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26 de Novembro de 2009.
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1945
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A fotografia acima revela um dos
momentos mais reflexivos da história
da II Grande Guerra: os cadáveres do
ditador italiano Benito Mussolini e
de sua amante, Claretta Petacci,
fuzilados em 28 de abril de 1945 e
pendurados durante vários dias na
Piazza Loreto, em Milão, para que
pudessem ser vilipendiados pela
multidão em uma espécie de catarse
coletiva.
Apesar de suas últimas palavras
terem sido Atirem aqui
― apontando para o peito ―
Não destruam meu perfil, o
ditador teve seu rosto totalmente
desfigurado pelos populares durante
os dias em que seu corpo permaneceu
exposto como um animal abatido em
Milão.
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23 de Novembro de 2009.
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Médico
e Açougueiro
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"No centro da arena, o
cadáver de um homem de 72 anos –
cuja pele adquiriu um tom
azulado depois de permanecer por
oito meses no formol – repousa
sobre uma bancada. Usando um
jaleco azul e o chapéu preto que
se tornou sua marca, o
mestre-de-cerimônias entra em
cena com um bisturi. Depois de
fazer uma incisão em forma de Y
no tronco do morto, ele extrai
seus órgãos: coração, pulmões,
estômago, fígado e rins. Em
seguida, abre seu crânio com uma
serra, retira o cérebro e o
coloca numa bacia. A platéia vem
abaixo. Esse espetáculo mórbido
ocorreu na Inglaterra no último
dia 20, quando 350 pessoas
disputaram a tapa ingressos para
assistir a uma autópsia pública
conduzida pelo anatomista alemão
Gunther von Hagens. Além delas,
cerca de 1,4 milhão de
espectadores acompanharam o
evento pela TV. Foi a mais
recente empreitada de um
personagem polêmico. Von Hagens
é o responsável pela exposição
Body Worlds ('Mundos
Corpóreos'), que desde 1996 já
foi vista por 10 milhões de
pessoas em sete países e
encontra-se em cartaz em Londres
e Seul, na Coréia do Sul. Suas
'obras de arte' são feitas com
cadáveres de verdade, que têm a
pele retirada para que se
revelem em detalhes os órgãos,
nervos, ossos, veias e artérias.
As bizarras criações de Von
Hagens – apelidado de doutor
Frankenstein pela imprensa
britânica – fazem sucesso, mas
também têm causado mal-estar. O
médico está sob investigação,
porque se suspeita da origem dos
corpos de que ele se utiliza. Há
também outra questão em jogo:
aquilo que Von Hagens faz é arte
ou simplesmente um show de
horrores, que explora o corpo
humano da maneira mais vulgar?
Von Hagens alcança tais efeitos graças a uma técnica de
conservação de cadáveres que
inventou no fim dos anos 70: a
plastinação. Ela consiste em
substituir todos os líquidos do
organismo, como o sangue e a
gordura, por um tipo especial de
resina. Von Hagens transformou
suas exposições num negócio
lucrativo. Ele afirma que sua
'matéria-prima' provém
exclusivamente de pessoas que o
autorizaram a utilizar seu corpo
após a morte. O fato é que Von
Hagens adentrou um terreno
perigoso. 'Ele vem tratando
cadáveres como uma mercadoria
qualquer. E isso fere a
dignidade humana', diz Volnei
Garrafa, presidente da Sociedade
Brasileira de Bioética. Enquanto
o anatomista realizava sua
autópsia pública em Londres, uma
multidão protestava em frente à
emissora. Até a quinta-feira
passada, a polícia inglesa
ameaçava detê-lo por infração ao
código de ética médica do país.
Nas entrevistas, Von Hagens alega que seu trabalho tem
cunho educativo. Em suas
exposições, diz ele, o público
pode comparar os pulmões de um
fumante e de um não-fumante e
ver os estragos que o álcool
causa ao fígado. Trata-se de um
argumento estratégico: em países
como a Inglaterra, ele só pode
realizar suas exposições e sair
fazendo autópsias na TV se
reivindicar um objetivo de
divulgação científica. O
anatomista nunca diz abertamente
que o que faz é arte, mas é
evidente que tem pretensões
nesse campo. Nada modesto, Von
Hagens se considera continuador
de uma tradição iniciada por
ninguém menos do que Leonardo da
Vinci."
Texto
adaptado da reportagem Médico
e açougueiro, de Marcelo
Marthe,
Revista Veja, Edição 1780, de 4
de dezembro de 2002
Leia o texto original integral
aqui |
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Autópsia
e Embalsamamento
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"Os exames post-mortem com
freqüência incluem autópsias, O
propósito dessa dissecação do
corpo é estabelecer a causa da
morte e os processos patológicos
envolvidos. O patologista se
esforça para adquirir
informações confiáveis sobre a
natureza e causa da doença, e
talvez para investigar os
procedimentos médicos usados no
paciente. A incisão inicial da
autópsia abre o corpo inteiro em
formato de Y. Começa em baixo do
ombro, continua sob o peito e se
estende até o ponto
correspondente sob o outro
ombro. Esta incisão é então
ligada a outra feita na linha
central que vai até o púbis,
para completar o Y. A incisão do
escalpo começa sob uma orelha,
estende-se ao topo do escalpo e
termina por trás da outra
orelha. Os órgãos são removidos
e estudados segundo as
exigências de cada autópsia
individual. Deve-se notar que a
autópsia padrão permitida
segundo o Manual da Autópsia
publicado pelo United Hospital
Fund, de Nova York inclui,
obviamente, autorização para 'a
retenção de partes e tecidos que
a equipe hospitalar considera
necessários para o diagnóstico'.
É exigido o consentimento do parente mais próximo para
a autópsia. Este consentimento
pode ser dado pelo guardião
legal do corpo que é responsável
pelo enterro, geralmente o
marido ou a esposa. Se houver
mais de um 'parente mais
próximo' (e a interpretação
dessa expressão é flexível) e
surgir alguma controvérsia, o
hospital pode proceder a
autópsia ou eleger o parente
mais receptivo como 'o' parente
mais próximo.
(...)
As equipes administrativas dos hospitais aperfeiçoaram
técnicas de extrair o
consentimento. São oferecidos
argumentos para objetar às
típicas negações da família,
alguns não verdadeiros, muito
abaixo da elevada ética que o
público espera da profissão
médica. Um desses argumentos é:
'Estão registradas declarações
autorizadas de líderes
religiosos de todas as fés,
indicando que em parte alguma há
qualquer justificativa para
oposição a autópsias com bases
religiosas.' É lamentável que a
sensibilidade religiosa dos
judeus tradicionais seja tão
cavalheirescamente rejeitada por
declarações tão equivocadas.
Embora haja notáveis exceções a
essa regra, existe uma objeção
religiosa definida à autópsia.
Embora o motivo para o estudo médico seja importante, a
tradição judaica forçosamente
rejeita as autópsias realizadas
para ensinar estudantes de
Medicina, porque isso viola um
princípio mais elevado: a
mutilação do corpo do falecido.
A Lei Judaica é governada por
diversos princípios básicos;
Primeiro, o homem foi criado à imagem de D'us, e na
morte o corpo ainda conserva a
unidade daquela imagem. Não se
pode cometer violência à forma
humana nem mesmo quando o sopro
de vida expirou. O Judaísmo
exige respeito pelo homem total,
corpo e alma. O valor da
integridade do homem não pode
ser comprometido, nem na morte.
Em segundo lugar, a dissecação do corpo, por motivos
que não sejam urgentes e
diretamente aplicáveis a casos
médicos específicos, é
considerada vergonha e desonra
ao falecido. Assim como ele
nasceu, merece ser colocado para
repousar: amorosamente, não
cientificamente, como se fosse
um objeto impessoal de algum
experimento. A santidade do ser
humano exige que não
desrespeitemos a sua pessoa.
Terceiro, não temos permissão de usar seu corpo sem seu
desejo expresso de que seja
usado, e mesmo então é
questionável se a própria pessoa
pode desejar que mutilem a
imagem na qual foi criada.
Certamente, se o falecido
durante sua vida não deu
permissão expressa, nem mesmo
seus filhos têm os direitos de
posse sobre seu corpo. Assim,
não temos o direito moral,
exceto nos casos que serão
mencionados, de usar o corpo
oferecendo-o como objeto de
estudo.
(...)
A decisão de realizar uma autópsia não deveria ser
tomada pelo médico, não importa
o quanto ele seja chegado à
família e quão boa seja sua
reputação. A proibição é de
natureza moral-religiosa, e a
permissão deve ser obtida de uma
autoridade em lei religiosa após
uma consulta com autoridades
médicas."
Trechos
de Autópsia e Embalsamamento,
de Maurice Lamm,
Associação Israelita de
Beneficência Beit Chabad do
Brasi
Leia o
texto integral aqui |
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Corpo
Presente
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"A forma como o corpo
humano é visto e entendido
sofreu inúmeras transformações
ao longo da história. Na Idade
Média, por exemplo, ele era
considerado profano pela Igreja
Católica. O papa Gregório Magno
chegou a classificá-lo como
'abominável vestimenta da alma'.
No Renascimento, porém, o corpo
ganhou novas representações,
algumas ainda em vigor. 'Na
Renascença, teve início o que
classifico de projeto educativo
de racionalização do corpo.
Graças ao uso de imagens,
sobretudo as produzidas pela
anatomia, foram construídas
novas ideias e imaginações sobre
essa estrutura física', afirma
Vinícius Demarchi Silva Terra,
que tratou do tema em sua tese
de doutoramento, apresentada na
Faculdade de Educação (FE) da
Unicamp. Segundo ele, tal
construção não foi neutra, visto
que foi feita num contexto
histórico, político e estético
específico.(...)
(...) a anatomia começou a ganhar espaço como um saber
oficial no período em que o
homem passou a ter necessidade
de dominar e colonizar outras
sociedades. Mas para que essa
ciência prevalecesse sobre as
demais foi preciso formular uma
estratégia política e estética
muito bem articulada, como
esclarece Vinícius Terra. 'O que
os cirurgiões da época fizeram,
após articularem-se com os
representantes do poder da
época, foi criar uma produção
cultural, de modo a sistematizar
e consolidar a anatomia. Para
atingir essa meta, eles usaram a
tecnologia de difusão mais
avançada no momento, que era a
imprensa', diz.
A ação compreendia o emprego da imprensa para
reproduzir gravuras extremamente
detalhadas do corpo humano. À
época, os 'anatomistas' chegaram
a encomendar obras nesse sentido
a alguns dos mais renomados
pintores em atividade, como
Ticiano, um importante pintor da
escola veneziana no período do
Renascimento. 'Essas gravuras
eram posteriormente enviadas
para os melhores impressores da
Europa. As produções eram tão
bem feitas, que hoje são
consideradas obras de arte'.
Em algumas cidades européias, como Pádua e
Montpellier, foram criados os
teatros anatômicos, nos quais
eram realizados verdadeiros
espetáculos de dissecação de
cadáveres, sob a forma de aulas
de anatomia. As demonstrações,
de caráter público, eram
normalmente realizadas durante o
Carnaval. 'Tratava-se de um
período propício, tanto por ser
inverno, o que evitava a rápida
decomposição dos corpos, quanto
por ser uma época profana
segundo o calendário católico',
esclarece Vinícius Terra.
Conforme o pesquisador, os
teatros eram divididos para
receber o público comum e os
convidados especiais, os vips de
hoje.
Além disso, durante as dissecações, há relatos da
utilização de máscaras pelo
público, como se este estivesse
participando de uma festa
carnavalesca. Concomitantemente,
ocorriam apresentações musicais,
diálogos cênicos e até mesmo
pregações por parte de membros
da Igreja, que aproveitavam a
oportunidade para falar do
destino do homem. De acordo com
os clérigos, o que se via ali
era apenas carne, que nada
valia. O importante era cuidar
do espírito. 'Tudo isso acabou
se constituindo em uma produção
cultural da época, que ajudou a
consolidar o paradigma
anatômico.'"
Trecho
da reportagem Corpo Presente,
de Manuel Alves Filho,
Jornal da Unicamp, Nº 414, 20 de
outubro a 2 de novembro de 2008 |
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22 de Novembro de 2009.
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Paramhansa
Yogananda
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"Sri Yuktéswar nunca evitou as
mulheres nem as culpou de serem
causa da 'queda do homem'.
Salientava que também as
mulheres têm de se defrontar com
a tentação do sexo oposto. Certa
vez, perguntei ao Mestre por que
um grande santo da antiguidade
chamara à mulher 'a porta do
inferno'.
-- Uma jovem deve ter lhe
transtornado a paz de espírito,
quando moço. -- Meu guru
respondeu causticamente. -- Do
contrário, teria acusado, não a
mulher, mas algum defeito em seu
próprio autodomínio.
Se um visitante se atrevia a
contar, no eremitério, uma
história maliciosa, o Mestre
mantinha silêncio irreplicável.
-- Não permita a si mesmo ser
fustigado pelo látego provocante
de um belo rosto -- dizia aos
discípulos. -- Como podem os
escravos dos sentidos apreciar o
mundo? Sabores e aromas sutis
lhes escapam enquanto rastejam
no lodo primitivo. Todo
discernimento está perdido para
o homem afeito à luxúria.
Estudantes procurando fugir à
ilusão do sexo, induzida por
máya, recebiam de Sri Yuktéswar
conselho paciente e
compreensivo.
-- Assim como a fome, e não a
gula, tem um propósito legítimo,
também o instinto sexual foi
criado pela Natureza, unicamente
para a propagação das espécies,
e não para manter acesos
apetites insaciáveis. Destruam
os maus desejos, agora; do
contrário, permanecerão com
vocês após o corpo astral ter se
separado de seu invólucro
físico. Mesmo quando a carne é
fraca, a mente deveria resistir
sem pausa. Se a tentação os
assaltar com força cruel,
vençam-na por meio da análise
impessoal e da vontade
indomável. Toda paixão natural
pode ser dominada. Conservem
seus poderes. Sejam como o
oceano em sua vasta capacidade,
absorvendo todos os rios
tributários dos sentidos. Ânsias
sensuais, renovadas diariamente,
solapam sua paz íntima; são como
fendas num reservatório, que
permitem às águas vitais se
perderem no solo deserto do
materialismo. O impulso dos maus
desejos, potente e ativador, é o
maior inimigo da felicidade
humana. Passeiem como um leão do
autodomínio. Não consintam que
as fraquezas dos sentidos saltem
a seu redor como sapos.
Um verdadeiro devoto termina por
se libertar de todas as
compulsões instintivas. Ele
transmuta sua necessidade de
afeto humano em aspiração a Deus
apenas -- amor solitário, por
ser onipresente."
Trecho
de Autobiografia De Um Iogue,
de Paramhansa Yogananda,
Editora Self-Realization
Fellowship, São Paulo 2008 |
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Personagens
da mitologia bali-hinduísta

Personagens da mitologia bali-hinduísta,
acima apresentados em ordem alfabética:
Barong Ket, Bondres Bues, Bondres Cungih,
Bondres Kete, Bondres Pasek Bendesa, Celuluk,
Dalem, Hanuman, Jaran Gurang, Jatayu, Jauk
Kras, Jauk Manis, Jero Gde, Jero Luh,
Kumbakana, Laksmana, Leyak Barak, Mahisa
Wedana, Mata Gde, Merdah, Monkey (Macaco),
Ni Lenda Lendi, Nyoman Semariani, Patih
Manis, Penasar Cenikan, Penasar Kelihan,
Queen (Rainha), Rama, Rangda, Rarung, Rawana,
Sangut, Sidha Karya Putih, Sidha Karya
Selem, Sita, Subali, Telek Luh, Topeng Tua,
Twalen, Wibisana.
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21 de Novembro de 2009.
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Um
trecho de Werther
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Maio, 22
A vida humana não passa de um sonho. Mais de uma pessoa já
pensou nisso. Pois essa
impressão também me acompanha
por toda a parte. Quando vejo os
estreitos limites onde se acham
encerradas as faculdades ativas
e investigadoras do homem, e
como todo o nosso trabalho visa
apenas a satisfazer nossas
necessidades, as quais, por sua
vez, não têm outro objetivo
senão prolongar nossa mesquinha
existência; quando verifico que
o nosso espírito só pode
encontrar tranqüilidade, quanto
a certos pontos das nossas
pesquisas, por meio de uma
resignação povoada de sonhos,
como um presidiário que
adornasse de figuras
multicoloridas e luminosas
perspectivas as paredes da sua
cela... tudo isso, Wilhelm, me
faz emudecer. Concentro-me e
encontro um mundo em mim mesmo!
Mas, também aí, é um mundo de
pressentimentos e desejos
obscuros e não de imagens
nítidas e forças vivas. Tudo
flutua vagamente nos meus
sentidos, e assim, sorrindo e
sonhando, prossigo na minha
viagem através do mundo.
As crianças - todos os pedagogos eruditos estão de acordo a
este respeito - não sabem a
razão daquilo que desejam;
também os adultos, da mesma
forma que as crianças, caminham
vacilantes e ao acaso sobre a
terra, ignorando, tanto quanto
elas, de onde vêm e para onde
vão. Não avançam nunca segundo
uma orientação segura; deixam-se
governar, como as crianças, por
meio de biscoitos, pedaços de
bolo e ameaças. E, como agem por
essa forma, inconscientemente,
parece-me, que se acham
subordinados à vida dos
sentidos.
Concordo com você (porque já sei que você vai
contraditar-me) que os mais
felizes são precisamente aqueles
que vivem, dia a dia, como as
crianças, passeando, despindo e
vestindo as suas bonecas;
aqueles que rondam, respeitosos,
em torno da gaveta onde a mãe
guardou os bombons, e quando
conseguem agarrar, enfim, as
gulodices cobiçadas, devoram-nas
com sofreguidão e gritam: “Quero
mais!” Eis a gente feliz! Também
é feliz a gente que, emprestando
nomes pomposos às suas
mesquinhas ocupações, e até às
suas paixões, conseguem fazê-las
passar por gigantescos
empreendimentos destinados à
salvação e prosperidade do
gênero humano. Tanto melhor para
os que são assim! Mas aquele que
humildemente reconhece o
resultado final de todas as
coisas, vendo de um lado como o
burguês facilmente arranja o seu
pequeno jardim e dele faz um
paraíso, e, de outro, como o
miserável, arfando sob seu
fardo, segue o seu caminho sem
revoltar-se, mas aspirando
todos, do mesmo modo, a enxergar
ainda por um minuto a luz do
sol... sim, quem isso observa à
margem permanece tranqüilo.
Também este se representa a seu
modo um universo que tira de si
mesmo, e também é feliz porque é
homem. E, assim, quaisquer que
sejam os obstáculos que
dificultem seus passos, guarda
sempre no coração o doce
sentimento de que é livre e
poderá, quando quiser, sair da
sua prisão.
Trecho
do romance epistolar Os
Sofrimentos do Jovem Werther,
de Johann Wolfgang von Goethe,
escrito em 1774
Fonte: Projeto Goethe |
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20 de Novembro de 2009.
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La
Chimère

La Chimère,
por Jack Sk., 2009
Arte Digital - Montagem em Gif de
510 x 543 pixels e Grayscale
Referências: Desenho anatômico de
Henry Gray, desenho artístico de Spirog e
imagem vetorizada de coroa
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Coração

Coração,
por Jack Sk., 2009
Arte Digital - Montagem em Gif de
510 x 927 pixels e Grayscale
Referências: Desenho anatômico de
Henry Gray e imagem vetorizada de árvore
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19 de Novembro de 2009.
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Japão
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Japão,
por Jack Sk., 2009
Arte Digital - Série de 2 Gifs em
500 x 327 pixels e 16 cores
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Referências: Cartaz de Memoirs of
a Geisha (2005), de Rob Marshall
e Bandeira Oficial do Japão (Hinomaru)
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18 de Novembro de 2009.
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Literatura
e Autoritarismo
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"Os relatos de sobreviventes dos
campos usualmente coincidem em
descrições da arbitrariedade da
violência empregada pelos
guardas como forma de
manifestação de poder, das
condições difíceis da
sobrevivência, da dificuldade em
levar-se uma vida normal após os
campos; assim ao público de
Bernhard, ainda que não fossem
especialistas no assunto, é
fácil identificar as alusões.
Para exemplificar o afirmado,
proponho a comparação de trechos
da obra do austríaco com trechos
de depoimentos de sobreviventes
dos campos apresentados no livro
de Todorov Em face do extremo.
Aos sobreviventes do Holocausto ficava sempre a dúvida
se, fora dos campos, poderiam
algum dia ter uma via normal, se
seriam felizes novamente. Mas a
brutalidade desta experiência
produziu em grande parte deles
danos irreparáveis: nas palavras
de Todorov, '(...) os
sobreviventes dos campos se
tornaram, na sua grande maioria,
pessoas depressivas e
sofredoras. A proporção de
suicidas é anormalmente alta
entre eles, como a de doenças
mentais ou físicas' (1994,
p. 288). Bernhard em sua
descrição dos 'sobreviventes' do
internato se expressa em termos
semelhantes:
'(...) o jovem saído ou fugido de uma tal
instituição ou internato (...),
seja ele quem for e independente
do que venha a se tornar, nada
mais será do que alguém
humilhado até a morte, uma
natureza desesperançada, e
portanto uma natureza
irremediavelmente perdida para o
resto da vida, para o resto de
uma existência sempre aniquilada
(vernichtet) por sua passagem
por um tal cárcere educacional
na condição de prisioneiro, viva
ela ainda quantas décadas for,
como ou onde viver' (p.
132).
Na descrição da população civil, as semelhanças continuam:
fome, luta pela sobrevivência,
que os torna indiferentes ao
sofrimento alheio,
'(...) à morte audível e visível desse ou daquele semelhante' (p. 143):
'Na cidade, (...) não pensavam
em outra coisa que não fosse
sobreviver – de que forma,
era-lhes já indiferente' (p.
161) – essas são palavras de
Bernhard, mas poderiam ser dos
sobreviventes apresentados por
Todorov, como é perceptível na
seguinte citação, palavras de
Tadeuz Borowski, ex-prisioneiro
de Auschwitz: 'Tínhamos nos
tornado indiferentes ao
sofrimento dos outros; para
sobreviver, era necessário
pensar apenas em si (...)'
(p. 40).
E na apresentação dos excluídos, no caso, do garoto
aleijado e do professor, a
proximidade dos registros
prossegue. Vejamos as seguintes
observações do autor: 'o grau
de vileza que a zombaria, o
escárnio, a destruição e a
aniquilação (Vernichtung) dessas
vítimas é tal que sem mais, uma
tal vítima é morta' (p.
210), ou ainda '(...) a
sociedade ou comunidade de fato
experimenta nelas (vítimas) toda
a sorte de crueldade e vileza, e
o faz quase sempre até matá-las'
(p. 211), conclui então que
séculos nada mudaram nesse
tocante, pelo contrário, 'os
métodos foram aprimorados,
tornando-se ainda mais terríveis
e infames' (p. 211)."
Trecho
de Literatura e
Autoritarismo: Dossiê “Escritas
da Violência” -
Representação da Áustria
católico-nacional-socialista na
autobiografia
de Thomas Bernhard, por
Patricia Miranda Dávalos, UFSMa,
2008
Leia o texto integral aqui. |
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Vigiar
e Punir, de Foucault
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"(…) Acendeu-se o enxofre, mas o
fogo era tão fraco que a pele
das costas da mão mal e mal
sofreu. Depois, um executor, de
mangas arregaçadas acima dos
cotovelos, tomou umas tenazes de
aço preparadas ad hoc, medindo
cerca de um pé e meio de
comprimento, atenazou-lhe
primeiro a barriga da perna
direita, depois a coxa, daí
passando às duas partes da
barriga do braço direito; em
seguida os mamilos. Este
executor, ainda que forte e
robusto, teve grande dificuldade
em arrancar os pedaços de carne
que tirava em suas tenazes duas
ou três vezes do mesmo lado ao
torcer, e o que ele arrancava
formava em cada parte uma chaga
do tamanho de um escudo de seis
libras. Depois desses suplícios,
Damiens, que gritava muito sem
contudo blasfemar, levantava a
cabeça e se olhava; o mesmo
carrasco tirou com uma colher de
ferro do caldeirão daquela droga
fervente e derramou-a fartamente
sobre cada ferida. Em seguida,
com cordas menores se ataram as
cordas destinadas a atrelar os
cavalos, sendo estes atrelados a
seguir a cada membro ao longo
das coxas, das pernas e dos
braços."
Trecho
de Vigiar e Punir, de
Michel Foucault,
Editora Vozes, São Paulo, 36ª
Edição, 2007 |
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13 de Novembro de 2009.
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Um
trecho do Kama Sutra
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"Quando a mulher percebe que seu
amante está cansado por uma
cópula prolongada, sem que o seu
desejo tenha sido satisfeito,
ela deve, com a devida
permissão, fazê-lo deitar-se de
costas e ajudá-lo, desempenhando
o papel dele. Também pode fazer
isso para satisfazer a
curiosidade do amante, ou o seu
próprio desejo de inovação. Há
dois modos de simular o papel do
homem. O primeiro é quando,
durante a relação sexual, a
mulher se volta e fica por cima
do amante, de modo a continuar a
relação sexual, sem interromper
o prazer. O outro é quando é ela
quem faz o papel do homem desde
o início. Nesse caso, com flores
nos cabelos soltos e sorrisos
intercalados com uma respiração
ofegante, ela deve pressionar o
peito do amante com os seios e,
abaixando freqüentemente a
cabeça, fazer as mesmas coisas
que ele fazia, infligindo-lhe os
mesmos golpes, zombando dele e
dizendo: 'Você me deitou de
costas e me cansou com a sua
violência, por isso vou
fazer-lhe o mesmo'."
Trecho
de Kama Sutra, por
Vatsyayana, Versão de Sir
Richard Burton,
traduzido por Maria Clara de
Biase W. Fernandes
Editora Ediouro, São Paulo, 1992
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Será
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"Uma quinta-feira amanhece na
longitude 170 leste, recebe a
noite na longitude 40 oeste.
Ovos de pássaros, de peixes e de
répteis se rompem, maçãs caem
das árvores, correm os rios, o
mar em ondas visita as rochas.
Magma quente percorre galerias
subterrâneas, o vento agita as
folhas, arrepia os bichos,
transporta nuvens. No céu os
gaviões atacam codornas, na mata
leões devoram antílopes, no mar
golfinhos amamentam seus
filhotes. Sinais eletrônicos
transcorrem o planeta, cai a
chuva e estala o deserto sob o
sol. Pensamentos e sensações se
cruzam à deriva em trajeto pelo
ar e milhões de mamíferos
copulam no mesmo instante.
Rebentam-se bolsas d’água,
placas tectônicas rangem
suavemente sob o solo, sementes
germinam. Amanhece e anoitece no
planeta que faz do calor e da
luz fontes essenciais para a
vida."
Trecho
de Será, de Ivan
Hegenberg,
Editora Ragnarok, São Paulo, 1ª
Edição, 2007 |
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11 de Novembro de 2009.
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Rita
Hayworth
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Rita Hayworth, em
Salome, 1953 |
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Rita Hayworth, em Gilda, 1946 |
Dá pra imaginar como deve ter sido fácil pra
ela, do alto de seus 1.68m e seus 55kg,
levar caras como
Orson Welles,
Dick Haymes e o
Príncipe Aly Khan ― Apenas pra citar
alguns de seus cinco ex-maridos ― ao altar,
simplesmente pra se divorciar mais tarde,
quando já estava provavelmente de saco cheio
de cada um deles.
Pensando bem, até eu, se tivesse um corpo e
um rosto desses, ia me enjoar de qualquer
coisa que não fosse eu mesmo.
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Os
peixes

Fotos: Jack Sk., 2006
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Os
peixes são felizes sempre que
chove bolhas.
Os peixes são felizes porque
nunca morrem de sede.
Os
peixes são felizes porque nunca
fazem escolhas.
Os peixes são felizes sempre que
escapam da rede.
Os
peixes são felizes sempre que um
barco se afasta.
Os peixes são felizes porque
nunca guardam mágoa.
Os peixes são felizes até quando
o mar os arrasta.
Os peixes são felizes, na
verdade, até debaixo d'água.
Jack Sk. |
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Crónicas
da Mente Esquecida
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"Onírica intrusiva em estado de
vigília, não na área de
transferência, figura-se num
suposto surto psicótico de
alienação de uma realidade para
uma outra cuja validade é tão
questionável quanto a primeira,
onde a veracidade e a índole
genuína impõem perspectiva
perceptiva incontornável, onde o
controlo não existe apesar de
também não preexistir
anteriormente, afinal que
ditames reguladores de norma
fundamentam as alterações
neurológicas, químicas e
eléctricas, que nos fazem
meramente acreditar que o
funcionamento anterior a essas
mudanças era o que nos conduzia
a uma visão distante da
turbulência errónea, à distorção
da imagem, do próprio e do
mundo?
Poderá a simplicidade básica
regida pelo papel regulador da
frequência mais comum conter a
potenciação e o poder de
elaborar as regras que devem ser
seguidas e mantidas para
discernir o que é o quê, se a
dinâmica inconclusiva e
permanente do todo mais geral
que tudo, nos parece dizer que o
mais claro seria não existirem
regras de conclusão pura para
fundar a visão que se constrói
do mundo?
Será assim de tão difícil
aceitação que todos os outros
possam estar tão errados quanto
eu? Se eu sou psicótico, como me
poderão os outros demonstrar, a
mim e a eles próprios, que não o
são, eles em vez de mim? De
qualquer forma não faz qualquer
sentido que se diga que há quem
não seja psicótico, se todos
distorcemos claramente a
realidade total, interna e
externa, vendo-a como só nós
conseguimos ver, o acesso à
realidade como uma espécie única
e individual, quando se pensa
que à sintonia comunicacional, e
se crê ver o que os outros
também vêm, isso é tão real
quanto a realidade que eu digo
ver quando me dizem que são
frutos alucinogénicos. Não será
essa dimensão, uma simbólica?
Uma diferente daquelas que o
pseudo-comum-não-psicótico diz
não conseguir aceder, e logo
nega a existência da
possibilidade?
Estou tão convencido como os
demais que o que vejo é real, se
me dizem que não é, não poderei
eu dizer-vos o mesmo?
Pois, e
também podem perfeitamente dizer
que é fantástica ou
fantasmática, ou simples
filosofia, indubitável mas
duvidosa demais para fazer-vos
perceber que a minha realidade é
apenas igual à vossa, o que digo
é que todos a vemos diferente.
Tão diversa é a construção, que
vos levo a crer que não pode ser
normal ou mesmo no caso dela
existir, mesmo assim não é real,
mas será que a vossa o é?
Querem-me convencer que as
coisas que vejo são construções
da minha mente, que de facto não
existem neste nosso mundo,
querem que eu deixe de ver,
deixe de acreditar, querer cegar
os meus olhos com psicofármacos,
querem-me acalmar e calar para
que eu não vos possa dizer que
os cegos são vocês, que são
vocês que no fundo não vêem, são
vocês aqueles que temem, sim que
têm tanto medo de estar
enganados que mais vale que os
que vos contestam sejam
apagados, escondidos e
enclausurados em instalações
dignas, para que não possam
perturbar a vossa realidade
certeira, aquela que vocês têm a
certeza que é a realidade real.
Também me chamam outros nomes,
como perturbado ou
esquizofrénico, deixa-vos mais
seguros pensar que conhecem e
controlam a realidade que querem
ver e impor, e não, não pode
ninguém ver outra coisa qualquer
senão, no caso de o dizer, é
condenado às vossas
interessantes nomenclaturas
psiquiátricas, folheadas dum
catálogo patológico, inventado
por vós, uma realidade tão
inventada pelas vossas cabeças
quanto a realidade que vejo é
inventada pela minha.
Sim, não nego a revolta que já
nem se esconde nestas palavras,
o problema não é me
discriminarem por ser o vosso
suposto doente mental, o
problema é vocês continuarem a
achar piamente que não há nada
de verdade no que vêem pessoas
como eu. Até parece que alguém é
dono da verdade! Pelos vistos há
quem almeje ser, um deus tão
deus, como todos aqueles que
vocês também generosamente
inventaram, para fins tão nobres
como por exemplo a diminuição do
medo de existir e de não existir
e do receio de viver e de não
viver, para terem uma paz que
não teriam se não os
inventassem. E depois o louco
sou eu!"
Trecho
de Crónicas da Mente
Esquecida, por João
Castanheira,
Publicadas no Jornal de
Albergaria, em Aveiro,
Portugal, em 23/12/2008
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Psycho
Anthony
Perkins, como Norman Bates; Janet Leigh,
como Marion Crane e o Diretor Alfred
Hitchcock, em alguns momentos de Psycho
(Psicose), 1960.
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Duas
prosas poéticas de Rimbaud
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Bárbaro
Bem depois
dos dia e das estações, pessoas
e países,A bandeira em carne
viva sobre a seda de oceanos e
flores árticas; (elas não
existem.)
Livre das velhas fanfarras do heroísmo ― que ainda nos atacam
cabeça e coração ― longe dos
velhos assassinos ―
Oh! A bandeira em carne viva sobre a seda de oceanos e flores
árticas; (elas não existem.)
Doçuras!
As brasas, chovendo em rajadas de geada, ― Doçuras! ― os
fogos na chuva de vento de
diamantes lançada pelo coração
terrestre eternamente
carbonizado para nós. ― Ó mundo!
―
(Longe dos velhos refúgios e das velhas chamas, que se ouve,
e se sente,)
As brasas e as espumas. Música, abismos invertidos e choque
de flocos de gelo contra os
astros.
Ó doçuras, ó mundo, ó música! E lá, as formas, os suores, os
cabelos e os olhos, flutuando. E
as lágrimas brancas,
borbulhantes, ― ó doçuras! ― e a
voz feminina que chega ao fundo
dos vulcões e grutas árticas.
A bandeira...
Jean-Nicholas Arthur Rimbaud
Traduzido por Rodrigo Garcia
Lopes

As Pontes
Céus de cristal gris. Bizarro
desenho de pontes, estas retas,
aquelas em arco, outras descendo
em ângulos oblíquos sobre as
primeiras, e essas figuras se
renovando nos outros circuitos
iluminados do canal, mas todas
tão longas e leves que as
margens, cheias de cúpulas,
afundam e encolhem. Algumas
dessas pontes ainda estão cheias
de barracas, Outras sustentam
mastros, sinais, frágeis
parapeitos. Acordes menores se
cruzam, e somem, as cordas
escalam os barrancos.
Distingue-se uma roupa vermelha,
talvez outros trajes e
instrumentos musicais. São árias
populares, trechos de concertos
senhoriais, restos de hinos
públicos? A água é gris e azul,
larga como um braço de mar. ― E
um raio branco, desabando do
alto do céu, aniquila esta
comédia.
Jean-Nicholas Arthur Rimbaud
Traduzido por Rodrigo Garcia
Lopes |
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Pulp
Book
Joni Harbeck,
pelas lentes de Neil Krug.
Gostou? Tem muito mais em
Pulp Book.
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O
Amante de Lady Chatterley
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"A nossa época é essencialmente
trágica, e por isso recusamo-nos
a ver nela a tragédia. Mas o
cataclismo já aconteceu; estamos
entre ruínas, começamos a
reconstruir pequenas casas,
refazer pequenas esperanças. O
trabalho é árduo: o caminho para
o futuro não será tranquilo:
apesar de tudo, damos a volta,
arrastamo-nos sobre as pedras.
Só nos resta viver, não importa
quantos céus tenham caído."

"Fala-se que o mundo está
repleto de possibilidades, mas
elas se estreitam e apequenam na
experiência da vida da maioria
de nós. Há milhares de peixes
bons no mar... talvez... contudo
os grandes cardumes são de
cavalas ou arenques, e quem não
é cavala ou arenque está
condenado a encontrar muito
pouca companhia."

"Todas as palavras generosas
pareciam ter sido censuradas
para a sua geração, pensava
Connie: amor, alegria,
felicidade, mãe, pai, esposo,
todas estas palavras bonitas e
dinâmicas estavam agora
agonizantes, morrendo mais a
cada dia. Lar era onde se
morava; amor uma coisa com a
qual não se perdia tempo;
alegria um adjetivo que se
aplicava a um bom charleston;
felicidade um termo hipócrita
usado para causar inveja às
pessoas; pai um indivíduo que
cuidava da própria vida; esposo
o homem com quem se vivia em
comunhão de espírito. Quanto ao
sexo, a última das palavras da
lista, ele era apenas a gíria
com que, nos coquetéis, as
pessoas se referiam a uma
excitação que nos despe por
pouco tempo, e depois nos deixa
mais esfarrapados do que nunca.
Esfarrapados. Era como se a
própria matéria de que somos
feitos fosse um tecido barato
que esfiapasse e virasse nada."

"O modo pelo qual a nossa
simpatia flui e reflui é que
determina a nossa vida. E nisso
reside a enorme importância da
novela, quando bem realizada.
Ela é capaz de informar e guiar
a novos rumos o fluxo da nossa
consciência simpática, e de
levar embora a nossa simpatia
pelas coisas que morreram,
quando em refluxo. Portanto, a
novela bem realizada pode nos
revelar os lugares mais
recônditos da vida: pois é nos
lugares recônditos e passionais
da vida, acima de tudo, que a
maré da consciência sensível
precisa fluir e refluir, lavando
e purificando a existência."
Trechos
de O Amante de Lady
Chatterley, de David Herbert
Lawrence,
Traduzido por Fernando B.
Ximenes, Publifolha, São Paulo,
1998
via
Além do muro da estrada
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Staring
at the sea
Staring at the sea: acho que eu sei
em que Robert Smith e os caras do The Cure
pensavam quando escolheram esse nome pro
álbum da banda em 1986. E também acho que
preciso pensar seriamente em começar a
praticar mergulho.
Fotografias
via
ModBlog BMENEWS
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1º de Novembro de 2009.
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Cânticos
5
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1 ¶ Já
entrei no meu jardim, minha
irmã, minha esposa; colhi a
minha mirra com a minha
especiaria, comi o meu favo com
o meu mel, bebi o meu vinho com
o meu leite; comei, amigos,
bebei abundantemente, ó amados. |
|
2 ¶ Eu dormia, mas o meu coração
velava; e eis a voz do meu amado
que está batendo: abre-me, minha
irmã, meu amor, pomba minha,
imaculada minha, porque a minha
cabeça está cheia de orvalho, os
meus cabelos das gotas da noite. |
|
3 Já despi a minha roupa; como
as tornarei a vestir? Já lavei
os meus pés; como os tornarei a
sujar? |
|
4 O meu amado pôs a sua mão pela
fresta da porta, e as minhas
entranhas estremeceram por amor
dele. |
|
5 Eu me levantei para abrir ao
meu amado, e as minhas mãos
gotejavam mirra, e os meus dedos
mirra com doce aroma, sobre as
aldravas da fechadura. |
|
6 Eu abri ao meu amado, mas já o
meu amado tinha se retirado, e
tinha ido; a minha alma
desfaleceu quando ele falou;
busquei-o e não o achei,
chamei-o e não me respondeu. |
|
7 Acharam-me os guardas que
rondavam pela cidade;
espancaram-me, feriram-me,
tiraram-me o manto os guardas
dos muros. |
|
8 Conjuro-vos, ó filhas de
Jerusalém, que, se achardes o
meu amado, lhe digais que estou
enferma de amor. |
|
9 ¶ Que é o teu amado mais do
que outro amado, ó tu, a mais
formosa entre as mulheres? Que é
o teu amado mais do que outro
amado, que tanto nos conjuras? |
|
10 O meu amado é branco e
rosado; ele é o primeiro entre
dez mil. |
|
11 A sua cabeça é como o ouro
mais apurado, os seus cabelos
são crespos, pretos como o
corvo.. |
|
12 Os seus olhos são como os das
pombas junto às correntes das
águas, lavados em leite, postos
em engaste. |
|
13 As suas faces são como um
canteiro de bálsamo, como flores
perfumadas; os seus lábios são
como lírios gotejando mirra com
doce aroma. |
|
14 As suas mãos são como anéis
de ouro engastados de berilo; o
seu ventre como alvo marfim,
coberto de safiras. |
|
15 As suas pernas como colunas
de mármore colocadas sobre bases
de ouro puro; o seu aspecto como
o Líbano, excelente como os
cedros. |
|
16 A sua boca é muitíssimo
suave, sim, ele é totalmente
desejável. Tal é o meu amado, e
tal o meu amigo, ó filhas de
Jerusalém |
Cânticos
5, Antigo Testamento, Versão Almeida
Corrigida e Revisada Fiel (Ed. 1994)
Você pode ler os Cânticos por
completo, aqui
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Genesis

E disse Deus: Haja luz; e
houve luz.
Genesis 1:3
Fotografia
de
Ron Harris
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As
primeiras relações sexuais pelo mundo

Enquanto um jovem malaio tem sua primeira
relação sexual em média aos 23 anos, um
outro jovem, nascido na Islândia, vive a
mesma experiência entre os 15 e 16 anos. O
infográfico acima
pode ser acessado aqui de forma
interativa, e se interpretado em paralelo
aos
infográficos relacionados daqui, dá pra
começar a entender um pouco melhor porque as
coisas são assim.
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Tudo
de novo
Mais um mês novo e tudo na mesma. Eu até
acharia isso ruim se não fosse pelo fato de
estar plenamente convencido de que
permanecer igual não deixa de ser uma grande
vantagem diante de um mundo que só muda pra
pior a cada dia que passa. Tá certo, algumas
coisas até chegam a ficar um pouco melhores,
mas de uma forma geral, a maioria delas
caminha sempre ladeira acima e contra o
vento pra que isso aconteça.
Pois é, então é isso aí: vamos arrumar
nossas mochilas e nos preparar pra mais um
mês de caminhada, porque se a gente estiver
disposto a evoluir é bom sabermos que
devemos ter pelo menos mais uns 4 milhões de
anos pela frente até que possamos começar a
deixar definitivamente de lado a nossa
estúpida maneira primata de lidar com as
coisas.
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Toda a proposta deste blog está resumida em seu
título e subtítulo: "Blood
Pack - sobre a arte
de reciclar seu próprio sangue". Se você
não entendeu o que isso significa, é provável
que não entenda mais nada do que acontece por
aqui. Aliás, se você não entendeu isso, é
bastante provável também que nem esteja lendo
esta nota, afinal de contas, quem lê as letras
miúdas nos contratos, não é mesmo?
Blood Pack
é escrito e produzido por Jack Skellington. Você
pode reproduzir os meus textos onde quiser, mas
cite a fonte. Se você gostou do que leu aqui,
escreva um
e-mail
comentando, pra gente conversar. Se não gostou,
nem perca tempo tentando me azucrinar, pois eu
não vou estar nem aí pra tua crítica. Se curtiu
o blog, indique-o para os seus inimigos. Se não
curtiu, vá tomar no cu e não volte mais aqui,
que você ganha mais. |
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Since September 17, 2007
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Este blog é
melhor visualizado em
FireFox,
mas também deverá ficar bem legal
de ser visto em qualquer porra de
navegador que não seja a merda do
Internet Explorer. |
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