hebraico para Leitores
Brasileiros,
de Saul Kirschban e outros, Ateliê
Editorial: Os padrões de
transliteração utilizados no
Brasil, eram adequados a
leitores do alemão, do
inglês, do espanhol, idiomas
que também fazem uso dos
caracteres latinos, mas não
adequados ao leitor do
português, uma vez que não
há correspondência plena
entre os valores fonéticos
dos caracteres latinos
nesses idiomas. Respondendo
a essa necessidade, foi
constituída uma comissão do
centro de estudos judaicos e
do programa de pós-graduação
em língua hebraica,
literatura e cultura
judaicas da FFLCH/USP, com o
propósito de elaborar um
padrão de transliteração do
hebraico adequado ao leitor
brasileiro. Esta publicação
é o resultado do trabalho da
comissão, e constitui uma
primeira proposta; ou seja,
espera-se que o padrão
proposto seja utilizado
durante certo tempo, e
depois revisado,
incorporando-se as sugestões
e críticas que tiverem
surgido em decorrência dessa
primeira fase de utilização. |
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Brasil - A história contada
por quem viu,
de Jorge Caldeira, Editora
Mameluco: Qual era a cor
da mula que d. Pedro I
montava no dia 7 de setembro
quando proclamou a
independência do Brasil? O
que Getúlio Vargas fez
segundos antes de atirar
contra o próprio coração? O
que Jânio Quadros fazia
enquanto tramava um golpe?
Esses e outros detalhes
aparecem em meio aos
depoimentos históricos
selecionados para compor
'Brasil - a história contada
por quem viu'. O livro,
resultado de dois anos de
trabalho de uma equipe de 21
pessoas chefiada por Jorge
Caldeira, revela ao público
brasileiro a história do
Brasil contada a partir do
olhar das pessoas que
viveram os mais importantes
momentos da construção da
nossa nação. O livro traz
173 depoimentos que vão
desde a chegada de Cabral
até o final do século XX.
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A solução de Poincaré,
de Donal O'Shea, Editora Record: Donal
O’Shea narra a trajetória do
conhecimento da geometria
desde os escribas da extinta
Babilônia até os grandes
nomes da matemática do nosso
tempo que levaram à famosa
proposição de Poincaré e
relata as tentativas de
resolvê-la ao longo do
último século.
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O
Médico e o Monstro,
de Robert Louis Stevenson, L&PM Pocket:
As suspeitas começaram
quando Mr. Utterson, um
circunspecto advogado
londrino, leu o testamento
de seu velho amigo Henry
Jekyll. Qual era a relação
entre o respeitável Dr.
Jekyll e o diabólico Edward
Hyde? Quem matou Sir Danvers,
o ilustre membro do
parlamento londrino? Assim
começa uma das mais célebres
histórias de horror da
literatura mundial. A
história assustadora do
infernal alter ego do Dr.
Jekyll e da busca através
das ruas escuras de Londres
que culmina numa terrível
revelação. O estranho caso
de Dr. Jekyll e Mr. Hyde
originou-se de um sonho que
Stevenson, o autor, teve
certa vez. Ao despertar ele
se recordou de 'uma boa
história de fantasma'. O
foco da personalidade
dividida, sugestão
subjacente de que o mal é
potencialmente mais poderoso
que o bem, mantém a contínua
popularidade da trama ao
longo de mais de cem anos.
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Gripe
espanhola em São Paulo 1918 - Epidemia e
Sociedade,
de Cláudio Bertolii Filho, Editora Paz e
Terra: Este livro tem o
compromisso de retomar a
história da Cidade de São
Paulo sob perspectivas
renovadas, ao enfocar o
momento da história
paulistana pautado pela
trágica epidemia gripal que
ocorreu no último trimestre
de 1918. Nos 66 dias que a
cidade conviveu com a doença
e com a morte, revelaram-se
novas facetas de uma cidade
que buscava ajustar a sua
vida nos quadros da
modernidade. A epidemia
trouxe à tona tanto a
fragilidade, como o poder de
resistência de uma cidade de
imigrantes, tomado por um
medo sem precedentes, mas
também por iniciativas
centradas na solidariedade
coletiva e no socorro mútuo. |
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Jacques
Prévert
|
A pesca da baleia
À pesca da baleia, à pesca da
baleia,
Dizia o pai com voz colérica
Ao seu filho Próspero, deitado
ao lado do armário,
À pesca da baleia, à pesca da
baleia,
Você não quer ir,
E por quê posso saber?
E por que irei, papai, pescar
Um animal que não me fez nada,
Vá velho, vá você mesmo
pescá-la,
se isso lhe dá tanto prazer,
Prefiro ficar em casa com minha
pobre mãe
E o primo Gastão.
Então na sua baleeira sozinho o
pai se foi
Pelo mar encapelado…
Eis o pai no mar,
Eis o filho em casa,
Eis a baleia enraivecida,
E eis o primo Gastão que vira a
sopeira,
A sopeira com caldo.
O mar estava bravo
A sopa estava boa.
E eis que Próspero sentado se
entristece:
À pesca da baleia não fui
E por que não fui?
Talvez a gente a tivesse
arpoado,
E então teria sido possível
comê-la.
Mas eis que a porta se abre e,
escorrendo água,
O pai aparece sem fôlego,
Trazendo a baleia às costas.
Joga o animal na mesa, uma bela
baleia de olhos azuis,
Um animal como raramente se vê,
E diz com voz queixosa:
Depressa, vamos esquartejá-la,
Tenho fome, tenho sede, quero
comer.
Mas eis que Próspero se levanta,
Olhando o pai no branco dos
olhos,
No branco dos olhos azuis de seu
pai,
Azuis como os da baleia de olhos
azuis
E por que vou esquartejar um
pobre animal que nada me fez?
Azar o meu, desisto da minha
parte.
Depois joga a faca no chão
Mas a baleia pega da faca e,
arremessando-se contra o pai,
Fura-o de um pai ao outro.
Ah, ah, diz o primo Gastão,
Isso me lembra a caça, a caça
das borboletas.
E eis
Eis que Próspero que redige o
aviso fúnebre,
A mãe que fica de luto pelo
pobre marido
E a baleia com lágrimas nos
olhos, contemplando o lar
destruído,
grita de repente:
Por que matei esse pobre
imbecil,
Agora os outros vão me caçar
numa motogodile
E depois vão exterminar todos os
meus.
Então, soltando uma gargalhada
inquietante,
Caminha para a porta e diz
Casualmente à viúva:
Ó dona, se alguém me procurar,
Seja gentil e responda:
A baleia saiu,
Queira sentar
E esperar,
Dentro de uns quinze anos talvez
esteja de volta…
Jacques Prévert
Traduzido por Silviano Santiago |
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Jim's
Skull Art
Curtiu?
Conheça o trampo de Jim, o
cirurgião-plástico dos crânios, visitando
seu espaço na web, em
www.jim-skullgallery.com.
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Reforma
Reformar um
apartamento vivendo dentro dele é o tipo de
situação que insere qualquer um em uma
espécie de brisa de marofa interminável, em
um mundo surreal digno de uma pintura de
Salvador Dalí, onde atores que aten- dem
pelas alcunhas de pedreiro,
azulejista, pintor, encanador,
marceneiro e ajudante
envolvem-se em um complexo mise-en-scène
que tem como único e principal objetivo
testar a sua sanidade mental.
A
Discovery deveria parar de enviar
Bear Grylls e
Les Stroud para lugares acessíveis como
o Deserto da Namíbia, a Cordilheira do
Himalaia, os Pântanos da Flórida ou a
Floresta Amazônica e mandar os caras pra um
apartamento em reforma, pra eu ver se eles
são mesmo feras nesse lance de
sobrevivência.
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Apocalypse
Now
Dissertar
acerca da forma como os brasileiros reagem
em situações-limite seria algo
aparentemente complicado, pois aquilo que
aflige a um, muitas vezes revela-se a tábua
de salvação do outro. Como diz o velho
ditado "aquilo que é remédio pro pato, pode
ser veneno pra marreca". Dessa maneira,
colocando-
-me diante da atual situação brasileira e
analisando a realidade que me cerca, não
consigo vislumbrar situação-limite mais
perfeita do que o momento social em que
vivemos, onde me vejo sentado diante de uma
parede de pau-a-pique que tenta ser
encoberta por uma cópia mal feita de um
quadro de Renoir. E nesta situação, a
moldura que me envolve é mais ou menos a
seguinte:
O telefone está pela hora da morte. O combustível custa os
olhos do freguês a cada enchida de tanque.
Passagem de ônibus e metrô então, nem se
fala. Sapato custa uma fortuna. Pedágio já
virou piada. A energia elétrica brilha sob
tarifas histriônicas. Ninguém pode mais
telefonar, andar de carro, ônibus, metrô ou
a pé, a menos que seja descalço, pra gastar
só as solas dos pés. E "ai" se precisar de
Merthiolate: remédios também estão
fora de cogitação. Viraram supérfluos há
tempos. O sujeito não pode mais viajar, ver
TV, ouvir rádio, ligar o computador ou
acessar a Internet. Não tem nem ao menos o
direito de ficar doente. Tudo o que coloca
um ser humano em contato com outro está
custando um absurdo, praticamente uma
extorsão consentida. Isso é muito
complicado.
Em pleno século XXI, enquanto o mundo todo converge, a gente
senta de cócoras e chora. Enquanto o planeta
fica mais pequeno, assistimos às nossas
distâncias aumentarem lentamente e nos
assustamos com o abismo imoral que se abre
diante de nossos olhos, deixando as
esperanças do lado de lá do cânion. E a cada
vez mais, interesses de poucos e maus
negociadores lideram a corrida que nos leva
por uma viagem numa estrada que parece não
ter retorno. Somos todos passageiros de um
caminhão desgovernado, que degrin-
gola montanha abaixo sem motorista, na
direção de um inferno social pautado pela
violência e pela miséria, pela arrogância e
pela desumanização do próximo.
Viajamos na contramão do mundo e temos a ingenuidade de
acreditar que não seremos esmagados pelo
fluxo de 6 bilhões de pessoas que batem
contra nossas caras a cada meio metro. Do
jeito em que as coisas andam é uma questão
de tempo até que o atual regime camuflado de
castas nos seja im-
posto explicitamente. Da mesma forma que o
Código de Manu impunha claras restrições ao
povo indiano, reservando o privilégio da
educação exclusivamente aos conquistadores
árias, vivemos um momento onde a o povo
brasileiro vive sob a sombra da mediocridade
num delicado estado de aculturação. Sob a
mira de nações especuladoras, não consigo
imaginar nada mais perigoso e preocu-
pante. Estamos a poucos passos de aceitarmos
a condição de sub-raça, dian-
te da onipotência dos petrodólares num
cenário mundial cada vez mais crítico.
De mãos atadas em um turbilhão furioso em mar aberto, só nos
resta prender a respiração e torcer para
suportar a falta de ar que nos sufoca a cada
vez que afundamos no Adamastor que assombra
nosso Cabo das Tormentas chamado Brasil.
Enquanto enchemos com sal marinho nossos
olhos vazados pelo cansaço de uma espera que
nunca acaba, sentimo-nos impotentes diante
da natureza tenebrosa que parece nos
envolver. Em épocas de reformas
orçamentárias e previdenciárias, sabermos
que políticos e juízes fazem o possível
estar de fora do processo é um soco na boca
do estômago. Quando a própria justiça se vê
no direito de estar acima das regras comuns,
vislumbramos o contêiner de esterco que
paira sobre nossas cabeças, prestes a ser
aberto para nos cobrir com toda sujeira que
até então estava escondida debaixo do
tapete.
E enquanto o seu salário aumenta ridiculamente nas proporções
de um átomo de hidrogênio no vácuo
interestelar, as tarifas e preços disparam
como foguetes rumo à estratosfera. Cada vez
mais o seu bolso se esvazia e a caixa-forte
dos colonizadores se atulha como uma velha
gorda e opulenta a rir da sua esquelética
desgraça monetária. As coisas são mesmo
assim. Sugiro então que deixemos crescer as
barbas e nos mudemos pra cavernas no Nepal.
Viremos-nos pois, ermitões da montanha.
Assim poderemos aproveitar esta caricata
situação para ao menos crescer
espiritualmente. Atinjamos o nirvana munidos
do sofrimento terreno que nos faz humanos
até que as portas do Valhala se abram com
virgens e néctares e afaste de nós a dor de
termos sidos saqueados e vilipendiados sem
direito à divina defesa.
Isto é, até que descubramos que a tão esperada entrada para o
Paraíso vai nos custar muito mais dinheiro
do que todo aquele que conseguimos
economizar durante a vida. Afinal de contas,
se fomos mesmo feitos à Sua imagem e
semelhança, esta piada deve ter um final
muito mais patético do que possamos
imaginar. Preparem seus bolsos: o ingresso
que leva àquela nuvem com aparência de
algodão-doce vai lhe custar a auréola e
talvez alguma coisa mais que por enquanto a
gente acredita que alma desencarnada não usa
nem pra ir ao banheiro.
É.
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House
M.D.: Season 5, Episode 19 - "Locked in"

Acabei de
assistir ao Episódio 19 da 5ª Temporada de
House M.D., Locked in, cuja trama
gira em torno de Lee, que após ser
atropelado enquanto andava de bicicleta,
está prestes a ter seus órgãos retirados
para transplantes por se encontrar em um
aparente estado vegetativo. A situação
desesperadora é vista do ponto de vista de
Lee, que percebe tudo o que se passa a seu
redor mas não consegue se comunicar com os
médicos e avisá-los de que, embora pareça
completamente imóvel, permanece totalmente
consciente.
No entanto, eis que Lee tem como companheiro
de quarto, no leito ao lado, um sujeito que
sofrera um acidente de moto e que está
atento a tudo o que se passa com ele e que,
graças a sua fodíssima capacidade
diagnóstica, percebe que o candidato a
salvador de vidas está na verdade preso
dentro de si mesmo devido à Síndrome do
Encarceramento. Obviamente, o acidentado
fodão em questão é o Dr. Gregory House, que
consegue transferir Lee para seu hospital, o
Princeton-Plainsboro.
O roteiro não é exatamente um dos mais
ferrados dessa série, que é uma das mais
ferradas de todos os tempos, mas a situação
que ele apresenta me parece muito mais do
que uma trama envolvendo um raro caso
médico, pois a Síndrome do Encarceramento
é um desses eventos médicos em que as
possibilidades reais às quais um ser humano
pode ser reduzido parecem quase uma metáfora
dos medos e preconceitos sociais aos quais
todos estamos expostos. A Síndrome do
Encarceramento é uma daquelas doenças que
parecem sair de uma fábula e um desses casos
em que a vida insiste em soar como mera
arte.
Quem nunca se sentiu preso dentro de si
mesmo, que atire a primeira pedra.
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For
animals eternal Treblinka
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For Animals
For animals eternal Treblinka
Está repleta de martírio a
memória que me deram.
A mãe levava-me pela mão. O
perímetro sacrificial era já
ali. O som das aves antecipando
o fim, os gorjeios inocentes, a
emudecida violência das carcaças
expostas, as vísceras, o fedor
das vísceras gritando. Fúria e
som esgotavam-se em podridões.
Em certos ângulos do perímetro
bancas clamavam verdade e
comércio. Copiosas, as carnes
esfoladas surgiam suspensas em
metálicos ganchos. Penas e
plumas encharcadas
pejavam o chão. Uma ave
decapitada abraçava o mundo. Em
certos pontos do perímetro
estreitos canais expulsavam o
sangue para um sítio que me
pareceu distante, tão distante
quanto um país distante.
A gutural agonia apagava-se.
Fechavam-se as cortinas para a
tranquila refeição do meio-dia.
For Animals, de Luís
Quintais
in Duelo, Edições
Cotovia, Lisboa, 2004
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Seamus
Heaney
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Seguidor
Meu pai lavrava com charrua e
cavalo.
Os ombros redondos como velas
pandos
Entre os varais e o sulco.
Bastava um estalo
De língua e os cavalos iam
forcejando.
Um conhecedor. Colocava a
travessa
E ajustava a relha de aço agudo
e vivo.
Rolavam sem quebrar os torrões
de terra.
Na borda do campo, um tirão
imprevisto
De rédeas, a junta suarenta
virava
E voltava para o terreno. Ele
Estreitava um olho a fitar a
lavra,
Traçando o sulco exatamente.
Eu tropeçava nas pegadas das
botas,
Caía às vezes na céspede
luzidia;
Às vezes ele levava-me nas
costas
Descendo e subindo ao ritmo da
lida.
Eu queria crescer e lavrar,
Fechar um olho, firmar os
braços.
Tudo o que fiz foi seguir sem
parar
Pela fazenda à sombra de seus
passos.
Um estorvo, falante, falseando,
Caindo sempre. Mas agora
É meu pai que vive tropeçando
Atrás de mim, e não vai embora.
Seamus Heaney
Traduzido por José Antonio
Arantes |
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Seamus Heaney usa as palavras de
uma maneira muito foda. Parece
que praticamente tudo o que ele
escreve transpira um pouco do
suor de um homem que carrega uma
espécie de peso asfixiante no
plexo, por ter abandonado seu
país durante a crise civil. Cada
uma de suas lembranças
cristaliza o sal desse suor em
textos que eu sinto se mexerem
dentro da minha cabeça.
O fato é que Heaney guarda em
cada um de seus versos o peso da
saudade. E exatamente por isso
eu acho que o poema acima foi
uma das coisas mais
filhasdaputamente profundas que
eu li nos últimos tempos.
Posso até soar exagerado escrevendo isso, mas o fato é que
tenho cá meus motivos pra tanto.
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Bobok
|
"Saí para me distrair e fui dar
comigo num enterro... Há uns
vinte e cinco anos, penso, eu
não ia ao cemitério. O lugar não
é nada atraente. Para começar, o
cheiro. Uns quinze mortos
acabavam de ser levados para lá.
(Talvez a noção de "atacado", de
muitos mortos, banalize ainda
mais a situação. Não se perdeu
alguém importante, mas são
perdas normais que acontecem a
cada dia). Mortalhas de
categorias diferentes. Havia
mesmo dois catafalcos, o de um
general e o de uma dama.
Numerosas figuras tristes,
desgostos bem simulados, muita
alegria franca. Acrescento que
não havia lugar para chorar: é
preciso levar em conta os
pequenos proveitos. Mas o
cheiro, o cheiro! Eu não queria
ser capelão de um cemitério.
Examinei com circunspecção o rosto dos mortos, não
confiando de modo nenhum em
minha impressionabilidade. Havia
expressões de doçura e outras
desagradáveis. Os sorrisos, em
geral, não são nada belos e
mesmo, em alguns, estão longe de
o ser. Não gosto disso, chega o
que se sonha."
Trecho
de Bobok, de Fiódor
Mikhailovich Dostoiévski,
página 220, Editora Cultrix,
1985
|
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Um
trecho sobre Semmelweis
|
"Semmelweis logo entendeu que
ainda não tinha conseguido
encontrar a explicação completa
nem o método seguro de prevenir
a febre puerperal. Analisando
esse caso, ele logo se convenceu
de que a doença devia ter sido
transmitida às mãos dos
estudantes e médicos depois que
eles haviam entrado na Clínica.
Notou então que, na fileira de
mulheres que haviam morrido, a
primeira paciente já tinha
ingressado no hospital com uma
doença do útero, da qual saía um
líquido com odor fétido. Após
examiná-la, Semmelweis e seus
estudantes haviam apenas lavado
as mãos com sabonete, e passado
a examinar as pacientes
seguintes, que depois adoeceram
com febre puerperal.
Semmelweis concluiu que o material transmitido da
primeira paciente para as outras
havia produzido a enfermidade.
Embora não se tratasse
propriamente de matéria
cadavérica, o líquido que
saía da ferida do útero podia
ser considerada como um material
em decomposição, tendo
propriedades semelhantes ao
material de um cadáver.
Note-se que, a rigor, a hipótese inicial de Semmelweis
teve que ser rejeitada. A causa
da mortalidade não era apenas o
transporte de material dos
cadáveres para as pacientes.
Existe uma semelhança entre os
dois casos, mas não uma
identidade. Apesar disso,
Semmelweis continuou a se
referir sempre à matéria
cadavérica, o que produziu
muita confusão sobre suas
idéias."
Trecho
de Contágio: A história da
prevenção das doenças
transmissíveis, de Roberto
de Andrade Martins,
Cap. 9: O processo de
transmissão das doenças,
Versão Online, disponível
AQUI |
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Filipe,
o Sábio

Se eu tivesse
que nascer argentino, assim, e não tivesse
mesmo jeito, eu ia querer nascer o Quino.
Grande cara, esse.
|
Devia
morrer-se de outra maneira
|
Devia morrer-se de outra maneira
Devia morrer-se de outra
maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por
exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados,
fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as
manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um
cartão de convite
para o ritual do Grande
Desfazer: "Fulano de tal
comunica
a V. Exa. que vai transformar-se
em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos
de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de
cerimónia, viríamos todos
assistir
à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura
de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho,
sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar
raízes...
(primeiro, os olhos... em
seguida, os lábios... depois os
cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer,
começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão
subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêm?) —
nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de
lábios azuis...
José Gomes Ferreira |
|
Don't
judge
Para tudo. Agora
observe com cuidado cada uma das fotografias
abaixo, cada uma diz explicitamente algo:
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Don’t |
 |
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judge |
 |
|
people |
 |
|
according |
 |
|
to |
 |
|
their |
 |
|
appearence |
 |
Don’t
judge people according to their appearance:
é isso o que as imagens acima, dispostas em
sequência, dizem. O projeto fotográfico é de
Peter Chmela. Só não é melhor porque não fui
eu quem tive essa ideia. Simplesmente
fodástico.
|
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|
Sobre
Vírus, Porcos e Homens
A gripe é uma doença infecciosa causada
pelos vírus Orthomyxoviridae, também
conhecidos como Mixavirus e que
englobam os Influenzavirus dos tipos
A, B e C, os
Isavirus e os Thogotovirus.
Desses, apenas os Isavirus parecem
não nos oferecer risco de infecção, ficando
restritos exclusivamente a uma espécie de
salmão. Apesar de o maior índice de
relevância clínica em humanos pertencer aos
Influenza A e B, todos os
demais são passíveis de atacar qualquer um
de nós, sendo o Influenza A,
especificamente os do serotipo H1N1,
o agente etiológico da atual Gripe Suína.
O serotipo H1N1 dos Influenza A recebe essa
classificação, devido ao modelo específico
de resposta que o vírus dá a diferentes
anticorpos. Portan-
to, dentro desse conjunto
taxonômico, os Influenza A acabam por
serem separados de acordo com a forma como
interagem com a célula hospedeira a partir
da Hemaglutinina (recebendo a nomenclatura
H), que é uma glicopro-
teína cuja
função é ligar o vírus ao receptor da célula
hospedeira, e a Neura-
minidase (representada
na nomenclatura por N), uma enzima
responsável pela liberação do vírus nessa
mesma célula. Assim, para que o vírus
obtenha suces-
so em sua
reprodução, ele irá mover-se sobre a célula
hospedeira com uma molécula de Hemaglutinina
localizada em sua superfície e ligada a um
Ácido Siálico receptor localizado na célula
que pretende infectar. Em seguida, para que
o vírus se espalhe, a Neuraminidase
decomporá o Ácido Siálico do receptor,
libertando assim o agente infectante e dando
início ao processo que convencionamos chamar
gripe.
Deixando de lado outros detalhes específicos da virologia, o
que mais acaba por nos chamar a atenção são
os motivos pelos quais a gripe é uma doença
tão difícil de ser combatida e porque novos
vírus surgem a cada dia, sempre trazendo à
tona o medo de uma pandemia capaz de causar
milhões de mortes. Para isso é necessário
entender que os vírus que nos interessam
neste
momento, os Influenza, possuem uma
característica horrivelmente especial: trata-se de um agente que apresenta altas
taxas de mutações antigênicas, responsá- veis por introduzir frequentemente novas
variantes virais no ambiente. Essas mutações
são divididas em minor, ou drift,
e major, ou shift, sendo as
mutações do segundo tipo as mais preocupantes,
pois caracterizam um grau de evolução mais
agressivo do agente infeccioso, onde o que
se observa é o surgimento de uma linhagem
totalmente nova de vírus para a qual
geralmente não há imunidade por parte da
população.
Essas mutações ocorrem, especialmente, devido à grande
variedade de organismos onde os Influenza
são capazes de se instalar e de se
reproduzir associada, muitas vezes, aos
métodos humanos desenvolvidos para de
criação de certos animais. Na China, por
exemplo, é altamente comum a criação de aves
em viveiros dispostos acima de uma criação
de porcos. Nesse caso, os porcos acabam
sendo alvo dos excrementos das aves,
inclusive alimen-
tando-se dos mesmos. Isso
estabelece o trânsito do vírus responsável
pela gripe aviária para um organismo suíno,
onde ocorre a mutação que torna ao vírus
possível sua adaptação em um mamífero,
conduzindo por sua vez, a nova variante a
organismos humanos. Processos semelhantes
envolvendo outros tipos de animais podem dar origem a novas linhagens
virais responsáveis por novos focos de
infecção em diversas comunidades.
Também é importante lembrar que a principal característica da
mutação bem sucedida talvez seja a
preservação exclusiva e sistemática dos indivíduos mais
adaptados ao novo ambiente, o que significa
que em linhas gerais sobreviverão apenas os
vírus capazes de resistir aos medicamentos
tradicio- nais, dando origem, assim, a toda
uma cepa de descendentes com essa mesma
qualidade. Em contrapartida, os organismos
infectados também são capazes de reagir a
essas novas ameaças, havendo sempre a mesma chance de
surgirem indivíduos contra os quais as
estratégias de contaminação dos vírus não
surtirão efeito, o que selecionará
naturalmente, mais uma vez, os mais
adaptados à nova realidade. Essa é a beleza
justa da natureza, que oferece aos dois
lados a oportunidade de lutar com as mesmas armas.
Isso nos coloca diante de uma verdade óbvia: a Gripe Suína
não é a primeira grande candidata a
martelo apocalíptico, assim como não será a
última. Da mesma forma que a humanidade
sobreviveu à Gripe Espanhola de 1918
e 1919, à Gripe Asiática de 1957, à
Gripe de Hong Kong de 1968 e à
Gripe Aviária de 2005 -- apenas para
citar algumas das mais alardeadas pandemias
causadas pelos Influenza de que se
têm notícia --, também irá sobreviver à
Gripe Suína, afinal de contas os desde
sempre onipotentes Estados Unidos também já
sofreram com um
surto de mesmo nome em 1976, quando o então
Presidente Gerald Rudolph Ford Jr. ordenou a
vacinação em massa da população, causando
algo em torno de 25 mortes por
-- pasme -- consequência da própria
vacinação, contra apenas uma morte ocorrida
em virtude da famigerada Gripe Suína.
Há quem defenda que os meios de transporte atuais facilitarão
o alastra-
mento da gripe suína como nunca ocorreu
antes na história, mas se por um lado, o
vírus hoje viaja mais rápido, a notícia de
que isso está acontecendo, também, o que
torna mais fácil adotar medidas de prevenção
contra conta-
minações. Também não podemos nos esquecer de
que a tecnologia e a medicina modernas estão muito além do conhecimento
de outras épocas, o que tornam mais rápidas
e eficientes as tentativas de identificação
dos vírus e o diagnóstico da doença. E não é
novidade alguma o fato de que um diagnós-
tico prematuro e correto muitas vezes é a
diferença entre viver ou morrer.
É altamente improvável que venhamos a assistir hoje cenas
como aquelas vistas em São Paulo durante a
pandemia da Gripe Espanhola em 1918 e
1919, quando carroças funerárias do Serviço
Sanitário circulavam pela cidade carregadas
de cadáveres contaminados, deixados diante
das casas pelos familiares apavorados dos
mortos. Casas onde todos faleciam em
decorrência da gripe tinham os corpos
retirados pelo Serviço Sanitário para em
seguida serem desinfectadas e lacradas pelas
carroças do Serviço de Desinfecção. Isso
ocorria em virtude do recém promulgado
Decreto Estadual nº 2.918, que
apresentava os 800 artigos do então novo
Código Sanitário do Estado de São Paulo,
que por clara exigência da situação foi o
mais detalhista, abrangente e prescritivo de
todos os instrumentos legais à disposição
dos órgãos de fisca-
lização e controle das atividades
relacionadas à saúde até 1970. O próprio
Cemitério da Lapa, na Zona Oeste de São
Paulo -- local onde eu moro --, foi fundado
nesse momento histórico como uma das
respostas do governo de Altino Arantes à
escassez de espaço em outras necrópoles da
região. Ali foram depositados em valas
comuns centenas de corpos infectados.
Portanto, o que mais me intriga neste exato momento e como eu
já comen-
tei no Twitter quando essa história
começou a ser alardeada, é porque tanto
diz-que-me-diz pra Gripe Suína, se a
humanidade inteira já contraiu o Espírito
Suíno faz tempo e ninguém nunca comentou
nada.
Mais fácil entender os Influenza,
sério.
|
Stéphane
Halleux

Stéphane Halleux é um daqueles artistas
cuja obra poderia muito bem inspirar um
filme do
Tim Burton. O animismo mecânico
produzido por esse talen- toso belga, capaz
de transformar peças de antiquário em
aparatos
steampunk de aparências quase
orgânicas é, na minha opinião, o torna um
dos melhores nessa linha.
Stéphane une o real ao imaginário num
macabro amálgama digno dos mais perturbados
roteiros de ficção fantástica do séc. XIX.
Perca um pouco de seu valioso tempo ocioso visitando
o site do cara e tire suas próprias
conclusões.
|
Ele
& Ela
Ele
a xingou e ela nem retrucou. Ela poderia ter
dado na cara dele, mas preferiu dar
escondida.
|
|
|

|
António
de Macedo Papança, o Conde de Monsaraz
|
A Uma Creança Morta
Por sobre as tristes alfombras
daquelles ermos calados,
como um cortejo de sombras,
caminha o prestito... Ao longe,
na escarpa das penedias,
ouvem-se os psalmos do vento,
como a voz triste dum monge
sob as abobadas frias
de algum sinistro convento...
Não ha flor que não succumba...
Sobre os crepes de uma tumba
vae, morta, inerte, gelada
uma creança, uma flor...
Entremeadas de rosas,
os loiros, finos cabellos,
cingem-lhe, em fartos novellos,
as magras faces sem dôr.
Leva as mãos postas em cruz,
os olhos meio cerrados,
como uns crystaes bafejados,
immoveis, fixos, sem luz...
Ao olhar essa creança,
já morta naquella idade,
acóde-nos á lembrança
se acaso será verdade
haver no azul dos espaços
um Deus, um Deus que não erra
roubando os anjos á terra,
para cingil-os nos braços.
Vae caindo a noite... O mar
naquelle eterno luctar,
das entranhas palpitantes
arranca uns silvos profundos,
tristes, febris, gemebundos,
soturnos, longos, cortantes.
Ouve-se um sino a dobrar;
pára o trabalho nas eiras;
ao longe soa, cantando,
um fresco, sanguineo bando
de raparigas trigueiras.
Cantai, ó pombas! cantai!
que o vosso canto é a vida,
ó almas castas e francas!
É o adeus da despedida
áquella pomba que vae,
pelos escuros da morte,
sacudindo as azas brancas.
Cantai, ó pombas! cantai!
É noite... passam os ventos
entre a rama dos cypestres
e as alvas campas singellas.
Um mocho solta lamentos;
palpitam os pyrilampos;
voa o perfume dos campos...
E aquella triste creança,
a murcha, a livida flor,
tenho ainda na lembrança,
fria, desfeita, sem cor...
Disse-me alguem que o coveiro,
esse homem rude e grosseiro,
tomado de extranha magua,
ao vêl-a morta e tão nova,
quando a poz dentro da cova,
tinha os olhos rasos d'agua.
Conde de Monsaraz
PS: Foi mantida a grafia
original |
|
Tweetadas
VI
|
Um mês após começar a utilizar o
Twitter, eu ainda não
enxerguei por ali nada de
intrinsicamente novo, mas apenas
uma proposta que foi capaz de
migrar algumas características
dos comunicadores instantâneos
para um ambiente mais aberto e
viabilizar um modelo de
plataforma que retira de quem
escreve a obrigação de responder
a quem o lê. O
Twitter é linear no sentido
de dar virtualmente ao Zé-Ruela
que ninguém segue as mesmas
oportunidades que dá ao fodão
seguido pelo deserto digital tal
e qual um Jesus Cristo geek.
Através dos singelos 140 toques
abduzidos do SMS, é também mais
fácil não escrever cagadas, mas
ao mesmo tempo elimina a
maquiagem que os textos mais
longos geralmente conferem às
ideias de quem no fundo não tem
muito a dizer.
O
Twitter possibilita às
estrelas do mundinho pop mais ou
menos algo como a chance de
aparecer pra jantar num
restaurante badaladinho
qualquer, dar uma palestra em
cima da mesa, dizer as merdas
que quiser com aval do dono e ir
embora sem ninguém pra lhes
pedir autógrafos ou cobrar a
conta. E na minha humilde
opinião, é justamente esse o
ponto que vem conduzindo o
serviço ao sucesso. Doido.
Em resumo: o lance nos permite
ver nas pessoas exatamente
aquilo que elas sempre quiseram
esconder acerca de si mesmas.
Enquanto rede social, no
entanto, tende a evoluir mais
dentro daquilo que a matemática
denomi- naria
Teoria do Caos do que
daquilo que as ciências
políticas denominariam
Democracia e/ou
Liberdade.
Não é ruim não, heim.
|
Ultimamente ando precisando usar
tampões de ouvido pra conseguir
dormir. Meus vizinhos são
definitivamente uns malas. Ou
talvez eu seja.
7:28 PM Apr 29th from web
O Lula é tão cagado que o único
dedo que lhe falta é justamente
aquele que doeria menos quando
ele decidisse enfiá-lo na nossa
bunda.
6:38 PM Apr 29th from web
The Big Bang Theory é a melhor
comédia atual. O fato de eu ser
nerd não conta, obviamente.
8:32 PM Apr 28th from web
Não sei porque tanto
diz-que-me-diz pra gripe suína,
se a humanidade inteira já
contraiu o espírito suíno faz
tempo e ninguém comentou nada.
7:07 PM Apr 28th from web
Viver mata.
5:06 PM Apr 27th from web
Aviso aos navegantes: algumas
atitudes simplesmente não têm
volta.
2:10 PM Apr 27th from web
Pra mim alguns vínculos humanos
eram absolutamente inquebráveis,
mas não, todos, sem excessão,
mantém-se por estruturas
extremanente frágeis
2:09 PM Apr 27th from web
Às vezes eu gostaria de dizer
várias verdades às pessoas, mas
me desanima saber que elas vão
pensar que é mentira.
7:19 PM Apr 23rd from web
A física quântica afirma que não
existe vácuo perfeito. Mas ela
não explica a cabeça do Lula,
claro.
6:17 PM Apr 23rd from web
Eu mando as pessoas irem se
foder, mas elas insistem em não
ir.
8:58 PM Apr 22nd from web
Não é por nada não, mas algumas
pessoas deveriam praticar roleta
russa com uma pistola 380.
10:36 AM Apr 21st from web
Algumas bundas me deixam
simplesmente maluco. E alguns
cérebros também.
2:51 PM Apr 20th from web
Um porco não voa simplesmente
porque ele não tem asas. Não
queira entender o motivo: aceite
o fato de que ele apenas não
nasceu com asas.
9:28 PM Apr 19th from web
Então tá. Tou indo até ali tomar
um cartela de fluoxetina com uma
dose de cicuta pra ver se
acalmo.
9:52 PM Apr 18th from web
Quando nos faltam ideias as dos
outros vêm bem a calhar.
8:21 PM Apr 18th from web
Uma das coisas que mais andam me
fazendo pensar ultimamente é o
motivo pelo qual a inteligência
tem um limite, mas a idiotice
não. Foda.
3:59 PM Apr 18th from web
Em tempo: Jamais confunda
henologia com enologia. Esse H a
menos pode ser a causa de uma
ressaca filhadaputa.
7:16 PM Apr 17th from web
O grande problema em uma
sociedade é que ninguém quer
entrar com a bunda, mas todo
mundo quer entrar com o pau.
2:43 PM Apr 17th from web
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A
fatal exception 0E has occurred at
028:C0282dB0...
E mais uma vez
servindo como modelo básico para confirmação
das mais complexas teorias capazes de
descrever a psicologia humana, este humilde
sociopata comprovou a existência da
Síndrome de Adaptação Geral. Pois é,
Hans Selye estava certo ao propor um
sistema capaz de compensar as alterações
psicológicas e ambientais controlado pelas
glândulas adrenais. Após uma sobrecarga de
pepinos pra abraçar e um cu apertado demais
pra a realização eficaz da tarefa, a medula
e o córtex responderam com a Fase de
Alarme, a de Choque e a de
Contra-Choque, a de Resistência
e, finalmente, com a de Exaustão, que
é quando o sistema operacional resolve
apresentar uma linda tela azul. Nesse caso,
diante do Erro Fatal, não resta nada além de
abortar as aplicações em execução e
pressionar CTRL+ALT+DEL. É claro que todas
as informações acabam sendo perdidas, mas
pelo menos os miolos renascem menos
comprometidos e mais capazes de continuar a
funcionar.
Nada como um feriado pra gente conseguir
desfragmentar o cérebro, fazer um scandisk
completo, restaurar o sistema e alterar
algumas configurações.
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Toda a proposta deste blog está resumida em seu
título e subtítulo: "Blood
Pack - sobre a arte
de reciclar seu próprio sangue". Se você
não entendeu o que isso significa, é provável
que não entenda mais nada do que acontece por
aqui. Aliás, se você não entendeu isso, é
bastante provável também que nem esteja lendo
esta nota, afinal de contas, quem lê as letras
miúdas nos contratos, não é mesmo?
Blood Pack
é escrito e produzido por Jack Skellington. Você
pode reproduzir os meus textos onde quiser, mas
cite a fonte. Se você gostou do que leu aqui,
escreva um
e-mail
comentando, pra gente conversar. Se não gostou,
nem perca tempo tentando me azucrinar, pois eu
não vou estar nem aí pra tua crítica. Se curtiu
o blog, indique-o para os seus inimigos. Se não
curtiu, vá tomar no cu e não volte mais aqui,
que você ganha mais. |
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