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 26 de Novembro de 2009.
  Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós."

 

Jean-Paul Sartre
Escritor e filósofo francês

 1945


 

    A fotografia acima revela um dos momentos mais reflexivos da história da II Grande Guerra: os cadáveres do ditador italiano Benito Mussolini e de sua amante, Claretta Petacci, fuzilados em 28 de abril de 1945 e pendurados durante vários dias na Piazza Loreto, em Milão, para que pudessem ser vilipendiados pela multidão em uma espécie de catarse coletiva.

    Apesar de suas últimas palavras terem sido Atirem aqui  ― apontando para o peito ―  Não destruam meu perfil, o ditador teve seu rosto totalmente desfigurado pelos populares durante os dias em que seu corpo permaneceu exposto como um animal abatido em Milão.
 

 

       18h26min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Alan Silvestri - Forrest Gump
   



 

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 23 de Novembro de 2009.
  Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada."

 

Fernando Pessoa
Poeta português

 Médico e Açougueiro

     "No centro da arena, o cadáver de um homem de 72 anos – cuja pele adquiriu um tom azulado depois de permanecer por oito meses no formol – repousa sobre uma bancada. Usando um jaleco azul e o chapéu preto que se tornou sua marca, o mestre-de-cerimônias entra em cena com um bisturi. Depois de fazer uma incisão em forma de Y no tronco do morto, ele extrai seus órgãos: coração, pulmões, estômago, fígado e rins. Em seguida, abre seu crânio com uma serra, retira o cérebro e o coloca numa bacia. A platéia vem abaixo. Esse espetáculo mórbido ocorreu na Inglaterra no último dia 20, quando 350 pessoas disputaram a tapa ingressos para assistir a uma autópsia pública conduzida pelo anatomista alemão Gunther von Hagens. Além delas, cerca de 1,4 milhão de espectadores acompanharam o evento pela TV. Foi a mais recente empreitada de um personagem polêmico. Von Hagens é o responsável pela exposição Body Worlds ('Mundos Corpóreos'), que desde 1996 já foi vista por 10 milhões de pessoas em sete países e encontra-se em cartaz em Londres e Seul, na Coréia do Sul. Suas 'obras de arte' são feitas com cadáveres de verdade, que têm a pele retirada para que se revelem em detalhes os órgãos, nervos, ossos, veias e artérias. As bizarras criações de Von Hagens – apelidado de doutor Frankenstein pela imprensa britânica – fazem sucesso, mas também têm causado mal-estar. O médico está sob investigação, porque se suspeita da origem dos corpos de que ele se utiliza. Há também outra questão em jogo: aquilo que Von Hagens faz é arte ou simplesmente um show de horrores, que explora o corpo humano da maneira mais vulgar?

     Von Hagens alcança tais efeitos graças a uma técnica de conservação de cadáveres que inventou no fim dos anos 70: a plastinação. Ela consiste em substituir todos os líquidos do organismo, como o sangue e a gordura, por um tipo especial de resina. Von Hagens transformou suas exposições num negócio lucrativo. Ele afirma que sua 'matéria-prima' provém exclusivamente de pessoas que o autorizaram a utilizar seu corpo após a morte. O fato é que Von Hagens adentrou um terreno perigoso. 'Ele vem tratando cadáveres como uma mercadoria qualquer. E isso fere a dignidade humana', diz Volnei Garrafa, presidente da Sociedade Brasileira de Bioética. Enquanto o anatomista realizava sua autópsia pública em Londres, uma multidão protestava em frente à emissora. Até a quinta-feira passada, a polícia inglesa ameaçava detê-lo por infração ao código de ética médica do país.

     Nas entrevistas, Von Hagens alega que seu trabalho tem cunho educativo. Em suas exposições, diz ele, o público pode comparar os pulmões de um fumante e de um não-fumante e ver os estragos que o álcool causa ao fígado. Trata-se de um argumento estratégico: em países como a Inglaterra, ele só pode realizar suas exposições e sair fazendo autópsias na TV se reivindicar um objetivo de divulgação científica. O anatomista nunca diz abertamente que o que faz é arte, mas é evidente que tem pretensões nesse campo. Nada modesto, Von Hagens se considera continuador de uma tradição iniciada por ninguém menos do que Leonardo da Vinci."

 Texto adaptado da reportagem Médico e açougueiro, de Marcelo Marthe,
Revista Veja, Edição 1780, de 4 de dezembro de 2002
Leia o texto original integral aqui

 

       19h53min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Rollins Band - Get Some Go Again
   
 Autópsia e Embalsamamento

     "Os exames post-mortem com freqüência incluem autópsias, O propósito dessa dissecação do corpo é estabelecer a causa da morte e os processos patológicos envolvidos. O patologista se esforça para adquirir informações confiáveis sobre a natureza e causa da doença, e talvez para investigar os procedimentos médicos usados no paciente. A incisão inicial da autópsia abre o corpo inteiro em formato de Y. Começa em baixo do ombro, continua sob o peito e se estende até o ponto correspondente sob o outro ombro. Esta incisão é então ligada a outra feita na linha central que vai até o púbis, para completar o Y. A incisão do escalpo começa sob uma orelha, estende-se ao topo do escalpo e termina por trás da outra orelha. Os órgãos são removidos e estudados segundo as exigências de cada autópsia individual. Deve-se notar que a autópsia padrão permitida segundo o Manual da Autópsia publicado pelo United Hospital Fund, de Nova York inclui, obviamente, autorização para 'a retenção de partes e tecidos que a equipe hospitalar considera necessários para o diagnóstico'.

     É exigido o consentimento do parente mais próximo para a autópsia. Este consentimento pode ser dado pelo guardião legal do corpo que é responsável pelo enterro, geralmente o marido ou a esposa. Se houver mais de um 'parente mais próximo' (e a interpretação dessa expressão é flexível) e surgir alguma controvérsia, o hospital pode proceder a autópsia ou eleger o parente mais receptivo como 'o' parente mais próximo.

     (...)

     As equipes administrativas dos hospitais aperfeiçoaram técnicas de extrair o consentimento. São oferecidos argumentos para objetar às típicas negações da família, alguns não verdadeiros, muito abaixo da elevada ética que o público espera da profissão médica. Um desses argumentos é: 'Estão registradas declarações autorizadas de líderes religiosos de todas as fés, indicando que em parte alguma há qualquer justificativa para oposição a autópsias com bases religiosas.' É lamentável que a sensibilidade religiosa dos judeus tradicionais seja tão cavalheirescamente rejeitada por declarações tão equivocadas. Embora haja notáveis exceções a essa regra, existe uma objeção religiosa definida à autópsia.

     Embora o motivo para o estudo médico seja importante, a tradição judaica forçosamente rejeita as autópsias realizadas para ensinar estudantes de Medicina, porque isso viola um princípio mais elevado: a mutilação do corpo do falecido. A Lei Judaica é governada por diversos princípios básicos;

     Primeiro, o homem foi criado à imagem de D'us, e na morte o corpo ainda conserva a unidade daquela imagem. Não se pode cometer violência à forma humana nem mesmo quando o sopro de vida expirou. O Judaísmo exige respeito pelo homem total, corpo e alma. O valor da integridade do homem não pode ser comprometido, nem na morte.

     Em segundo lugar, a dissecação do corpo, por motivos que não sejam urgentes e diretamente aplicáveis a casos médicos específicos, é considerada vergonha e desonra ao falecido. Assim como ele nasceu, merece ser colocado para repousar: amorosamente, não cientificamente, como se fosse um objeto impessoal de algum experimento. A santidade do ser humano exige que não desrespeitemos a sua pessoa.

     Terceiro, não temos permissão de usar seu corpo sem seu desejo expresso de que seja usado, e mesmo então é questionável se a própria pessoa pode desejar que mutilem a imagem na qual foi criada. Certamente, se o falecido durante sua vida não deu permissão expressa, nem mesmo seus filhos têm os direitos de posse sobre seu corpo. Assim, não temos o direito moral, exceto nos casos que serão mencionados, de usar o corpo oferecendo-o como objeto de estudo.

     (...)

     A decisão de realizar uma autópsia não deveria ser tomada pelo médico, não importa o quanto ele seja chegado à família e quão boa seja sua reputação. A proibição é de natureza moral-religiosa, e a permissão deve ser obtida de uma autoridade em lei religiosa após uma consulta com autoridades médicas."

 Trechos de Autópsia e Embalsamamento, de Maurice Lamm,
Associação Israelita de Beneficência Beit Chabad do Brasi
Leia o
texto integral aqui

 

       19h37min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Nirvana - All Apologies
   
 Corpo Presente

     "A forma como o corpo humano é visto e entendido sofreu inúmeras transformações ao longo da história. Na Idade Média, por exemplo, ele era considerado profano pela Igreja Católica. O papa Gregório Magno chegou a classificá-lo como 'abominável vestimenta da alma'. No Renascimento, porém, o corpo ganhou novas representações, algumas ainda em vigor. 'Na Renascença, teve início o que classifico de projeto educativo de racionalização do corpo. Graças ao uso de imagens, sobretudo as produzidas pela anatomia, foram construídas novas ideias e imaginações sobre essa estrutura física', afirma Vinícius Demarchi Silva Terra, que tratou do tema em sua tese de doutoramento, apresentada na Faculdade de Educação (FE) da Unicamp. Segundo ele, tal construção não foi neutra, visto que foi feita num contexto histórico, político e estético específico.(...)

     (...) a anatomia começou a ganhar espaço como um saber oficial no período em que o homem passou a ter necessidade de dominar e colonizar outras sociedades. Mas para que essa ciência prevalecesse sobre as demais foi preciso formular uma estratégia política e estética muito bem articulada, como esclarece Vinícius Terra. 'O que os cirurgiões da época fizeram, após articularem-se com os representantes do poder da época, foi criar uma produção cultural, de modo a sistematizar e consolidar a anatomia. Para atingir essa meta, eles usaram a tecnologia de difusão mais avançada no momento, que era a imprensa', diz.

      A ação compreendia o emprego da imprensa para reproduzir gravuras extremamente detalhadas do corpo humano. À época, os 'anatomistas' chegaram a encomendar obras nesse sentido a alguns dos mais renomados pintores em atividade, como Ticiano, um importante pintor da escola veneziana no período do Renascimento. 'Essas gravuras eram posteriormente enviadas para os melhores impressores da Europa. As produções eram tão bem feitas, que hoje são consideradas obras de arte'.

      Em algumas cidades européias, como Pádua e Montpellier, foram criados os teatros anatômicos, nos quais eram realizados verdadeiros espetáculos de dissecação de cadáveres, sob a forma de aulas de anatomia. As demonstrações, de caráter público, eram normalmente realizadas durante o Carnaval. 'Tratava-se de um período propício, tanto por ser inverno, o que evitava a rápida decomposição dos corpos, quanto por ser uma época profana segundo o calendário católico', esclarece Vinícius Terra. Conforme o pesquisador, os teatros eram divididos para receber o público comum e os convidados especiais, os vips de hoje.

      Além disso, durante as dissecações, há relatos da utilização de máscaras pelo público, como se este estivesse participando de uma festa carnavalesca. Concomitantemente, ocorriam apresentações musicais, diálogos cênicos e até mesmo pregações por parte de membros da Igreja, que aproveitavam a oportunidade para falar do destino do homem. De acordo com os clérigos, o que se via ali era apenas carne, que nada valia. O importante era cuidar do espírito. 'Tudo isso acabou se constituindo em uma produção cultural da época, que ajudou a consolidar o paradigma anatômico.'"

 Trecho da reportagem Corpo Presente, de Manuel Alves Filho,
Jornal da Unicamp, Nº 414, 20 de outubro a 2 de novembro de 2008

 

       19h04min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Counting Crows - Mr. Jones
   



 

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 22 de Novembro de 2009.
  Precisamos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para podermos viver a vida que nos espera. A pele velha tem que cair para que uma nova possa nascer."

Joseph Campbell
Mitólogo norte-americano

 Paramhansa Yogananda

     "Sri Yuktéswar nunca evitou as mulheres nem as culpou de serem causa da 'queda do homem'. Salientava que também as mulheres têm de se defrontar com a tentação do sexo oposto. Certa vez, perguntei ao Mestre por que um grande santo da antiguidade chamara à mulher 'a porta do inferno'.

     -- Uma jovem deve ter lhe transtornado a paz de espírito, quando moço. -- Meu guru respondeu causticamente. -- Do contrário, teria acusado, não a mulher, mas algum defeito em seu próprio autodomínio.

     Se um visitante se atrevia a contar, no eremitério, uma história maliciosa, o Mestre mantinha silêncio irreplicável. -- Não permita a si mesmo ser fustigado pelo látego provocante de um belo rosto -- dizia aos discípulos. -- Como podem os escravos dos sentidos apreciar o mundo? Sabores e aromas sutis lhes escapam enquanto rastejam no lodo primitivo. Todo discernimento está perdido para o homem afeito à luxúria.

     Estudantes procurando fugir à ilusão do sexo, induzida por máya, recebiam de Sri Yuktéswar conselho paciente e compreensivo.

     -- Assim como a fome, e não a gula, tem um propósito legítimo, também o instinto sexual foi criado pela Natureza, unicamente para a propagação das espécies, e não para manter acesos apetites insaciáveis. Destruam os maus desejos, agora; do contrário, permanecerão com vocês após o corpo astral ter se separado de seu invólucro físico. Mesmo quando a carne é fraca, a mente deveria resistir sem pausa. Se a tentação os assaltar com força cruel, vençam-na por meio da análise impessoal e da vontade indomável. Toda paixão natural pode ser dominada. Conservem seus poderes. Sejam como o oceano em sua vasta capacidade, absorvendo todos os rios tributários dos sentidos. Ânsias sensuais, renovadas diariamente, solapam sua paz íntima; são como fendas num reservatório, que permitem às águas vitais se perderem no solo deserto do materialismo. O impulso dos maus desejos, potente e ativador, é o maior inimigo da felicidade humana. Passeiem como um leão do autodomínio. Não consintam que as fraquezas dos sentidos saltem a seu redor como sapos.

     Um verdadeiro devoto termina por se libertar de todas as compulsões instintivas. Ele transmuta sua necessidade de afeto humano em aspiração a Deus apenas -- amor solitário, por ser onipresente."

 Trecho de Autobiografia De Um Iogue, de Paramhansa Yogananda,
Editora Self-Realization Fellowship, São Paulo 2008

 

       09h54min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Bobby McFerrin - I Hear Music
   
 Personagens da mitologia bali-hinduísta

    Personagens da mitologia bali-hinduísta, acima apresentados em ordem alfabética: Barong Ket, Bondres Bues, Bondres Cungih, Bondres Kete, Bondres Pasek Bendesa, Celuluk, Dalem, Hanuman, Jaran Gurang, Jatayu, Jauk Kras, Jauk Manis, Jero Gde, Jero Luh, Kumbakana, Laksmana, Leyak Barak, Mahisa Wedana, Mata Gde, Merdah, Monkey (Macaco), Ni Lenda Lendi, Nyoman Semariani, Patih Manis, Penasar Cenikan, Penasar Kelihan, Queen (Rainha), Rama, Rangda, Rarung, Rawana, Sangut, Sidha Karya Putih, Sidha Karya Selem, Sita, Subali, Telek Luh, Topeng Tua, Twalen, Wibisana.
 

 

       00h38min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Alanis Morissette - Hands Clean
   



 

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 21 de Novembro de 2009.
  Chato é o indivíduo que tem mais interesse em nós do que nós temos nele."

 

Millôr Fernandes
Escritor carioca

 Um trecho de Werther

    Maio, 22

    A vida humana não passa de um sonho. Mais de uma pessoa já pensou nisso. Pois essa impressão também me acompanha por toda a parte. Quando vejo os estreitos limites onde se acham encerradas as faculdades ativas e investigadoras do homem, e como todo o nosso trabalho visa apenas a satisfazer nossas necessidades, as quais, por sua vez, não têm outro objetivo senão prolongar nossa mesquinha existência; quando verifico que o nosso espírito só pode encontrar tranqüilidade, quanto a certos pontos das nossas pesquisas, por meio de uma resignação povoada de sonhos, como um presidiário que adornasse de figuras multicoloridas e luminosas perspectivas as paredes da sua cela... tudo isso, Wilhelm, me faz emudecer. Concentro-me e encontro um mundo em mim mesmo! Mas, também aí, é um mundo de pressentimentos e desejos obscuros e não de imagens nítidas e forças vivas. Tudo flutua vagamente nos meus sentidos, e assim, sorrindo e sonhando, prossigo na minha viagem através do mundo.

    As crianças - todos os pedagogos eruditos estão de acordo a este respeito - não sabem a razão daquilo que desejam; também os adultos, da mesma forma que as crianças, caminham vacilantes e ao acaso sobre a terra, ignorando, tanto quanto elas, de onde vêm e para onde vão. Não avançam nunca segundo uma orientação segura; deixam-se governar, como as crianças, por meio de biscoitos, pedaços de bolo e ameaças. E, como agem por essa forma, inconscientemente, parece-me, que se acham subordinados à vida dos sentidos.

     Concordo com você (porque já sei que você vai contraditar-me) que os mais felizes são precisamente aqueles que vivem, dia a dia, como as crianças, passeando, despindo e vestindo as suas bonecas; aqueles que rondam, respeitosos, em torno da gaveta onde a mãe guardou os bombons, e quando conseguem agarrar, enfim, as gulodices cobiçadas, devoram-nas com sofreguidão e gritam: “Quero mais!” Eis a gente feliz! Também é feliz a gente que, emprestando nomes pomposos às suas mesquinhas ocupações, e até às suas paixões, conseguem fazê-las passar por gigantescos empreendimentos destinados à salvação e prosperidade do gênero humano. Tanto melhor para os que são assim! Mas aquele que humildemente reconhece o resultado final de todas as coisas, vendo de um lado como o burguês facilmente arranja o seu pequeno jardim e dele faz um paraíso, e, de outro, como o miserável, arfando sob seu fardo, segue o seu caminho sem revoltar-se, mas aspirando todos, do mesmo modo, a enxergar ainda por um minuto a luz do sol... sim, quem isso observa à margem permanece tranqüilo. Também este se representa a seu modo um universo que tira de si mesmo, e também é feliz porque é homem. E, assim, quaisquer que sejam os obstáculos que dificultem seus passos, guarda sempre no coração o doce sentimento de que é livre e poderá, quando quiser, sair da sua prisão.

 Trecho do romance epistolar Os Sofrimentos do Jovem Werther,
de Johann Wolfgang von Goethe, escrito em 1774
Fonte: Projeto Goethe

 

       00h46min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Ella Fitzgerald - Organ Grinder's Swing
   



 

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 20 de Novembro de 2009.
  O coração do homem pode estar deprimido ou excitado. Em qualquer dos dois casos o resultado será fatal."
 

Lao Tsé
Sábio chinês da antiguidade

 La Chimère



La Chimère, por Jack Sk., 2009
Arte Digital - Montagem em Gif de 510 x 543 pixels e Grayscale

Referências: Desenho anatômico de Henry Gray, desenho artístico de Spirog e imagem vetorizada de coroa
 

 

       14h02min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              The Smiths - Ask
   
 Coração



Coração, por Jack Sk., 2009
Arte Digital - Montagem em Gif de 510 x 927 pixels e Grayscale

Referências: Desenho anatômico de Henry Gray e imagem vetorizada de árvore
 

 

       08h39min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Cartola - Preciso Me Encontrar
   



 

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 19 de Novembro de 2009.
  Um homem é um gênio quando está sonhando."

 

Akira Kurosawa
Cineasta japonês

 Japão

Japão, por Jack Sk., 2009
Arte Digital - Série de 2 Gifs em 500 x 327 pixels e 16 cores
 

Referências: Cartaz de Memoirs of a Geisha (2005), de Rob Marshall e Bandeira Oficial do Japão (Hinomaru)
 

 

       19h38min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Legendary Tiger Man - Life Aint Enough For You
   



 

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 18 de Novembro de 2009.
  A tortura é uma experiência humilhante. A meta não é obter informação, mas castigar-nos e destroçar-nos tanto, que façamos o que as autoridades querem. Transformamo-nos num exemplo para os outros, que ficam aterrorizados para sempre."

Isabel Allende
Jornalista e escritora chilena

 

 Literatura e Autoritarismo

     "Os relatos de sobreviventes dos campos usualmente coincidem em descrições da arbitrariedade da violência empregada pelos guardas como forma de manifestação de poder, das condições difíceis da sobrevivência, da dificuldade em levar-se uma vida normal após os campos; assim ao público de Bernhard, ainda que não fossem especialistas no assunto, é fácil identificar as alusões. Para exemplificar o afirmado, proponho a comparação de trechos da obra do austríaco com trechos de depoimentos de sobreviventes dos campos apresentados no livro de Todorov Em face do extremo.

     Aos sobreviventes do Holocausto ficava sempre a dúvida se, fora dos campos, poderiam algum dia ter uma via normal, se seriam felizes novamente. Mas a brutalidade desta experiência produziu em grande parte deles danos irreparáveis: nas palavras de Todorov, '(...) os sobreviventes dos campos se tornaram, na sua grande maioria, pessoas depressivas e sofredoras. A proporção de suicidas é anormalmente alta entre eles, como a de doenças mentais ou físicas' (1994, p. 288). Bernhard em sua descrição dos 'sobreviventes' do internato se expressa em termos semelhantes:

     '(...) o jovem saído ou fugido de uma tal instituição ou internato (...), seja ele quem for e independente do que venha a se tornar, nada mais será do que alguém humilhado até a morte, uma natureza desesperançada, e portanto uma natureza irremediavelmente perdida para o resto da vida, para o resto de uma existência sempre aniquilada (vernichtet) por sua passagem por um tal cárcere educacional na condição de prisioneiro, viva ela ainda quantas décadas for, como ou onde viver' (p. 132).

    Na descrição da população civil, as semelhanças continuam: fome, luta pela sobrevivência, que os torna indiferentes ao sofrimento alheio,
 '(...) à morte audível e visível desse ou daquele semelhante' (p. 143): 'Na cidade, (...) não pensavam em outra coisa que não fosse sobreviver – de que forma, era-lhes já indiferente' (p. 161) – essas são palavras de Bernhard, mas poderiam ser dos sobreviventes apresentados por Todorov, como é perceptível na seguinte citação, palavras de Tadeuz Borowski, ex-prisioneiro de Auschwitz: 'Tínhamos nos tornado indiferentes ao sofrimento dos outros; para sobreviver, era necessário pensar apenas em si (...)' (p. 40).

     E na apresentação dos excluídos, no caso, do garoto aleijado e do professor, a proximidade dos registros prossegue. Vejamos as seguintes observações do autor: 'o grau de vileza que a zombaria, o escárnio, a destruição e a aniquilação (Vernichtung) dessas vítimas é tal que sem mais, uma tal vítima é morta' (p. 210), ou ainda '(...) a sociedade ou comunidade de fato experimenta nelas (vítimas) toda a sorte de crueldade e vileza, e o faz quase sempre até matá-las' (p. 211), conclui então que séculos nada mudaram nesse tocante, pelo contrário, 'os métodos foram aprimorados, tornando-se ainda mais terríveis e infames' (p. 211)."

 Trecho de Literatura e Autoritarismo: Dossiê “Escritas da Violência” - Representação da Áustria católico-nacional-socialista na autobiografia
de Thomas Bernhard
, por Patricia Miranda Dávalos, UFSMa, 2008
Leia o texto integral aqui.

 

       22h27min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Neil Sedaka - Oh! Carol
   
 Vigiar e Punir, de Foucault

     "(…) Acendeu-se o enxofre, mas o fogo era tão fraco que a pele das costas da mão mal e mal sofreu. Depois, um executor, de mangas arregaçadas acima dos cotovelos, tomou umas tenazes de aço preparadas ad hoc, medindo cerca de um pé e meio de comprimento, atenazou-lhe primeiro a barriga da perna direita, depois a coxa, daí passando às duas partes da barriga do braço direito; em seguida os mamilos. Este executor, ainda que forte e robusto, teve grande dificuldade em arrancar os pedaços de carne que tirava em suas tenazes duas ou três vezes do mesmo lado ao torcer, e o que ele arrancava formava em cada parte uma chaga do tamanho de um escudo de seis libras. Depois desses suplícios, Damiens, que gritava muito sem contudo blasfemar, levantava a cabeça e se olhava; o mesmo carrasco tirou com uma colher de ferro do caldeirão daquela droga fervente e derramou-a fartamente sobre cada ferida. Em seguida, com cordas menores se ataram as cordas destinadas a atrelar os cavalos, sendo estes atrelados a seguir a cada membro ao longo das coxas, das pernas e dos braços."

 Trecho de Vigiar e Punir, de Michel Foucault,
Editora Vozes, São Paulo, 36ª Edição, 2007
 

 

       21h52min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Paul Anka - Diana
   



 

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 13 de Novembro de 2009.
  A ideia fixa, que faz cometer mais crimes do que todos os outros desregulamentos da natureza humana, deve-se recear ainda mais quando apresenta a máscara do amor."

John Galsworthy
Romancista inglês

 Nicole Baby and Pretty Pat Blackness

Via latenightfeelings.com, divulgado por Fluffy Lyches

 

       13h24min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Jane's Addiction - True Nature
   
 Um trecho do Kama Sutra

     "Quando a mulher percebe que seu amante está cansado por uma cópula prolongada, sem que o seu desejo tenha sido satisfeito, ela deve, com a devida permissão, fazê-lo deitar-se de costas e ajudá-lo, desempenhando o papel dele. Também pode fazer isso para satisfazer a curiosidade do amante, ou o seu próprio desejo de inovação. Há dois modos de simular o papel do homem. O primeiro é quando, durante a relação sexual, a mulher se volta e fica por cima do amante, de modo a continuar a relação sexual, sem interromper o prazer. O outro é quando é ela quem faz o papel do homem desde o início. Nesse caso, com flores nos cabelos soltos e sorrisos intercalados com uma respiração ofegante, ela deve pressionar o peito do amante com os seios e, abaixando freqüentemente a cabeça, fazer as mesmas coisas que ele fazia, infligindo-lhe os mesmos golpes, zombando dele e dizendo: 'Você me deitou de costas e me cansou com a sua violência, por isso vou fazer-lhe o mesmo'."

 Trecho de Kama Sutra, por Vatsyayana, Versão de Sir Richard Burton,
traduzido por Maria Clara de Biase W. Fernandes
Editora Ediouro, São Paulo, 1992

 

       13h07min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Jane's Addiction - Up The Beach
   
 Será

     "Uma quinta-feira amanhece na longitude 170 leste, recebe a noite na longitude 40 oeste. Ovos de pássaros, de peixes e de répteis se rompem, maçãs caem das árvores, correm os rios, o mar em ondas visita as rochas. Magma quente percorre galerias subterrâneas, o vento agita as folhas, arrepia os bichos, transporta nuvens. No céu os gaviões atacam codornas, na mata leões devoram antílopes, no mar golfinhos amamentam seus filhotes. Sinais eletrônicos transcorrem o planeta, cai a chuva e estala o deserto sob o sol. Pensamentos e sensações se cruzam à deriva em trajeto pelo ar e milhões de mamíferos copulam no mesmo instante. Rebentam-se bolsas d’água, placas tectônicas rangem suavemente sob o solo, sementes germinam. Amanhece e anoitece no planeta que faz do calor e da luz fontes essenciais para a vida."

 Trecho de Será, de Ivan Hegenberg,
Editora Ragnarok, São Paulo, 1ª Edição, 2007
 

 

       12h22min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Lambchop - Is A Woman
   



 

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 11 de Novembro de 2009.
  Todo homem que conheci ia para a cama com Gilda. E acordava comigo."


 

Rita Hayworth
Atriz norte-americana
de 1935 a 1972

 Rita Hayworth

Rita Hayworth, em Salome, 1953

Rita Hayworth, em Gilda, 1946

    Dá pra imaginar como deve ter sido fácil pra ela, do alto de seus 1.68m e seus 55kg, levar caras como Orson Welles, Dick Haymes e o Príncipe Aly Khan ― Apenas pra citar alguns de seus cinco ex-maridos ― ao altar, simplesmente pra se divorciar mais tarde, quando já estava provavelmente de saco cheio de cada um deles.

    Pensando bem, até eu, se tivesse um corpo e um rosto desses, ia me enjoar de qualquer coisa que não fosse eu mesmo.
 

 

       14h13min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Porno For Pyros - Pets
   



 

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 9 de Novembro de 2009.
  A minha forma de brincar é dizer a verdade. É a brincadeira mais engraçada do mundo."

 

George Bernard Shaw
Dramaturgo irlandês

 Os peixes



                                                                                                                               Fotos: Jack Sk., 2006

Os peixes são felizes sempre que chove bolhas.
Os peixes são felizes porque nunca morrem de sede.

Os peixes são felizes porque nunca fazem escolhas.
Os peixes são felizes sempre que escapam da rede.

Os peixes são felizes sempre que um barco se afasta.
Os peixes são felizes porque nunca guardam mágoa.

Os peixes são felizes até quando o mar os arrasta.
Os peixes são felizes, na verdade, até debaixo d'água.

                                                               Jack Sk.

 

       19h42min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Vive La Fête - Noir Desir
   



 

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 7 de Novembro de 2009.
  A televisão é como a invenção das instalações sanitárias dentro da casa. Ela não mudou os hábitos das pessoas. Ela apenas os manteve dentro da casa."

Sir Alfred Joseph Hitchcock
Cineasta anglo-americano

 Crónicas da Mente Esquecida

     "Onírica intrusiva em estado de vigília, não na área de transferência, figura-se num suposto surto psicótico de alienação de uma realidade para uma outra cuja validade é tão questionável quanto a primeira, onde a veracidade e a índole genuína impõem perspectiva perceptiva incontornável, onde o controlo não existe apesar de também não preexistir anteriormente, afinal que ditames reguladores de norma fundamentam as alterações neurológicas, químicas e eléctricas, que nos fazem meramente acreditar que o funcionamento anterior a essas mudanças era o que nos conduzia a uma visão distante da turbulência errónea, à distorção da imagem, do próprio e do mundo?

     Poderá a simplicidade básica regida pelo papel regulador da frequência mais comum conter a potenciação e o poder de elaborar as regras que devem ser seguidas e mantidas para discernir o que é o quê, se a dinâmica inconclusiva e permanente do todo mais geral que tudo, nos parece dizer que o mais claro seria não existirem regras de conclusão pura para fundar a visão que se constrói do mundo?

     Será assim de tão difícil aceitação que todos os outros possam estar tão errados quanto eu? Se eu sou psicótico, como me poderão os outros demonstrar, a mim e a eles próprios, que não o são, eles em vez de mim? De qualquer forma não faz qualquer sentido que se diga que há quem não seja psicótico, se todos distorcemos claramente a realidade total, interna e externa, vendo-a como só nós conseguimos ver, o acesso à realidade como uma espécie única e individual, quando se pensa que à sintonia comunicacional, e se crê ver o que os outros também vêm, isso é tão real quanto a realidade que eu digo ver quando me dizem que são frutos alucinogénicos. Não será essa dimensão, uma simbólica? Uma diferente daquelas que o pseudo-comum-não-psicótico diz não conseguir aceder, e logo nega a existência da possibilidade?

     Estou tão convencido como os demais que o que vejo é real, se me dizem que não é, não poderei eu dizer-vos o mesmo?

     Pois, e também podem perfeitamente dizer que é fantástica ou fantasmática, ou simples filosofia, indubitável mas duvidosa demais para fazer-vos perceber que a minha realidade é apenas igual à vossa, o que digo é que todos a vemos diferente. Tão diversa é a construção, que vos levo a crer que não pode ser normal ou mesmo no caso dela existir, mesmo assim não é real, mas será que a vossa o é?

     Querem-me convencer que as coisas que vejo são construções da minha mente, que de facto não existem neste nosso mundo, querem que eu deixe de ver, deixe de acreditar, querer cegar os meus olhos com psicofármacos, querem-me acalmar e calar para que eu não vos possa dizer que os cegos são vocês, que são vocês que no fundo não vêem, são vocês aqueles que temem, sim que têm tanto medo de estar enganados que mais vale que os que vos contestam sejam apagados, escondidos e enclausurados em instalações dignas, para que não possam perturbar a vossa realidade certeira, aquela que vocês têm a certeza que é a realidade real.

     Também me chamam outros nomes, como perturbado ou esquizofrénico, deixa-vos mais seguros pensar que conhecem e controlam a realidade que querem ver e impor, e não, não pode ninguém ver outra coisa qualquer senão, no caso de o dizer, é condenado às vossas interessantes nomenclaturas psiquiátricas, folheadas dum catálogo patológico, inventado por vós, uma realidade tão inventada pelas vossas cabeças quanto a realidade que vejo é inventada pela minha.

     Sim, não nego a revolta que já nem se esconde nestas palavras, o problema não é me discriminarem por ser o vosso suposto doente mental, o problema é vocês continuarem a achar piamente que não há nada de verdade no que vêem pessoas como eu. Até parece que alguém é dono da verdade! Pelos vistos há quem almeje ser, um deus tão deus, como todos aqueles que vocês também generosamente inventaram, para fins tão nobres como por exemplo a diminuição do medo de existir e de não existir e do receio de viver e de não viver, para terem uma paz que não teriam se não os inventassem. E depois o louco sou eu!"

 Trecho de Crónicas da Mente Esquecida, por João Castanheira,
Publicadas no Jornal de Albergaria, em Aveiro, Portugal, em 23/12/2008

 

       11h27min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Velvet Underground - Pale Blue Eyes
   
 Psycho

Anthony Perkins, como Norman Bates; Janet Leigh, como Marion Crane e o Diretor Alfred Hitchcock, em alguns momentos de Psycho (Psicose), 1960.
 

 

       11h15min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Velvet Underground - Sunday Morning
   



 

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 6 de Novembro de 2009.
  O moralista tradicional, quem quer que seja ele, recai invencivelmente na rotina de persuadir-nos que o prazer é um bem, que a via do bem nos é traçada pelo prazer."

Jacques Lacan
Psicanalista francês

 Duas prosas poéticas de Rimbaud

Bárbaro

    Bem depois dos dia e das estações, pessoas e países,A bandeira em carne viva sobre a seda de oceanos e flores árticas; (elas não existem.)
    Livre das velhas fanfarras do heroísmo ― que ainda nos atacam cabeça e coração ― longe dos velhos assassinos ―
    Oh! A bandeira em carne viva sobre a seda de oceanos e flores árticas; (elas não existem.)
    Doçuras!
    As brasas, chovendo em rajadas de geada, ― Doçuras! ― os fogos na chuva de vento de diamantes lançada pelo coração terrestre eternamente carbonizado para nós. ― Ó mundo! ―
    (Longe dos velhos refúgios e das velhas chamas, que se ouve, e se sente,)
    As brasas e as espumas. Música, abismos invertidos e choque de flocos de gelo contra os astros.
    Ó doçuras, ó mundo, ó música! E lá, as formas, os suores, os cabelos e os olhos, flutuando. E as lágrimas brancas, borbulhantes, ― ó doçuras! ― e a voz feminina que chega ao fundo dos vulcões e grutas árticas.
    A bandeira...

Jean-Nicholas Arthur Rimbaud
Traduzido por Rodrigo Garcia Lopes

As Pontes

    Céus de cristal gris. Bizarro desenho de pontes, estas retas, aquelas em arco, outras descendo em ângulos oblíquos sobre as primeiras, e essas figuras se renovando nos outros circuitos iluminados do canal, mas todas tão longas e leves que as margens, cheias de cúpulas, afundam e encolhem. Algumas dessas pontes ainda estão cheias de barracas, Outras sustentam mastros, sinais, frágeis parapeitos. Acordes menores se cruzam, e somem, as cordas escalam os barrancos. Distingue-se uma roupa vermelha, talvez outros trajes e instrumentos musicais. São árias populares, trechos de concertos senhoriais, restos de hinos públicos? A água é gris e azul, larga como um braço de mar. ― E um raio branco, desabando do alto do céu, aniquila esta comédia.

Jean-Nicholas Arthur Rimbaud
Traduzido por Rodrigo Garcia Lopes

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  .................................... Le Bateau ivre
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  .................................... Os corvos de Rimbaud
 

       17h32min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              The Kinks - Lola
   



 

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 5 de Novembro de 2009.
  Uma visita ao hospício mostra que a fé não prova nada."

 

Friedrich Wilhelm Nietzsche
Filósofo alemão

 Pulp Book

Joni Harbeck, pelas lentes de Neil Krug.
Gostou? Tem muito mais em Pulp Book.
 

 

       18h14min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Rammstein - Pussy
   



 

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 4 de Novembro de 2009.
  Os homens gostam de se ver refletidos em espelhos pouco transparentes."

 

Pär Fabian Lagerkvist
Escritor sueco

 O Amante de Lady Chatterley

     "A nossa época é essencialmente trágica, e por isso recusamo-nos a ver nela a tragédia. Mas o cataclismo já aconteceu; estamos entre ruínas, começamos a reconstruir pequenas casas, refazer pequenas esperanças. O trabalho é árduo: o caminho para o futuro não será tranquilo: apesar de tudo, damos a volta, arrastamo-nos sobre as pedras. Só nos resta viver, não importa quantos céus tenham caído."

     "Fala-se que o mundo está repleto de possibilidades, mas elas se estreitam e apequenam na experiência da vida da maioria de nós. Há milhares de peixes bons no mar... talvez... contudo os grandes cardumes são de cavalas ou arenques, e quem não é cavala ou arenque está condenado a encontrar muito pouca companhia."

     "Todas as palavras generosas pareciam ter sido censuradas para a sua geração, pensava Connie: amor, alegria, felicidade, mãe, pai, esposo, todas estas palavras bonitas e dinâmicas estavam agora agonizantes, morrendo mais a cada dia. Lar era onde se morava; amor uma coisa com a qual não se perdia tempo; alegria um adjetivo que se aplicava a um bom charleston; felicidade um termo hipócrita usado para causar inveja às pessoas; pai um indivíduo que cuidava da própria vida; esposo o homem com quem se vivia em comunhão de espírito. Quanto ao sexo, a última das palavras da lista, ele era apenas a gíria com que, nos coquetéis, as pessoas se referiam a uma excitação que nos despe por pouco tempo, e depois nos deixa mais esfarrapados do que nunca. Esfarrapados. Era como se a própria matéria de que somos feitos fosse um tecido barato que esfiapasse e virasse nada."

     "O modo pelo qual a nossa simpatia flui e reflui é que determina a nossa vida. E nisso reside a enorme importância da novela, quando bem realizada. Ela é capaz de informar e guiar a novos rumos o fluxo da nossa consciência simpática, e de levar embora a nossa simpatia pelas coisas que morreram, quando em refluxo. Portanto, a novela bem realizada pode nos revelar os lugares mais recônditos da vida: pois é nos lugares recônditos e passionais da vida, acima de tudo, que a maré da consciência sensível precisa fluir e refluir, lavando e purificando a existência."

 Trechos de O Amante de Lady Chatterley, de David Herbert Lawrence,
Traduzido por Fernando B. Ximenes, Publifolha, São Paulo, 1998
via Além do muro da estrada
 

 

       20h00min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Fausto Fawcett - Kátia Flávia
   



 

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 3 de Novembro de 2009.
  Homem livre, tu sempre gostarás do mar."


 

Charles Baudelaire
Poeta e escritor francês

 Staring at the sea

    Staring at the sea: acho que eu sei em que Robert Smith e os caras do The Cure pensavam quando escolheram esse nome pro álbum da banda em 1986. E também acho que preciso pensar seriamente em começar a praticar mergulho.

Fotografias via ModBlog BMENEWS

 

       19h12min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              The Cure - In Between Days
   



 

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 1º de Novembro de 2009.
  A religião de uma sociedade é a piada da outra."

 

George Bernard Shaw
Dramaturgo irlandês

 Cânticos 5
  1 ¶ Já entrei no meu jardim, minha irmã, minha esposa; colhi a minha mirra com a minha especiaria, comi o meu favo com o meu mel, bebi o meu vinho com o meu leite; comei, amigos, bebei abundantemente, ó amados.
  2 ¶ Eu dormia, mas o meu coração velava; e eis a voz do meu amado que está batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite.
  3 Já despi a minha roupa; como as tornarei a vestir? Já lavei os meus pés; como os tornarei a sujar?
  4 O meu amado pôs a sua mão pela fresta da porta, e as minhas entranhas estremeceram por amor dele.
  5 Eu me levantei para abrir ao meu amado, e as minhas mãos gotejavam mirra, e os meus dedos mirra com doce aroma, sobre as aldravas da fechadura.
  6 Eu abri ao meu amado, mas já o meu amado tinha se retirado, e tinha ido; a minha alma desfaleceu quando ele falou; busquei-o e não o achei, chamei-o e não me respondeu.
  7 Acharam-me os guardas que rondavam pela cidade; espancaram-me, feriram-me, tiraram-me o manto os guardas dos muros.
  8 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que, se achardes o meu amado, lhe digais que estou enferma de amor.
  9 ¶ Que é o teu amado mais do que outro amado, ó tu, a mais formosa entre as mulheres? Que é o teu amado mais do que outro amado, que tanto nos conjuras?
  10 O meu amado é branco e rosado; ele é o primeiro entre dez mil.
  11 A sua cabeça é como o ouro mais apurado, os seus cabelos são crespos, pretos como o corvo..
  12 Os seus olhos são como os das pombas junto às correntes das águas, lavados em leite, postos em engaste.
  13 As suas faces são como um canteiro de bálsamo, como flores perfumadas; os seus lábios são como lírios gotejando mirra com doce aroma.
  14 As suas mãos são como anéis de ouro engastados de berilo; o seu ventre como alvo marfim, coberto de safiras.
  15 As suas pernas como colunas de mármore colocadas sobre bases de ouro puro; o seu aspecto como o Líbano, excelente como os cedros.
  16 A sua boca é muitíssimo suave, sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalém

Cânticos 5, Antigo Testamento, Versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel (Ed. 1994)
Você pode ler os Cânticos por completo, aqui

 

 

       11h39min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Velvet Underground & Nico - Run Run Run
   
 Genesis

E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
                                                                    Genesis 1:3

Fotografia de Ron Harris

 

       10h55min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Lou Reed - A Walk On The Wild Side
   
 As primeiras relações sexuais pelo mundo

   Enquanto um jovem malaio tem sua primeira relação sexual em média aos 23 anos, um outro jovem, nascido na Islândia, vive a mesma experiência entre os 15 e 16 anos. O infográfico acima pode ser acessado aqui de forma interativa, e se interpretado em paralelo aos infográficos relacionados daqui, dá pra começar a entender um pouco melhor porque as coisas são assim.
 

 

       10h36min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Lou Reed - How Do You Think It Feels
   
 Tudo de novo

     Mais um mês novo e tudo na mesma. Eu até acharia isso ruim se não fosse pelo fato de estar plenamente convencido de que permanecer igual não deixa de ser uma grande vantagem diante de um mundo que só muda pra pior a cada dia que passa. Tá certo, algumas coisas até chegam a ficar um pouco melhores, mas de uma forma geral, a maioria delas caminha sempre ladeira acima e contra o vento pra que isso aconteça.

    Pois é, então é isso aí: vamos arrumar nossas mochilas e nos preparar pra mais um mês de caminhada, porque se a gente estiver disposto a evoluir é bom sabermos que devemos ter pelo menos mais uns 4 milhões de anos pela frente até que possamos começar a deixar definitivamente de lado a nossa estúpida maneira primata de lidar com as coisas.
 

 

       09h58min  Comente   Posted By Jack Sk.  

                              Lou Reed - Sweet Jane
   

 

   

    



 

Toda a proposta deste blog está resumida em seu título e subtítulo: "Blood Pack - sobre a arte de reciclar seu próprio sangue". Se você não entendeu o que isso significa, é provável que não entenda mais nada do que acontece por aqui. Aliás, se você não entendeu isso, é bastante provável também que nem esteja lendo esta nota, afinal de contas, quem lê as letras miúdas nos contratos, não é mesmo?

Blood Pack é escrito e produzido por Jack Skellington. Você pode reproduzir os meus  textos onde quiser, mas cite a fonte.  Se você gostou do que leu aqui, escreva um e-mail comentando, pra gente conversar. Se não gostou, nem perca tempo tentando me azucrinar, pois eu não vou estar nem aí pra tua crítica. Se curtiu o blog, indique-o para os seus inimigos. Se não curtiu, vá tomar no cu e não volte mais aqui, que você ganha mais.

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